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Dicas de Vestibular

Verão, férias, praia e... ops, doenças!

Dicas de Vestibular

02/03/2021 13h04

Por Renato Correa, professor do Anglo Vestibulares

 

Se não fosse pela pandemia haveria um maior número de pessoas nos mais de 7 mil quilômetros de praias deste nosso Brasil.

Embora tenhamos visto muitas praias cheias neste verão, mesmo contra as recomendações epidemiológicas, alguns dos principais destinos turísticos do país sentiram falta, justamente, dos turistas.

Quando chegam nossas férias de verão e começamos a arrumar as malas para ir à praia, nos lembramos das roupas de banho, do protetor solar, dos óculos escuros, mas às vezes nos esquecemos dos perigos que podemos encontrar.

Em algumas localidades, o sistema de saneamento básico não suporta o aumento da população causado pela chegada de grande número de turistas. O maior volume de esgoto jogado no mar eleva o número de coliformes fecais (bactérias intestinais), tornando a água imprópria para banho. Às vezes esse esgoto também é despejado em rios que podem estar contaminados com os coliformes e com alguns vírus. A contaminação por tais microrganismos pode desencadear diarreias e vômitos. Associados ao calor da estação do ano, essas condições podem levar a quadros de desidratação sérios. Por isso, se estiver em praias com grande fluxo de pessoas, evite os banhos nesses rios e curta o mar (se não houver interdição, claro), além de se hidratar constantemente.

Mas, falando em hidratação, um assunto reincidente nos vestibulares é o controle hídrico do corpo. Vale fazer uma revisão sobre a filtração renal pelos glomérulos e a atuação do hormônio antidiurético (ADH) na reabsorção de água, especialmente nos casos de maior perda de água pelo corpo, como nas diarreias e vômitos relatados anteriormente.

Em relação aos vírus, é importante conhecer sua estrutura e lembrar que possuem apenas um tipo de ácido nucleico, DNA ou RNA, envolvidos por um capsídeo (capa proteica). Em alguns casos, como no Sars-Cov-2 (coronavírus causador da Covid-19), também há um envelope lipoproteico. Lembre-se também dos ciclos lítico e lisogênico dos bacteriófagos e do ciclo do HIV, um retrovírus. Muitas vezes as questões associam doenças como bacterioses ou viroses com a imunização ativa, isto é, a produção de anticorpos pelo sistema imunológico, tanto de forma natural (adquirindo a doença) como de forma artificial (tomando vacinas) — a vacina gera memória imunológica, com a intenção de evitar a contaminação e o desenvolvimento da doença nos indivíduos imunizados.

Outros parasitas podem espreitar nas areias das praias esperando por um hospedeiro desavisado. Você já ouviu falar no bicho geográfico? Seu nome científico é Ancylostoma braziliense, um nemátodo, cujos hospedeiros naturais são os cães e gatos. Esses animais contaminados possuem os vermes no intestino e, ao defecarem nas areias das praias, eliminam os ovos do parasita, os quais eclodem, liberando larvas que ficam na areia fofa (aquela mais distante do mar), esperando por um gato ou cachorro. Mas, se um humano entra em contato com essas larvas, elas penetram por sua pele e, não tendo achado seus hospedeiros naturais, não conseguem atingir o intestino e completar seu ciclo. O resultado são larvas que ficam se deslocando por baixo da pele provocando intensa coceira que pode levar a lesões e infeccionar, aumentando os possíveis prejuízos.

Ao ler esse parágrafo você pode ter se lembrado de vermes com ciclo de vida bem semelhante a esse, mas que têm o ser humano como seu hospedeiro: o Ancilostoma duodenale e o Necator americanus, causadores do amarelão. Uma diferença, porém, é que as larvas do amarelão se desenvolvem na terra úmida, e não na areia.

Mas a coceira adquirida na praia também pode ter outra origem: fungos, organismos eucariontes, uni ou pluricelulares, heterótrofos, cujas células possuem parede celular de quitina e armazenam glicogênio como carboidrato de reserva energética. As micoses causadas por esses organismos podem se apresentar como manchas na pele, que se espalham com grande facilidade pelo corpo da pessoa e dos outros habitantes da mesma casa se alguns cuidados não forem tomados. Toda roupa pessoal, roupa de cama e banho deve ser lavada separadamente e não ter contato com os pertences de outras pessoas, já que os esporos dos fungos podem se propagar e contaminá-las.

A intenção desse texto não é acabar com as férias de ninguém, apenas lembrar que dá para curtir e se cuidar ao mesmo tempo e de que ainda não é conveniente se aglomerar por aí. Tomara que possamos voltar à vida normal o mais breve possível.

Sobre os Autores

O Dicas de Vestibular é produzido e atualizado pelos professores do Anglo Vestibulares e do Sistema Anglo de Ensino.

Sobre o Blog

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