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A redação no vestibular: quando o gênero solicitado não é uma dissertação

Dicas de Vestibular

17/12/2020 13h43

Por Flávia Consolato, corretora-chefe da equipe de Redação do Anglo Vestibulares

A maioria dos vestibulares do país cobra uma dissertação-argumentativa na prova de redação. É assim, por exemplo, na Fuvest, na Unesp e no Enem, e isso você já deve saber. Outras instituições, porém, como Unicamp, UFRN, UnB e UEM, optam por gêneros textuais diversos no processo de seleção, o que pode ser uma preocupação a mais para os estudantes. Embora, sem dúvida, isso exija que o vestibulando saia da zona de conforto, não é motivo para apreensão, uma vez que os diferentes gêneros estão bem próximos do seu cotidiano. A maioria das pessoas está acostumada a ler notícias, editoriais, postagens nas redes sociais, anúncios publicitários e uma grande variedade de textos em diversos formatos em muitas plataformas. Atualmente, como você provavelmente reparou, petições, abaixo-assinados e notas de repúdio também têm circulado bastante nas redes e aplicativos de mensagem. Em cada um deles, podemos perceber características específicas, um modo de dizer peculiar que visa atingir determinado propósito em dado contexto.

Para entrarmos de vez nesta conversa sobre gêneros, quero apresentar algumas palavras do linguista e professor de Harvard Steven Pinker: "Escrever é, antes de tudo, um ato de faz de conta. Temos que nos imaginar em algum tipo de conversa ou correspondência, ou discurso, ou solilóquio, e colocar palavras na boca do pequeno avatar que nos representa nesse mundo simulado".

Ao definir o ato da escrita, Pinker traduz muito bem o que deve ocorrer numa prova de redação que exige gêneros de dentro e, principalmente, de fora do ambiente escolar. O vestibulando precisa saber simular uma situação de comunicação, brincar — a sério — de faz de conta. Não à toa, a maioria das propostas se inicia assim: "Imagine-se como…", "Simule que você…", ou ainda "Você é…" para indicar que tipo de personagem ou que máscara discursiva é  preciso vestir.  Independentemente do gênero solicitado, é essencial seguir os comandos da prova e entrar no "jogo" que está sendo proposto. Cada gênero e cada situação vão exigir diferentes recursos: linguagem formal ou levemente informal, adequada à situação e ao(s) interlocutor(es); uma interlocução –  marcada (explícita) ou não, porém sempre presente –, entre outros.  Assim, é no contato com diversos tipos de publicação que você vai perceber as particularidades de cada gênero — quem diz, o que e como diz, para quem diz —, por isso recomendo variar suas leituras.

A base de sua redação — aquilo que não pode faltar — vai ser explicitada no enunciado da prova. É fundamental, portanto, ler muito atentamente as orientações fornecidas a fim de cumprir as tarefas solicitadas. E não se preocupe porque, do mesmo modo que nas provas que exigem uma dissertação, os exames que solicitam outros gêneros fornecem um ou mais textos de apoio para subsidiar a sua produção. Lembre-se de não copiar nem o enunciado nem trechos desses textos. Você deve se apropriar dessas informações, o que significa explorá-las tendo em mente seu projeto de texto. As Bancas esperam que você seja um leitor crítico, capaz de fazer inferências, ou seja, de ler não só a superfície dos textos motivadores, mas de mergulhar também nos seus sentidos implícitos, fazer pressuposições e tecer relações pertinentes com outros textos e referências de seu repertório sociocultural. Nada de forçar a barra. Quanto mais a produção parecer natural, maiores serão as chances de ser bem-sucedido.

Em resumo, em vez de se preocupar com os aspectos formais dos gêneros e tentar adivinhar qual pode cair, tarefa irrealizável, dada a quantidade imensa de gêneros e situações de comunicação possíveis, a melhor estratégia para se preparar é ler diferentes tipos de publicações que circulam socialmente e, como não poderia deixar de ser, estudar e resolver provas anteriores. Escreva, reescreva e, se possível, peça a alguém que leia seu texto. O site  da Comvest (Comissão Permanente para o Vestibular da Unicamp) fornece material extenso e muito elucidativo sobre exames anteriores, textos exemplares, expectativas de abordagem da proposta e critérios de avaliação. Por fim, os temas propostos costumam ser atuais e relevantes, pois se espera que os candidatos estejam por dentro das questões que permeiam o mundo contemporâneo e merecem atenção de toda a sociedade. Convido você a entrar nesse jogo.

Boas provas e sucesso!

Sobre os Autores

O Dicas de Vestibular é produzido e atualizado pelos professores do Anglo Vestibulares e do Sistema Anglo de Ensino.

Sobre o Blog

Neste espaço, o estudante encontra temas da atualidade, conteúdos que mais caem nas provas e dicas para se sair bem nos processos seletivos e no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). O conteúdo também é útil aos interessados em provas de concursos.

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