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Histórico

O adeus de João Gilberto

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06/08/2019 16h35

*Por Vinícius de Paula, professor do Anglo Vestibulares

O ano era 1958, Juscelino Kubitschek apresentava o advento da modernidade. Os alicerces de Brasília inspiravam o povo brasileiro a sonhar com o progresso e com o desenvolvimento do país. O Plano de Metas organizava nossa economia para o crescimento. A abertura econômica e o projeto desenvolvimentista de JK traziam a indústria automobilística e os eletrodomésticos, enfim produzidos no Brasil. Havia uma euforia no ar, um otimismo poucas vezes visto em nossa história.

Naquele mesmo ano, num dia qualquer, na rua Nascimento Silva, número 107, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Elizete Cardoso e um baiano chamado João Gilberto se encontravam para revolucionar a história da música popular brasileira. Lá, as canções do disco Canções do amor demais, estavam sendo ensaiadas. Surgia, assim, a Bossa Nova, um estilo musical que mesclava a harmonia complexa do Jazz americano e o ritmo e a cadência do samba brasileiro.

A poesia de Vinícius preenchia as canções, que falavam de amor, da natureza e das praias e do Brasil. Estava sendo inaugurado um dos períodos mais incríveis e produtivos da música popular brasileira, um movimento que colocou a música no centro das preocupações da juventude e fez com que muita gente que nasceu na década de 1940, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, enxergasse João Gilberto como um sol dessa geração. Grandes compositores da MPB tiveram suas bases e inspirações iniciais em João Gilberto.

João criou a batida do violão da Bossa Nova – uma batida marcante e envolvente. Através dela, a elite, que em sua maioria preferia ouvir Jazz e música clássica, passava a ouvir também as composições brasileiras, ao mesmo tempo que as camadas menos ricas da sociedade se encantavam com Chega de Saudade, gravada também pelo músico no mesmo ano.

Pela primeira vez quase todos os segmentos sociais urbanos do Brasil consumiam as mesmas manifestações culturais. João mostrou que não precisava ser simplório para chegar ao povo e nem demasiadamente eloquente e performático para agradar a elite. A batida e o canto minimalista da Bossa Nova de João pareciam ser a justa medida da música popular brasileira, que tinha agora uma marcante identidade e estava pronta para ser exportada para todo o planeta. O mundo se curvava à genialidade de João, Vinícius e Tom.

A Bossa Nova deu a cara da nossa música e da nossa cultura, e foi exportada e ouvida em todo o planeta. Garota de Ipanema passou a ser uma das músicas mais gravadas da história. A geração do Jazz norte americano se encantou, e seus músicos criaram diversas versões das nossas canções. Nunca em nossa história a música nacional havia sido admirada nessa proporção. Por isso, é notável a gigantesca importância desse movimento para o Brasil e seus artistas. A cultura de um povo é fundamental para a construção da identidade de um país.

No dia 6 de julho deste ano, João Gilberto morreu, aos 88 anos, no Rio de Janeiro, deixando um legado inigualável para a cultura brasileira. Foram dezenas de discos e um sem número de apresentações, declarações e posicionamentos. Para muitos dos nossos maiores compositores, João foi a principal referência e sua obra e vida merecem todas as reverências e homenagens. Fica sua inestimável contribuição para a cultura nacional e uma saudade tão grande quanto sua genialidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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O Dicas de Vestibular é produzido e atualizado pelos professores do Anglo Vestibulares e do Sistema Anglo de Ensino.

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