Dicas de Vestibular

Como a Independência do Brasil pode aparecer nos vestibulares

Dicas de Vestibular

*Por Diego López

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Nas últimas três décadas, os livros sobre História do Brasil para o público geral têm aparecido constantemente nas listas dos mais vendidos nas livrarias. O crescimento do interesse dos brasileiros pela história do próprio país refletiu-se nas vendas e na busca por informações, tanto na internet como em diversos outros meios de comunicação.

Os textos sobre o tema tornaram-se mais atraentes, e a quantidade de pesquisas e estudos divulgados pelos historiadores rechearam as páginas de livros com novidades sobre alguns temas que já ouvimos falar na escola. A todo momento novas versões sobre os mesmos fatos são apresentadas, porém, reconstruídas a partir da visão de diferentes agentes históricos. 

As provas de vestibular mais recentes e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sofrem influências constantes dessa grande quantidade de publicações e reinterpretações da história do nosso país. Sobre o processo de Independência do Brasil, várias novas abordagens apareceram nos últimos anos, priorizando cada vez menos as visões factuais e descritivas, dando ênfase às leituras analíticas e processuais.

Como estudante você deve compreender a independência brasileira como parte de um processo histórico, que não foi iniciado ou definido no fatídico 7 de setembro de 1822. As raízes de nossa independência ganharam força com a transferência da família real portuguesa bem antes, em 1808. Podemos afirmar também que o processo se consolidou somente em 1831, com a abdicação de D. Pedro I.

Os feriados históricos são símbolos criados para rememorar eventos passados, ao contrário do que alguns estudantes do Ensino Médio costumam pensar: a independência não aconteceu em um único dia; a data celebrada como feriado simplesmente rememora um dos muitos eventos que fazem parte dessa transformação. A escolha do Grito do Ipiranga em São Paulo como símbolo de todo o processo de separação entre Brasil e Portugal foi feita bem depois, somente na segunda metade do século XIX.

Evidentemente, as escolhas dessas datas simbólicas que são transformadas em feriados, não são aleatórias. As elites do sudeste brasileiro, especialmente a elite cafeicultora paulista, influenciaram na definição da data comemorativa de nossa independência. Para além do Grito do Ipiranga, há uma série de embates e episódios importantes no processo, que ficaram em segundo plano e são desconhecidos por muitos brasileiros, como a Batalha do Jenipapo, ocorrida no sertão do Piauí.

As questões de vestibular também podem focar na participação de diferentes setores sociais no processo de independência. Além dos interesses de D. Pedro e das elites econômicas beneficiadas com a separação, ocorreram manifestações de setores da sociedade contrários ao projeto conduzido a partir do Rio de Janeiro. Algumas regiões do Brasil buscaram construir sua própria autonomia e possuíam projetos políticos distintos daquele sugerido pelo Imperador. Houve uma multiplicidade de projetos em que D. Pedro teve de impor sua vontade em diversas regiões que relutaram em aceitar sua soberania, como no episódio do Massacre do Brigue Palhaço, que se passou em Belém do Pará.

Importante notar que aquela visão de uma independência pacífica, feita a partir de um ato heroico ocorrido “às margens plácidas do Ipiranga” foi superada. Novos trabalhos de pesquisadores e historiadores realizados nas últimas décadas evidenciaram, inclusive, a participação de escravos, que lutaram por sua própria libertação dentro do contexto das guerras de independência.

Ou seja, ainda há muito por se descobrir sobre nosso passado. Novas vozes históricas serão recuperadas e conquistarão espaço nas linhas e entrelinhas dos processos que construíram o Brasil. Como estudantes e interessados em História, nos cabe permanecer inteirados sobre as novas tendências e os trabalhos dos especialistas que ajudam a compor esse imenso caleidoscópio que é a história de nosso país.

Bom estudo!

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