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Futuro do subjuntivo: flexões de gente grande
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“Eu consego”, “eu fazo”, “eu sabo”. Quem teve a chance de observar crianças aprendendo a falar certamente já se enterneceu ao escutar esse tipo de “erro fofinho”. É com o tempo que a criança vai aprimorando seus usos linguísticos, adquirindo a “língua dos adultos” e deixando esses usos para trás.

Esse processo de “amadurecimento linguístico”, porém, não acontece de igual modo entre todos os falantes e, nos vestibulares, algumas questões sobre uso da norma-padrão abordam isso. Um exemplo são questões sobre o uso do futuro do subjuntivo.

Na variedade popular, são comuns frases como “Quando fazer calor, volto para a academia”. Pode não parecer, mas esse caso tem alguma semelhança com o “sabo”, “consego”, “fazo” das crianças: também no exemplo, o verbo irregular é conjugado como se fosse regular.

Em construções como “Quando chegar o verão, haverá calor”, o verbo em destaque é o tal futuro do subjuntivo. Como você pode ver, nesse exemplo, ele é igualzinho ao infinitivo desse verbo (“chegar”).

Com verbos irregulares, porém, não é assim que acontece: em “Quando fizer calor, volto para a academia”, o futuro do subjuntivo (“fizer”) é diferente do infinitivo (“fazer”).

Uma dica para saber a forma própria da variedade padrão é conjugar o verbo no passado, no pretérito perfeito: como dizemos “eles fizeram de tudo para abandonar os treinos”, temos aqui a forma do futuro do subjuntivo (se eu fizer/ quando eu fizer).

A conjugação do futuro do subjuntivo dos irregulares (“se fizer”, “se puder”, “se propuser”, etc.) como se fossem regulares (“se fazer”, “se poder”, “se propor”, por exemplo) são exemplo do que se chama de “erro não marcado” (ou seja, usos que os falantes não percebem como desvios do padrão). Por isso é comum incorporar essas variantes na fala cotidiana (ao contrário dos simpáticos “sabo” e “consego”, que são marcados como típicos da fala infantil e vão sendo abandonados com o tempo). Em contextos formais, porém, vale a pena atentar para o uso do futuro do subjuntivo, adotando a flexão própria da norma culta.


2019: O Ano Internacional da Tabela Periódica
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Tabela periódica

Em 20 de dezembro de 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da UNESCO e com o apoio da IUPAC, declarou 2019 o Ano Internacional da Tabela Periódica. O ano foi escolhido pois em 2019 fará 150 anos da proposição da tabela periódica e coincidirá com o aniversário de 100 anos da IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada).

A tabela periódica como conhecemos hoje foi proposta em 1869 pelo russo Dmitri Mendeleev de forma a organizar os elementos químicos. Os que possuem propriedades semelhantes foram colocados numa mesma coluna, mas, durante a organização, Mendeleev percebeu que parecia faltar alguns elementos e resolveu deixar alguns espaços em branco. Hoje, todos esses espaços foram preenchidos.

É importante o vestibulando associar a estrutura do átomo com a tabela periódica e saber que os elementos não foram colocados nela de forma aleatória. É necessário conhecer como a tabela foi organizada: os elementos químicos estão listados por ordem crescente de seu número atômico (número de prótons no núcleo). O hidrogênio é o primeiro elemento, pois possui um próton no seu núcleo; o hélio é o segundo elemento, pois possui dois prótons no seu núcleo e assim por diante.

As linhas horizontais são denominadas períodos e indicam o número de camadas eletrônicas. As linhas verticais são chamadas de famílias ou grupos (elementos do mesmo grupo apresentam propriedades semelhantes). Para os elementos representativos (bloco A da tabela), o número da família representa o número de elétrons da camada de valência.

Outra divisão importante da tabela é a de metais, ametais e gases nobres. Os metais representam a maior parte dos elementos da tabela e possuem as seguintes propriedades: sólidos a 25°C (exceto o mercúrio, que é líquido) são bons condutores de calor e eletricidade, são dúcteis e maleáveis (propriedades de fazer fios e lâminas, respectivamente). Os ametais em geral são isolantes térmicos e elétricos e seu estado físico varia; os gases nobres são gasosos a temperatura ambiente e inertes quimicamente.

No espaço reservado para cada elemento químico constam dois números: o número de prótons e o número de massa. O número de massa é a soma de prótons mais nêutrons, logo o maior valor apresentado refere-se ao número de massa. Esse valor é importante para exercícios que envolvem transformação de massa em mol e vice-versa, como exercícios de estequiometria, soluções e mol.

O vestibulando precisa conhecer a prova que irá prestar. Por exemplo, nas provas realizadas pela Vunesp (Unesp, Santa Casa, Albert Einstein, Santa Marcelina, etc) e Enem, a tabela periódica é fornecida e é importante o vestibulando criar o hábito de consultá-la ao fazer as tarefas. A Fuvest não fornece em sua prova a tabela, mas qualquer dado necessário é fornecido na forma de note e adote.

Os examinadores buscam em suas questões fazer contextualizações, e um assunto que tem grandes chances de aparecer nas próximas provas é tabela periódica. Por isso, ao iniciar os estudos de química, tenha sempre por perto uma tabela, pois, ao usá-la com frequência, você estará sempre lembrando sua organização e como tirar dela as informações necessárias.

Paulo Martimiano


30 anos da Constituição Cidadã
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Ulysses Guimaraes Constituicao

É difícil desassociar os conceitos de democracia e cidadania. Na história do Brasil, principalmente do século XX, muitos debates políticos, movimentos sociais e outros atos históricos direcionaram a nossa organização político-social rumo a um Estado republicano e democrático, que garantiu inúmeros direitos e, pelo menos teoricamente, fortaleceu a prática da cidadania. A Constituição de 1988 é a síntese de muita luta, discussões e embates ideológicos que permearam o século XX. A Carta de 88 é a resposta para os anseios dos brasileiros por um Estado republicano que incluísse todos os cidadãos através de direitos políticos, civis e sociais.

Desde o início da República, na passagem do século XIX para o XX, o povo brasileiro tem lutado por inclusão. A queda do Império (15 de novembro de 1889) significou para muitos no Brasil a hora em que a justiça social seria finalmente praticada. Os antigos escravizados, recém-libertos (lei Áurea – 1888) buscavam a inclusão social e o respeito que homens livres costumavam ter; as mulheres pretendiam o direito do sufrágio e de demais formas de participação política, além do fim da violência oriunda do patriarcado; os pobres marginalizados buscavam melhorias de vida e os trabalhadores, direitos trabalhistas e menos exploração. Assim, podem-se identificar, no início da Primeira República (período inicial da República brasileira – 1889-1930), inúmeros movimentos sociais, que buscavam a prática de um Estado que deveria, conceitualmente, ser de todos, mas que acabou direcionado a poucos.

Mesmo que a quase totalidade dos movimentos sociais tenham sido derrotados pelas forças do governo controladas pelas elites oligárquicas, tais ações contribuíram significativamente para a construção de uma cidadania. Os temas abordados pelas reivindicações sociais tornaram-se cada vez mais presentes no cotidiano dos brasileiros. Assim, as derrotas ocorridas durante a Primeira República se transformaram em conquistas dos trabalhadores, dos negros e das mulheres nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas (1930 – 1945).

Vargas decretou leis trabalhistas e direitos aos negros e às mulheres, tais como o sufrágio secreto, universal e feminino, e foi em 1931 que ocorreu a criação da FNB (Frente Negra Brasileira), que visava conquistar posições para o negro em todos os setores da sociedade. Essas conquistas representam alguns dos mais importantes passos rumo à consolidação da democracia brasileira.

É fato, também, que a ditadura do Estado Novo (1937 – 1945) representou retrocessos nesse cenário, no entanto, a democratização que ocorreu em 1945 e a promulgação de uma nova Constituição em 1946 simbolizaram mais um importante avanço na construção da cidadania brasileira. Nesse período, o povo brasileiro experimentou pela primeira vez a participação política em ampla escala no país e vivenciou com clareza as discussões ideológicas consequentes desse tipo de Estado de direitos. No entanto, um golpe de estado civil-militar em 1964 pôs fim a esse período e marcou o início do Regime Militar – quando uma série de direitos e liberdades individuais foram revogados, colocando em xeque a formação da jovem democracia brasileira.

Foram 21 anos de ditadura, durante os quais ocorreram torturas, prisões sumárias, exílios e mortes, sob a justificativa da Doutrina de Segurança Nacional, que imaginava que determinados brasileiros eram verdadeiros inimigos da pátria e que era função do Estado proteger a nação desses algozes. No final da década de 1970, inundados por uma séria crise econômica, por anos de posturas repressoras e principalmente pressionados por protestos e movimentos sociais, os militares perceberam que a ditadura estava saturada e que perdera sua justificativa. Nesse cenário, o presidente general Ernesto Geisel deu início ao processo de redemocratização do país: a abertura lenta, gradual e segura, como ficou conhecida.

Vários passos foram dados rumo à democracia, como a revogação do Ato Institucional número 5, a lei da Anistia e a reforma partidária, que foram fundamentais para o fim do regime ditatorial. Merece destaque especial, porém, o movimento das “Diretas Já”, que apoiava a emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para a presidência da República. O povo saiu às ruas, vários partidos políticos se uniram pela causa, artistas, intelectuais e esportistas participaram dos comícios e das passeatas. A Emenda não foi aprovada, mas as eleições indiretas de 1985 foram diferentes. Os militares não indicaram um candidato, garantindo que o próximo presidente fosse um civil. O democrata Tancredo Neves foi eleito pelo Congresso Nacional – A Ditadura Militar chegava ao fim.

Tancredo Neves morreu antes de assumir o cargo presidencial, que acabou sendo ocupado pelo seu vice, José Sarney. O novo presidente tinha a importante missão de conduzir o país à democracia, e para isso foi convocada e eleita uma Assembleia Constituinte, presidida por Ulysses Guimarães. A nova Constituição foi promulgada em 5 de outubro de 1988 e garantiu uma série de diretos aos cidadãos brasileiros.

A Constituição de 1988 representou a vitória de longos anos de luta dos movimentos sociais republicanos do Brasil, com retrocessos e conquistas. A Constituição garantiu direitos civis – exigindo que o Estado tratasse todos como iguais perante a lei-, direitos políticos – ampliando o acesso ao voto para os analfabetos e maiores de 16 anos – e diretos sociais, tais quais a saúde, educação, moradia, terra, licença-maternidade, entre outros. Assim, é dever do Estado garantir a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos do país.

A Constituição Cidadã, como ficou conhecida, contribuiu significativamente para a formação da democracia brasileira, embutindo, ao menos teoricamente, o dever de participação do cidadão brasileiro. Se por um lado, o Estado garante uma série de direitos ao povo, é responsabilidade de cada um zelar pelas práticas constitucionais democráticas, e esse é o maior desafio para a jovem democracia do país. Muitas práticas presentes em vários momentos da nossa história ainda podem vir à tona, como movimentos que podem usurpar as instituições políticas e propostas de determinados intervencionismos. Para evitar que ocorram outros retrocessos, o Estado precisa consolidar as instituições democráticas e o povo precisa construir uma tradição de respeito a todas as instituições.


A transposição do rio São Francisco
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Obras da Transposição do Rio São Francisco, em Cabrobó, Pernambuco

Em 2007, iniciou-se uma das mais polêmicas obras dos últimos anos no Brasil: a transposição do rio São Francisco, que tem como objetivo o desvio de parte das águas do Velho Chico para áreas do semiárido nordestino. Entre 2017 e 2018, parte das obras foi finalizada e inaugurada, e a transposição do rio São Francisco ganhou novamente destaque nos noticiários, o que pode originar novas questões de vestibulares sobre o tema.

Apesar de parecer um projeto recente, a ideia da transposição remonta ao século XIX, quando, ainda no tempo do Brasil Império, discutia-se a possibilidade de as águas do São Francisco serem utilizadas para minimizar os impactos dos baixos índices de pluviosidade na região. Até as obras finalmente se iniciarem, houve muitas discussões sobre a viabilidade e o potencial do projeto, que só começou a sair do papel em 2007.

O projeto da transposição do São Francisco envolve a construção de dois canais principais de desvio de água, denominados de Eixo Norte e Eixo Leste, como pode ser observado no mapa abaixo.

Mapa do Projeto de Integração do São Francisco

As águas desviadas pelos canais artificiais abastecerão, de forma perene, trechos do sertão de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. O projeto prevê ainda a construção de estações de bombeamento, que, apesar de expandir o alcance das obras, resulta também no aumento do seu custo final.

Desde que o projeto da transposição do São Francisco começou a se consolidar, diversos agentes sociais, econômicos e políticos se manifestaram a favor de sua execução ou contrários a ela. Em geral, as questões de vestibulares que envolvem a transposição abordam alguns desses impactos.

Entre os impactos positivos, pode-se ressaltar que a transposição do São Francisco possibilita o fornecimento de água para aproximadamente 12 milhões de pessoas, segundo o Governo Federal. Esse volume de água poderá também estimular a economia local, especialmente com a introdução de práticas agrícolas irrigadas. As obras da transposição ainda geram milhares de empregos locais.

Os críticos da transposição, por sua vez, alegam que o seu custo é elevado. Inicialmente, estava orçado em aproximadamente 4,5 bilhões de reais, e em 2018, com parte das obras já finalizada, estima-se que o custo final deva ultrapassar 9 bilhões de reais. Além disso, o projeto inicial previa a conclusão em 2014, o que não ocorreu de fato. Outro argumento importante contra a transposição é que o desvio de água pode reduzir os níveis do rio São Francisco, o que pode afetar diversas atividades no curso do rio, como a irrigação, a produção de hidroeletricidade e o abastecimento de comunidades ribeirinhas.

Apesar de ser polêmica, a transposição do rio São Francisco tende a minimizar os impactos da seca no Sertão Nordestino, além de permitir que parte da população local seja beneficiada pela dinamização das atividades econômicas locais. Ainda assim, os debates a respeito da transposição permanecerão, e em breve será possível avaliar se de fato a sua construção foi a melhor opção para melhorar a vida da população do semiárido nordestino.

hugo_anselmo


Museu Nacional: uma tragédia prevista e anunciada
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Palácio da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro – Wikipédia – acesso em 9/09/2018

Em janeiro de 1808, a Corte de D. Maria I, rainha de Portugal, aportou em terras brasileiras deslocada pela ameaça das tropas de Napoleão Bonaparte que invadiram Lisboa. Governando em lugar da mãe, mentalmente incapacitada, coube ao príncipe-regente D. João de Bragança organizar a instalação do aparato de Estado português em chão ainda colonial. O Rio de Janeiro deslumbrava-se diante da primeira presença de um rei europeu em terras americanas. E a cidade, elevada a capital do Império Lusitano, viveu transformações para nunca mais ser a mesma de antes do Período Joanino (1808-1821).

O PALÁCIO IMPERIAL DE SÃO CRISTÓVÃO

De início, a Corte instalou-se no Paço da Cidade bem no centro e próximo ao cais. D. João e a família real necessitavam, no entanto, de acomodações mas amplas e dignas de sua condição. Foi então que um rico comerciante local, Elias Antônio Lopes, doou ao regente um palácio situado no alto da Quinta da Boa Vista, que ficaria conhecido como Paço de São Cristóvão.

Datado de 1803, o palácio de arquitetura inspirada no Palácio Real D’Ajuda em Lisboa, após reformas e ampliações, ocupa hoje 155 mil metros quadrados com fachadas e jardins no estilo neoclássico francês. Ali D. João VI, já como rei, permaneceu até o retorno a Portugal em 1821. São Cristóvão foi também residência do Imperador D. Pedro I de 1822 a 1831, ano de sua abdicação ao trono. E seu herdeiro, D. Pedro II, costumava dividir seu tempo entre o palácio da Quinta da Boa Vista e o Palácio de Petrópolis, onde hoje está instalado o Museu Imperial.

Proclamada a República, com o golpe militar de 15 de novembro de 1889, o novo governo não ocupou nenhum dos três referidos prédios que a monarquia utilizara e se instalou no Palácio do Itamaraty. A Quinta da Boa Vista, porém, abrigou a primeira Assembleia Constituinte republicana que promulgou a Constituição dos Estados Unidos do Brasil, em 1891.

O MUSEU NACIONAL DA QUINTA DA BOA VISTA

Entre vários outros órgãos e instituições, D. João VI criou o Museu Real, fundado em 6 de junho de 1818 e instalado no Campo de Santana, no centro carioca. Ali apresentavam-se coleções de mineralogia e de zoologia com a finalidade de promover o progresso socioeconômico e a difusão da educação, da ciência e da cultura. Foi o primeiro centro de pesquisas científicas do país. O crescimento do seu acervo, com a contribuição dos nossos imperadores e respectivas imperatrizes Leopoldina e Tereza Cristina, forçou a transferência do Museu para o Palácio da Quinta, que passou a se denominar Museu Nacional.

Tornou-se o maior da América Latina com mais de 20 milhões de itens catalogados nas áreas de geologia, paleontologia, arqueologia, etnologia, antropologia biológica, botânica e zoologia. Suas bibliotecas chegaram aos 470.000 volumes, 2.400 dos quais obras raras. Em 1946, o Museu foi incorporado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Dentre as inúmeras preciosidades expostas no Museu Nacional, o visitante poderia apreciar o Meteorito de Bendegó, o maior já encontrado no Brasil com 5,36 toneladas e idade calculada em 4,56 bilhões de anos. Em 1784, foi achado em Monte Santo, Bahia. Numa sala só para ele, lá estava o maior dinossauro montado no Brasil, com 13 metros de comprimento e 9 toneladas, que viveu no Triângulo Mineiro há 80 milhões de anos. Noutro ambiente, o visitante via-se diante do crânio de um Tiranossaurus rex.

Para os fãs de arqueologia, a maior coleção de múmias egípcias da América Latina incluía o sarcófago jamais aberto da sacerdotisa-cantora Sha Amum Em Su, da cidade de Tebas (Luxor), e também a múmia da “Princesa” Kherima cercada de mistérios, além de outras tantas peças mumificadas da América Pré-colombiana, animais, plantas fossilizadas já extintas, etc. Até afrescos da cidade de Pompeia, destruída pelo vulcão Vesúvio em 79 d. C., podiam ver admirados em murais trazidos da Itália pela imperatriz Tereza Cristina.

Uma Crônica de Nuremberg com mapas antigos de 1493, um exemplar da 1ª edição d’Os Lusíadas de 1572, a “Arte da gramática da Língua Portuguesa”, do Padre José de Anchieta em 1ª edição de 1595, 55 pranchas do pintor holandês Frans Post (1647), um pergaminho do século XI com manuscritos em grego dos quatro Evangelhos, uma edição completa da Encyclopédie Française do século XVIII também compunham o acervo.

De valor científico incalculável, lá estavam os restos mortais que provocaram uma reviravolta nos postulados arqueológicos sobre a presença humana nas Américas. Em 1974, foi descoberto na Lapa Vermelha, região de Lagoa Santa (MG), o esqueleto de uma mulher com idade entre 20 e 25 anos que comprovou essa presença em terras brasileiras entre 11.500 e 13.000 anos. Foi batizada Luzia, em alusão a Lucy, outro fóssil descoberto na África de datação mais antiga. A tecnologia permitiu a reconstituição do rosto de Luzia, de modo a demonstrar traços mais próximos dos povos africanos que a dos ameríndios de provável origem asiática e com presença posterior por aqui.

O PREÇO DO DESCASO 

No domingo dia 2 de setembro de 2018, após o encerramento da visitação, um incêndio tomou conta do prédio do Museu Nacional. Duzentos anos depois de sua fundação, o primeiro centro de pesquisas do Brasil perdeu praticamente tudo. A tragédia prevista e anunciada veio na trilha de outros incêndios, como o do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1978, no Memorial da América Latina, em 2013, no Museu da Língua Portuguesa, em 2015, e no Instituto Butantã, em 2016. Estes últimos em São Paulo.

Tais ocorrências denunciam mais que o descaso de gerações de elites dirigentes e governos com a preservação do patrimônio histórico e artístico brasileiro; apontam para a precarização planejada das instituições de pesquisas num projeto de desconstrução da cultura nacional. Outros tantos museus e centros com tesouros da nossa memória estão hoje igualmente ameaçados. Em 2022, o Brasil celebrará 200 anos da independência. Será no Museu Paulista, no bairro do Ipiranga, em São Paulo?


Como melhorar sua nota na Fuvest com a prova de português?
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A Fuvest anunciou, neste ano, importantes mudanças em seu processo de seleção que afetam as modalidades de concorrência, o formato da segunda fase e o peso que cada disciplina e cada etapa do vestibular desempenham na nota final. Passam a vigorar três grupos nos quais os candidatos serão ranqueados: ampla concorrência, ação afirmativa para alunos egressos de escolas públicas e ação afirmativa para candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas. Além disso, serão convocados mais candidatos para as provas de segunda fase, que agora passa a contar com apenas dois dias: um para Português e outro para disciplinas específicas que variam de acordo com cada carreira.

A prova de Português da segunda fase não sofreu nenhuma mudança estrutural: continua sendo composta por 10 questões e uma redação. Sua importância no processo de seleção e seu peso na nota final, entretanto, mudaram. A nota final do candidato será a média da soma da nota obtida na primeira fase (100 pontos), da prova de Português da segunda fase (100 pontos) e do exame do segundo dia (100 pontos). Nessa nova conta, as questões de Português (da primeira e da segunda fase) corresponderão a 23,33% da nota final no vestibular da Fuvest, e a redação, a 16,66%. Em resumo, aproximadamente 40% do resultado do candidato estará atrelado ao seu desempenho em Português. Como transformar esse aumento de importância da disciplina em chance de melhorar a nota na Fuvest? Além do intenso trabalho com redação, é preciso redobrar o cuidado com as respostas discursivas.

As questões de Português da segunda fase costumam avaliar a capacidade de apreender sentidos de textos de variados gêneros, de analisar recursos de linguagem empregados nesses textos, de operar com a língua e ajustá-la ao padrão mais formal e de interpretar obras literárias de leitura obrigatória. Uma recomendação comum a todos esses tipos de questões é a contextualização das respostas: além de explicar o fato de linguagem posto sob análise, é crucial mostrar como ele se dá naquele contexto específico do qual emerge, ou seja, no texto apresentado como base para a questão (nas de literatura, no contexto maior do enredo, da obra).

Para, por exemplo, identificar os sentidos de uma palavra polissêmica que aparece duas vezes no texto (Fuvest 2017, questão 3, sobre “cenários), é crucial que se leve em consideração o sentido global dos trechos de cada ocorrência da palavra. Não basta apenas apontar os sentidos na resposta. Essa habilidade de responder a questões de linguagem dialogando intensamente com o texto de base precisa ser praticada exaustivamente – com alguma supervisão qualificada para avaliar especialmente a contextualização. Quanto mais alguém fala de seus sentimentos, mais desenvolve a capacidade de externar com mais precisão seu mundo interior. Quanto mais se treina a elaboração de respostas discursivas contextualizadas sobre fatos de linguagem em textos do cotidiano ou literários, mais claro e organizado o texto escrito tende a tornar-se.


A redução da cobertura vacinal no Brasil
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vacinação

Dentre as causas dessa redução, o Ministério da Saúde aponta que algumas “fake news” foram bastante veiculadas e assustaram muitas pessoas, pois associavam as vacinas com reações prejudiciais ao organismo.

Dentre essas mentiras, destaca-se a publicação do médico Andrew Wakefield em 1998, que insinuava que a vacina contra sarampo estaria associada a casos de autismo, o que foi comprovado ser totalmente falso. Em 2010, o Conselho Geral de Medicina do Reino Unido julgou Wakefield ''inapto para o exercício da profissão'', qualificando seu comportamento como ''irresponsável'', ''antiético'' e ''enganoso''.

Outros fatores contribuíram, como a percepção enganosa pela população de que algumas doenças, como a pólio, desapareceram; o receio de que a aplicação de muitas vacinas sobrecarrega o sistema imunológico; o desconhecimento do complexo calendário de vacinação brasileiro (embora o programa de vacinação brasileiro seja reconhecido como um dos mais bem-sucedidos do mundo) e, por último, a dificuldade da população em comparecer aos postos de saúde nos dias úteis em horário comercial.

Então vamos esclarecer algumas coisas. Em primeiro lugar, o que é uma vacina?

Vacina é uma preparação com antígenos (polipeptídios ou polissacarídeos), que induz o organismo a se imunizar, isto é, a produzir anticorpos específicos, que atuam na defesa contra agentes infecciosos (vírus, bactérias).

Em sua composição, podemos encontrar, por exemplo, micro-organismos inativados (mortos) pelo calor ou por substâncias químicas, como o formaldeído; micro-organismos vivos atenuados, que são variações mutantes sem capacidade de multiplicação em células humanas ou toxoides (toxinas inativadas por formol).

Que motivos as pessoas têm para se vacinar?

As pessoas ficam protegidas contra vírus ou bactérias causadoras de doenças, que podem até mesmo levar à morte. Além disso, a vacinação reduz o número de pessoas portadoras de organismos infecciosos nas populações humanas, o que diminui os riscos de transmissão.

Existem riscos na vacinação?   

Sim, é verdade, há alguns riscos, mas vamos falar abertamente e com maturidade: há pequenas, muito pequenas chances de ocorrerem eventos “negativos” após a aplicação de uma vacina, portanto, as vantagens superam muitas vezes esses riscos.

Deixar de vacinar as crianças contra o sarampo, por exemplo, é muito grave, pois a doença reduz as defesas do organismo, o que as deixa mais suscetíveis a outras infecções. Cerca de 30% dos casos de sarampo podem ter uma ou mais complicações, como a pneumonia.

Mas e os casos de alergia? Algumas pessoas podem ter reação anafilática (reação alérgica intensa e de rápida progressão), devido à presença de substâncias químicas na composição das vacinas, como as proteínas de ovos, encontradas em vacinas produzidas com vírus multiplicados em embriões de aves, porém isso acontece em apenas uma em um milhão de doses aplicadas.

 


Dicas para gabaritar a prova de inglês do Enem
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Gabaritar a prova de inglês no Enem pode ser um enorme handicap para você alcançar o seu grande objetivo. Para tal, você deve compreender melhor o método avaliativo do exame, além de aumentar o ritmo de leitura. Um bom preparo, a partir da agora, poderá ser essencial.

A habilidade de entendimento de texto e seus mecanismos como forma de ampliar o acesso à informação tem sido a “medula espinhal” da prova a ser averiguada. Entenda como “texto” os diversos gêneros textuais, que podem ser uma reportagem, uma crítica, uma letra de música, um anúncio, um poema, etc., e os recursos utilizados para averiguação são os verbais e não verbais. Geralmente, as perguntas abordam o sentido geral do texto.

Buscar ampliar o ritmo de leitura é uma boa iniciativa para o candidato que quer se preparar bem para a prova. Você deve começar lendo assuntos de seu interesse num primeiro momento, observar letras de música, cartuns e interpretar poemas contemporâneos. Logo, você vai perceber que os vocábulos começam a se repetir, e isso pode ser essencial para seu upgrade e para se manter mais conectado com tudo o que está ao seu redor.

Refazer os exames anteriores lhe possibilitará saber como a prova se comporta, como são elaborados os distratores e quais os tipos de textos abordados. Você logo perceberá que essas orientações serão de suma importância.

É isso, caro candidato, cara candidata: a preparação deve vir através de aumento do repertório, com a subsequente melhora do vocabulário, e do conhecimento de como as provas anteriores abordaram os diversos temas.

Bom trabalho!


Entenda a importância de estudar razão e proporção para o ENEM
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Com mais de 5 milhões de inscritos, as provas do ENEM ocorrerão no início de novembro, ou seja, em poucas semanas.

Assim, agora é o momento para focar suas energias nos temas que são cobrados com maior frequência e se informar bem sobre como esses temas aparecem nesse exame.

Nesta conversa falaremos de dois temas que aparecem com maior frequência na prova de Matemática e suas tecnologias, razão e proporção e porcentagem. No fundo eles formam apenas um grande tema, pois porcentagem é uma razão na qual o denominador é 100!

Esse tema corresponde a pouco mais de 25% da prova, ou seja, a cada 4 questões 1 é sobre isso! Então é fundamental estar bem preparado.

Vejamos como o ENEM tem cobrado esse tema em suas últimas edições.

  • Representações gráficas de proporções – uma das habilidades importantes é identificar diferentes modos de representar uma razão.

Na figura a seguir, extraída do exame de 2016, tem-se a representação visual para uma proporção que deveria ser usada para avaliar a autonomia de um veículo.

Enem

  • Problemas de equacionamento, cujas informações são dadas em razões, ou em proporções ou em porcentagens, como no trecho a seguir extraído do exame de 2017.

“Em uma cantina, o sucesso de vendas no verão são sucos preparados à base de polpa de frutas. Um dos sucos mais vendidos é o de morango com acerola, que é preparado com 2/3 de polpa de morango e 1/3 de polpa de acerola.”

  • Problemas em que a pergunta é uma razão, como no trecho a seguir extraído do exame de 2017.

“A razão entre as distâncias percorridas às cegas por X e Y, nessa ordem, é igual a…”

Aqui vão algumas dicas para responder questões como essas.

1) Lembre-se da boa e velha regra de três – você vem usando essa técnica desde o ensino fundamental sempre que se trata de um problema em que duas grandezas são diretamente proporcionais. Não é hora de reinventar a roda. Use-a sem parcimônia!

2) Represente algebricamente proporções. Por exemplo: se dois números são proporcionais a 3 e 4, podemos representá-los por 3k e 4k, com k inteiro, ou chamá-los de x e y e escrever a proporção .

3) Associe ideias de outros temas, como semelhança de triângulos, pois a razão entre medidas de dois lados correspondentes é a mesma, ou seja, são proporcionais.

4) Se duas grandezas X e Y são diretamente proporcionais, podemos representá-las da forma Y = kX, em que K é uma constante não nula.

5) Se duas grandezas X e Y são inversamente proporcionais, podemos representá-las da forma XY = k, em que K é uma constante não nula.

Como podem notar, existem muitas maneiras de abordar as razões e proporções. Agora é com vocês, bom trabalho e sucesso em sua empreitada!


Sai Eça, entra Eça
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Relíquia Livro

Todos os anos, a Fuvest divulga a sua tão esperada lista de leitura obrigatória. Para os exames de 2019, é o caso de se perguntar: há algo de novo nessa lista? Entre as listas para os exames de 2018 e 2019, o escritor português Eça de Queirós foi substituído por… Eça de Queirós. O romance A cidade e as serras permaneceu como leitura obrigatória até os exames de 2018. Para o vestibular deste ano, com ingresso nas universidades em 2019, a Fuvest solicita A relíquia, do mesmo autor. É impossível evitar a pergunta: qual a razão dessa troca?

As respostas poderiam ser muitas, inclusive a mais evidente: A relíquia é um grande livro. No entanto, não conta entre as obras mais conhecidas do autor, aquelas que exercem uma sedução maior sobre os estudantes, como O primo Basílio ou O crime do Padre Amaro. Outra resposta, igualmente aceitável, diz respeito à renovação do repertório. Mas, neste caso, pode-se perguntar por que essa renovação se restringiu ao romance de Eça, já que nenhum outro livro da lista foi trocado. Talvez se pudesse falar em alguma diferença de estilo. Contudo, fato é que o escritor foi relativamente ousado nas duas obras, permitindo-se certos desvios das convenções realistas: em A cidade e as serras, através de imagens idílicas do campo e da natureza; e, em A relíquia, em uma inverossímil viagem no tempo, que foi, de fato, condenada por parte da crítica realista do século XIX.

A leitura de qualquer obra de Eça de Queirós costuma trazer algumas dificuldades aos alunos; vencê-las é bastante compensador. A insistência do autor em descrições demoradas, por exemplo, atende ao projeto realista de aproximar o relato da realidade a que se refere. Se o leitor se dedica a construir na sua imaginação o ambiente ou a personagem que está sendo descrita, conseguirá tirar todo proveito desse recurso. O humor de Eça também está sempre presente, mas sua sutileza por vezes passa despercebida – o que é um bom teste para o aluno atento e sensível. Composição de personagens, expressões que se repetem, gestos explícitos, pensamentos inconfessáveis são outros tantos elementos do estilo de Eça de Queirós para os quais o leitor deve voltar sua atenção.

No caso específico de A relíquia, é bom refletir sobre duas questões que o livro levanta. A primeira diz respeito às reflexões em torno da religiosidade que a narrativa suscita. O leitor é levado a duvidar das suas próprias certezas, místicas ou não. Só essa postura polêmica já bastaria para que o estudante se sentisse estimulado a encarar essa substituição. A segunda questão é colocada pela epígrafe da obra: “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”. Ela se refere aos fatos do enredo, mas pode ser estendida para uma concepção estética: assim como esse manto, a fantasia, isto é, a arte, não esconde a verdade, mas auxilia a mostrá-la em toda a sua nudez. Essa lição de Eça ilumina não apenas a leitura de A relíquia, mas de toda a lista de livros. E vale para todas as listas.