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O perigo da Água: doenças transmitidas pela falta de tratamento
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Grande parte da população brasileira (cerca de 105 milhões de pessoas) mora em residências sem coleta de esgoto, que, muitas vezes, é lançado diretamente nos ambientes aquáticos e até mesmo corre próximo às casas.

     A situação precária do saneamento básico é agravada ainda pelo fato de que cerca de 40% do esgoto coletado não é tratado. Além disso, cerca de 35 milhões de cidadãos não recebem água tratada em suas casas.

     Diante desses dados estarrecedores, temos que considerar os riscos que a população corre de se contaminar com organismos patogênicos (causadores de doença) pelo consumo de água ou pelo contato físico com ela. Centenas de doenças podem ser transmitidas pela água sem tratamento, que pode conter toxinas de cianobactérias, bactérias, vírus, cistos de protozoários e ovos de vermes.

        As cianobactérias são bactérias fotossintetizantes, que se proliferam em mananciais eutrofizados, isto é, com enriquecimento de nutrientes inorgânicos provenientes de fertilizantes das lavouras ou da decomposição de esgoto orgânico.  Algumas espécies produzem neurotoxinas, que afetam o sistema nervoso e hepatotoxinas, prejudiciais ao fígado, que são muito nocivas à saúde humana.

         Agentes infecciosos (que invadem o hospedeiro e nele se reproduzem) podem estar presentes nas fezes humanas e de animais, e a transmissão para as pessoas pode ocorrer pelo consumo da água contaminada e de alimentos que entraram em contato com ela.

      A água sem tratamento também contamina objetos de cozinha, como tábuas para bater carne ou cortar frutas e legumes, facas, potes, esponjas de lavar, etc. Organismos patogênicos também podem ser transportados para os lares por meio de insetos, como moscas e baratas.

      Algumas doenças são mais frequentemente transmitidas pelo contato da pele com a água contaminada pelo agente etiológico (agente causador da doença), como é o caso da leptospirose, cuja bactéria causadora está presente na urina de ratos e outros animais e pode invadir o corpo humano pelos poros. O contágio também pode se dar pelas mucosas dos olhos, do nariz e da boca, o que inclui o risco de transmissão pela ingestão da água contaminada.

     A transmissão de esquistossomose também está relacionada com a falta de saneamento básico, pois os ovos embrionados saem com as fezes humanas e contaminam ambientes de água doce, onde liberam a larva miracídio, que invade o caramujo hospedeiro intermediário, do qual saem larvas cercárias, que invadem a pele humana.

         Dentre as doenças que podem ser transmitidas pelo consumo de água contaminada estão:

    Os protozoários formam cistos muito resistentes, que persistem muito tempo nos ambientes, e os vermes produzem ovos com embriões. Esses cistos e ovos estão presentes nas fezes humanas e contaminam mãos, objetos e a água.

     Essas informações são usualmente cobradas nas provas, portanto, prepare-se adequadamente para o ENEM e exames vestibulares, estudando a transmissão e os sintomas dessas doenças assim como as formas de preveni-las.


Uma breve história de um gênio pop – Stephen Hawking (1942-2018)
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No início de março, fui convidado a escrever para este blog sobre Uma Breve História do Tempo, livro publicado em 1988 de autoria de Stephen Hawking, cosmólogo britânico que buscava uma “Teoria do Tudo”, tentando compatibilizar a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica numa teoria unificada da Gravidade Quântica.

Aceitei o convite, e, poucos dias depois, na manhã de 14 de março, veio a triste notícia do falecimento do professor Hawking.

Por isso, antes de falar sobre o livro, quero falar sobre o cientista. Valho-me, para começar, das palavras de David Shukman na introdução do livro Buracos Negros, com transcrições de palestras de Stephen Hawking proferidas em 2016 para a BBC Reith Lectures, que resumem muito bem a vida do cientista: “Tudo sobre Hawking é fascinante: a provação de um gênio preso em um corpo enfermo; o leve sorriso iluminando o rosto em que apenas um músculo se mexe; a voz robótica inconfundível que nos convida a partilhar do júbilo da descoberta conforme a sua mente perambula pelos recantos mais estranhos do universo”.

Hawking ingressou na graduação em Física na Universidade de Oxford em 1959 com apenas 17 anos. Três anos depois, estava graduado. Em 1966, já era doutor pela Trinity Hall em Cambridge. Ainda na pós-graduação, com 21 anos de idade, foi diagnosticado com ELA – esclerose lateral amiotrófica. Contrariando os médicos que lhe deram no máximo dois anos de vida, Hawking lutou bravamente contra a doença e viveu até os 76 anos.

Em 1985, contraiu pneumonia. Submetido a uma traqueostomia, nunca mais pôde falar. Desde então, passou a utilizar um sintetizador de voz que reproduzia frases com palavras escolhidas com o mouse na tela do computador. A doença progressiva exigiu inúmeros upgrades forçados no equipamento, sempre correndo contra o tempo para atender as necessidades especiais crescentes de Hawking. Recentemente, com praticamente todos os músculos motores parados, uma câmera detectava o movimento dos olhos do cientista para guiar o cursor na tela do computador. Muitos temiam que Hawking pudesse passar os seus últimos dias preso ao seu próprio corpo enfermo e sem ter como se comunicar. Teria sido muita ironia o gênio produtivo, escritor e palestrante notável ter de viver seus últimos dias encarcerado em si mesmo.  O próprio universo e suas leis, objeto de estudo de Hawking, abreviaram a sentença cruel através da morte serena e natural numa típica manhã de inverno no Condado de Cambridge.

 

Cientista ou ídolo pop? Os dois!

Na Inglaterra, em pesquisas sobre celebridades, sempre aparecem nomes de jogadores de futebol e de líderes de bandas de rock. Óbvio. Futebol e rock são duas conhecidas paixões naquele país. Mas Stephen Hawking sempre está na seleta lista de celebridades, algo no mínimo improvável no nosso mundo.

Tal popularidade despertou inveja e menosprezo de alguns cientistas mais clássicos quase sempre trancados no intocável ambiente universitário.  Apesar disso, Hawking sempre mereceu respeito acadêmico pelo seu trabalho de pesquisador sério e original a ponto de ser por três décadas professor lucasiano emérito na Universidade de Cambridge, posto ocupado anteriormente por cientistas de renome mundial, como Isaac Newton.

Ratificando o título improvável de ídolo pop, cito a seguir algumas (dentre muitas) aparições públicas notáveis do professor Hawking:

  • No episódio 26 da série Star Trek — The New Generation, história que se passa no futuro, Hawking aparece num encontro holográfico jogando cartas com Data, personagem androide da série na companhia virtual de Albert Einstein e Isaac Newton. [Vídeo: https://youtu.be/nEa7CfPaCRw]
  • Hawking também aparece como desenho animado no episódio 22 da 10ª temporada do The Simpsons. [Vídeo: https://youtu.be/OH8s4N15zdg]
  • Na última cena do episódio 21 da 5ª temporada da série americana The Big Bang Theory, o personagem Sheldon Cooper tem um “trágico” encontro com o professor Hawking.
    [Vídeo: https://youtu.be/MiuHDRb8TWY]
  • A música “Keep Talking” (do álbum The Division Bell, 1994) da Banda Pink Floyd foi inspirada em Stephen Hawking e contém trechos da fala do cientista com o conhecido timbre do sintetizador de voz.
    [Vídeo: https://youtu.be/0HLvMrjuPGY]

Fica aqui a minha singela homenagem ao professor Hawking.

 

30 anos de “Uma Breve História do Tempo”

 Certa vez, um renomado cientista (…) proferiu uma palestra sobre astronomia. Ele descreveu o modo como a Terra orbita o Sol e como o Sol, por sua vez, orbita o centro de uma vasta coleção de estrelas que chamamos de nossa galáxia. Ao fim da palestra, uma senhorinha no fundo da sala levantou-se e disse: “O que o senhor acabou de falar é bobagem. Na verdade, o mundo é um prato achatado apoiado no dorso de uma tartaruga gigante.” O cientista abriu um sorriso de superioridade antes de perguntar: “No que a tartaruga está apoiada?” “O senhor é muito esperto, rapaz, muito esperto”, respondeu a mulher. “Mas tem tartarugas até lá embaixo!”.

A maioria das pessoas acharia um tanto ridícula a imagem do nosso universo como uma torre infinita de tartarugas, mas por que acreditamos saber mais do que isso? O que sabemos sobre o universo, e como sabemos? De onde ele veio e para onde está indo? O universo teve um começo? Se teve, o que aconteceu antes? Qual é a natureza do tempo? Um dia ele vai chegar ao fim? Podemos voltar no tempo?

__________

Assim começa o primeiro capítulo de Uma Breve História do Tempo, livro de autoria de Stephen Hawking lançado em 1988. Agora abordo o seu livro que, surpreendentemente, vendeu mais de 10 milhões de exemplares em todo o mundo. E ficou 237 semanas na lista dos mais vendidos do Sunday Times, o maior jornal dominical britânico.

O título da obra já é por si só instigante. E as perguntas feitas logo nas primeiras linhas nos abrem janelas através das quais nossos pensamentos e imaginação podem voar longe, aguçando ainda mais a eterna curiosidade humana sobre quem somos, de onde viemos e para onde caminhamos. Talvez seja este o ingrediente que fez do livro um best-seller além do seu próprio tempo e que ainda continua atual três décadas depois do seu lançamento.

Em 2015, saiu uma nova edição ampliada da obra. A imagem abaixo mostra como esta nova versão está organizada.

Hawking, logo no capítulo 1, nos leva a um didático passeio pelos modelos cosmológicos da história da ciência, dos mais primitivos até as mais recentes ideias desenvolvidas no século XX a partir do trabalho de Edwin Hubble que nos dá suporte teórico à concepção de um universo em plena expansão e que teve origem num evento singular chamado Big Bang.

O espaço-tempo, espaço de quatro dimensões — três espaciais e uma temporal — da Relatividade Geral de Einstein é tratado no capítulo 2.

No capítulo 3, o foco está no Universo em expansão, ancorado pela Relatividade Geral.

Já nos capítulos 4 e 5, o livro traz ideias da Física Quântica e da Física de Partículas.

Nos capítulos 6 e 7, Hawking aborda os Buracos Negros, objetos sobre os quais se dedicou bastante ao longo de sua carreira de cosmólogo e sobre os quais tem uma ideia original, conhecida na ciência, em sua homenagem, como Radiação Hawking.  Tal radiação de origem quântica, em tese, poderia ser emitida por um Buraco Negro que, portanto, não seria ao pé da letra tão “negro” quanto o próprio nome sugere.

A seta do tempo e a evolução do universo, uma investigação científica de para onde vamos de carona com o universo, podem ser encontradas nos capítulos 8 e 9.

A novidade da edição de 2015 é o capítulo 10, que aborda possíveis viagens no tempo por atalhos dimensionais bastante explorados em filmes de ficção científica.

No capítulo 11, Hawking aproveita o que escreveu anteriormente para falar sobre a complexidade do estudo do universo que levou os cientistas a elaborarem teorias parciais mais simples. E lança o desafio atual de unificarmos as teorias parciais numa teoria única.

O capítulo final, como sugere o próprio subtítulo, faz um apanhado geral, mais filosófico, sobre tudo o que foi dito no livro.

A obra contém ainda três breves textos sobre Einstein, Galileu e Newton, personagens fundamentais na história da ciência, em particular da Cosmologia. E tem ainda um interessante glossário com termos físicos.

Como físico e divulgador científico, sou suspeito, mas deixo como dica a leitura desta obra imperdível que, de forma didática, com textos divertidos e muito bem escritos, ameniza bastante a complexidade de conceitos físicos bem abstratos que ancoram todo o nosso conhecimento atual sobre o universo.

Para quem tem medo da matemática por trás da física, aviso que no livro há apenas uma equação, a famosa E = m.c² de Einstein. A conversão de massa em energia prevista pela “formulazinha” já foi tema de vestibular algumas vezes, como nesta questão da segunda fase da Fuvest 2018 (https://anglo.plurall.net/sites/default/files/imagens/exames/fuvest/2017/01/questao_15_2274826.jpg) cuja resolução comentada você encontra no Anglo Resolve (https://angloresolve.plurall.net).

Comece a ler Uma Breve História do Tempo já, baixando o PDF  do primeiro capítulo (https://www.intrinseca.com.br/upload/livros/1ocap_UmaBreveHistoriaDoTempo.pdf) disponibilizado gratuitamente pela editora. E trate logo de comprar um exemplar impresso. Com certeza, vale a pena ler uma obra que tem tudo para marcar a sua vida de forma definitiva!


Qual a gramática correta? Veja como acertar na hora de escrever
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As mais diversas pessoas, cientes de que sou professor de língua portuguesa, procuram-me para sanar pequenas dúvidas. Vou tratar aqui de algumas muito frequentes. Quando se escreve “mal” com “l”? Quando com “u”? Em que circunstâncias “senão” se escreve separado? Como saber se há crase? Esse texto busca responder a essas perguntas com regras práticas, úteis para o trabalho cotidiano com a escrita.

 

1) Mal x mau

Esse é muito simples. Basta lembrar que “mal” é o contrário de “bem” e “mau” é o contrário de “bom”. A troca permite verificar qual é a forma correta. Façamos um teste: estaria certa a frase “Carlos é mau, não me surpreende que faça o mal”? Para averiguar, basta fazer a substituição: “Carlos é bom, não me surpreende que faça o bem”. Podemos concluir que a frase está correta, uma vez que “bom” e “bem” substituíram com êxito as formas “mau” e “mal”, respectivamente.

 

2) Senão x se não

Outra dúvida muito frequente é quando escrever “senão” junto ou separado. “Senão” é sinônimo de “do contrário”, já “se não” é sinônimo de “caso não”. Por exemplo, a frase “venha logo, senão atrasaremos” equivale a “venha logo, do contrário atrasaremos”, escreve-se, então, junto. Já na frase “Se não vier logo, atrasaremos”, deve-se escrever separado, como se confirma pela substituição: “Caso não venha logo, atrasaremos”.

 

3) Uso do acento indicador de crase: “Voltei à praia da minha infância” ou “Voltei a praia da minha infância”?

Muitos têm dúvida quanto ao uso do acento grave, indicador de crase. Esse caso é um pouco mais complexo do que os anteriores, abordá-lo de forma completa demandaria um espaço incompatível com esse texto. De qualquer forma, há uma regra prática que dá conta da grande maioria das situações. Como esse fenômeno envolve a fusão de uma preposição “a” e de um artigo feminino “a”, decorre desse princípio que só há crase antes de palavra feminina, capaz de aceitar o artigo “a”. Para ter certeza, basta trocar o substantivo feminino por um masculino. Se com a palavra masculina surgir “ao” (preposição “a” + artigo “o”), isso significa que, com a feminina, haverá crase.

Analisemos as frases do subtítulo, trocando a palavra “praia” por “parque”. Com o masculino, teríamos: “Voltei ao parque da minha infância”, o que nos permite concluir que o correto é “Voltei à praia da minha infância”. Surgiu “ao”, há crase.

Examinemos outro caso: “Contemplei a casa da minha infância” ou “contemplei à casa da minha infância”? Com um substantivo masculino, teríamos: “contemplei o jardim da minha infância”. Se com a troca pelo masculino não surgiu “ao”, então não há crase, e o correto é “contemplei a casa da minha infância”.

 

É isso, por hoje. Espero que as dicas tenham sido úteis e facilitem um pouco o trato diário com a língua portuguesa. Até!


A porcentagem cotidiana e o vestibular
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Quando se fala do uso da porcentagem no nosso cotidiano, ou seja, fora de uma sala de aula, a impressão que os leigos no assunto têm é de que ela serve somente para calcular quanto é X por cento de um determinado valor ou qual porcentagem certa quantia representa de outra quantia. A bem da verdade, no caixa de qualquer loja comercial, há uma calculadora com a tecla de porcentagem (%) para se acrescentar um valor ou descontar percentual no preço de um produto.  Para isso é só utilizar essa tecla da calculadora.

No entanto, por incrível que pareça, a grande maioria das pessoas não sabe calcular a porcentagem que uma quantia representa de outra. Por exemplo, se numa reunião com 50 pessoas, 20 são mulheres, qual é o percentual de mulheres nessa reunião? Caso você não se lembre ou não saiba, é só dividir 20 por 50,  obtendo o número decimal 0,4 – que representa a parte (fração) de mulheres nessa reunião.  Multiplicando esse número por 100, resulta 40, portanto, a porcentagem de mulheres na reunião é  de 40%. Simples não?

Felizmente, ou não, os cálculos de porcentagem não se resumem somente a isso.  Os cálculos mais complicados exigem um bom conhecimento algébrico para se resolver as equações envolvidas em determinados problemas.

Curiosamente, em alguns casos do cotidiano, podemos concluir, de modo recorrente, qual é o percentual que se espera em certos “problemas” de porcentagem. Por exemplo, considere a seguinte situação: numa loja de roupas está havendo uma promoção com “desconto de 10% em qualquer peça”. Um cliente quer comprar 4 peças. A dúvida que se tem é a seguinte: no valor total da compra, o desconto será de 10% ou de 40%?  Algebricamente, é fácil concluir que o desconto será de 10%. Porém, sem a utilização de conhecimentos de álgebra, podemos erroneamente concluir que é 40%. Pensemos assim: se comprando 4 peças, o desconto fosse de 40% , comprando 9 peças, o desconto seria de 90%. Então seria melhor levar 10 peças que o desconto seria de 100%, ou seja,  a compra sairia de graça! Pior ainda (para o vendedor) se o cliente comprasse 11 peças. Daí conclui-se que o desconto é de 10%. Legal, não é? É uma pena, mas nem sempre um problema de porcentagem permite esse tipo de raciocínio.

Nos vestibulares para o ingresso nas faculdades, a quase totalidade dos problemas de porcentagem exigem cálculos algébricos; uns mais fáceis, outros mais sofisticados. Os problemas de porcentagem nos vestibulares costumam abordar situações como:

  1. Após um aumento (redução) percentual num determinado valor, qual deverá ser o desconto (aumento) percentual que devemos dar para se chegar ao valor anterior a esse aumento (redução)?
  2. Aplicação da fórmula de juros compostos envolvendo problemas de crescimento (decrescimento) populacional.
  3. Comercialmente, lucro sobre custo e lucro sobre venda.
  4. Problemas de geometria onde se pede o aumento (redução) percentual de grandezas como perímetros, áreas, etc.
  5. Cálculos de probabilidades e problemas de estatística envolvendo gráficos com dados percentuais.

 

O que se percebe é que, cada vez mais, o termo “porcentagem” aparece no nosso dia a dia e nos vestibulares, por isso é importante entender bem esse conceito.


A Evolução Biológica e o Futuro da Humanidade
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Pode estar certo, Evolução Biológica é um tema sempre solicitado no Enem e nos grandes vestibulares. O que se costuma questionar é o significado de Evolução Biológica, as grandes explicações sobre sua ocorrência e também o mecanismo que leva à formação de espécies, conhecido com Especiação, além de alguns outros aspectos que você conhecerá ao ler este texto.

Evolução Biológica tem como base fundamental a ocorrência de adaptação ao meio de vida. Nesse sentido, é preciso destacar a explicação de como a adaptação teria surgido, resultando na enorme diversidade de vida hoje existente. E aí, destacam-se dois importantes cientistas, Jean Baptiste Lamarck e Charles Robert Darwin, conhecidos pelas teorias que elaboraram e que levam os seus nomes. Embora antes de Lamarck já se falasse timidamente em Evolução dos seres vivos, foi ele que concretamente iniciou uma possível explicação desse fenômeno. Claro que na época em que Lamarck propôs sua teoria, 1809, não tínhamos a infinidade de conhecimentos científicos que temos hoje. Assim, a proposta do cientista francês teve como base duas leis: Lei do Uso e Desuso e a Lei da Transmissão das características Adquiridas, por meio das quais a adaptação dos seres vivos ao meio surgiria de modo ativo.

A primeira lei afirma que, por necessidade e em vista da alguma mudança das características do meio, os seres vivos “reagiriam”, por assim dizer, e criariam novas estruturas ou deixariam de tê-las. É clássico o exemplo do tamanho do pescoço das girafas que, para Lamarck, seria consequência da necessidade de espichá-los, pelo uso, para (note o para, que pressupõe finalidade) alcançar galhos elevados em árvores de grande porte. Por meio da segunda lei, girafas que esticaram o pescoço transmitiriam aos descendentes a característica então adquirida e eles nasceriam com pescoços compridos. Simples não?

Pois é, aí surge a explicação de Darwin que, após longa viagem ao redor do mundo e após inúmeros experimentos de seleção artificial, propôs uma hipótese diferente, tendo como base a ideia de adaptação passiva. Para Darwin, os seres vivos seriam dotados de características diferentes uns dos outros, mecanismo que ficou conhecido como variabilidade. No entanto, Darwin não soube explicar como essa variabilidade teria surgido. Em seus livros, o cientista chegou a propor algo parecido ao uso e desuso de Lamarck, motivo pelo qual é injustamente acusado de ser lamarckista. Assim, dado que os seres vivos já apresentam certa variabilidade, qualquer modificação nas características do ambiente acarretaria uma seleção dos já dotados de adaptações que favorecem a sobrevivência dessas variedades. Pense, por exemplo, na resistência bacteriana a antibióticos. Para Lamarck, bactérias sensíveis, por necessidade, frente a um antibiótico criariam resistência, ativamente. Para Darwin, bactérias resistentes já existiriam na população e, na presença do antibiótico, morreriam as sensíveis e sobreviveriam as resistentes, que se multiplicariam e organizariam uma população que não sofreria a ação do antibiótico.

E como Darwin explicaria o tamanho do pescoço das giraras? Por meio do conceito de variabilidade, claro. Já haveria girafas de pescoços maiores. Assim, o meio atuaria como selecionador das que já possuíam pescoços longos. No começo do século 19 até meados do mesmo século, graças a trabalhos de geneticistas ilustres que sugeriram novos mecanismos relacionados à hereditariedade, culminando com a descoberta da estrutura da molécula de DNA, cientistas evolucionistas aprimoraram as ideias de Darwin e passaram a associar a variabilidade nos seres vivos à ocorrência, entre outros processos, de mutações no material genético e à recombinação do material genético que ocorre na meiose (crossing-over) e no encontro de gametas (fecundação). Surgiu, assim, a nova modalidade de explicação do mecanismo da Evolução Biológica, a síntese das explicações então existentes, o que gerou a atualmente conhecida Teoria Sintética da Evolução Biológica, que nada mais é do que a Teoria de Darwin aprimorada, que, muitas vezes, chegou a ser denominada de Neodarwinismo, denominação hoje não utilizada.

Por meio da compreensão do mecanismo de Evolução Biológica hoje aceito, foi possível também esclarecer o processo de formação de novas espécies, a especiação. Nesse caso, é fundamental a ocorrência de isolamento geográfico, que corresponde à separação de populações da mesma espécie por uma barreira geográfica. Tais populações, ao passarem a habitar meios diferentes, são sujeitas à ocorrência de mutações diferentes, à ação da seleção natural em meios diferentes e, por fim, se voltarem a se reunir, após longo tempo de separação, poderão constituir novas espécies. Nesse caso, poderão não gerar descendentes ou, se gerarem, eles serão estéreis ou terão pequeno período de sobrevivência. Nesse caso, as novas espécies estarão em Isolamento Reprodutivo, que é o ponto culminante nesse tipo de especiação, conhecido como Especiação Alopátrica (pátrias diferentes) ou Especiação Geográfica (devido à ocorrência de Isolamento Geográfico). É possível, também, ocorrer Especiação Simpátrica (mesma pátria), em que novas espécies surgem no mesmo meio de vida, sem ocorrer isolamento geográfico. Embora esse tipo de especiação possa ocorrer em animais, é comum em vegetais.

Como ponto culminante do que pode cair sobre Evolução Biológica, não se pode esquecer dos conceitos de Irradiação Adaptativa, Evolução Convergente, Homologia e Analogia.

Agora, você pode perguntar: a evolução humana, parou de ocorrer, não ocorrerá mais? Como será a nossa espécie no futuro? Será que conquistas tecnológicas interferirão na nossa evolução, tornando o ser humano mais adaptável ao meio que ele mesmo está alterando, ou seja, será que conquistas científicas e médicas aprimorarão nossa espécie? Nesse ponto, uma coisa é certa: a Teoria da Evolução Biológica hoje aceita explica como foi o passado, razoavelmente explica como é o presente, mas não é capaz de prever o que ocorrerá no futuro com a nossa e com outras espécies. Fazem-se apenas especulações sobre o destino de várias espécies, inclusive a nossa. O que ocorrerá, somente o tempo poderá esclarecer.


Examinando a química: dicas para as provas de biológicas
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Nos principais vestibulares, todos os alunos fazem provas de todas as disciplinas. Então, as disciplinas de exatas são tão importantes para os alunos de humanas, quanto as disciplinas de humanas são importantes para os alunos de exatas. Dessa maneira, dedicar-se às disciplinas com as quais não se tem muita afinidade torna-se importante.

De maneira geral, quando o objetivo for otimizar o aprendizado acadêmico, algumas orientações são fundamentais:

  • Ter horário e local reservados para os estudos.
  • Organizar um calendário viável de estudo diário. Isso significa criar metas possíveis de serem alcançadas. A escolha de metas que não possam ser cumpridas torna desestimulante o processo de aprendizagem.
  • Ter todo o material necessário.
  • Acompanhar a evolução dos estudos por meio de provas e simulados, além de rever estratégias de estudo que não estejam sendo eficientes.

A aprendizagem de diferentes disciplinas exige estratégias apropriadas. No caso do estudo de Química, algumas dicas podem ser úteis para melhorar o aprendizado dessa matéria:

1º) Ler a teoria antes de resolver exercícios, buscando entender cada termo utilizado no material estudado. Sempre que possível, procure se informar sobre as diferentes aplicações práticas e a relevância que o tema do estudo tem. Assim, o conteúdo passa a ter mais sentido, o que favorece a retenção da informação.

2º) Estude alguns exercícios resolvidos. Uma coisa é estudar a teoria, outra é verificar como o assunto pode aparecer nas provas.

3º) Resolva exercícios sobre o tema estudado. Procure começar pelos exercícios mais fáceis; isso traz motivação e confiança para encarar problemas mais complexos. Neste momento, não é indicado ficar muito tempo em um único problema. Caso você não consiga resolver um exercício (e isso vai acontecer), dedique, no máximo, dez minutos a ele e passe para o próximo. Procure ajuda para resolvê-lo e, depois de uma semana, mais ou menos, tente refazê-lo.

Esses três passos irão se repetir em cada assunto estudado.

Como estamos no começo do ano e pensando nas principais provas, que acontecem no final do ano, sugiro que neste momento você se dedique a estudar os conteúdos das disciplinas. Para isso, procure a programação de Química de um curso pré-vestibular ou busque a programação de Química, no manual do candidato, do concurso de seu interesse. Além disso, você pode utilizar algumas estatísticas disponíveis na web para estudar os temas que mais apareceram nas provas de seu interesse. Também é importante se informar sobre os pré-requisitos exigidos em cada tema, já que os assuntos que mais aparecem não estão em ordem crescente de complexidade.

Por fim, procure respeitar o seu ritmo de estudo, pois cada um tem o seu. Tentar acompanhar o ritmo de outra pessoa pode trazer decepção e, consequentemente, diminuir sua motivação. Superar os obstáculos na busca pelo conhecimento e ver os professores como aliados são atitudes importantes para quem quer ressignificar seu próprio aprendizado na Química ou em qualquer outra disciplina.

Lembre-se de que aprender algo novo exige dedicação, perseverança e energia, porém, a satisfação do aprendizado compensa o esforço, além de fazer você um candidato mais competitivo.


Estudantes de Exatas: estudem Humanas!
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O tempo de quem estuda para conquistar uma vaga concorrida é sempre curto, certo? Certo! Por isso, é preciso aproveitá-lo ao máximo, correto? Sim! Um aluno que pretende seguir uma profissão da área de Exatas não deve perder tempo com disciplinas de Humanas, por exemplo, confere? Não, não confere.

Se você é desses estudantes que imaginam que o mais importante de tudo é o seu universo particular de interesses, prepare-se para uma notícia chocante: as melhores universidades do país não estão interessadas em você. Em primeiro lugar, porque exercer uma profissão, em qualquer área de conhecimento, significa, sempre, dialogar com o próprio tempo, isto é, saber o que se passa à sua volta. E isso quer dizer, acima de tudo, um interesse multifacetado.

Mesmo se a sua preocupação imediata forem os exames vestibulares, o raciocínio permanece. Isso porque parte das provas é comum a todos. Portanto, deixar de lado matérias de Humanas é uma péssima estratégia para quem quer, de fato, entrar em uma universidade de excelência.

Dito isso, uma pergunta se impõe: como equacionar o tempo? Como lidar com as matérias de Humanas, que exigem tanta leitura? Vamos a algumas sugestões:

1ª) Enfrentar vestibulares significa superar os próprios limites. Se você tem alguma resistência à leitura, é bom vencê-la, se quiser seguir em frente. O primeiro passo para entender um texto é querer entendê-lo.

2ª) Quanto maior o foco na leitura, mais rapidamente o texto é compreendido. É impossível compreender um texto com a cabeça em outra coisa. Ao ler, entregue-se ao texto, de corpo (atenção) e alma (abertura para o novo, para o diferente).

3º) A leitura deve fazer parte de suas tarefas diárias, de maneira natural. Afinal, estudar significa apreender a teoria e praticar com exercícios. Dedicar-se excessivamente a apenas um desses aspectos não é o ideal.

4º) A compreensão de um texto começa na sala de aula. Quanto maior for sua atenção às explicações do professor, mais fácil será a assimilação posterior da teoria da aula.

5º) Matérias de Humanas costumam exigir também muitos exercícios de escrita. Cada resposta dissertativa é uma pequena redação, exigindo coesão, coerência, capacidade de organização e exposição de ideias. Isso é ótimo, pois auxilia na fixação da matéria e ainda refina sua escrita.

6º) Por fim, persistência, muita persistência. De uma forma geral, alunos de Exatas entendem perfeitamente que a habilidade de resolução de exercícios de Matemática ou de Física depende (também) da prática. Ora, a leitura (de poema, de romance, de conto, de teoria) segue o mesmo princípio: quanto mais se dedicar a ela, mais facilmente ela fluirá.

Todas essas sugestões valem para quem é de Exatas, Biomédicas ou Humanas. Valem para o seu vestibular, para a sua profissão. E, acima de tudo, para a sua vida.


Enfrente a matemática! Veja dicas para prova de exatas
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Um dos grandes medos dos processos seletivos é a prova de Matemática. Muitos alunos sentem até um calafrio ao lembrar que enfrentarão logaritmos, cálculos trigonométricos ou precisarão decidir, num exercício de análise combinatória, se devem usar arranjos ou combinações.

Se você se identificou com algo, este texto é para você!

Vou dar algumas sugestões para que você possa organizar seus estudos em Matemática para que não apenas aprenda o que precisa para os vestibulares, mas para que esse esforço traga resultados permanentes e você mantenha esses conhecimentos e competências por muito tempo. Afinal é um esforço e tanto.

Mas, antes de começar, tenho que dizer algo: Não existe almoço grátis!

Essa expressão muito usada na Economia faz referência a uma propaganda em bares americanos do século XIX que diziam: “Almoço grátis para quem consumir bebidas”. Você já entendeu! O almoço nunca foi grátis, o lucro com as bebidas cobria o custo com as refeições. Vamos ter que “arregaçar as mangas”, enfrentar antigos traumas com os números e trabalhar duro para aprender de uma vez a tal da Matemática!

Sei que a esta altura alguns de vocês já estão pensando: paro de ler por aqui, já tentei várias vezes aprender Matemática e parece que ela tem algo contra mim. A questão é: será que essas tentativas foram organizadas ou sempre se deram na base do desespero?

Vamos às sugestões:

– Descubra para o que aquilo serve!

Sempre que for estudar um assunto novo, procure se informar sobre o motivo pelo qual esse tema é importante e quais suas diferentes aplicações práticas.

Quando você toma esse cuidado, percebe a relevância que o tema tem para as diferentes ciências e para sociedade como um todo. Além disso, seu estudo passa a fazer sentido e deixa de ser apenas um conjunto de regras e procedimentos vazios.

– Verifique quais são os pré-requisitos para aprender com sucesso o novo assunto e, caso não os domine, estude-os antes.

Quando você não domina conteúdos básicos e essenciais para o estudo do tema, ao errar um exercício, você nunca sabe se está errando algo básico ou do novo tema. Por exemplo, se você não sabe trabalhar com produtos notáveis e potenciação, provavelmente terá dificuldades com logaritmos.

– Trace seus objetivos!

Muitos alunos que pretendem fazer um determinado vestibular que cobra exercícios de certo nível acham que se souberem fazer exercícios muito mais difíceis que os cobrados terão sucesso. Bem, isso pode até funcionar, mas a um custo muito alto, e é muito comum alunos acabarem desistindo no caminho. Saber a qual nível você deve chegar torna seu estudo mais eficiente. Peça ajuda aos seus professores para saber até aonde você deve ir.

– Em Matemática o treino é fundamental!

Faça muitos exercícios, mas não qualquer exercício. Se você consegue fazer todos os exercícios de uma lista com facilidade, certamente ficará feliz, mas estará usando um tempo que poderia ser utilizado com exercícios mais sofisticados.

– Aprenda com os erros.

Quando errar um exercício, use isso como uma oportunidade para entender qual foi o erro e como corrigi-lo. Em seguida, tente fazer exercícios similares para ter convicção de que não errará mais aquilo.

– De tempos em tempos, faça uma revisão para retomar detalhes que às vezes escapam da memória.

A última e mais importante de todas as sugestões é que você deve adaptar o estudo à sua forma de aprender, pois somos todos diferentes!

Vá em frente e conquiste este território, aprenda Matemática e passe no vestibular. Tenho certeza de que o prazer dessa conquista compensará todo o esforço e esse conhecimento ficará contigo para sempre.


Aprendendo uma segunda língua: o inglês na vida e no vestibular
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Dicas de Vestibular

Já há algum tempo que o inglês como segunda língua é considerado um pré-requisito no mercado de trabalho. Sua importância para a vida profissional é a justificativa mais comum dada aos jovens que questionam seu aprendizado ou se mostram desinteressados por ele. De fato, o domínio do inglês é muito importante para se conseguir um bom emprego, ainda mais por se tratar de uma língua franca, ou seja, um idioma altamente difundido e que serve como ponte de comunicação entre povos. Portanto, no mundo globalizado do trabalho, o inglês é uma ferramenta essencial, com evidentes aplicações nas áreas do turismo e dos negócios em geral.

Também o acesso a novas tecnologias e teorias é ampliado e facilitado graças ao conhecimento de inglês. No mundo acadêmico, por exemplo, o domínio da língua inglesa pode ser muito útil, pois os estudantes devem consultar livros, periódicos e sites de pesquisas em inglês para realizar seus trabalhos, além de utilizar essa língua para divulgar suas próprias teses. A melhor justificativa para se aprender inglês é uma mais abrangente: o domínio dessa língua possibilita e aguça a capacidade de autoconhecimento do indivíduo, pois abre novas vias de comunicação e informação que lhe permitem conectar-se a diferentes valores e realidades, podendo se apropriar deles, reinventá-los, adaptá-los ao seu contexto e ampliá-los, desenvolvendo o pensamento crítico e a atuação cidadã no mundo.

Para fins de vestibular, a maioria das entidades e também o ENEM elaboram questões de “inglês instrumental” cujo enfoque é a compreensão de textos de gêneros variados, mas em várias provas ainda se exige o conhecimento de determinados tópicos gramaticais e de vocabulário. Um assunto sempre em evidência são os conectivos (conjunções em geral e expressões conectivas). Por isso, conhecer seus significados e entender a natureza das relações que elas estabelecem nos textos é uma boa ideia para quem está se preparando para ingressar no ensino superior.

O aprendizado do inglês, como o de qualquer outra língua, deve ser constante e é interminável. Portanto, nosso conselho é: não deixem para estudar na última hora e leiam muito!


Carnaval e o Grito Possível
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Dicas de Vestibular

Desde as primeiras celebrações do carnaval propriamente dito no Brasil, ainda no século XIX, as clivagens sociais se fizeram presentes, com elites regionais tentando impor seus padrões civilizacionais eurocêntricos sobre festas populares moldadas acentuadamente por culturas afro-brasileiras, seja no frevo de Pernambuco, seja nos blocos da Bahia, assim como nos sambas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Historicamente, as celebrações do carnaval remetem à Roma Antiga, com rituais festivos marcados pela subversão da ordem entre escravos, plebeus e outros grupos sociais. Na Idade Média, a hegemonia da Igreja Católica sobre o continente europeu não impediu que essas festividades ocorressem. O relaxamento da ordem e dos costumes foi acompanhado de perto por membros da hierarquia eclesiástica, que pretendiam coibir (nem sempre com muito sucesso) extravagâncias excessivamente pecaminosas.

O Entrudo foi uma dessas celebrações medievais, realizadas também em Portugal, que aportaram no Brasil Colonial a partir do século XVIII. Já no século XIX, no Rio de Janeiro, diferentes classes sociais brincavam nessas festas, organizando sociedades carnavalescas que desfilavam pelas ruas em blocos temáticos com foliões fantasiados ou meramente mascarados. A algazarra popular rompeu as pretensões de que esses desfiles fossem simplesmente uma cópia oca dos carnavais de Paris ou Veneza. No Entrudo, foram comuns agitações motivadas por gente que arremessava baldes de água na multidão ou algum líquido mais viscoso de origem duvidosa.

A associação dos carnavais com determinados gêneros musicais regionais (como foi feito com o samba, o maracatu, o frevo e outros ritmos assentados em ancestralidades afro-brasileiras) iniciou-se no século XIX, mas ganhou força no século XX, a partir de Getúlio Vargas e seus intentos em moldar uma pretensa identidade nacional.

Ao longo dos séculos XX e XXI, o crescente poder dos oligopólios das corporações vinculadas aos meios de comunicação, juntamente com sucessivos governos, fizeram com que os carnavais fossem gradativamente utilizados para consolidar a fantasia de um país moldado pela alegria eterna, com um povo feliz, sem espaço para conflitos étnicos, sociais e econômicos.

Acompanhando essa ideia artificial, consolidou-se ainda a hipersexualização dos corpos (principalmente de mulheres negras), reforçando estereotipias de origem coloniais, nas quais, se “não existe pecado ao sul do Equador”, quaisquer tipos de abusos tendem a ser tolerados.

Desde suas primeiras celebrações no Brasil, as festividades dos carnavais envolvem diferentes formas de se apropriar do espaço público. Por um breve momento, esse espaço deixa de ser determinado pelo racionalismo e pelas lógicas do universo do trabalho. Ocorre a ascensão do lúdico contestatório, com autoridades sendo detratadas através do riso, do canto, da dança e da música, em rituais de subversão que rompem com códigos morais imperantes ao longo do ano. São aspectos do cotidiano que não esperam apenas o carnaval para aflorarem, mas que, nesse momento, passam a se mobilizar conjuntamente em função de uma mesma catarse multifacetada.

Essas inversões da ordem são alvos de constantes esforços para silenciá-las. Autoridades governamentais, forças policiais, grupos religiosos contrários às celebrações carnavalescas, corporações dos meios de comunicação que mercantilizam as festas de todas as formas possíveis, enfim, as mais variadas forças atuam para enclausurar o carnaval em determinados confinamentos nos quais hierarquias se sobreponham ao espontâneo e ao imprevisível.

Os carnavais no Brasil, portanto, desde suas origens, carregam essa tensão de, simultaneamente, confrontarem e dialogarem com os grupos que preferem a ordem e o silêncio. Suas subversões são um grito. E, mesmo que simbólico, é o grito possível de quem não cabe no camarote do sambódromo, nem no abadá customizado, mas prefere dançar com a baderna no meio da rua. Afinal, de que serviriam os quarenta dias de resguardo e contenção entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa se não fossem excessos carnavalescos?