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Aprendendo uma segunda língua: o inglês na vida e no vestibular
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Já há algum tempo que o inglês como segunda língua é considerado um pré-requisito no mercado de trabalho. Sua importância para a vida profissional é a justificativa mais comum dada aos jovens que questionam seu aprendizado ou se mostram desinteressados por ele. De fato, o domínio do inglês é muito importante para se conseguir um bom emprego, ainda mais por se tratar de uma língua franca, ou seja, um idioma altamente difundido e que serve como ponte de comunicação entre povos. Portanto, no mundo globalizado do trabalho, o inglês é uma ferramenta essencial, com evidentes aplicações nas áreas do turismo e dos negócios em geral.

Também o acesso a novas tecnologias e teorias é ampliado e facilitado graças ao conhecimento de inglês. No mundo acadêmico, por exemplo, o domínio da língua inglesa pode ser muito útil, pois os estudantes devem consultar livros, periódicos e sites de pesquisas em inglês para realizar seus trabalhos, além de utilizar essa língua para divulgar suas próprias teses. A melhor justificativa para se aprender inglês é uma mais abrangente: o domínio dessa língua possibilita e aguça a capacidade de autoconhecimento do indivíduo, pois abre novas vias de comunicação e informação que lhe permitem conectar-se a diferentes valores e realidades, podendo se apropriar deles, reinventá-los, adaptá-los ao seu contexto e ampliá-los, desenvolvendo o pensamento crítico e a atuação cidadã no mundo.

Para fins de vestibular, a maioria das entidades e também o ENEM elaboram questões de “inglês instrumental” cujo enfoque é a compreensão de textos de gêneros variados, mas em várias provas ainda se exige o conhecimento de determinados tópicos gramaticais e de vocabulário. Um assunto sempre em evidência são os conectivos (conjunções em geral e expressões conectivas). Por isso, conhecer seus significados e entender a natureza das relações que elas estabelecem nos textos é uma boa ideia para quem está se preparando para ingressar no ensino superior.

O aprendizado do inglês, como o de qualquer outra língua, deve ser constante e é interminável. Portanto, nosso conselho é: não deixem para estudar na última hora e leiam muito!


Carnaval e o Grito Possível
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Desde as primeiras celebrações do carnaval propriamente dito no Brasil, ainda no século XIX, as clivagens sociais se fizeram presentes, com elites regionais tentando impor seus padrões civilizacionais eurocêntricos sobre festas populares moldadas acentuadamente por culturas afro-brasileiras, seja no frevo de Pernambuco, seja nos blocos da Bahia, assim como nos sambas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Historicamente, as celebrações do carnaval remetem à Roma Antiga, com rituais festivos marcados pela subversão da ordem entre escravos, plebeus e outros grupos sociais. Na Idade Média, a hegemonia da Igreja Católica sobre o continente europeu não impediu que essas festividades ocorressem. O relaxamento da ordem e dos costumes foi acompanhado de perto por membros da hierarquia eclesiástica, que pretendiam coibir (nem sempre com muito sucesso) extravagâncias excessivamente pecaminosas.

O Entrudo foi uma dessas celebrações medievais, realizadas também em Portugal, que aportaram no Brasil Colonial a partir do século XVIII. Já no século XIX, no Rio de Janeiro, diferentes classes sociais brincavam nessas festas, organizando sociedades carnavalescas que desfilavam pelas ruas em blocos temáticos com foliões fantasiados ou meramente mascarados. A algazarra popular rompeu as pretensões de que esses desfiles fossem simplesmente uma cópia oca dos carnavais de Paris ou Veneza. No Entrudo, foram comuns agitações motivadas por gente que arremessava baldes de água na multidão ou algum líquido mais viscoso de origem duvidosa.

A associação dos carnavais com determinados gêneros musicais regionais (como foi feito com o samba, o maracatu, o frevo e outros ritmos assentados em ancestralidades afro-brasileiras) iniciou-se no século XIX, mas ganhou força no século XX, a partir de Getúlio Vargas e seus intentos em moldar uma pretensa identidade nacional.

Ao longo dos séculos XX e XXI, o crescente poder dos oligopólios das corporações vinculadas aos meios de comunicação, juntamente com sucessivos governos, fizeram com que os carnavais fossem gradativamente utilizados para consolidar a fantasia de um país moldado pela alegria eterna, com um povo feliz, sem espaço para conflitos étnicos, sociais e econômicos.

Acompanhando essa ideia artificial, consolidou-se ainda a hipersexualização dos corpos (principalmente de mulheres negras), reforçando estereotipias de origem coloniais, nas quais, se “não existe pecado ao sul do Equador”, quaisquer tipos de abusos tendem a ser tolerados.

Desde suas primeiras celebrações no Brasil, as festividades dos carnavais envolvem diferentes formas de se apropriar do espaço público. Por um breve momento, esse espaço deixa de ser determinado pelo racionalismo e pelas lógicas do universo do trabalho. Ocorre a ascensão do lúdico contestatório, com autoridades sendo detratadas através do riso, do canto, da dança e da música, em rituais de subversão que rompem com códigos morais imperantes ao longo do ano. São aspectos do cotidiano que não esperam apenas o carnaval para aflorarem, mas que, nesse momento, passam a se mobilizar conjuntamente em função de uma mesma catarse multifacetada.

Essas inversões da ordem são alvos de constantes esforços para silenciá-las. Autoridades governamentais, forças policiais, grupos religiosos contrários às celebrações carnavalescas, corporações dos meios de comunicação que mercantilizam as festas de todas as formas possíveis, enfim, as mais variadas forças atuam para enclausurar o carnaval em determinados confinamentos nos quais hierarquias se sobreponham ao espontâneo e ao imprevisível.

Os carnavais no Brasil, portanto, desde suas origens, carregam essa tensão de, simultaneamente, confrontarem e dialogarem com os grupos que preferem a ordem e o silêncio. Suas subversões são um grito. E, mesmo que simbólico, é o grito possível de quem não cabe no camarote do sambódromo, nem no abadá customizado, mas prefere dançar com a baderna no meio da rua. Afinal, de que serviriam os quarenta dias de resguardo e contenção entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa se não fossem excessos carnavalescos?


O que vamos ser quando crescer? A escolha da carreira profissional
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Ao longo de nossas vidas, e principalmente na transição da fase adolescente para a fase adulta, precisamos tomar diversas decisões relevantes. Em se tratando da formação do cidadão, uma dessas escolhas é a carreira profissional a ser seguida pelo jovem, questionamento que se manifesta ainda mais cedo, quando uma criança pergunta: o que eu vou ser quando crescer?

Sendo ainda mais genérico, nos dias de hoje, talvez a pergunta correta seja: o que o mundo quer que eu seja quando crescer? Obviamente que essa pergunta não leva em conta apenas as “demandas do mundo”, mas também as vontades e aptidões de cada um. Na verdade, a pergunta é um convite para uma reflexão sobre se, de fato, as escolhas profissionais feitas pelos jovens de hoje ainda vão ser coerentes no futuro.

Recentemente, li um curioso artigo na revista National Geographic que indicava a descoberta diária de uma nova espécie de ser vivo na Amazônia. Fiquei intrigado com essa informação, a qual, quase de imediato, correlacionei com a realidade das diversas profissões que existem atualmente. Na minha percepção, de modo análogo ao que ocorre no campo das descobertas científicas, podemos imaginar quantas novas profissões surgem por dia no mundo de hoje.

De fato, entre os extremos das carreiras de Medicina e Engenharia, quantas profissões de relevância para a sociedade surgiram nas últimas décadas? Basta pensar em carreiras como Biomedicina, Biotecnologia e Engenharia Genética. Outras tantas profissões surgiram ainda entre as balizas da Economia e do Direito, da Administração e da Medicina, da Tecnologia e da Administração, da Pedagogia e da Administração, etc.

Para a escolha da profissão adequada, portanto, o jovem deve pensar em alguns aspectos cruciais. O primeiro deles é que a carreira escolhida deve obedecer a algumas necessidades relacionadas à aptidão, ao prazer pelo ofício e à necessidade de mercado. Esse raciocínio pode ser representado pelo Diagrama de Venn a seguir.

De acordo com o diagrama, a busca ideal deve contemplar as três necessidades envolvidas, que seriam: “o que sei fazer bem?”,o que gosto de fazer?” e “o que o mundo precisa?”. Naturalmente, a resposta para essas perguntas não é simples, pois envolve muita reflexão, autoconhecimento e pesquisa de mercado, mas, sem dúvidas, já seria um belo ponto de partida.

Outro aspecto fundamental na escolha da carreira é que os jovens saibam que, após concluir sua primeira graduação no ensino superior, eles podem fazer diversos cursos de especialização, pós-graduação, mestrado e MBA´s, que permitem, em curto ou médio prazo, o alinhamento com as exigências do mercado, a atualização na profissão escolhida e até mesmo a guinada para uma nova carreira, caso queiram.

Sem dúvida, a primeira opção de carreira tem seu peso e seu valor, mas ela não é estática nem definitiva. Como sabemos, o mundo atual vive grandes e rápidas transformações. Sendo assim, independentemente da idade, é estratégico gerir nossas vidas nos alinhando e nos atualizando em relação a essas mudanças. Se passamos uma boa parte de nossas vidas nos dedicando ao trabalho, por que no desenvolvimento de nossos ofícios e profissões isso seria diferente, não é mesmo?


O preparo começa hoje: dicas para quem irá prestar vestibular pela 1ª vez
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Leciono no Anglo há quase 20 anos e todo ano vejo os alunos com as mesmas dúvidas com relação ao vestibular. A mais frequente é: terei que estudar feito um louco?

Não, definitivamente não. Você deverá estudar com inteligência. Seu estudo deve ser, sobretudo, saudável, organizado e frequente.

Saudável porque você deverá encontrar prazer em estudar. O estudo não deve ser uma tortura. Não se estuda por obrigação, e sim porque você quer aprender.

Organizado porque você deve distribuir quais matérias estudará ao longo de cada dia da semana para que, ao final, tenha estudado todo o conteúdo.

E frequente porque você deverá estudar todos os dias, e não só quando tiver provas. O ato de estudar deve ser contínuo. Porém, você não pode entrar num ritmo muito forte porque dessa forma não será saudável.

O que você deverá fazer é seguir o ritmo do seu corpo. Cada aluno tem uma resistência. É preciso entender que às vezes precisamos de um ou dois anos para assimilar completamente o conteúdo. Cada aluno tem uma característica. Você não poderá exceder o seu limite. Relaxar também é importante. Para tanto, procure praticar algum esporte, treinar em uma academia, por exemplo, enfim, realizar alguma atividade física que lhe dê prazer ao menos uma vez por semana para um descanso. Afinal de contas, o descanso também faz parte da preparação.

Outra dica importantíssima é NUNCA faltar à aula. No Anglo, “Aula dada, é aula estudada”. Na aula você entende e, no momento em que estiver estudando sozinho, você aprende.

O vestibular é uma porta aberta pela qual qualquer pessoa pode passar, basta saber fazer o que deve ser feito e, acima de tudo, acreditar em si mesmo.

Eu posso dizer isso porque há quase 30 anos, quando entrei no Anglo, acreditei nisso que está escrito acima e, mesmo vindo de escola pública, consegui uma vaga no ITA.

Portanto, caro vestibulando, bem-vindo a uma nova fase. A fase de aprender que aprender é prazeroso. Boa sorte!


80 anos de Vidas Secas: o retrato do Nordeste pintado por Graciliano Ramos
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Vidas Secas, um dos romances mais celebrados e estudados de nossa literatura, completa 80 anos. Verdadeiro patrimônio da cultura brasileira, a obra conjuga denúncia com a investigação profunda da alma de miseráveis situados no grau zero da escala social, ali onde os limites que separam o ser humano da animalidade são imprecisos.

Escrito pelo alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), o romance narra a trajetória de uma família de retirantes em busca de alguma estabilidade na vida. Cada capítulo é uma espécie de quadro independente em que se mostram diferentes aspectos da miséria sertaneja. Os pobres são carentes de tudo; são rudes, sem a mínima sofisticação. Em uma das cenas mais tocantes, Fabiano, o pai da família, chega a pensar em abandonar o filho desfalecido em meio à caatinga. Era uma forma de prosseguir a viagem penosa. Contudo, tocado pelo sentimento de proteção, acaba por levar o menino nos braços.

Naquele ambiente inóspito, ser um homem bruto é ter capacidade de resistir. “O sertanejo é antes de tudo um forte” – já dissera Euclides da Cunha a respeito de pessoas como Fabiano. Resistir às imposições da natureza, mas, também, resistir a uma estrutura social que se compraz em explorar os que mal sabem falar para lutar pelos seus direitos. Em sua ignorância, Fabiano chega a perceber a força das palavras. Embora forte como um bicho, ele se sente fraco e desprotegido diante de um patrão que o engana e de um soldado que o oprime.

Assim, a pessoas como ele só resta a condição de animalidade. O leitor imediatamente encontrará uma relação com o zoomorfismo, característica comum aos romances de tese oitocentistas. Mas há aqui uma clara diferença: no romance de tese, a animalidade atinge a todos, sejam ricos ou pobres. Todos agem apenas para saciar os seus instintos. Já em Vidas Secas, a animalização do homem tem um caráter de denúncia social, atingindo apenas os miseráveis. Ela demonstra como uma parcela da população brasileira estava relegada à condição de bichos, completamente esquecida pelas autoridades. Vidas Secas tem o mérito de mostrar que, apesar de parecerem bichos, Fabiano e sua família são gente. É um belo propósito humanista. O narrador em terceira pessoa mostra sutilmente que aqueles retirantes apresentam um rico mundo interior, cheio de sonhos, de indignação e de memórias.

Comemorar oitenta anos dessa obra é lembrar que, em quaisquer condições, o ser humano deve manter acesa a chama de sua dignidade. É lembrar como boa literatura pode ser feita sem literatice, sem apelar para um estilo grandioso e oco. Vidas secas é enxuto: com poucos elementos, consegue uma enorme gama de efeitos estéticos. Enfim, lembrar a data é uma forma de trazer à consciência que os “Fabianos” (de ontem, de hoje e de sempre) são seres morais, e não deixam de carregar em si o brilho da Humanidade que faz de cada pessoa um ser único e infinito.


Fim da Grande Guerra completa 100 anos: Conheça os detalhes
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– Professor, por que chamaram a Primeira Guerra Mundial de “Primeira”? Já sabiam que haveria uma Segunda?

 

No dia 11 de novembro de 1918, foi assinado o Armistício, o cessar fogo que encerrou a Primeira Guerra Mundial, depois de pouco mais de quatro anos de uma matança sem precedentes. Quando começou, a “guerra para acabar com todas as guerras” não foi chamada de “Primeira”, mas simplesmente de a “Grande Guerra”. A sofisticação dos armamentos, o grande número de países participantes e a mobilização em larga escala de milhões de soldados, desde os primeiros dias do conflito, deixaram claro que essa guerra seria maior do que todas as anteriores.

Foi uma guerra da era industrial, na qual ocorreu a mobilização das economias nacionais,  seja através da conversão das indústrias civis para bélicas, seja através da mobilização tecnológica em busca da “arma decisiva”. O resultado foi o prolongamento do conflito e a mobilização cada vez maior de potencial humano, provocando elevada mortalidade.

Ao final do conflito, os países Aliados, notadamente França e Inglaterra, com a participação dos Estados Unidos a partir de 1917, derrotaram as Potências Centrais, basicamente a Alemanha e seus associados, como Áustria e Turquia. Seguiu-se a imposição do Tratado de Versalhes, assinado em 1919, por meio do qual ingleses e franceses se vingaram dos alemães, fazendo pesadas exigências em termos de indenizações financeiras, compensações materiais e territoriais pelos danos infligidos durante o conflito. O Tratado de Versalhes gerou um forte desejo alemão de vingança, rapidamente transformado em bandeira política por partidos radicais conservadores, como o jovem partido nazista. A partir de então, tornou-se claro que haveria uma revanche, e a Grande Guerra seria seguida de uma segunda Grande Guerra.

Nos vestibulares e no ENEM, a Primeira Guerra Mundial costuma ser abordada de duas formas principais:

– Pedindo-se que se apontem suas causas (desdobramento do expansionismo/imperialismo europeu na era industrial) e suas consequências (mudanças no mapa europeu, revanchismo alemão, desequilíbrio econômico);

– Pedindo-se que se identifique o impacto de novas tecnologias na guerra, enquanto experiência social a que dezenas de milhões de pessoas foram submetidas.


Saiba como se preparar para a Segunda Fase da Unicamp
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Entre os dias 14 e 16 de janeiro de 2018, 15461 candidatos farão a segunda fase do vestibular da Unicamp, considerada uma das melhores universidades do país, com cursos nas áreas de biológicas, exatas e humanas.

Para os alunos que em breve realizarão essa prova, lembraremos alguns pontos importantes nessa reta final de preparação.

O primeiro é a importância de refazer as provas de anos anteriores, pois, apesar de não serem esperadas questões muito semelhantes de um ano para outro, é imprescindível se familiarizar com o padrão dos enunciados, com o espaço delimitado para elaborar as respostas e também com o tempo disponível para resolver a prova. Os vestibulares dissertativos exigem não apenas o domínio dos conteúdos, mas também técnicas de elaboração de respostas dissertativas.

Outro exercício importante é reler resumos e anotações elaborados durante o ano. Dessa forma, o aluno pode relembrar rapidamente conceitos exigidos na prova, além de  identificar assuntos nos quais tem maior dificuldade, a fim de priorizá-los na revisão.

A redação é mais um aspecto fundamental. Desde a sua origem, a prova de redação da Unicamp tem como intuito principal avaliar a leitura e a escrita como processos profundamente inter-relacionados. Atualmente, a prova é composta por duas propostas obrigatórias de gêneros diversos, e os candidatos não sabem previamente quais gêneros serão solicitados pela banca.

Em cada uma das duas propostas, haverá um enunciado que determina as condições para a produção do texto, situando o candidato em relação ao propósito de sua escrita, ao gênero textual que deverá ser adotado e à interlocução (enunciador e interlocutor) a ser construída.

Propósito, gênero e interlocução são os elementos que norteiam tanto os critérios da grade específica, que avalia o cumprimento das exigências da proposta, quanto da grade holística, na qual se avalia a qualidade do trabalho desenvolvido, por meio também de elementos como modalidade escrita, coesão e adequação lexical.

Para elaborar cada redação, o candidato tem como base um texto-fonte, de gênero diferente daquele a ser elaborado, o que exige muita atenção às características principais de cada gênero textual. Nesse contexto, o aluno cuja história de leitura e escrita for mais consistente, pois ao longo de sua formação teve contato com gêneros textuais diversos, muito provavelmente terá melhor desempenho, pois poderá demonstrar maior capacidade de relacionar, analisar, articular, sintetizar e organizar informações, bem como de demonstrar senso crítico, se assim a proposta exigir. É a consideração dessas condições que permitirá a elaboração de um texto adequado, e o candidato que tiver analisado as propostas de anos anteriores corre menor risco de se surpreender durante a prova.

Agora vamos focar um pouco mais na prova de geografia. A segunda fase da Unicamp apresenta questões com nível de dificuldade de médio a difícil, especialmente em temas relacionados a geografia econômica, dinâmica da natureza e geopolítica. Nos últimos cinco anos, as questões de geografia econômica abordaram temas como indústria, fontes energéticas e agropecuária. Em dinâmica da natureza, temas como relevo, clima e vegetação foram abordados, em geral com grau de dificuldade mais elevado. Já em geopolítica, entre os temas escolhidos pela banca, destacam-se tópicos referentes a Oriente Médio, América Latina e China.

Para finalizar, reforçamos que é muito importante analisar o formato das questões. É preciso interpretar minuciosamente as informações disponíveis no enunciado, como imagens, gráficos, mapas e textos, que podem contribuir para a elaboração das respostas. Outro item relevante é a leitura atenta do comando das questões, pois é fundamental identificar se uma questão exige a análise, a apresentação ou a descrição de algum tema, o que facilita a elaboração das respostas dissertativas e pode economizar um tempo precioso dos alunos.

Boa prova a todos!


A tão esperada segunda fase chegou… Como superá-la?
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Ser vestibulando é muitas vezes abdicar de momentos com família e com os amigos. É negar um passeio, uma viagem, uma balada. É passar as tardes no plantão, chegar em casa somente à noite e continuar os estudos até ser empurrado para a cama, com a ajuda do sono e do cansaço. Por que tudo isso? Para que tanto esforço? A resposta é a conquista da tão sonhada vaga em uma grande universidade. Você está muito próximo dessa conquista! A enorme peneira chamada primeira fase já passou, e agora chegou o momento de encarar a segunda fase.

A chave do sucesso é manter sua rotina de estudos, diariamente assistir às aulas de revisão e fazer todas as suas tarefas. Acabou? Sobrou algum tempinho? Que tal acessar o site: https://angloresolve.plurall.net/? Lá você vai encontrar as provas de segunda fase dos anos anteriores de diversos vestibulares. Vale destacar que todas as questões foram resolvidas pelos professores do Sistema Anglo de Ensino. Dessa forma, sua preparação será completa: aulas, exercícios e estudo dirigido. Isso mesmo, estudo. Rever os conteúdos em que você tem mais dificuldade poderá ser o seu grande diferencial na hora da prova.  Conhecer a prova também será fundamental.

A segunda fase da FUVEST terá 3 dias de prova; o primeiro com Português e Redação. Durante o segundo dia, você fará questões de todas as matérias, e, no terceiro dia, serão apenas as disciplinas específicas do seu curso. Estudar o que é mais pedido pode ser uma excelente estratégia. Na Biologia, os assuntos “top five” são:

Ecologia – enfatize ciclo do nitrogênio, eutrofização, problemas ambientais e sucessão ecológica.

Fisiologia animal – faça uma análise geral dos sistemas, porém estude mais sistema endócrino (ciclo menstrual também) e sistema nervoso.

Genética – estude os grupos sanguíneos do sistema ABO e Rh. Lembre-se da eritroblastose fetal e suas consequências para o bebê. Faça uma breve revisão sobre a 2ª Lei de Mendel e sobre quando os genes estão ligados no mesmo cromossomo (linkage).

Reino vegetal – faça uma árvore filogenética dos grupos vegetais e dê destaque para as características adaptativas que auxiliaram os organismos no processo adaptativo, como os vasos condutores, as sementes, as flores e os frutos.

Fisiologia celular – a citologia é um assunto bem amplo, que envolve desde a divisão celular até a atividade das organelas citoplasmáticas, por isso estude bem esse assunto.

Como sua prova não será composta apenas por questões de Biologia, faça um planejamento e reveja todas as disciplinas. Durante as festas de final de ano, continue focado. Curta, aproveite a família, os amigos e depois volte aos estudos. Acredite que todo o esforço e dedicação farão a diferença na hora da prova. Quanto mais você estudar, mais seguro vai estar para resolver uma questão da segunda fase da FUVEST.  No dia, capriche na letra e escreva uma resposta clara e precisa.

Acredite no seu esforço. Quando você for aprovado, todo esse trabalho vai ser recompensado. Você se lembrará do tempo dos vestibulares apenas como um momento difícil que passou em sua vida. Muitas felicidades surgirão e novos desafios também.

Na reta final, foco total!!! Faça uma excelente segunda fase da FUVEST. Vai ser sua última!!!


Qual é o cálculo que realmente interessa? Uma análise do ano de estudos.
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Não conheço ninguém, que, nesta época de final de ano, deixe de fazer, ainda que mentalmente, um balanço de tudo o que realizou desde o último reveillon. A divisão da vida em períodos de tempo sempre teve como função mais evidente contabilizar lucratividade, desde as necessidades da agricultura relacionadas às estações do ano no período paleolítico, até o estabelecimento de turnos de trabalho nas fábricas inglesas da Revolução Industrial. É muito difícil que alguém escape incólume de um tipo de “prestação de contas” a respeito das conquistas e dos fracassos do ciclo cronológico que se encerra a cada 31 de dezembro. O problema não está em fazer ou não esse balanço. O que importa, na verdade, são os parâmetros de avaliação utilizados para analisar tudo aquilo pelo que passamos.

O dinheiro acumulado, o carro trocado, a aprovação no vestibular desejado e as promoções conquistadas costumam estar em primeiro lugar e possuir grande peso nesse cálculo. Mesmo que não tenhamos nos sentido realizados, nem experimentado sensações novas, somos considerados vitoriosos pelo aumento salarial concedido e pelo reconhecimento alcançado no meio que frequentamos. Vivemos em um tempo em que felicidade costuma ser confundida com utilidade.

Cansado da sensação constante de que o ano passou rápido e de que as realizações nem sempre eram exatamente o que esperava, resolvi, mais ou menos dez anos atrás, começar a esboçar um “caderninho de conquistas”. Nele, estabeleci alguns aspectos que seriam significativos para mim, e só para mim, e que poderiam ser considerados como conquistas alcançadas naquele ano que se encerrava. Eu tinha desejado comprar um apartamento naquela época e incluí, sem pestanejar, a aquisição do imóvel como um grande acontecimento no período. Mas eu sabia que aquilo representava apenas um aspecto dentro do crescimento que tinha tido. Eu queria tentar definir o que eu realmente valorizava como passos significativos na minha trajetória individual. Então passei a considerar os livros que li, os filmes que descobri e as cidades e museus que visitei. Entendi aí que esses eram os aspectos que mais faziam diferença para o desenvolvimento do cara que eu queria ser.

O caderninho, que ainda uso hoje, acalmou muito a minha ansiedade e me ajudou a diferenciar a minha busca interior e subjetiva dos valores que, em geral, nos são impostos por uma sociedade extremamente preocupada em contabilizar apenas ganhos financeiros, resultados acadêmicos ou vantagens profissionais.

Sugiro que você faça algo parecido e que, nesses últimos dias de 2017, pare para pensar, em primeiro lugar, no que mudou internamente. Supondo que tenha sido um período de busca, de definição de objetivos, de batalha com você mesmo. Suponho ainda que talvez você não tenha alcançado exatamente o que esperavam de você e o que era considerada a grande luta do ano. Mas e o resto? Quem é que está calculando seus avanços subjetivos? Será que o seu crescimento interessa a alguém na sociedade prática e utilitária?

Procure olhar para o caminho percorrido desde dezembro de 2016. O que você aprendeu? Com quantas pessoas novas se relacionou? Que momentos de prazer você conseguiu experimentar? O quanto você descobriu sobre você mesmo? Seus medos, angústias e ansiedades são os mesmos do ano passado? O que de muito pequeno e quase imperceptível para o mundo objetivo se transformou nesse tempo transcorrido? Faça a própria lista e celebre cada passo que deu. Esqueça o sucesso do seu colega de classe, as expectativas da sua mãe ou a promoção do vizinho da frente. A única celebração realmente válida neste momento é a sua conquista pessoal. Afinal, você é a pessoa com quem mais conviverá para o resto da vida. Por mais que o mundo grite o contrário e sempre exija dividendos palpáveis, acredite que o único cálculo que de fato interessa é o da diminuição da distância entre você e você mesmo.

 


Autores, leitores e concursos
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Nos exames vestibulares e nos concursos públicos, são comuns questões de interpretação de texto baseadas em obras de autores vivos: poetas, romancistas, jornalistas, cronistas, compositores populares. Não é raro surgir a dúvida: será que os autores desses textos seriam capazes de resolver essas questões?

Na semana passada, o debate voltou à tona, quando um candidato a um concurso organizado pela UFRJ não concordou com dois gabaritos divulgados pela Banca e resolveu consultar, pelas redes sociais, o compositor Nando Reis, autor do texto usado nas questões (a canção “Vou te encontrar”). Nando Reis respondeu o fã e, para aumentar a polêmica, também disse que discordava das respostas oficiais. Veja aqui.

Bom, a verdade é que as questões não são boas. Talvez nem a Banca, nem Nando Reis estejam com a razão. O mais prudente seria mesmo anulá-las, como mostraremos a seguir. Mas, antes, vale fazer algumas reflexões sobre o que é a interpretação de um texto.

Ao contrário do que muita gente pensa, poucos escritores têm controle pleno e total sobre o que escrevem. Depois de publicado, o texto ganha autonomia e passa a depender pouco da vontade do escritor. A intenção de quem escreve, se não se manifesta no que está escrito, não importa para quem lê.

O grande intelectual italiano Umberto Eco, em seus Seis passeios pelos bosques da ficção, afirmava: “Deixem-me dizer-lhes que não tenho o menor interesse pelo autor empírico de um texto narrativo (ou de qualquer texto, na verdade). Sei que estarei ofendendo muitos dos presentes que talvez dediquem boa parte de seu tempo à leitura de biografias de Jane Austen ou Proust, Dostoievsky ou Salinger, e também sei perfeitamente como é maravilhoso e empolgante vasculhar a vida privada de pessoas reais que amamos como se fossem nossos amigos íntimos.”

Podemos expandir a ideia de Eco e dizer que as opiniões do próprio autor a respeito de um texto são tão relevantes quanto qualquer outra opinião. O escritor de carne e osso não tem mais autoridade do que ninguém para opinar. Se fosse necessário conhecer os pensamentos de um autor para interpretar o que ele escreveu, como poderíamos ler Homero, Shakespeare, Dante ou Gil Vicente?

Mas isso não pode caminhar para o relativismo interpretativo, como se toda leitura fosse igualmente válida. De novo recorrendo a Eco, textos literários sobretudo são “obras abertas”, que aceitam mais de uma leitura, o que não significa que qualquer leitura é admissível.

Uma leitura, para ser válida, precisa basicamente: partir de elementos explícitos na superfície textual, considerar as relações internas de sentido e recorrer a informações de repertório da medida da necessidade. Não é incomum que isso nos leve a mais de uma leitura possível, e elas são todas aceitáveis, desde que as hipóteses interpretativas sejam confirmadas pelo texto como um todo, e não por passagens isoladas.

Feitas essas observações, vamos às questões do concurso da UFRJ. Em uma das questões, fala-se sobre o emprego das reticências no refrão da canção: “Vou te encontrar… / Vou te encontrar”. A Banca não cita a fonte da letra da canção, e Nando Reis afirma que as reticências não existem no original. Já temos um motivo para anular a questão.

Mas o problema, nesse caso, é mais grave. A Banca afirma que as reticências indicam “hesitação”; Nando Reais prefere “certeza”. As outras opções eram “pausa”, “segurança” e “reflexão”. Nenhuma resposta se sustenta. Nesse caso, as reticências, se as houvesse na letra original, indicam a expectativa, o desejo, a vontade do eu lírico de encontrar a interlocutora, o que é confirmado pelas locuções verbais no futuro. Não se trata de certeza, pois não há certeza sobre ações futuras, nem de hesitação, pois o eu lírico tem muito mais traços de determinação do que dúvida.

Na outra questão, pergunta-se qual o significado mais adequado para a palavra “vivo” no verso “Vivo, como você quer”. As opções eram: “a) perdurar, b) aproveitar a vida, c) comportar-se em vida, d) sustentar-se, e) morar”. A Banca acha que a resposta é A. Nando, D. De novo, uma questão ruim. Traduzir o significado de um adjetivo (“vivo”) por meio de verbos já causa estranheza, e nenhum desses verbos explica o sentido do verso, que depende da estrofe inteira: “Sofro, como qualquer um / Rio, quando estou feliz / Homem, dessa mulher / Vivo, como você quer”. No percurso figurativo da canção, o estar vivo está associado a sofrer e a rir, a conviver com emoções díspares, mas mantendo as esperanças de encontrar a interlocutora. Nenhuma alternativa contempla essa interpretação.

A polêmica com Nando Reis repete o que já ocorreu com Rubem Alves e com Mário Prata. Provavelmente, não será a última. Mas para quem trabalha com concursos e exames de seleção, o mais importante não é saber o que os autores dos textos pensam. O mais importante é, sim, que as questões tenham enunciados claros, questionamentos precisos e interpretações sustentáveis. Nesse caso, a UFRJ falhou. Cabe a nós, professores, apontar os equívocos.

Quanto a Nando Reis, que ele continue escrevendo e compondo. Ele faz isso bem. Também somos seus fãs.