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Análise Combinatória: Dicas para lidar com ela no vestibular
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A Análise Combinatória é, de fato, um assunto muito interessante da matemática. Além de ser muitíssimo útil para determinadas atividades profissionais, ele aparece com uma boa frequência nos vestibulares em geral. Basicamente, a Análise Combinatória tem como finalidade calcular o número de maneiras de combinarmos elementos de um ou mais conjuntos para obtermos determinados agrupamentos. No estudo da Análise Combinatória, dois tipos de agrupamentos são de grande importância:

  • agrupamentos que diferem entre si pela ordem dos elementos do grupo e/ou pelos elementos componentes (sequências);
  • agrupamentos que diferem entre si somente pelos elementos componentes (conjuntos).

Vamos exemplificar os dois tipos. Por exemplo, considere os algarismos 1, 2 e 3.

  • Podemos formar 6 sequências de 2 elementos distintos.

(1,2), (2,1), (1,3), (3,1), (2,3) e (3,2)

Observe que a sequência (1,2) é diferente da sequência (2,1).

Portanto, nos problemas em que a ordem dos elementos no agrupamento é importante, trata-se de sequências.

  • Podemos formar 3 conjuntos de 2 elementos:

{1,2}, {1,3} e {2,3}

Observe que aqui não vale pegar o conjunto {2,1}, pois esse conjunto é o mesmo que {1,2}.

Portanto, nos problemas em que a ordem dos elementos não altera o agrupamento, trata-se de conjuntos.

O número de sequências pode ser obtido pelo Princípio multiplicativo (Princípio fundamental da contagem) enquanto o número de conjuntos pode ser obtido por:

                                                

Vamos mostrar uma aplicação de cada tipo:

  • Uma moça dispõe de 5 blusas, 4 saias e 3 casacos. De quantos modos ela pode se vestir, se cada traje deve ser formado por uma blusa, uma saia e uma casaco?

Resolução:

Há 5 possibilidades para escolher uma blusa, 4 possibilidades para escolher uma saia e 3 possibilidades para escolher um casaco.

Pelo Princípio multiplicativo, o número de trajes é dado por:

5 x 4 x 3 = 60

Assim, essa moça poderá se vestir de 60 modos diferentes, ou seja, de 60 modos sem repetir o mesmo traje.

  • Numa sala com 20 alunos, de quantos modos podemos escolher 3      alunos para representá-la em um evento?

Resolução:

Nesse caso, devemos utilizar a fórmula de Combinações simples. Como temos 20 alunos, o número de possibilidades para a escolha de 3 deles é:

Assim, podemos escolher diferentes trios de alunos de 1140 modos, sendo que dois trios quaisquer terão sempre, pelo menos, um aluno diferente.

Observação:

Do exposto, pode-se concluir que:

  • Determinados problemas clássicos podem ser resolvidos pelo Princípio multiplicativo. São exemplos: quantidade de números que tenham um determinado número de algarismos; senhas de banco; placas de automóveis; números de telefones; códigos em geral; disposição de pessoas em lugares de um veículo; combinação de roupas para formar trajes diferentes; número de trajetórias para se ir de um lugar a outro.

 

  • Determinados problemas clássicos podem ser resolvidos pela fórmula das combinações simples ( ). Alguns exemplos são: formação de comissões de pessoas; número de retas; número de triângulos; número de diagonais de um polígono; número de subconjuntos de um conjunto dado; combinação de substâncias químicas para formar uma mistura, formação de times esportivos.

Uma nota:

Nas permutações simples, utilizamos o princípio multiplicativo, por exemplo, na obtenção do número de anagramas de N letras formadas com as N letras de uma determinada palavra; na disposição de N pessoas em N lugares determinados; na disposição de N pessoas para formar uma fila.


Entenda o conflito entre Israel e Palestina
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Tensões e conflitos entre palestinos e israelenses marcam a recente história do Oriente Médio. Neste ano, acrescentou-se a esta história o fato de o governo dos Estados Unidos reconhecer a cidade de Jerusalém como a capital de Israel, ampliando manifestações contrárias por parte da população palestina que reivindica o controle dessa cidade.

Para entendermos este conflito, é necessário voltarmos para 1947, quando a ONU aprovou um plano de partilha do que era, até então, o território palestino em dois Estados: um árabe e um judeu. A partir da aprovação do plano de partilha, teve início um processo de sucessivos conflitos regionais. Os mais violentos foram:

 

  • • Guerra de 1948 – os israelenses saíram vitoriosos desse confronto. O Estado árabe desapare­ceu concretamente;

 

  • • Guerra de 1967 – também foi chamada Guerra dos Seis Dias. As forças armadas israelenses derrotaram seus inimigos, representados pela união das forças militares do Egito, da Jordânia e da Síria. Em consequência de sua vitória, Israel anexou a cidade de Jerusalém e a transformou em sua capital oficial, além de ter conquista­do a península do Sinai (território que pertencia ao Egito), as Colinas de Golã (que pertenciam à Síria) e a Cisjordânia (que pertencia à Jordânia);

 

  • • Guerra de 1973 – de­nominada Guerra do Yom Kippur. Nesse conflito, Israel foi atacado pelos países árabes, liderados pelo Egito, que pretendiam reconquistar seus territórios perdidos em 1967. Israel saiu novamente vito­rioso da guerra, mas, em consequên­cia desse conflito, em 1979, foi assi­nado um tratado entre Israel e Egito – conhecido como Acordos de Camp David –, pelo qual a península do Sinai foi devolvida aos egípcios.

 

Para atingir seus objetivos, os pa­lestinos vêm se valendo de organizações representativas, como a Al-Fatah (Movimento pela Libertação da Palestina) e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina). No início de sua atuação, a OLP, liderada por Yasser Arafat, baseava suas ações em atos classificados como terroristas. Na década de 1990, entretanto, Arafat passou a defender a ação política como forma de luta, transformando-se no principal líder na defesa da causa palestina. Em 1996 foi eleito, com mais de 80% dos votos, presidente da Autoridade Palestina, cargo que ocupou até sua morte, em 2004.

Em 1993, o governo de Israel e representantes da OLP assinaram um acordo de caráter provisório pelo qual os palestinos passaram a ter autonomia administrativa sobre as regiões da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. A assinatura desse acordo, no entanto, provocou forte reação por parte de grupos radicais, tanto do lado israelense quanto do lado palestino, contrários ao que foi estabelecido nas negociações. Em consequência, os atentados se multiplicaram na região.

Nos últimos anos, os principais impasses entre palestinos e israelenses se fundamentam na criação de colônias judaicas em territórios reivindicados pela comunidade palestina. Dentre estas, a mais polêmica envolve Jerusalém, considerada a verdadeira capital pelo governo israelense, porém, pretendida pela população palestina. Os recentes embates entre as duas comunidades indicam que a solução para esse impasse territorial está muito distante.


Língua Inglesa e leitura: dicas para ir bem nos vestibulares
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O aprendizado de qualquer língua estrangeira requer tempo e dedicação. Quanto maior tiver sido o contato do vestibulando com essa língua, maior será sua base para resolver os exames. Visto que a maioria dos grandes vestibulares exige principalmente (às vezes, somente) compreensão de texto, é nisto que os candidatos devem focar seus estudos: leitura, compreensão e aquisição de vocabulário. Ainda assim, o conhecimento de regras gramaticais não deve ser subestimado, pois contribui para a boa compreensão dos textos.

Primordialmente, os alunos e alunas devem desenvolver o hábito da leitura atenta, que esmiúça/analisa o texto, buscando compreender as relações estabelecidas entre as ideias expressas e identificar as informações relevantes, bem como as pessoas da comunicação (enunciador e interlocutor). A associação entre texto verbal e não verbal também é algo importante a se desenvolver, uma vez que são comuns, nos vestibulares, questões baseadas em cartazes publicitários, tirinhas, charges, infográficos, etc. Recomendamos que os alunos, em suas leituras, explorem os diferentes gêneros textuais (textos jornalísticos, científicos, publicitários, músicas, poemas, tirinhas, etc.).

Há também estratégias que podem ser de grande ajuda na hora de fazer a prova: quando os enunciados e as alternativas das questões não são muito longos, vale a pena lê-los antes mesmo de iniciar a leitura do texto correspondente. Dessa forma, o candidato pode ficar mais atento à informação que será cobrada no exercício. O aluno que lê o texto grifando os trechos importantes e relevantes, que identifica as ideias predominantes em cada parágrafo e no texto como um todo (até o título é de grande ajuda), ganha agilidade para responder às questões – e o tempo é um fator fundamental a ser administrado ao longo de toda a prova. É fundamental também que o candidato preste muita atenção ao que é pedido no enunciado de cada questão e volte a ele quando em dúvida quanto à resposta mais adequada (situação comum nos exames do Enem). Ainda, deve-se ter em mente que as respostas quase sempre estarão no corpo do texto. Portanto, é preciso ater-se ao que está presente nele, ainda mais quando a questão se refere a um determinado parágrafo, trecho ou expressão. Vale, para tanto, utilizar os termos ou dados mencionados no enunciado como referência para buscar a resposta no texto. É recomendável também evitar respostas baseadas no próprio conhecimento de mundo ou opinião (por mais que possam ser considerados corretos ou válidos) se esses não estiverem contemplados no texto em questão.

Bons estudos e boas provas!


DSTs: como essas doenças podem cair no vestibular?
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As doenças sexualmente transmissíveis acompanham a humanidade há milênios. Embora muita informação esteja disponível, ainda pairam muitas dúvidas entre as pessoas. O assunto também pode aparecer nos vestibulares e no ENEM, portanto é bom entender um pouco melhor sobre o assunto.

            Uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) que tem preocupado os órgãos de saúde é a sífilis. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2015 e 2016, houve um aumento de 27,9% dessa doença no Brasil. Ela é causada pela bactéria Treponema pallidum e facilmente transmitida nas relações sexuais sem camisinha.

Os sintomas se manifestam por volta de 10 a 90 dias após a contaminação e se apresentam na forma de feridas (cancro duro) que podem aparecer não só nos órgãos genitais, mas também na boca ou em outra parte do corpo com a qual a bactéria tenha tido contato. Em geral não há dor, coceira ou ardência no local. Em um segundo momento, os sintomas podem evoluir para manchas avermelhadas na pele, febre, falta de apetite, etc. É nesses estágios iniciais que a doença apresenta o maior risco de contaminação.

Após esses dois estágios, a doença pode regredir sozinha e entrar em um estágio assintomático, mas isso não representa uma cura. Depois de ficar encubada por um período que varia de 2 a 40 anos, podem surgir sintomas bem mais severos, como lesões cardiovasculares, neurológicas, na pele, nos olhos, nos ossos, etc.

A sífilis pode também ser transmitida por transfusões de sangue e pela placenta durante a gestação (transmissão transplacentária), podendo causar más-formações, aborto e até a morte do feto. Quando nasce, a criança pode apresentar feridas pelo corpo, cegueira, má-formação dentária, surdez, pneumonia, deficiência mental, etc. A sífilis congênita, como é conhecida, praticamente dobrou entre 2010 e 2015. Por se tratar de doença causada por bactéria, o tratamento é feito com antibióticos.

Outra bactéria que pode ser transmitida no ato sexual é a Neisseria gonorrhoeae, causadora da gonorreia ou blenorragia, uma das DSTs mais comuns no mundo. Os sintomas aparecem rapidamente, de 1 a 8 dias após o contágio. A bactéria se instala principalmente na uretra onde se reproduz causando dor e ardência ao urinar e produção de pus. Esses sintomas aparecem na maioria dos homens contaminados, mas podem não aparecer nas mulheres que, sem saber que estão contaminadas, correm o risco do agravamento da infecção. Sem tratamento, a bactéria invade outras partes do corpo, podendo causar problemas sérios. Nos homens, os mais comuns são inflamação dos testículos e da próstata e, nas mulheres, a doença pélvica inflamatória, que acomete o útero, os ovários e as tubas uterinas. Em ambos os casos, pode haver infertilidade. Mulheres grávidas contaminadas podem transmitir a bactéria ao bebê, levando a eventual parto prematuro e graves lesões oculares.

Um dado alarmante é que os antibióticos usados em larga escala no tratamento dessa doença acabaram selecionando variedades resistentes da bactéria, limitando as opções de antibióticos para o tratamento atualmente. A seleção de bactérias resistentes a antibióticos é um tema de grande incidência nos vestibulares e no ENEM.

A Chlamydia trachomatis é outra bactéria transmitida sexualmente que provoca uma DST denominada clamídia. Os sintomas são muito parecidos com os da gonorreia, embora mais brandos, o que pode levar à confusão no diagnóstico. Felizmente ambas podem ser combatidas com o mesmo antibiótico (Azitromicina), em dose única.

Quando se fala em DST, é fundamental comentar sobre a AIDS (SIDA no português – síndrome da imunodeficiência adquirida) e o retrovírus causador dessa doença, o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Dados do Ministério da Saúde vêm mostrando um aumento do número de jovens contaminados, principalmente entre 15 e 19 anos de idade, com maior incidência entre os homens.

O HIV ataca os linfócitos T, células do sistema imunológico que regulam a produção de anticorpos pelos linfócitos B. Dessa forma, a defesa do organismo fica prejudicada e pode ocorrer contaminação por outras infecções, as quais podem levar o paciente à morte. Um indivíduo pode ser portador do vírus (soropositivo) sem apresentar sintomas da doença, mesmo assim, ele pode transmiti-lo a pessoas saudáveis nas relações sexuais sem preservativo ou por transfusão de sangue. A transmissão vertical (da mãe infectada para o filho) também pode ocorrer, por isso é importante que no pré-natal a mulher saiba se está contaminada para usar o coquetel de medicamentos antirretrovirais, a fim de controlar a população do vírus e impedir a transmissão ao filho.

O tratamento da AIDS é feito com vários medicamentos combinados (coquetel), dentre os quais está o AZT, um antiviral que inibe a ação da transcriptase reversa, enzima fundamental na transformação do RNA viral em DNA viral, que irá controlar a multiplicação de novos vírus nos linfócitos T. O tratamento pode manter a pessoa infectada com vida normal, mesmo não correspondendo à cura da doença com eliminação do vírus. Embora a maioria dos pacientes responda bem ao coquetel, alguns são acometidos por efeitos colaterais, como danos no fígado e nos rins, doenças coronarianas, diarreias, enjoos, etc. Sem tratamento, a pessoa desenvolve a AIDS e passa a apresentar dores na cabeça, na garganta e nos músculos, febre, ínguas etc., até que infecções oportunistas encontrem o corpo já debilitado e se instalem, podendo levar o indivíduo à morte. No Brasil, desde 1996, todas as pessoas com AIDS têm o direito de receber gratuitamente do governo os medicamentos antirretrovirais.

Outro vírus que tem se espalhado com frequência é o papiloma vírus humano (HPV), que causa uma doença chamada condiloma acuminado, popularmente conhecida como crista de galo. Esse vírus está relacionado à maioria dos tumores de colo de útero (ou câncer cervical), que é um dos mais comum em mulheres. Ao contrário do que muita gente pensa, o vírus também está associado, em menor proporção, a câncer de vagina, vulva, ânus e pênis.

Embora associado ao câncer, a maioria das pessoas saudáveis que se contaminam com o HPV acabam conseguindo combater o vírus e eliminá-lo do organismo. Entre 10 e 20% dos pacientes não conseguem eliminar o vírus do corpo e dentre eles, as mulheres ficam suscetíveis a desenvolver o câncer cervical. O desenvolvimento de tumores leva, em geral, muitos anos. Os exames periódicos, como o de Papanicolau, podem detectar as lesões causadas pelo vírus e permitir que se comece um tratamento para eliminar o problema que pode ir de uma cauterização química até uma cirurgia para a retirada do tumor.

A boa notícia em relação ao HPV é que há vacina que pode evitar a contaminação. Ela é feita com os subtipos virais 6, 11, 16 e 18, e não com todas as variedades, o que significa que pode haver contaminação por um outro subtipo viral, mesmo que a pessoa esteja vacinada. Mesmo assim, a vacina é recomendada, pois aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo de útero são causados pelas variedades 16 e 18.

A vacina deve ser tomada a partir dos 9 anos, preferencialmente pelas meninas, antes de se iniciar a vida sexual. Lembre-se de que as vacinas inoculam o antígeno (no caso do HPV os vírus estão enfraquecidos) para que o indivíduo produza os próprios anticorpos, por isso não adiantaria vacinar pessoas que já estão contaminadas.

A única prevenção para todas as DSTs citadas neste texto é evitar o contato com os microrganismos causadores, o que deve incluir, principalmente, o uso de preservativos nas relações sexuais. Atualmente muitos jovens se preocupam em prevenir a gravidez e utilizam métodos como pílulas anticoncepcionais, esquecendo-se de que o preservativo não só previne a gravidez como diminui muito a chance de contágio das DSTs.

As doenças citadas estão entre as DSTs mais importantes. O candidato aos vestibulares e ao ENEM deve conhecer aquelas causadas por vírus e as causadas por bactérias. Deve conhecer o ciclo de vida do HIV, sua célula hospedeira (linfócito T) e saber por que causa imunodeficiência. A ação das vacinas, como do HPV e dos soros, também é assunto recorrente nos principais exames.


Como interpretar tirinhas e charges no vestibular?
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Tirinhas e charges são textos de natureza humorística que mobilizam elementos verbais e não-verbais para construir uma crítica sobre determinado tema. Na charge, é comum que esse tema seja mais contemporâneo e atual – relacionado a algum evento social ou político pontual -, enquanto, na tirinha, costuma-se tratar de assuntos existenciais mais amplos.

No universo dos vestibulares, as bancas normalmente questionam o que desencadeia o efeito de humor (ou ''a graça'') do texto. Para tornar essa tarefa mais fácil, aí vão algumas dicas:

     

   Não tente “achar a graça”

            Considerar um texto ''engraçado'' está muito atrelado à subjetividade, já que tal ação depende, muitas vezes, da visão de mundo, da situação de comunicação e das referências culturais e afetivas do leitor. As diferenças de senso de humor de cada um são a maior prova disso. Portanto, não é possível depender de algo tão subjetivo para acertar uma questão de prova. Deve-se buscar no humor elementos linguísticos mais concretos.

 

Em vez de procurar a ''graça'' do texto, procure a quebra de expectativa

            Em tirinhas e charges, é comum que a “graça” (ou o ''efeito de humor'') resulte de uma quebra de expectativa. O humor surge do inusitado. Textos como esses criam certa expectativa no leitor para, ao final, quebrá-la, gerando efeito cômico. Muita atenção quando algo que você não estava esperando acontece, pois provavelmente a banca direcionará a questão para essa quebra de expectativa.

 

  Atenção aos mecanismos desencadeadores da quebra de expectativa

  Os mecanismos linguísticos que mais comumente produzem quebras de expectativa em tirinhas e charges são:

  1. a) Ambiguidade – Trata-se de uma frase ou expressão com dupla possibilidade de leitura. É comum, nas tirinhas e charges, sermos levados a acreditar que o sentido de determinada palavra, expressão ou frase era um, quando, no final da leitura, acabamos por perceber que era outro. Na maioria dos casos, essa ambiguidade decorre de uma polissemia (capacidade natural de uma palavra de assumir muitos sentidos diferentes). Em casos como esse, a ambiguidade é explorada para produzir a quebra de expectativa.
  1. b) Ironia – Em sentido estrito, ironia é a afirmação que pretende ser entendida pelo seu contrário. Quando produzimos um enunciado irônico, esperamos que ele seja entendido pelo oposto do que afirmamos. Isso, por si só, já é uma quebra de expectativa. Afinal, o que se espera habitualmente é que os enunciados sejam interpretados literalmente.

 

Questione a tirinha/charge

Qual é o tema da charge? A quais questões políticas, sociais ou culturais ela se refere? Quais discursos ou comportamentos típicos da sociedade estão sendo criticados? Quais elementos concretos (cenário, pessoas, gestos, ações) estão retratados? Detalhes do contexto, como a fonte, o local e a data da publicação, também podem ajudar.


130 anos de Lei Áurea: contexto histórico e atual da abolição
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Em 2018, o povo brasileiro comemora 130 anos da abolição da escravatura. A Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel enquanto regente do trono, em 13 de maio de 1888, decretou o fim de todas as atividades escravistas do Brasil.

Há muito o que se analisar sobre esse acontecimento. O Brasil foi o último país americano independente a abolir a escravidão, e, diferentemente do que aconteceu em outros lugares, o fim do trabalho escravo no país decorreu de um processo complexo. A história comparativa nos permite compreender com mais eficiência o fim da escravidão brasileira. No Haiti, por exemplo, a abolição da escravidão ocorreu em meio a um cenário revolucionário – a Revolução de São Domingos, caracterizada pela luta dos haitianos pela independência do país e pelo fim do trabalho compulsório. Líderes como Toussaint Louverture e Jean Jacques Dessalines conduziram o povo haitiano em busca de sua liberdade. Outro caso que merece destaque foi o dos Estados Unidos. Em meados da década de 1860, o presidente Abraham Lincoln assinou a décima terceira emenda à constituição, que decretou o fim da escravidão em território norte-americano, fato que contribuiu para uma violenta guerra civil (Guerra de Secessão). Ao final do conflito, com a vitória dos Estados do Norte, de direcionamento político liberal, o fim do trabalho escravo foi consolidado em todo o país.

No Brasil, a abolição se deu através de um processo conduzido pelo Estado, que respondia à pressão inglesa, ao movimento abolicionista e às constantes manifestações e rebeliões dos escravizados do país. É importante destacar também que o regime escravista tornava-se cada vez mais anacrônico, uma vez que a economia brasileira passava por um processo de modernização. A circulação de parte do capital oriundo das exportações do café estimulava diversas atividades nos setores produtivos e de comércio, e o escravismo era um entrave para o desenvolvimento dessas ações econômicas. No entanto, a monarquia calculava que o fim radical da escravidão no país poderia causar atritos políticos com os setores escravista e mais conservadores da sociedade. Assim, buscando amenizar tais conflitos, o Estado passou a conduzir de forma gradual o fim da escravidão brasileira.

Foram várias as ações políticas na direção da liberdade dos escravizados: a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, reprimiu e posteriormente extinguiu o tráfico para o Brasil. A partir de então, a escravidão entrou em decadência, e o número de trabalhadores livres cresceu significativamente. O movimento abolicionista, organizado posteriormente e que agregava lideranças como André Rebouças, Luís Gama, Castro Alves, Francisco de Paula Brito, Chiquinha Gonzaga, Joaquim Nabuco, Augusta Generoso Estrella, Leonor Porto, entre outros e outras, passou a pressionar o governo, a conscientizar a sociedade sobre o tema da abolição e a ajudar escravizados em diversas questões. Nesse cenário, ocorreram importantes conquistas jurídicas como a Lei do Ventre Livre de 1871 e a Lei do Sexagenário de 1885. Em termos numéricos, essas leis não trouxeram resultado prático tão significativo, mas a possibilidade da liberdade para recém-nascidos e escravizados mais velhos trouxe um estímulo maior para a luta pela abolição.

O projeto da Lei Áurea foi formalmente apresentado ao poder legislativo por Rodrigo Augusto da Silva e debatido pelos deputados e senadores entre os dias 10 e 13 de maio de 1888. Naquele momento, o governo estava sendo conduzido pela herdeira Dona Isabel, que regia o trono enquanto seu pai, o imperador Dom Pedro II viajava. É fato que o regime monárquico brasileiro sofria severos abalos naquela década e os republicanos, cada vez mais fortes e organizados, estavam se aproximando do poder. Muitos previam que a mudança do regime monárquico para o republicano se daria logo após a morte do velho e apático imperador Dom Pedro II. Assim, a princesa Isabel se via em um labirinto político. E foi nesse cenário que a herdeira passou a articular pela aprovação da Lei Áurea. A proposta da abolição estava cada vez mais popular, e protagonizar a libertação dos cativos poderia trazer fôlego à postulante a imperatriz. Portanto, no dia 13 de maio de 1888, motivada pela crise política, por pressão dos abolicionistas, da sociedade, da Inglaterra e por questões pessoais, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que decretou o fim do trabalho escravo no país.

O resultado político da Lei foi bastante ambíguo para Isabel. Se por um lado, a princesa foi ovacionada pelo povo brasileiro como a redentora do país, por outro perdeu o último apoio contundente ao regime monárquico: os escravocratas conservadores, que passaram gradativamente a apoiar o movimento republicano, que não foi enfraquecido pela abolição. Pouco mais de um ano depois, a monarquia caiu e a República foi proclamada.

Para os então antigos escravos, a liberdade batia à porta, mas junto com ela toda uma tradição de violência, preconceito racial e marginalização. Pouco foi feito para se tentar integrar os negros à sociedade. Para esse grupo social, faltavam educação, emprego, alimentos, saúde e inclusão social. A Lei Áurea marcou o fim da escravidão e o início da luta pela igualdade. Desde então, muito já se conquistou nesse quesito, mas ainda há muito o que se conquistar no que concerne à cidadania, à dignidade e ao respeito.


Microscopia Crioeletrônica – Decifrando o Nobel de Química
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O prêmio Nobel de Química de 2017 foi concedido a três pesquisadores, Jacques Dubochet, Joachim Frank e Richard Henderson. A laureação dos cientistas deveu-se à sua contribuição no desenvolvimento de uma técnica que permite obter imagens de moléculas biológicas em alta resolução, a microscopia crioeletrônica.

A forma das biomoléculas está diretamente relacionada aos efeitos fisiológicos que promovem nos organismos, assim, a elucidação do aspecto tridimensional dessas moléculas pode levar à maior compreensão de seus mecanismos de funcionamento. Como exemplo, pode-se citar as proteínas reguladoras dos ciclos biológicos e as formadoras da estrutura do Zika vírus, responsável pela recente epidemia de nascimentos de bebês com microcefalia no Brasil.

Fonte da imagem: https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular-chemistryprize2017.pdf

 

Vejamos a seguir a principal contribuição de cada um dos cientistas premiados.

 Richard Henderson

O cientista Richard Henderson obteve seu doutorado, na Universidade de Cambridge, através do estudo da estrutura de proteínas utilizando cristalografia de raio-X. Essa técnica consiste basicamente na incidência de raio-x sobre uma amostra (proteína) a ser analisada. Através do padrão de difração e espalhamento da radiação, pode-se, por meio de softwares especializados, compor o que seria a “imagem” da proteína e, portanto, uma proposição de um modelo para a sua estrutura.

Fonte: https://www.quora.com/What-is-the-difference-between-determining-a-proteins-structure-via-NMR-and-determining-it-by-X-ray-crystallography

A limitação dessa técnica é que ela depende de compostos que, ao serem solidificados, apresentem um arranjo regular, ou seja, formam estruturas cristalinas.

Ao tentar estudar a estrutura de algumas proteínas de membrana celular, Henderson percebeu que, ao serem isoladas da membrana, perdiam a sua conformação original, de modo que a sua estrutura não poderia ser determinada pela cristalografia de raio-x.

Para contornar esse problema, o cientista considerou utilizar a microscopia eletrônica, na qual a amostra é analisada pela incidência de um feixe de elétrons altamente energético.

Na prática, porém, o procedimento mostrou-se inicialmente inviável. O feixe de elétrons de alta energia acabava por decompor a amostra orgânica termicamente. Além disso, a necessidade de submeter o composto a ser estudado ao vácuo contribuía para a sua degradação, devido à desidratação pela vaporização da água, presente nos meios celulares, e parcialmente responsável pela manutenção da estrutura original das biomoléculas.

A solução encontrada por Henderson foi analisar, no microscópio eletrônico, as proteínas associadas à própria membrana. Essa composição permitiu a “visualização” das moléculas, mas a resolução das imagens obtidas era baixa.

Joachim  Frank

A contribuição do cientista Joachim Frank foi uma técnica para se obter imagens de alta resolução através da microscopia eletrônica.

Basicamente, o cientista desenvolveu um método no qual, através da composição de várias imagens bidimensionais (2D), um software especializado consegue gerar uma imagem tridimensional (3D), possibilitando obter imagens de alta resolução para servir de modelo para a determinação da estrutura das biomoléculas.

 Fonte:  https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular-chemistryprize2017.pdf 

Jacques Dubochet

Como mencionado, uma das limitações da aplicação da técnica de microscopia eletrônica consistia da necessidade do vácuo, que provocava a evaporação das moléculas de água e consequentemente mudança do arranjo das biomoléculas.

Para contornar essa situação, uma possibilidade considerada pelos cientistas foi congelar as amostras, uma vez que a passagem do gelo para o estado de vapor ocorre mais lentamente do que quando comparado à água líquida. No entanto, devido ao arranjo cristalino das moléculas de água no gelo, não foi possível obter um contraste significativo com o arranjo das biomoléculas.

A solução encontrada por Dubochet foi solidificar a água rapidamente, de modo que não houvesse tempo para formar o retículo cristalino do gelo, e assim as moléculas de água acabassem formando um arranjo vitrificado, ou seja aleatório e amorfo.

Fonte:  https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular-chemistryprize2017.pdf

A técnica consiste no resfriamento de uma fina película de água (filme) em contato com etano super-resfriado com nitrogênio líquido, como representado pela imagem acima.

Dessa maneira, pode-se obter um maior contraste entre os cristais das biomoléculas e o arranjo amorfo da água, permitindo assim, através da  microscopia eletrônica, a obtenção de imagens de alta resolução (resolução em nível atômico).

A associação da microscopia eletrônica com o modo de preparo das amostras desenvolvido por Dubochet é atualmente denominada microscopia crioeletrônica.

É previsto que a aplicação da  microscopia  crioeletrônica permitirá avanços significativos principalmente no campo da bioquímica, devido a possibilidade de elucidação estrutural da  maior parte das biomoléculas, possibilitando uma melhor compreensão do funcionamento das mesmas.

A microscopia crioeletrônica  é considerada revolucionária no campo científico, permitindo desde a análise da estrutura de proteínas de membrana até biomoléculas maiores e mais complexas, abrindo assim vastos campos de estudo nas áreas médicas e farmacêuticas.

Referências Bibliográficas:

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/04/ciencia/1507101567_361365.html

https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular.html

https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular-chemistryprize2017.pdf

 


Biodiversidade – 4 questões sobre o assunto no Brasil e no mundo
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O que é biodiversidade?

Biodiversidade, ou diversidade biológica, é um termo que se refere ao número e à variedade de organismos vivos presentes em determinado ambiente. Um documento elaborado na Conferência Rio-92, que é a Convenção sobre Diversidade Biológica (conhecida como CDB), define esse termo como ''a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.''

 

O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo?

O Brasil é seguramente um dos países que possuem a maior biodiversidade do planeta, pois faz parte do grupo dos 17 países considerados megadiversos. Esse grupo, que abrange grande parte da biodiversidade global, foi proposto pelo norte-americano Rusell Mittermeier em 1988 e inclui, além de Brasil, Austrália, China, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Filipinas, Índia, Indonésia, Madagáscar, Malásia, México, Papua Nova Guiné, Peru, República Democrática do Congo e Venezuela.

Existem vários rankings sobre os países que possuem maior diversidade do planeta, e o Brasil geralmente é apontado como o primeiro colocado. Colômbia, Estados Unidos e Austrália também são apontados, em algumas classificações, como os que contêm maior diversidade biológica do planeta, porém as estimativas sobre o número de espécies que podem existir no planeta são bastante imprecisas, assim como também é impreciso indicar um país como o “campeão” entre os megadiversos. O que se pode afirmar é que a Amazônia, cuja maior parte é brasileira, de fato contempla a maior diversidade entre os ambientes do planeta.

 

O que são hotspots de biodiversidade?

O conceito de hotspot de biodiversidade foi desenvolvido pelo cientista britânico Norman Myers em 1988 e no ano seguinte foi adotado pela ONG Conservation International para identificar 24 ambientes que deveriam ser conservados, pois concentram grande parte da diversidade biológica do planeta. Em 2009, a lista dos hotspots foi ampliada para 35 áreas, que juntas englobam mais da metade das espécies vegetais da Terra, além de contar com 40% de seus vertebrados.

Desde a primeira classificação da Conservation International, os biomas brasileiros Cerrado e Mata Atlântica fazem parte da lista de hotspots de biodiversidade, pois possuem mais de 1500 espécies vegetais endêmicas (aproximadamente 0,5% do planeta), além de contar com mais de 70% de seu habitat degradado.

 

O que são biomas?

Esse termo pode ser definido de várias maneiras, tendo a vegetação papel crucial em sua delimitação. Existe uma confusão muito comum entre os conceitos de “bioma” e de “formação vegetal”, porém o primeiro abarca mais do que a vegetação, devendo ser entendido como um ambiente que engloba diferentes características naturais relativamente homogêneas.

O dicionário Oxford de Geografia caracteriza bioma como “zona ecológica cuja uniformidade é definida pelo tipo de vida vegetal predominante, uma vez que a vegetação traz fortes indicações de outras características ecológicas de uma zona, como a vida animal e o tipo de solo”.

Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), bioma é ''uma área com dimensões normalmente superiores a um milhão de quilômetros quadrados em que o clima, a fisionomia da vegetação, o solo e a altitude são semelhantes ou aparentados”. Embora seja importante, a flora não é determinante do bioma, pois “comunidades vegetais que guardem diferenças importantes em termos de composição de espécies podem ser incluídas num mesmo bioma, desde que vivam sob condições ambientais semelhantes”. É caso da Mata dos Pinhais ou de Araucária, formação incluída no bioma Mata Atlântica, que ocupa 13% do território nacional.

O IBGE identifica seis biomas brasileiros: Amazônia (desmatamento de 15%*, segundo dados divulgados em 2015 pelo próprio IBGE), Cerrado (desmatamento de 49,1%), Caatinga (desmatamento de 46,6%), Pantanal (desmatamento de 15,4%), Pampa (desmatamento de 54,2%) e Mata Atlântica (desmatamento de 85,5%).

Observação: os dados de desmatamento* se referem à chamada Amazônia Legal, que constitui área aproximada ao território do bioma propriamente dito.


Livro, leitura, literatura
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Dicas de Vestibular

A Unesco instituiu 23 de abril como Dia do Livro. E o que se comemora efetivamente nessa data? O compositor Caetano Veloso nos dá uma pista: “Os livros são objetos transcendentes”. De fato, o que se celebra é algo vai além do próprio livro: o ato de ler.

A leitura está bastante relacionada ao universo da educação. Estudar é ler. O primeiro passo da compreensão é a leitura da teoria; o início da resolução de exercícios é sempre a leitura do enunciado. Mas, ainda aqui, podemos dizer que a leitura é uma atitude que transcende o ambiente escolar. Lê-se na escola, mas não apenas ali. O mundo à nossa volta é um grande texto a ser lido. Imagens, pessoas, sinais, gestos, atitudes, posturas políticas – são textos. Recusar-se à leitura é fazer a opção por receber o mundo sem exame, sem análise, sem crítica. Na era da informação facilitada, educar é, acima de tudo, ensinar a ler o mundo.

No universo da leitura, a literatura desempenha um papel muito especial. É corrente a opinião de que a leitura literária tem o poder de oferecer uma fuga da realidade, uma forma de esquecer as preocupações do cotidiano. Pode-se dizer que esta é uma leitura equivocada da… leitura. A literatura não é fuga, mas deslocamento. Ela nos tira da nossa posição usual, e nos expõe a posturas diferentes das nossas. Quando lemos um poema, e nele encontramos a palavra eu, temos plena consciência, claro, de que se trata de um eu poético, o fingidor a que se referiu Fernando Pessoa. Mas, ao enunciarmos a simples palavra eu, é como se nos apropriássemos daquele texto, como se transformássemos aquela sensação em nossa sensação, aquela forma de perceber (e ler) o mundo em nossa forma. Isto é: nós nos deslocamos de nossa posição usual, mas não apenas não fugimos do mundo, como, ao contrário, mergulhamos mais profundamente nele.

Assim, a literatura é um exercício de percepção do outro. Por essa e outras razões, ela é cada vez mais necessária em um mundo em que a intolerância provoca a metamorfose dos indivíduos naqueles três macaquinhos que se recusam a ver, ouvir e falar – isto é, a ler e a ser lido.

Todos os anos, estudantes do Brasil inteiro são submetidos a leituras obrigatórias para o ingresso em universidades importantes. Geralmente, reagem mal a essa obrigatoriedade – e têm razão em fazê-lo -, porque essa imposição subtrai muito do essencial da leitura literária, que é o prazer de ler, o que começa pela livre escolha do que ler. Mesmo que seja imposta, é preciso encarar a leitura literária como um instrumento de inserção naquilo que o mundo tem de mais rico, a diversidade.

O exercício dessa diversidade começa pela aceitação do convite que todo livro faz: deixe-se levar por essa experiência, principalmente se for preciso vencer resistências pessoais. A leitura abre o mundo aos sentidos do leitor. E a leitura literária oferece ao leitor a oportunidade de abrir-se para todos os sentidos do mundo.


O perigo da Água: doenças transmitidas pela falta de tratamento
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Dicas de Vestibular

Grande parte da população brasileira (cerca de 105 milhões de pessoas) mora em residências sem coleta de esgoto, que, muitas vezes, é lançado diretamente nos ambientes aquáticos e até mesmo corre próximo às casas.

     A situação precária do saneamento básico é agravada ainda pelo fato de que cerca de 40% do esgoto coletado não é tratado. Além disso, cerca de 35 milhões de cidadãos não recebem água tratada em suas casas.

     Diante desses dados estarrecedores, temos que considerar os riscos que a população corre de se contaminar com organismos patogênicos (causadores de doença) pelo consumo de água ou pelo contato físico com ela. Centenas de doenças podem ser transmitidas pela água sem tratamento, que pode conter toxinas de cianobactérias, bactérias, vírus, cistos de protozoários e ovos de vermes.

        As cianobactérias são bactérias fotossintetizantes, que se proliferam em mananciais eutrofizados, isto é, com enriquecimento de nutrientes inorgânicos provenientes de fertilizantes das lavouras ou da decomposição de esgoto orgânico.  Algumas espécies produzem neurotoxinas, que afetam o sistema nervoso e hepatotoxinas, prejudiciais ao fígado, que são muito nocivas à saúde humana.

         Agentes infecciosos (que invadem o hospedeiro e nele se reproduzem) podem estar presentes nas fezes humanas e de animais, e a transmissão para as pessoas pode ocorrer pelo consumo da água contaminada e de alimentos que entraram em contato com ela.

      A água sem tratamento também contamina objetos de cozinha, como tábuas para bater carne ou cortar frutas e legumes, facas, potes, esponjas de lavar, etc. Organismos patogênicos também podem ser transportados para os lares por meio de insetos, como moscas e baratas.

      Algumas doenças são mais frequentemente transmitidas pelo contato da pele com a água contaminada pelo agente etiológico (agente causador da doença), como é o caso da leptospirose, cuja bactéria causadora está presente na urina de ratos e outros animais e pode invadir o corpo humano pelos poros. O contágio também pode se dar pelas mucosas dos olhos, do nariz e da boca, o que inclui o risco de transmissão pela ingestão da água contaminada.

     A transmissão de esquistossomose também está relacionada com a falta de saneamento básico, pois os ovos embrionados saem com as fezes humanas e contaminam ambientes de água doce, onde liberam a larva miracídio, que invade o caramujo hospedeiro intermediário, do qual saem larvas cercárias, que invadem a pele humana.

         Dentre as doenças que podem ser transmitidas pelo consumo de água contaminada estão:

    Os protozoários formam cistos muito resistentes, que persistem muito tempo nos ambientes, e os vermes produzem ovos com embriões. Esses cistos e ovos estão presentes nas fezes humanas e contaminam mãos, objetos e a água.

     Essas informações são usualmente cobradas nas provas, portanto, prepare-se adequadamente para o ENEM e exames vestibulares, estudando a transmissão e os sintomas dessas doenças assim como as formas de preveni-las.