Dicas de Vestibular

Sai Eça, entra Eça
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Relíquia Livro

Todos os anos, a Fuvest divulga a sua tão esperada lista de leitura obrigatória. Para os exames de 2019, é o caso de se perguntar: há algo de novo nessa lista? Entre as listas para os exames de 2018 e 2019, o escritor português Eça de Queirós foi substituído por… Eça de Queirós. O romance A cidade e as serras permaneceu como leitura obrigatória até os exames de 2018. Para o vestibular deste ano, com ingresso nas universidades em 2019, a Fuvest solicita A relíquia, do mesmo autor. É impossível evitar a pergunta: qual a razão dessa troca?

As respostas poderiam ser muitas, inclusive a mais evidente: A relíquia é um grande livro. No entanto, não conta entre as obras mais conhecidas do autor, aquelas que exercem uma sedução maior sobre os estudantes, como O primo Basílio ou O crime do Padre Amaro. Outra resposta, igualmente aceitável, diz respeito à renovação do repertório. Mas, neste caso, pode-se perguntar por que essa renovação se restringiu ao romance de Eça, já que nenhum outro livro da lista foi trocado. Talvez se pudesse falar em alguma diferença de estilo. Contudo, fato é que o escritor foi relativamente ousado nas duas obras, permitindo-se certos desvios das convenções realistas: em A cidade e as serras, através de imagens idílicas do campo e da natureza; e, em A relíquia, em uma inverossímil viagem no tempo, que foi, de fato, condenada por parte da crítica realista do século XIX.

A leitura de qualquer obra de Eça de Queirós costuma trazer algumas dificuldades aos alunos; vencê-las é bastante compensador. A insistência do autor em descrições demoradas, por exemplo, atende ao projeto realista de aproximar o relato da realidade a que se refere. Se o leitor se dedica a construir na sua imaginação o ambiente ou a personagem que está sendo descrita, conseguirá tirar todo proveito desse recurso. O humor de Eça também está sempre presente, mas sua sutileza por vezes passa despercebida – o que é um bom teste para o aluno atento e sensível. Composição de personagens, expressões que se repetem, gestos explícitos, pensamentos inconfessáveis são outros tantos elementos do estilo de Eça de Queirós para os quais o leitor deve voltar sua atenção.

No caso específico de A relíquia, é bom refletir sobre duas questões que o livro levanta. A primeira diz respeito às reflexões em torno da religiosidade que a narrativa suscita. O leitor é levado a duvidar das suas próprias certezas, místicas ou não. Só essa postura polêmica já bastaria para que o estudante se sentisse estimulado a encarar essa substituição. A segunda questão é colocada pela epígrafe da obra: “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”. Ela se refere aos fatos do enredo, mas pode ser estendida para uma concepção estética: assim como esse manto, a fantasia, isto é, a arte, não esconde a verdade, mas auxilia a mostrá-la em toda a sua nudez. Essa lição de Eça ilumina não apenas a leitura de A relíquia, mas de toda a lista de livros. E vale para todas as listas.


Abastecendo veículos com etanol em dias frios
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Abastecer o Carro
O carro abastecido com etanol (álcool etílico) demora mais tempo para ligar em dias frios do que o abastecido a gasolina devido a uma propriedade física chamada ponto de fulgor.

O ponto de fulgor é a temperatura mínima na qual o líquido desprende vapores numa quantidade suficiente, para que, em contato com o oxigênio do ar e uma fonte de ignição, se inicie a combustão. O ponto de fulgor da gasolina varia de -45°C a -38°C, por se tratar de uma mistura de hidrocarbonetos; já o do etanol (álcool etílico) é de 15°C. Assim, em dias com temperaturas inferiores a 15°C, o etanol não desprende vapor suficiente para que, em contato com o oxigênio do ar, haja o início da combustão. Esse problema não ocorre com a gasolina, pois apresenta um ponto de fulgor muito baixo.

É por esse motivo que os veículos flex têm um pequeno reservatório localizado próximo ao compartimento do motor (os mais modernos já dispensam o sistema), que deve ser abastecido com gasolina comum ou aditivada. Caso o veículo esteja abastecido com etanol e a temperatura esteja abaixo de 15°C, o reservatório tem como objetivo injetar uma pequena quantidade de gasolina no momento da partida, facilitando a ignição. Após a partida, o calor produzido pelo motor será suficiente para aquecer o etanol para que possa ser utilizado como combustível.

Para entendermos a diferença entre o ponto de fulgor da gasolina e do etanol, devemos entender o conceito de forças intermoleculares, assunto  recorrente nos principais vestibulares do país. Para se ter uma ideia da importância desse tema, no Enem de 2017, das 17 questões de Química, 3 foram sobre forças intermoleculares, o que representa 17,6% da prova dessa disciplina. Em 2016, o assunto apareceu em 4 das 16 questões de Química no Enem, o que representou 25% da prova dessa disciplina.

Forças (ou interações) intermoleculares são interações de natureza elétrica responsáveis por manter as moléculas unidas. Quanto maior a intensidade da interação, maior será, por exemplo, a temperatura de fusão e de ebulição da substância.

A força intermolecular que ocorre entre as moléculas de etanol é a ligação de hidrogênio. Esta é uma interação na qual um átomo de hidrogênio ligado a um átomo pequeno e fortemente eletronegativo, mais especificamente, F, O ou N, é atraído pelo par isolado de elétrons de outro átomo de F, O ou N. A ligação de hidrogênio é o tipo mais forte de interação intermolecular.

A gasolina é uma mistura de hidrocarbonetos, que são moléculas apolares, e a interação presente é denominada dipolo instantâneo, dipolo induzido ou ainda interação de London, como também é conhecida. Essa interação é mais fraca do que a presente entre as moléculas de etanol. Sendo assim, como as moléculas de etanol estão mais fortemente unidas, fica mais dificil o escape para a fase de vapor, o que explica o maior ponto de fulgor do etanol se comparado com o da gasolina.

Ponto de fulgor não faz parte do programa de Química do ensino médio, mas o vestibular pode cobrar do candidato explicações para as diferenças apresentadas com base em conceitos importantes como as interações intermoleculares, por isso vale se inteirar do tema.


Os 60 anos da NASA
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

No dia 29 de julho de 1958 foi criada a NASA (National Aeronautics and Space Administration), uma agência do governo estadunidense, substituindo a NACA (National Advisory Committee for Aeronautics), e voltada a pesquisa e desenvolvimento tecnológico visando a exploração espacial. Com grandes investimentos do governo dos EUA, a NASA protagonizou grandes feitos e descobertas, fazendo frente à União Soviética na corrida espacial.

O Projeto Apollo levou o homem à superfície lunar pela primeira vez em 20 de julho de 1969, com a missão da Apollo 11, e pela última vez em 1972, totalizando cinco missões que desembarcaram astronautas em nosso satélite natural.

Nasa

O astronauta comandante Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, trabalhando em um equipamento de pesquisa na superfície da Lua. (Divulgação/Nasa)

Diversas pesquisas envolvendo fenômenos termofísica, como transferência de calor e massa, de magnetismo, analisando campos magnéticos, incluindo aí o terrestre, além de mecânica dos solos, foram realizadas nessas missões.

Em 1971, o astronauta David Scott fez uma experiência homenageando o físico, matemático, filósofo e astrônomo Galileo Galilei (1564 – 1642), ao soltar simultaneamente uma pena e um martelo, que atingiram o solo lunar ao mesmo tempo (assista ao vídeo em https://apod.nasa.gov/apod/ap111101.html). Dessa forma, verificou experimentalmente que, se não houver resistência do ar, que é o caso da Lua, onde não há atmosfera, dois corpos abandonados simultaneamente do repouso, e de uma mesma altura, próximos à superfície de qualquer astro, caem lado a lado, com as mesmas velocidades, independentemente de suas massas e formatos.

Em conjunto com outras agências espaciais, como a Agência Espacial Federal Russa (ROSKOSMOS), a Agência Espacial Canadiana (CSA/ASC), Agência Espacial Europeia (ESA), a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (宇宙航空研究 ou JAXA), a NASA está envolvida na Estação Espacial Internacional (EEI), onde são feitas diversas pesquisas nas diferentes áreas da ciência. Costuma-se dizer que os astronautas que permanecem nas EEI experimentam os efeitos da gravidade zero, ou microgravidade. Na realidade, a intensidade do campo gravitacional na altitude da EEI (que varia em torno dos 350km), é de aproximadamente 8,7 m/s2, ou seja, bem longe de ser zero ou mesmo micro. Os astronautas estão, para sermos mais precisos, em estado de imponderabilidade, situação em que a sensação de peso é nula. Corpos em locais em que a gravidade é nula, também estão em estado de imponderabilidade, mas não é o caso dos astronautas orbitando a Terra na EEI.

Quando um astronauta está em estado de imponderabilidade sofre uma redução de massas óssea e muscular. Por isso, é necessário que ele faça exercícios físicos regularmente, além de medir sua massa para se verificar se a perda não ultrapassa limites salutares. Mas como realizar essa medição, já que balanças e dinamômetros não funcionam em estado de imponderabilidade? Um equipamento que pode ser utilizado é o Body Mass Measurement Device (BMMD).

Astronauta da Nasa

O astronauta Andre Kuipers utiliza um BMMD na Estação Espacial Internacional. (Divulgação/Nasa)

Astronauta Luca Parmitano se exercita no Combined Operational Load Bearing External Resistance Treadmill (COLBERT), na Estação Espacial Internacional. Note os elásticos presos ao seu corpo, para simular a sensação de peso que o astronauta teria na superfície da Terra. (Divulgação/Nasa)

O funcionamento do BMMD é baseado em um sistema massa-mola. O aparelho mede o intervalo de tempo de uma oscilação completa e calcula a massa do conjunto pessoa + suporte. Depois, basta subtrair a massa do suporte para encontrar a massa do astronauta.

Pesquisas sobre outras alterações que o estado de imponderabilidade provoca no corpo humano, desde cardiovasculares até imunológicas, vem sendo realizadas e evoluindo, tornando cada vez mais próxima uma viagem tripulada a planetas um pouco mais distantes que a Lua, como Marte.

Desde seu início até os dias de hoje, as descobertas da NASA trouxeram grandes evoluções cientificas marcantes para a humanidade, e, quem sabe em um futuro próximo, possibilite a colonização de planetas parecidos com a Terra.


Os 100 anos de Nelson Mandela
Comentários 2

Dicas de Vestibular

Nelson_Mandela

Esse ano comemora-se o centenário de nascimento de Nelson Mandela, um dos maiores líderes do século XX. Por esse motivo, o assunto pode aparecer nos principais exames vestibulares do país. Mas, antes de falar de Mandela, vamos contextualizar um pouco e pensar a história da África do Sul.

Esse país africano, com uma enorme multiplicidade de grupos étnicos nativos, foi, ao longo do século XIX, colonizado por brancos europeus, particularmente ingleses e holandeses. Aos poucos, os brancos foram controlando a economia e as estruturas políticas e criaram um regime segregacionista conhecido como Apartheid a partir de 1948. A característica mais importante do Apartheid é que transformava o racismo e o segregacionismo em uma política de Estado totalmente legalizada.

Mandela nasceu em julho de 1918, membro da etnia Xhosa, frequentou a escola e mais tarde a faculdade de Direito. Ainda na juventude, Mandela foi militante estudantil na luta contra a política segregacionista e, posteriormente,  uniu-se ao Congresso Nacional Africano, conhecido também pela sigla CNA (ou em inglês African National Congress, ANC). O CNA é um movimento e um partido político sul-africano que existe até hoje. No início, Mandela teve uma militância política pacífica, porém, com o passar dos anos, e, principalmente após episódios de violência da polícia sul-africana contra os negros, ele aderiu à luta armada.

Em 1961, Mandela tornou-se líder da Umkhonto we Sizwe (“Lança da Nação” ou MK), espécie de braço armado do CNA. Nessa oportunidade, passou por treinamento paramilitar em vários países com o objetivo de levar adiante a resistência armada contra o governo branco da África do Sul. Posteriormente, acabou sendo preso, levado a julgamento e passou 27 anos na prisão.

Durante os anos de cárcere, Mandela foi se tornando um símbolo da resistência na luta contra o Apartheid. Os militantes na África do Sul, além de movimentos e campanhas no mundo inteiro, pediam a libertação do grande líder sul-africano. Em 1990, em meio a pressões internacionais e após intensas negociações, o presidente Frederik de Klerk libertou Nelson Mandela. Os dois líderes ganharam o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Aos 75 anos, Nelson Mandela foi eleito presidente e governou a África do Sul entre os anos de 1994 e 1999, sendo considerado o principal responsável pela transição para o fim do regime segregacionista e a construção de um novo país. O governo de Mandela ficou marcado pela reconciliação interna e externa, assim ganhando o respeito internacional.

A luta contra o Apartheid teve inúmeros movimentos internos e externos, além de integrantes ilustres como Steve Biko, famoso ativista sul-africano, e o arcebispo Desmond Tutu, também ícone da resistência na África do Sul. Porém, Nelson Mandela, por sua trajetória de dificuldades e principalmente pela forma como conduziu o país, sem revanchismos, acabou se tornando uma referência mundial e um dos principais líderes do século XX. Morreu aos 95 anos, em 2013, na África do Sul.

Lucas_Seco


Pensando no vestibular, Copa do Mundo
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

torcida_copa

A Copa do Mundo de seleções de futebol é um megaevento internacional realizado de quatro em quatro anos e organizado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) desde 1930, com uma interrupção (1938-50) em razão da Segunda Guerra Mundial. Não é simplesmente mais um campeonato mundial; é um fenômeno social, econômico e político de escala global, que toca em um sentimento íntimo de identidade que afeta muita gente. Até os mais ignorantes do futebol são convidados a dele participar, e os mais céticos quanto ao espírito nacional se deixam levar pela emoção da disputa entre as seleções dos países. No período em que ocorre o campeonato, entre junho e julho, o sentimento de identidade nacional é jogado dentro das quatro linhas, e, nesse contexto esportivo, aparecem uma série de temas que podem ser trabalhados nos vestibulares, como fusos horários, geopolítica, questão de gênero, entre outros. A Copa pode ser usada como um convite para o vestibulando pensar em questões do programa de cada disciplina. No campo das Ciências Humanas, os temas que afloram a partir do evento são inúmeros, muitos deles escaparão da nossa breve análise, mas a relação está apontada: a Copa do Mundo é um reflexo da sociedade global, podendo apresentar muitas das contradições que encontramos na política, na economia e na sociedade. Convido o leitor a pensar em alguns desses temas que podem aparecer em questões dos exames vestibulares.

A Rússia pode aparecer nos vestibulares, pois é o país sede do evento. À medida que assistimos aos jogos, a primeira questão aparente é o horário: a que horas é o jogo? No Brasil, os jogos têm acontecido no período das 9 às 17 horas, quando acaba o último jogo do dia. Que horas eram na Rússia, em quais fusos ocorreram as partidas da Copa, quantas horas de diferença temos entre o Brasil e a Rússia? Para responder a todas essas perguntas, o vestibulando deve ficar atento às seguintes informações da posição da Rússia e do Brasil: a Rússia fica a leste do Meridiano de Greenwich, enquanto o Brasil fica a oeste, portanto o Brasil está atrasado na hora em relação à Rússia;  a maioria das sede dos jogos tem o fuso horário de Moscou que é GMT +3 (três horas a mais em relação a Greenwich). Há também jogo em Kaliningrado (território no Mar Báltico) localizado no fuso GMT +2; Samara, que está no fuso GMT + 4 e na cidade de Ecaterimburgo, que fica na parte asiática da Rússia no fuso GMT +5. O Brasil tem quatro fusos (GMT -2, GMT -3, GMT -4, GMT -5) e sua hora oficial (de Brasília) no fuso GMT -3. A maioria das partidas terá 6 horas de diferença, mas pode chegar até 10 horas de diferença se contarmos a distância em fusos entre Rio Branco, no Acre, e Ecaterimburgo. O aluno não pode esquecer outro detalhe de posição de Rússia e Brasil; o primeiro se localiza totalmente no hemisfério norte, assim, é fim de primavera e começo de verão, enquanto na maior parte do território brasileiro, localizado no hemisfério sul, é inverno. Sobre a Rússia, é importante lembrar que se trata do maior país em território do mundo, com aproximadamente 17 milhões de quilômetros quadrados, e é um país euro-asiático com mais ou menos 150 milhões de pessoas. A maior parte dos jogos acontecerá na parte europeia da Rússia, e apenas a cidade asiática de Ecaterimburgo, como já foi apresentado, sediará jogos. Os montes Urais marcam o limite entre a parte europeia e asiática do país-sede. O Rio Volga, que é o grande símbolo da unidade do país, nasce no norte dos Urais e corta o país no sentido sul, desembocando no Mar Cáspio. A ferrovia Transiberiana, outro símbolo da integração nacional da Rússia, permitiu o controle de vastas regiões desocupadas nas estepes da Ásia Central.

Pensando no contexto geopolítico, do colapso da União Soviética em 1991 aos dias de hoje, alguns países apareceram no mapa e outros, é provável, nunca mais irão participar do megaevento futebolístico. Não participarão mais da Copa, a União Soviética inventora do “futebol científico” e a Iugoslávia, sempre com times bem competitivos. Na Copa da Rússia, a anfitriã é herdeira máxima da ex-URSS, e a Sérvia e a Croácia são os países que representam a força da antiga Iugoslávia. Essas transformações territoriais no Leste europeu podem ser apresentadas para o vestibulando, que precisará recorrer aos conhecimentos sobre a fragmentação da Iugoslávia, que começa em 1991 e termina com a separação de Sérvia e Montenegro em 2006 (enquanto ocorria a Copa daquele ano) e sobre o colapso da URSS no final do ano de 1991 até a anexação da Crimeia à Rússia em 2014. Vale lembrar que, um pouco antes da Copa, o presidente russo, Vladmir Putin, inaugurou uma ponte ligando diretamente a península da Crimeia à Rússia.  A Copa da Rússia é uma demonstração de expansão da influência do país-sede nas Relações Internacionais. Diferentemente da Copa do Brasil, marcada por protestos contra o governo, o megaevento tem servido para consolidar o projeto de poder de Vladmir Putin no governo da Rússia.

No campo econômico, como em todo megaevento envolvendo um grande número de nações, fica clara a oposição entre os países desenvolvidos e os países menos desenvolvidos. Os vencedores da Copa constituem uma lista seleta de países, a maior parte deles potências tradicionais e emergentes. Já levantaram a taça: o Brasil, cinco vezes campeão, a Alemanha e a Itália, quatro vezes cada uma, a Argentina e o Uruguai, duas vezes cada. França, Inglaterra e Espanha subiram ao topo uma única vez cada uma. Dos países asiáticos, a Coreia do Sul chegou pela primeira vez a uma semifinal em 2002, na Copa sediada pela própria Coreia e pelo Japão. Os países asiáticos são jovens praticantes do esporte; a liga profissional do Japão começou a ter incentivos a partir dos anos de 1990, aos poucos os países asiáticos vêm ganhando espaço no mundo do futebol. Dos países africanos, Camarões e Nigéria alcançaram os seus melhores resultados chegando às quartas-de-final do torneio em edições anteriores.

No plano geopolítico, podemos perceber, em alguns jogos, o sentimento da luta dos colonizados contra os colonizadores, rivalidades regionais e celebração de povos amigos. Nessa Copa, participarão Nigéria, Senegal, Tunísia, Egito, Marrocos e Austrália, países colonizados por Inglaterra e França, além de países latino-americanos colonizados por Portugal e Espanha, como Brasil, México, Costa Rica, Panamá, Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia. As rivalidades regionais podem ser expressas em jogos como Portugal e Espanha ou Inglaterra e Bélgica. Já o encontro entre Brasil e Argentina sempre é alvo dos especuladores e sonhadores apaixonados. O confronto de maior rivalidade das Américas, quiçá do mundo, já não é mais uma possibilidade nesta Copa, após a eliminação da seleção argentina.  Os jogos costumam carregar sentimentos desse tipo. Questões envolvendo temáticas que comparam a estrutura econômica e social dos “países do norte” e dos “países do sul” também são muito recorrentes nos grandes exames de vestibular, logo, é recomendável voltar atenção para índices como IDH, Gine, PIB per capita, entre outros.

Um dos fatos mais marcantes desta Copa, no campo social, foi protagonizado pelas torcedoras do Irã, pois foi a primeira vez em 40 anos que essas torcedoras foram vistas em estádios de futebol. No Irã, uma lei promulgada há 40 anos proíbe as mulheres de frequentarem esses ambientes. Foi um grande passo para as iranianas, que sempre foram muito participativas na vida política e econômica do país, lutando para terem mais liberdade e demonstrando que é possível, sim, as mulheres estarem em qualquer ambiente público se assim quiserem. Entretanto, se por um lado, temos esse feito histórico para as mulheres iranianas e do mundo, o machismo que o evento carrega em quase todas as edições foi escancarado nas redes sociais por brasileiros e argentinos que publicaram vídeos expondo mulheres de outras nacionalidades ao fazerem-nas repetir palavras obscenas. Esse gesto foi denunciado por mulheres brasileiras e argentinas, que promoveram críticas contundentes nas redes e levaram à identificação dos envolvidos. A repercussão desses episódios trouxe mais uma vez à tona a questão da mulher no futebol e na vida pública. O debate sobre igualdade de gênero vem sendo apresentado para os candidatos nos principais vestibulares do país, e é, sem dúvida, uma das grandes metas a serem perseguidas por todos os países do mundial de futebol e em todo mundo.

Entre os países participantes dessa edição da Copa do Mundo, a questão de igualdade entre gênero é bem diversa; alguns países estão mais avançados que outros. Por exemplo, a Argentina legalizou o aborto alguns dias antes de começar a Copa. A Islândia é o país que apresenta a melhor representatividade política e a menor diferença social entre gêneros de todos os países participantes da Copa. Já na Arábia Saudita a diferença entre gêneros é brutal; é o país que apresenta maior desigualdade entre a renda per capita de homens e mulheres. Enquanto os homens ganham em média 75,9 mil dólares por ano, as mulheres ganham em média 19,3 mil dólares por ano. Além de outras privações associadas ao gênero, há pouco tempo as mulheres sauditas não podiam sair de casa desacompanhadas da figura masculina nem dirigir carros. Muitas dessas questões já avançaram no país, mas a desigualdade de gênero ainda é um fosso profundo na sociedade saudita. A desigualdade entre gêneros é uma temática sobre a qual o vestibulando deve reunir um repertório de dados e argumentos, pois pode aparecer nos exames como tema de redação e em questões de história, geografia e sociologia, que são as disciplinas que melhor podem oferecer ao estudante argumentos, dados, informações, para que ele desenvolva opinião crítica sobre tal assunto.

A grande novidade sobre o Brasil foi que, segundo o Datafolha, desde 1994, quando a pesquisa teve início, essa foi a primeira vez que mais da metade dos brasileiros disse estar desinteressada pela Copa do Mundo, sendo o desinteresse maior entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos. As causas desse interesse podem ser múltiplas e discutíveis, mas não deixam de sinalizar um amadurecimento de uma população que foi manobrada politicamente pelo símbolo de uma seleção campeã. A relação entre o futebol e a política já foi explorada em questões de muitos vestibulares, por exemplo, na relação entre a seleção de 1970 e a propaganda da ditadura militar, ou na euforia do Plano Real e o tetracampeonato nos Estados Unidos. Talvez, uma mudança da relação da população com a seleção de futebol possa ser um novo fator na política brasileira. A simbologia do Canarinho “pistola”, mascote da seleção brasileira, reflete o sentimento de insatisfação do povo, não mais pelo futebol mal jogado, mas, sim, pela conjuntura política do país, que já extrapolou a beira do abismo faz algum tempo. O Brasil tem alguns números alarmantes. Somos o país que mais mata com armas de fogo no mundo. Nos últimos 12 anos, segundo dados do IPEA, no Atlas da Violência 2018, meio milhão de pessoas morreram assassinadas com armas de fogo no Brasil, e, na metade dos casos, as vítimas eram jovens entre 16 e 19 anos e, em 70% dos casos, eram pardas ou negras. É mais do que matou qualquer guerra civil no mesmo período. A disparidade entre o jogador e o espectador é tão profunda que a paixão pela seleção foi diminuindo a ponto de não estar mais entre as grandes prioridades de boa parte da população. A baixa identificação com os protagonistas é um dos motivos claros do desinteresse. Os jogadores, por sua vez, deixam o país muito jovens, antes de se identificarem com as torcidas dos grandes clubes do Brasil. Essas grandes transformações do comportamento da sociedade brasileira podem ser apresentadas para o candidato nos exames de vestibular; as grandes contradições costumam servir de recorte para o exame abordar questões socioeconômicas, raciais e problemas estruturais do país. Toda atenção a isso vale a pena.

Como se pode perceber, as temáticas e abordagens são muitas. A Copa do Mundo é um bom repositório de fatos e acontecimentos que podem servir de motivo para questões do vestibular. Lembrando aos candidatos às vagas das principais universidades do país, é muito importante se manterem atualizados e atentos aos principais acontecimentos. Uma leitura aguçada pode ajudar a pensar em respostas para algumas boas questões que aparecem no conteúdo programático das disciplinas; relacionar os conteúdos é outra habilidade bastante exigida nos principais exames do momento.

Bons estudos a todos e boa Copa do Mundo.

 


Por que é mais fácil ficar doente durante as estações de outono e inverno?
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Nos dias de outono e inverno, é muito comum a ocorrência de doenças respiratórias, principalmente gripe, resfriado, rinite e sinusite, sem contar possíveis infecções pulmonares de origem viral ou bacteriana. O motivo é fácil de entender. Assim que saímos das estações mais quentes, demora para as pessoas perceberem que precisam proteger-se mais, com roupas mais aconchegantes, tanto em casa como em locais externos.

É comum observar-se muita gente, no começo dos meses mais frios, ainda caminhando nas ruas de bermudas, sem agasalhos, sem proteção na cabeça etc. Nesses casos, o organismo, sujeito a temperaturas ambiente baixas, passa por um aumento do metabolismo, que gera mais calor e mantém o corpo mais aquecido nessas ocasiões, de modo a se proteger do frio.

Do mesmo modo, as pessoas passam a se aglomerar mais, o que facilita sobremaneira o espalhamento de microrganismos que costumam invadir as vias respiratórias. Em recintos abertos ou fechados, basta que alguém esteja gripado, tossindo, espirrando, para que as partículas liberadas pelas vias respiratórias se espalhem pelo meio, contaminando mãos, objetos, portas, corrimões, mesas, sofás, portas de veículos, celulares, tablets, laptops e tudo o mais que possa alojar microrganismos. E aí, contaminar-se é muito fácil, não é mesmo?

Em razão disso, o sistema imunológico precisa ficar em alerta e é muito exigido, em vista de possíveis ocorrências de infecções que precisam ser prontamente combatidas. Assim, é fundamental adotar atitudes preventivas que impeçam o contágio nessas ocasiões. Lavar constantemente as mãos, com água e sabonete ou higienizá-las com álcool gel são algumas delas. Ao espirrar ou tossir, conduzir a palma da mão à boca, no sentido de evitar o espalhamento das partículas. Evitar cumprimentos como beijos, na medida do possível. Utilizar lenços descartáveis ao tossir ou espirrar e depositá-los em recipientes de lixo. Beber muita água, permitindo que fígado e rins exerçam seus papéis de filtradores do sangue possivelmente contaminado por vírus, bactérias e seus fragmentos.

Agora, uma pergunta frequente: é seguro ser vacinado contra a gripe? Sim, mesmo que a cobertura vacinal não atinja 100%, é vantajoso vacinar-se. A campanha de vacinação contra a gripe foi prorrogada, em vista da pequena adesão. Além disso, divulga-se que muitas pessoas vacinadas contraíram gripe, o que assusta possíveis candidatos à vacinação. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a vacina atual tenta imunizar contra três tipos de vírus da gripe: H3N2 (o mais grave), H1N1 e um terceiro, do tipo B.

Em segundo lugar, destaca-se que o material genético dos vírus da gripe é representado por algumas moléculas de RNA, e que vírus da gripe não são retrovírus, característica típica do HIV. Assim que os vírus da gripe penetram nas células do sistema respiratório, as moléculas de RNA dirigem-se ao núcleo celular, no qual se multiplicam graças à ação de enzimas RNA polimerases, cuja produção consta da informação contida nas moléculas de RNA virais. Terminada a multiplicação desses ácidos nucleicos, eles se dirigem ao citoplasma da célula, local em que ocorrerão as traduções, ou seja, a síntese de proteínas virais, tais como a Hemaglutinina (letra H) e a Neuraminidase (letra N).

O passo final é a montagem dos vírus descendentes e sua liberação das células infectadas. Percebe-se, assim, que a vacinação é um método importantíssimo de prevenção. Todas essas ocorrências podem ser evitadas com esse simples procedimento. É claro que pessoas com alguma deficiência imunológica, alguma irregularidade orgânica ou submetidas a algum tratamento terapêutico devem passar por avaliação médica, antes de receberem a dose da vacina. É preciso lembrar, ainda, que, para a produção da vacina, os vírus são primeiramente cultivados em ovos de galinha embrionados. Então, é possível que pessoas que apresentem algum tipo de reação alérgica a componentes dos ovos, notadamente proteicos, não possam ser vacinadas.

Por fim, uma pergunta comumente feita é se durante os meses quentes do ano também não é comum a ocorrência de problemas respiratórios. Sim, até é possível, mas, é bom lembrar que, em meses quentes, afecções respiratórias mais comuns são as relacionadas a alergias que incidem nas cavidades nasais, seios da face e olhos. Nessas ocasiões, o organismo fica mais aquecido, mais pronto para eventuais respostas defensivas, mas, mesmo assim, os mesmos procedimentos preventivos devem adotados, inclusive vacinação. Não custa, porém, repetir: se necessário, procure o médico.


Análise Combinatória: Dicas para lidar com ela no vestibular
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

A Análise Combinatória é, de fato, um assunto muito interessante da matemática. Além de ser muitíssimo útil para determinadas atividades profissionais, ele aparece com uma boa frequência nos vestibulares em geral. Basicamente, a Análise Combinatória tem como finalidade calcular o número de maneiras de combinarmos elementos de um ou mais conjuntos para obtermos determinados agrupamentos. No estudo da Análise Combinatória, dois tipos de agrupamentos são de grande importância:

  • agrupamentos que diferem entre si pela ordem dos elementos do grupo e/ou pelos elementos componentes (sequências);
  • agrupamentos que diferem entre si somente pelos elementos componentes (conjuntos).

Vamos exemplificar os dois tipos. Por exemplo, considere os algarismos 1, 2 e 3.

  • Podemos formar 6 sequências de 2 elementos distintos.

(1,2), (2,1), (1,3), (3,1), (2,3) e (3,2)

Observe que a sequência (1,2) é diferente da sequência (2,1).

Portanto, nos problemas em que a ordem dos elementos no agrupamento é importante, trata-se de sequências.

  • Podemos formar 3 conjuntos de 2 elementos:

{1,2}, {1,3} e {2,3}

Observe que aqui não vale pegar o conjunto {2,1}, pois esse conjunto é o mesmo que {1,2}.

Portanto, nos problemas em que a ordem dos elementos não altera o agrupamento, trata-se de conjuntos.

O número de sequências pode ser obtido pelo Princípio multiplicativo (Princípio fundamental da contagem) enquanto o número de conjuntos pode ser obtido por:

                                                

Vamos mostrar uma aplicação de cada tipo:

  • Uma moça dispõe de 5 blusas, 4 saias e 3 casacos. De quantos modos ela pode se vestir, se cada traje deve ser formado por uma blusa, uma saia e uma casaco?

Resolução:

Há 5 possibilidades para escolher uma blusa, 4 possibilidades para escolher uma saia e 3 possibilidades para escolher um casaco.

Pelo Princípio multiplicativo, o número de trajes é dado por:

5 x 4 x 3 = 60

Assim, essa moça poderá se vestir de 60 modos diferentes, ou seja, de 60 modos sem repetir o mesmo traje.

  • Numa sala com 20 alunos, de quantos modos podemos escolher 3      alunos para representá-la em um evento?

Resolução:

Nesse caso, devemos utilizar a fórmula de Combinações simples. Como temos 20 alunos, o número de possibilidades para a escolha de 3 deles é:

Assim, podemos escolher diferentes trios de alunos de 1140 modos, sendo que dois trios quaisquer terão sempre, pelo menos, um aluno diferente.

Observação:

Do exposto, pode-se concluir que:

  • Determinados problemas clássicos podem ser resolvidos pelo Princípio multiplicativo. São exemplos: quantidade de números que tenham um determinado número de algarismos; senhas de banco; placas de automóveis; números de telefones; códigos em geral; disposição de pessoas em lugares de um veículo; combinação de roupas para formar trajes diferentes; número de trajetórias para se ir de um lugar a outro.

 

  • Determinados problemas clássicos podem ser resolvidos pela fórmula das combinações simples ( ). Alguns exemplos são: formação de comissões de pessoas; número de retas; número de triângulos; número de diagonais de um polígono; número de subconjuntos de um conjunto dado; combinação de substâncias químicas para formar uma mistura, formação de times esportivos.

Uma nota:

Nas permutações simples, utilizamos o princípio multiplicativo, por exemplo, na obtenção do número de anagramas de N letras formadas com as N letras de uma determinada palavra; na disposição de N pessoas em N lugares determinados; na disposição de N pessoas para formar uma fila.


Entenda o conflito entre Israel e Palestina
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Tensões e conflitos entre palestinos e israelenses marcam a recente história do Oriente Médio. Neste ano, acrescentou-se a esta história o fato de o governo dos Estados Unidos reconhecer a cidade de Jerusalém como a capital de Israel, ampliando manifestações contrárias por parte da população palestina que reivindica o controle dessa cidade.

Para entendermos este conflito, é necessário voltarmos para 1947, quando a ONU aprovou um plano de partilha do que era, até então, o território palestino em dois Estados: um árabe e um judeu. A partir da aprovação do plano de partilha, teve início um processo de sucessivos conflitos regionais. Os mais violentos foram:

 

  • • Guerra de 1948 – os israelenses saíram vitoriosos desse confronto. O Estado árabe desapare­ceu concretamente;

 

  • • Guerra de 1967 – também foi chamada Guerra dos Seis Dias. As forças armadas israelenses derrotaram seus inimigos, representados pela união das forças militares do Egito, da Jordânia e da Síria. Em consequência de sua vitória, Israel anexou a cidade de Jerusalém e a transformou em sua capital oficial, além de ter conquista­do a península do Sinai (território que pertencia ao Egito), as Colinas de Golã (que pertenciam à Síria) e a Cisjordânia (que pertencia à Jordânia);

 

  • • Guerra de 1973 – de­nominada Guerra do Yom Kippur. Nesse conflito, Israel foi atacado pelos países árabes, liderados pelo Egito, que pretendiam reconquistar seus territórios perdidos em 1967. Israel saiu novamente vito­rioso da guerra, mas, em consequên­cia desse conflito, em 1979, foi assi­nado um tratado entre Israel e Egito – conhecido como Acordos de Camp David –, pelo qual a península do Sinai foi devolvida aos egípcios.

 

Para atingir seus objetivos, os pa­lestinos vêm se valendo de organizações representativas, como a Al-Fatah (Movimento pela Libertação da Palestina) e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina). No início de sua atuação, a OLP, liderada por Yasser Arafat, baseava suas ações em atos classificados como terroristas. Na década de 1990, entretanto, Arafat passou a defender a ação política como forma de luta, transformando-se no principal líder na defesa da causa palestina. Em 1996 foi eleito, com mais de 80% dos votos, presidente da Autoridade Palestina, cargo que ocupou até sua morte, em 2004.

Em 1993, o governo de Israel e representantes da OLP assinaram um acordo de caráter provisório pelo qual os palestinos passaram a ter autonomia administrativa sobre as regiões da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. A assinatura desse acordo, no entanto, provocou forte reação por parte de grupos radicais, tanto do lado israelense quanto do lado palestino, contrários ao que foi estabelecido nas negociações. Em consequência, os atentados se multiplicaram na região.

Nos últimos anos, os principais impasses entre palestinos e israelenses se fundamentam na criação de colônias judaicas em territórios reivindicados pela comunidade palestina. Dentre estas, a mais polêmica envolve Jerusalém, considerada a verdadeira capital pelo governo israelense, porém, pretendida pela população palestina. Os recentes embates entre as duas comunidades indicam que a solução para esse impasse territorial está muito distante.


Língua Inglesa e leitura: dicas para ir bem nos vestibulares
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

O aprendizado de qualquer língua estrangeira requer tempo e dedicação. Quanto maior tiver sido o contato do vestibulando com essa língua, maior será sua base para resolver os exames. Visto que a maioria dos grandes vestibulares exige principalmente (às vezes, somente) compreensão de texto, é nisto que os candidatos devem focar seus estudos: leitura, compreensão e aquisição de vocabulário. Ainda assim, o conhecimento de regras gramaticais não deve ser subestimado, pois contribui para a boa compreensão dos textos.

Primordialmente, os alunos e alunas devem desenvolver o hábito da leitura atenta, que esmiúça/analisa o texto, buscando compreender as relações estabelecidas entre as ideias expressas e identificar as informações relevantes, bem como as pessoas da comunicação (enunciador e interlocutor). A associação entre texto verbal e não verbal também é algo importante a se desenvolver, uma vez que são comuns, nos vestibulares, questões baseadas em cartazes publicitários, tirinhas, charges, infográficos, etc. Recomendamos que os alunos, em suas leituras, explorem os diferentes gêneros textuais (textos jornalísticos, científicos, publicitários, músicas, poemas, tirinhas, etc.).

Há também estratégias que podem ser de grande ajuda na hora de fazer a prova: quando os enunciados e as alternativas das questões não são muito longos, vale a pena lê-los antes mesmo de iniciar a leitura do texto correspondente. Dessa forma, o candidato pode ficar mais atento à informação que será cobrada no exercício. O aluno que lê o texto grifando os trechos importantes e relevantes, que identifica as ideias predominantes em cada parágrafo e no texto como um todo (até o título é de grande ajuda), ganha agilidade para responder às questões – e o tempo é um fator fundamental a ser administrado ao longo de toda a prova. É fundamental também que o candidato preste muita atenção ao que é pedido no enunciado de cada questão e volte a ele quando em dúvida quanto à resposta mais adequada (situação comum nos exames do Enem). Ainda, deve-se ter em mente que as respostas quase sempre estarão no corpo do texto. Portanto, é preciso ater-se ao que está presente nele, ainda mais quando a questão se refere a um determinado parágrafo, trecho ou expressão. Vale, para tanto, utilizar os termos ou dados mencionados no enunciado como referência para buscar a resposta no texto. É recomendável também evitar respostas baseadas no próprio conhecimento de mundo ou opinião (por mais que possam ser considerados corretos ou válidos) se esses não estiverem contemplados no texto em questão.

Bons estudos e boas provas!


DSTs: como essas doenças podem cair no vestibular?
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

As doenças sexualmente transmissíveis acompanham a humanidade há milênios. Embora muita informação esteja disponível, ainda pairam muitas dúvidas entre as pessoas. O assunto também pode aparecer nos vestibulares e no ENEM, portanto é bom entender um pouco melhor sobre o assunto.

            Uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) que tem preocupado os órgãos de saúde é a sífilis. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2015 e 2016, houve um aumento de 27,9% dessa doença no Brasil. Ela é causada pela bactéria Treponema pallidum e facilmente transmitida nas relações sexuais sem camisinha.

Os sintomas se manifestam por volta de 10 a 90 dias após a contaminação e se apresentam na forma de feridas (cancro duro) que podem aparecer não só nos órgãos genitais, mas também na boca ou em outra parte do corpo com a qual a bactéria tenha tido contato. Em geral não há dor, coceira ou ardência no local. Em um segundo momento, os sintomas podem evoluir para manchas avermelhadas na pele, febre, falta de apetite, etc. É nesses estágios iniciais que a doença apresenta o maior risco de contaminação.

Após esses dois estágios, a doença pode regredir sozinha e entrar em um estágio assintomático, mas isso não representa uma cura. Depois de ficar encubada por um período que varia de 2 a 40 anos, podem surgir sintomas bem mais severos, como lesões cardiovasculares, neurológicas, na pele, nos olhos, nos ossos, etc.

A sífilis pode também ser transmitida por transfusões de sangue e pela placenta durante a gestação (transmissão transplacentária), podendo causar más-formações, aborto e até a morte do feto. Quando nasce, a criança pode apresentar feridas pelo corpo, cegueira, má-formação dentária, surdez, pneumonia, deficiência mental, etc. A sífilis congênita, como é conhecida, praticamente dobrou entre 2010 e 2015. Por se tratar de doença causada por bactéria, o tratamento é feito com antibióticos.

Outra bactéria que pode ser transmitida no ato sexual é a Neisseria gonorrhoeae, causadora da gonorreia ou blenorragia, uma das DSTs mais comuns no mundo. Os sintomas aparecem rapidamente, de 1 a 8 dias após o contágio. A bactéria se instala principalmente na uretra onde se reproduz causando dor e ardência ao urinar e produção de pus. Esses sintomas aparecem na maioria dos homens contaminados, mas podem não aparecer nas mulheres que, sem saber que estão contaminadas, correm o risco do agravamento da infecção. Sem tratamento, a bactéria invade outras partes do corpo, podendo causar problemas sérios. Nos homens, os mais comuns são inflamação dos testículos e da próstata e, nas mulheres, a doença pélvica inflamatória, que acomete o útero, os ovários e as tubas uterinas. Em ambos os casos, pode haver infertilidade. Mulheres grávidas contaminadas podem transmitir a bactéria ao bebê, levando a eventual parto prematuro e graves lesões oculares.

Um dado alarmante é que os antibióticos usados em larga escala no tratamento dessa doença acabaram selecionando variedades resistentes da bactéria, limitando as opções de antibióticos para o tratamento atualmente. A seleção de bactérias resistentes a antibióticos é um tema de grande incidência nos vestibulares e no ENEM.

A Chlamydia trachomatis é outra bactéria transmitida sexualmente que provoca uma DST denominada clamídia. Os sintomas são muito parecidos com os da gonorreia, embora mais brandos, o que pode levar à confusão no diagnóstico. Felizmente ambas podem ser combatidas com o mesmo antibiótico (Azitromicina), em dose única.

Quando se fala em DST, é fundamental comentar sobre a AIDS (SIDA no português – síndrome da imunodeficiência adquirida) e o retrovírus causador dessa doença, o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Dados do Ministério da Saúde vêm mostrando um aumento do número de jovens contaminados, principalmente entre 15 e 19 anos de idade, com maior incidência entre os homens.

O HIV ataca os linfócitos T, células do sistema imunológico que regulam a produção de anticorpos pelos linfócitos B. Dessa forma, a defesa do organismo fica prejudicada e pode ocorrer contaminação por outras infecções, as quais podem levar o paciente à morte. Um indivíduo pode ser portador do vírus (soropositivo) sem apresentar sintomas da doença, mesmo assim, ele pode transmiti-lo a pessoas saudáveis nas relações sexuais sem preservativo ou por transfusão de sangue. A transmissão vertical (da mãe infectada para o filho) também pode ocorrer, por isso é importante que no pré-natal a mulher saiba se está contaminada para usar o coquetel de medicamentos antirretrovirais, a fim de controlar a população do vírus e impedir a transmissão ao filho.

O tratamento da AIDS é feito com vários medicamentos combinados (coquetel), dentre os quais está o AZT, um antiviral que inibe a ação da transcriptase reversa, enzima fundamental na transformação do RNA viral em DNA viral, que irá controlar a multiplicação de novos vírus nos linfócitos T. O tratamento pode manter a pessoa infectada com vida normal, mesmo não correspondendo à cura da doença com eliminação do vírus. Embora a maioria dos pacientes responda bem ao coquetel, alguns são acometidos por efeitos colaterais, como danos no fígado e nos rins, doenças coronarianas, diarreias, enjoos, etc. Sem tratamento, a pessoa desenvolve a AIDS e passa a apresentar dores na cabeça, na garganta e nos músculos, febre, ínguas etc., até que infecções oportunistas encontrem o corpo já debilitado e se instalem, podendo levar o indivíduo à morte. No Brasil, desde 1996, todas as pessoas com AIDS têm o direito de receber gratuitamente do governo os medicamentos antirretrovirais.

Outro vírus que tem se espalhado com frequência é o papiloma vírus humano (HPV), que causa uma doença chamada condiloma acuminado, popularmente conhecida como crista de galo. Esse vírus está relacionado à maioria dos tumores de colo de útero (ou câncer cervical), que é um dos mais comum em mulheres. Ao contrário do que muita gente pensa, o vírus também está associado, em menor proporção, a câncer de vagina, vulva, ânus e pênis.

Embora associado ao câncer, a maioria das pessoas saudáveis que se contaminam com o HPV acabam conseguindo combater o vírus e eliminá-lo do organismo. Entre 10 e 20% dos pacientes não conseguem eliminar o vírus do corpo e dentre eles, as mulheres ficam suscetíveis a desenvolver o câncer cervical. O desenvolvimento de tumores leva, em geral, muitos anos. Os exames periódicos, como o de Papanicolau, podem detectar as lesões causadas pelo vírus e permitir que se comece um tratamento para eliminar o problema que pode ir de uma cauterização química até uma cirurgia para a retirada do tumor.

A boa notícia em relação ao HPV é que há vacina que pode evitar a contaminação. Ela é feita com os subtipos virais 6, 11, 16 e 18, e não com todas as variedades, o que significa que pode haver contaminação por um outro subtipo viral, mesmo que a pessoa esteja vacinada. Mesmo assim, a vacina é recomendada, pois aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo de útero são causados pelas variedades 16 e 18.

A vacina deve ser tomada a partir dos 9 anos, preferencialmente pelas meninas, antes de se iniciar a vida sexual. Lembre-se de que as vacinas inoculam o antígeno (no caso do HPV os vírus estão enfraquecidos) para que o indivíduo produza os próprios anticorpos, por isso não adiantaria vacinar pessoas que já estão contaminadas.

A única prevenção para todas as DSTs citadas neste texto é evitar o contato com os microrganismos causadores, o que deve incluir, principalmente, o uso de preservativos nas relações sexuais. Atualmente muitos jovens se preocupam em prevenir a gravidez e utilizam métodos como pílulas anticoncepcionais, esquecendo-se de que o preservativo não só previne a gravidez como diminui muito a chance de contágio das DSTs.

As doenças citadas estão entre as DSTs mais importantes. O candidato aos vestibulares e ao ENEM deve conhecer aquelas causadas por vírus e as causadas por bactérias. Deve conhecer o ciclo de vida do HIV, sua célula hospedeira (linfócito T) e saber por que causa imunodeficiência. A ação das vacinas, como do HPV e dos soros, também é assunto recorrente nos principais exames.