Dicas de Vestibular

Arquivo : dicas de vestibular

Sim, vale a pena estudar Filosofia!
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Detalhe de “A Escola de Atenas”, de Rafael / Reprdoução

Em meio às recentes discussões sobre a reforma do Ensino Médio no Brasil, chegou-se a propor a retirada da Filosofia como disciplina obrigatória do nosso currículo escolar, junto com a Sociologia. Após reações da sociedade, o Legislativo reafirmou a exigência das matérias nas escolas.

Dessa forma, como em anos anteriores, o estudante que vai participar do Sisu e de exames vestibulares nas próximas edições deve, sim, dedicar-se ao estudo da Filosofia. Mas, considerando tantos conteúdos obrigatórios de todas as disciplinas, e diante de uma tradição de pensamento de mais de 2500 anos, o que o aluno deve priorizar?

A melhor forma de responder a isso é analisar o que vem sendo cobrado nos últimos anos. Os temas variam um pouco. Porém, ainda assim, é possível observar tendências e temáticas mais recorrentes. Devemos lembrar, antes de tudo, que as questões de Filosofia não costumam exigir apenas a memorização, tampouco apenas a capacidade de interpretação de textos. Geralmente, o estudante deve ser capaz de ler e compreender trechos de obras filosóficas e de comentadores, identificar seus conceitos mais relevantes, comparar obras e concepções, além de relacionar textos filosóficos a textos de outros campos, como poesias e letras de canções. Sendo assim, são questões de complexidade razoável, que exigem preparo e treinamento. Dito isso, um primeiro grupo de temas que merece destaque são aqueles relativos ao surgimento da Filosofia e aos primeiros filósofos.

“O Desprezo” (1963) / Reprodução

Grécia Antiga

É interessante estudar e compreender, por exemplo, o que diferencia a Filosofia e a Mitologia na Grécia Antiga, com ênfase para a importância da racionalidade das explicações filosóficas. Entre os primeiros filósofos, deve-se conhecer as linhas gerais dos chamados pensadores pré-socráticos. Aqui vale destacar duas questões: o problema do princípio (ou arché), iniciado pela ideia de Tales de que tudo se origina da água, e o problema do ser, evidenciado no debate entre Heráclito e Parmênides.

Montagem da gravura de René Descartes com o frontspício de “De Homine” / Reprodução

Teoria do Conhecimento

Outro assunto constantemente cobrado nas provas é a Teoria do Conhecimento, ramo da Filosofia que se pergunta, por exemplo, sobre o que somos capazes de saber e quais formas de conhecimento são mais válidas. Desse debate, destacam-se dois momentos: a Filosofia Antiga e a Moderna.

Quanto à primeira, é inescapável estudar a Teoria das Ideias de Platão, com ênfase sobre o Mito ou Alegoria da Caverna. Já na modernidade, é preciso compreender os fundamentos e os principais filósofos envolvidos no debate entre Racionalismo (Descartes) e Empirismo (Locke e Hume, principalmente). E, por fim, as provas também cobram um entendimento dos debates que questionaram esse pensamento moderno, realizados por pensadores como Nietzsche, Foucault e os autores da Escola de Frankfurt (como Adorno e Horkheimer).

Em linhas gerais, é preciso desenvolver uma visão crítica, ainda que panorâmica, sobre o surgimento da racionalidade ocidental, seus desenvolvimentos e as críticas feitas a ele.

Filosofia Política

A Filosofia Política também deve, naturalmente, fazer parte dos estudos, desde as ideias gerais de Platão e Aristóteles, até as concepções modernas. Destas últimas, destaca-se, em primeiro lugar, o surgimento do pensamento moderno sobre o político, com a obra de Maquiavel. A seguir, terá papel importante o debate sobre os fundamentos racionais da convivência social e da legitimidade do Estado, na obra dos chamados Contratualistas: Hobbes, Locke e Rousseau.

Detalhe do frontispício de “Leviatã”, de Thomas Hobbes / Reprodução

Ética

Por fim, mas não menos importante, tem sido constante a presença de questões sobre Ética. Da Antiguidade Grega, destaca-se a Filosofia de Aristóteles, com seus preceitos de justiça e virtude. Da modernidade em diante, é importante conhecer o debate entre filósofos que defendem uma ética de princípios ou deontológica (especialmente Kant) e aqueles que defendem uma ética relacionada às consequências das ações (especialmente os utilitaristas).

Esse conjunto de temas constitui o eixo central do que vem aparecendo nas questões do Enem e de vestibulares que cobram filosofia. É preciso estar atento, contudo, para o perfil particular de algumas provas. No caso da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), por exemplo, há questões sobre Filosofia da Ciência e correntes modernas do pensamento político, como liberalismo e socialismo. Já na Universidade Estadual de Londrina (UEL), os temas filosóficos são mais aprofundados e diversificados, incluindo conhecimentos do campo da lógica (especialmente aristotélica) e da estética, entre outros. A regra aqui sempre é priorizar os exames que são os principais objetivos de cada um, resolvendo exercícios de provas anteriores e observando os editais específicos.

São, de fato, muitos assuntos, ainda mais considerando a carga de estudos das demais disciplinas. Contudo é preciso notar que acertar questões de Filosofia pode ser um diferencial para quem opta por cursos mais concorridos. Mais do que isso, estudar Filosofia amplia os horizontes intelectuais e a capacidade de pensamento crítico, possibilita melhor compreensão de outras matérias, como Literatura e História, além de conferir repertório cultural para a Redação. Vale lembrar que, na sua última edição, a proposta de Redação para ingresso na Universidade de São Paulo (USP) tinha como base um texto de Kant, com o tema “O homem saiu de sua menoridade?”. Ou seja, mesmo exames que não cobram diretamente Filosofia, consideram fundamental  a familiaridade com as questões que marcaram e marcam a história do pensamento ocidental.


Liu Xiaobo e os Direitos sem Nobel
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Liv Ullmann lê texto de Liu Xiaobo em cerimônia de entrega do Nobel da Paz 2010/ Foto: Marta B. Haga

O hospital da China Medical University passou por um dia extremamente agitado em 13 de julho. Nessa data, em decorrência do agravamento de um câncer de fígado, faleceu seu paciente mais famoso: Liu Xiaobo, militante chinês em defesa dos Direitos Humanos, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2010.

Condenado a 11 anos de prisão por crimes de “subversão” contra o Estado chinês, Liu Xiaobo estava encarcerado desde dezembro de 2008.  Sua detenção se deu poucos meses após o encerramento das Olimpíadas de Pequim, quando a mídia internacional não mais focava sua atenção à China. Desde 1938, ano da morte em um campo de concentração nazista do jornalista alemão Carl von Ossietzk (que venceu o Nobel da Paz em 1935), Xiaobo foi o único premiado pelo comitê Nobel a morrer aprisionado.

O governo de Pequim acusava o militante de ser o líder da elaboração e divulgação do manifesto Charter 08, um documento assinado por mais de 300 opositores e intelectuais, que exigia reformas pró-democracia na China. Os embates entre o Estado chinês e Liu Xiaobo começaram ainda em 1989, momento em que  ele participa das manifestações que culminaram no Massacre da Praça da Paz Celestial. Desde então, ele havia sido preso outras três vezes.

Inspirado no Charter 77 da ex-Tchecoslováquia, que exigia aberturas políticas na antiga União Soviética, o Charter 08 consiste em uma carta exigindo reformas políticas ao Estado chinês e o compromisso com a Declaração Internacional dos Direitos Humanos da ONU, da qual a China é signatária. Segundo esse manifesto, o governo controlado pelo Partido Comunista Chinês deve arcar com compromissos de democratização e respeito aos Direitos Humanos assumidos em diferentes ocasiões nos anos de 1998, 2004 e 2008.

Na grande medida, a repercussão internacional da morte de Liu Xiaobo decorre dele ser um ganhador do Nobel da Paz. A credibilidade do prêmio já foi contestada por algumas vezes, como quando em 1973 o agraciado foi o Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, responsável por crimes de guerra no Oriente e golpes de Estado na América Latina. Mesmo a escolha do ex-presidente norte-americano Barack Obama (2009) foi marcada por controvérsias, uma vez que ele recebeu a premiação no mesmo momento em que os EUA atacavam militarmente países do Oriente Médio.

A escolha da premiação é decidida por um comitê formado por parlamentares da Noruega. Trata-se de uma deliberação importante simbolicamente, pois permite que determinadas causas humanitárias adquiram maior visibilidade. Entretanto, quando optam por premiar alguma liderança de oposição envolta em lutas humanitárias, curiosamente escolhem esses chamados “dissidentes” de alguma parte do mundo em que os governos não sejam alinhados politicamente com os EUA ou com a Europa.

Há uma infinidade de “dissidências” políticas em países cujos governos são completamente alinhados a Washington e à União Europeia. A premiação de cerca de um milhão e meio de dólares (valor concedido a quem recebe o Nobel da Paz) certamente seria de grande auxílio na defesa dos Direitos Humanos. Além, obviamente, na obtenção de uma notoriedade internacional para suas causas.

Haveria algum constrangimento ao presidente dos Estados Unidos se eventualmente a escolha do comitê norueguês fosse a norte-americana Opal Tometi, uma das fundadoras do movimento antirracista Black Lives Matter? Seria problemático ao governador do Estado de São Paulo se a escolhida fosse Débora Maria da Silva, fundadora do movimento Mães de Maio, que combate as ações criminosas cometidas pela Polícia Militar sobre populações periféricas?

Independentemente de premiações, globalmente a situação dos direitos humanos no início do século XXI adquire uma urgência aflitiva. Na Síria, ou em Gaza, nas fábricas da Foxconn da China, em maquiladoras mexicanas, na Paris dos imigrantes africanos, na São Paulo dos haitianos. Em qualquer parte do mundo há enormes contingentes populacionais sem acesso a esses direitos.

O que vivenciamos, infelizmente, é a derrota de Liu Xiaobo no convívio social diário de nossas sociedades. Assistimos cotidianamente ao fortalecimento de organizações políticas que sequer reconhecem a premissa de que todos os seres-humanos devem possuir direitos. E considerando as semelhanças entre nossa época e a primeira metade do século XX, aquele tempo também estava repleto de forças políticas que desprezavam os pressupostos da Charter 08… Não funcionou muito bem.


Como as drogas agem no nosso organismo
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Drogas são substâncias capazes de alterar tanto as funções fisiológicas como psicológicas comportamentais de um organismo. Nesse sentido, um laxante e o crack podem ser classificados como drogas, mas é no sentido mais conhecido, e no menos benéfico, que o termo é mais utilizado.

Dentre as drogas lícitas estão o tabaco, os ansiolíticos (calmantes), a cafeína e o álcool.

O álcool é a droga lícita que mais causa prejuízos à saúde humana no mundo. Ele age sobre o sistema nervoso alterando o comportamento e podendo inclusive levar à dependência. O seu consumo  promove, inicialmente, a desinibição, relaxamento e euforia. Em um segundo momento começam a aparecer os efeitos depressores, como dificuldade de fala e de raciocínio, lentidão de reflexos, piora da coordenação motora e alteração de comportamento. Um indivíduo alcoolizado risonho pode de repente transformar-se em um sujeito violento. Esses efeitos reunidos podem causar  um grande número de problemas, como a violência doméstica e acidentes de trânsito, muitos deles com morte ou invalidez permanente.

As drogas ilícitas mais preocupantes são as psicotrópicas, isto é, as que alteram a cognição, o humor e o comportamento, podendo causar dependência. Essas substâncias podem ser classificadas, segundo o pesquisador e psiquiatra francês Louis Chaloult, em: depressoras, estimulantes e perturbadoras.

As drogas depressoras diminuem a atividade do Sistema Nervoso Central (SNC), fazendo com que passe a funcionar mais lentamente, como é o caso dos inalantes (cola e outros solventes), soníferos, ansiolíticos etc.

As drogas estimulantes aceleram a atividade do SNC, aumentando o estado de vigília (diminui o sono) e a coordenação motora. Nesse grupo encontra-se a cocaína e sua variante mais polêmica na atualidade, o crack.

A cocaína inibe a recaptação dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina da fenda sináptica, potencializando seus efeitos que levam à sensação de euforia, aumento das atividades motoras e intelectuais, perda do sono, do cansaço e do apetite. Na sua forma em pó é bem solúvel em água, facilitando sua inalação ou a diluição para injetá-la diretamente nas veias. O crack é uma variação da cocaína, porém é pouco solúvel em água. No entanto, ao ser aquecido, volatiliza com facilidade, podendo ser fumado utilizando cachimbos, forma pela qual os efeitos ocorrem mais rapidamente – de  10 a 15 segundos. Depois de uns 5 minutos a droga já foi metabolizada, estimulando o usuário a consumí-la  novamente, o que denota seu  alto poder viciante.

Dentre as drogas perturbadoras estão a maconha, o êxtase e o LSD.

O sistema nervoso produz naturalmente uma substância, a anandamida, que age nos receptores canabinoides do sistema nervoso. O THC, princípio ativo da maconha, age nos mesmos receptores, amplificando suas sensações. Os efeitos agudos (mais imediatos) da maconha podem ser sensação de paz, bem-estar ou angústia, hilaridade (vontade de rir), diminuição do cansaço, etc. Durante seu efeito, há evidente alteração na percepção de tempo e espaço, em geral com passagem mais lenta do tempo e confusão no cálculo de distâncias. Isso pode ser especialmente perigoso, por exemplo, para quem está dirigindo ou atravessando uma rua e não consegue calcular a distância e velocidade de aproximação de outros veículos. Outro efeito bem conhecido é o aumento do apetite. Alguns outros efeitos do uso prolongado da droga podem ser a perda da memória recente, efeitos psíquicos (delírios e alucinações), perda de motivação e redução na produção de espermatozoides. A maioria desses efeitos costuma desaparecer após a interrupção do uso da droga. Atualmente, há inúmeras discussões a respeito da legalização e descriminalização da maconha. O conhecimento científico atual tem muitos argumentos contra e a favor do uso dos princípios ativos da maconha. Portanto, essa é uma discussão que está longe de terminar.

Para maiores conhecimentos a respeito do efeito de outras drogas, recomendo a consulta dos links a seguir:

The Science of Addiction: Genetics and the Brain – Mouse Party

Classificação das drogas psicotrópicas

Drogas psicotrópicas – o que são e como agem


Saber ver um filme
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Cinema Paradiso (1988)/ Divulgação

– Professor, você pode me indicar um filme a respeito do assunto da aula de hoje?

Essa pergunta é recorrente, particularmente para professores de História.

Gladiador (2000) / Divulgação

Se o aluno enxergar o filme como uma espécie de atalho para aprender o assunto, a película terá pouca utilidade. Um filme como Gladiador (EUA, 2000), por exemplo, não vai substituir a leitura sobre os impactos da política do “pão e circo” na Roma Antiga. Mas ele pode ser motivador de leituras sobre as inspirações do diretor, das distâncias e proximidades entre a ficção cinematográfica e a realidade romana. Nesse caso, ele cumpre papel importante na formação de qualquer estudante.

Aprender a lidar com as leituras cinematográficas da História pode ser uma ferramenta para compreender as diferentes representações do passado. Como diz uma canção de Tom Jobim, os olhos não podem ver as coisas bonitas que os olhos não sabem ver. Saber ver um filme é realizar um estudo interdisciplinar. Em busca de compreender, o aluno irá usar conhecimentos de estrutura narrativa – obtidos nos cursos de Língua Portuguesa -, conhecimentos geográficos dos locais em que as filmagens foram ambientadas, elementos históricos da região, dos personagens… bem como toda uma infinidade de outras possibilidades.

Adolf Hitler, em traje de gala, passa em revista a guarda de honra, em Berlim. / FSP-Mais!-21.07.96

A lista de filmes que poderia indicar também é “infinita”, mas vou me limitar a uma única indicação: o documentário Arquitetura da destruição (Suécia, 1989). Primeiro, por tratar-se de um documentário, gênero importante para quem pretende debruçar-se sobre as características de uma determina época ou lugar. Segundo, pela incrível qualidade da estrutura narrativa do filme. Sem falar da importância do tema abordado. O diretor, Peter Cohen, traçou um perfil da trajetória de Hitler e suas relações com a arte. O filme é inspirador para aqueles que desejam estudar o nazismo e suas implicações. Se o filme motivar pesquisas iconográficas, leituras e reflexões pessoais, você estará aprendendo a saber ver um filme.


Como interpretar figuras tridimensionais nos vestibulares?
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Geometria do Espaço é um daqueles temas que sempre são cobrados nos vestibulares e no ENEM. Portanto, ter domínio desse assunto e ter algumas estratégias na hora de encarar as questões faz grande diferença em seu desempenho.

Nesse contexto, há uma pergunta que sempre é feita pelos alunos:

É possível criar estratégias para reconhecer propriedades de figuras tridimensionais?

A resposta é um grande SIM! Com algumas dicas e um pouco de organização você pode acertar muitas questões de Geometria do Espaço. Vamos a elas.

I. A primeira dica é algo que vale para todas as disciplinas, fique atento ao que está acontecendo no mundo. Um grande exemplo são as Olimpíadas no Rio, a quantidade de situações em que a Geometria Espacial surge naturalmente é enorme, desde o cálculo do volume de uma bola de basquete, passando pela quantidade de água numa piscina até a representação do movimento do giro de um atleta no lançamento do disco.

II. Sempre que possível, faça uma boa figura para representar o problema. Em muitos exercícios, reconhecer triângulos em um corte num sólido, permite aplicar relações de semelhança ou o teorema de Pitágoras e, a partir daí, responder as perguntas feitas.

Representação de uma secção meridiana de um cone e uma esfera inscrita nesse cone. Os triângulos retângulos ADO e ABC são semelhantes.

 

III. Cuidado com pequenas confusões! Fique ligado: quando você lê prisma, não desenhe uma pirâmide! (o mesmo vale para cilindro e cone).

IV. Para exercícios que cobrem a descrição de movimentos no espaço tridimensional e suas representações em um plano, procure colocar-se na situação do observador, posicionando o objeto entre você e o plano. Por exemplo:

Em uma gangorra, se buscamos a projeção do movimento no solo, imagine-se olhando de cima. Caso a projeção seja em um muro, “coloque-se” de modo a ter a gangorra entre você e o muro.

V. Em provas de múltipla escolha, cuidado com as alternativas! Frequentemente as bancas examinadoras colocam alternativas erradas em que algum equívoco previsível foi cometido. Ele pode ser um erro de cálculo, uma interpretação errada no texto ou uma projeção diferente da que foi pedida.

Com estas dicas e um pouco de treino, e claro conhecendo a teoria, você certamente conseguirá acertar muitos exercícios nos vestibulares.

Agora é com você, bom trabalho e sucesso!


Dicas para estudar inglês de forma descontraída nas férias
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

O tempo em que você estará de férias tem que ser bem aproveitado, não acha? Descansar, claro, está entre as suas prioridades. Afinal de contas, você teve um semestre atribulado e o que vem por aí não vai ser nada fácil. Quando menos esperar, as provas de vestibulares e o Enem estão chegando. Portanto, além do merecido descanso, vale a pena manter um pouco do ritmo que você conseguiu adotar até aqui.

Manter o ritmo, ainda que com mais calma, é extremamente importante. Com relação à Língua Estrangeira-Inglês algumas coisas podem ser feitas para não perder o que se conquistou. Siga estas instruções:

Ler – tente ler artigos na internet que o(a) atraiam. Ao fazer isso, não se prenda a vocábulos que porventura não conhecer. Tente ler o texto todo e retirar as informações que achar pertinentes. Sites como o washingtonpost.com, scientificamerican.com, economist.com e nature.com sempre trazem temas interessantes, importantes e de grande incidência nos exames.

Rever – aproveite para rever o que foi aprendido durante o semestre. Releia os textos que foram propostos, refaça os exercícios. Dessa forma, você entrará no segundo semestre com uma bagagem maior e isso poderá ajudá-lo(la) muito.

Ouvir – Ouça músicas de que você gosta e tente entender o que é cantado. Caso tenha dificuldade, entre no youtube, escreva o nome da música, seguido da palavra lyrics (letra). Isso pode ajudar. Ouvir música é uma boa ajuda no aprendizado de língua.

Assistir – Assista a filmes americanos, ingleses, australianos de preferência sem legendas. Uma dica importante: ponha as legendas também em inglês. Assistir a filmes fará com que você mantenha contato com a língua.

Falar – Tente entrar em contato com pessoas falantes do inglês. Você pode usar a internet para isso, através das redes sociais. Não tenha medo! Caso nunca tenha tido tal experiência, você talvez “sofra” no início, mas logo perceberá que já está bem melhor. Falar é imprescindível para um bom aprendizado da língua.

Seguindo as orientações, você certamente estará bem melhor para encarar o próximo semestre. Aprender inglês não deve ser um fardo. Você tem que aprender a partir de coisas que o fazem bem. Pouco a pouco, quando menos perceber, já terá dado um “salto” enorme.

No mais, caro(a) estudante, aproveite as férias. Relaxe, descanse, aproveite para fazer coisas de que gosta. Lembre: o próximo semestre não será fácil…

Abraço e boas férias.


A “Era Trump”: o polêmico novo presidente dos Estados Unidos
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Em 29 de abril Donald Trump completou 100 dias à frente da Casa Branca.

Diante da grande expectativa em relação ao seu governo, gerada pelas polêmicas promessas de campanha, vamos seguir a tradição política e fazer uma breve retrospectiva daquele que ainda promete ser um dos mais controversos mandatos presidenciais da história dos Estados Unidos.

O azarão

O bilionário nova-iorquino Donald Trump, 70 anos, era considerado um “azarão” nas apostas internas do próprio Partido Republicano na corrida para as eleições presidenciais de 2016. Porém, ele surpreendeu ao vencer as primárias, derrotando candidatos poderosos dentro do partido como Jeb Bush (ex-governador da Flórida, irmão de George W. Bush e filho de George Bush, ambos ex-presidentes).

Três meses mais tarde causou novo frisson entre os analistas políticos ao derrotar a democrata Hillary Clinton, ex-primeira dama e primeira mulher candidata à presidência dos Estados Unidos.

Uma pesquisa divulgada pela Associated Press mostra que 63% dos homens brancos acima de 45 anos votaram em Trump, que também recebeu o voto de 42% das mulheres apesar de seus discursos machistas e das mais de 10 acusações de assédio sexual.

Promessas de campanha

Durante a campanha eleitoral, Trump não se esforçou em ser politicamente correto, pelo contrário, usou e abusou de frases – no mínimo controversas – para ganhar a atenção da mídia. E conseguiu. Em suas falas, ele insinuou racismo, homofobia, xenofobia e machismo. Alegou ser tradicionalista e defensor dos interesses nacionais.

Na política externa, ele prometeu erguer um muro na fronteira com o México (que seria pago pelos próprios mexicanos), suspender acordos comerciais como o NAFTA (Tratado de livre comércio da América do Norte criado nos anos 1990 com México e Canadá) e destruir o Estado Islâmico (grupo terrorista que atualmente luta para manter o controle de territórios entre o Iraque e a Síria). Chegou também a acusar a China como principal responsável pelos altos índices de desemprego entre os operários norte-americanos.

Para atrair um eleitorado mais conservador, disse que iria trazer de volta os empregos na indústria (principalmente na tradicional região industrial do Manufacturing Belt), aumentar o protecionismo no comércio exterior, cortar impostos e sancionar leis pró-armas.

Assim, conseguiu um apoio fiel dos conservadores além atrair os holofotes da imprensa do mundo tudo. No entanto, Trump deixou muita gente assustada com essas promessas radicais e um discurso antiglobalização.. Analistas apontam, inclusive, que um dos principais fatores do seu sucesso eleitoral foi exatamente a grande exposição midiática de sua imagem.

Pontos importantes

Vale ressaltar aqui dois pontos importantes de todo esse processo: Primeiro, o excêntrico Trump já tinha uma importante experiência diante das câmeras; pois, durante alguns anos, foi apresentador de um reality show na tv norte-americana chamado “O aprendiz”. Nesse programa ele demitia os candidatos ao vivo. Seu bordão “You’re fired” (Você está na rua!!!!) ficou famoso. Segundo, refere-se ao complicado sistema eleitoral dos Estados Unidos. Trump repetiu o feito do também republicano George Bush nas eleições de 2000. Venceu porque assegurou a maioria dos votos no Colégio Eleitoral, mesmo tendo perdido no voto popular. Foram dois milhões a menos de votos do que sua concorrente Hillary Clinton.

Discurso de posse e protestos

A expectativa pela posse do novo presidente foi marcada por protestos considerados inéditos na história política estadunidense. Organizações sociais formadas por mulheres, minorias raciais e religiosas, imigrantes e ecologistas foram às ruas de Washington (capital federal) e espalharam cartazes com dizeres do tipo: “Pare o governo Trump antes do início”, “Diga não ao Fascismo”. Ou ainda: “Defenda-se contra Trump”.

Apesar das numerosas manifestações contrárias, na 6ª feira, 20 de janeiro, o magnata sem experiência política (pois nunca havia ocupado nenhum cargo público) tomou posse como 45º presidente dos Estados Unidos.

Trump fez um discurso de posse agressivo, falou em protecionismo e, em nenhum momento, pronunciou a palavra democracia. Criticou os investimentos públicos desperdiçados fora do país, dizendo que faziam falta à economia interna, e ressaltou que pretende fazer da América (que é como os estadunidenses referem-se ao próprio país) novamente um lugar forte, rico, orgulhoso e seguro.

No entanto, foi comedido o suficiente para não soltar, em plena cerimônia de posse, um “America First” (América em primeiro lugar) frase nacionalista que marcou sua campanha eleitoral.

Os primeiros 100 dias

Existe uma tradição na política dos Estados Unidos, inaugurada na década de 1930 pelo então presidente Franklin Delano Roosevelt, de fazer um primeiro balanço do governo após 100 dias de mandato. Nesse primeiro teste a impressão sobre a “Era Trump” não é das melhores.

Seu índice de aprovação popular, cerca de 40% – de acordo com o Instituto Gallup, é o mais baixo para o período, desde a Segunda Guerra Mundial. Esse apoio, mesmo que pequeno, é atribuído a um eleitorado fiel que aposta nas mudanças prometidas em campanha.

Por falar em promessas de campanha, pelo menos até agora, Trump teve que recuar ou rever quase todas elas.

Obamacare

O programa de reforma na Saúde implementado por Barack Obama em 2014 garantiu que todos os norte-americanos tivessem acesso a um seguro de saúde. Como nos EUA não há um Serviço Nacional de Saúde Pública, a falta de cobertura afetava cerca de 15% da população que não era atendida nem pelos programas de saúde estatais para os mais pobres (Medicaid) e para os mais velhos (Medicare), nem pelos seguros de saúde das empresas privadas.

Alegando um aumento significativo nos gastos públicos com saúde, Trump contava com o apoio do Congresso formado por uma maioria republicana, para derrubar o chamado “Obamacare”, mas fracassou.

Refugiados

Para conter a entrada de refugiados, Trump também decretou uma ordem executiva suspendendo por 4 meses a entrada nos EUA de refugiados vindos de vários países de população predominantemente muçulmana, tanto do Oriente Médio quanto da África, tais como Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen. Por duas vezes, em menos de 2 meses, essa ordem executiva foi suspensa por juízes federais.

Muro na fronteira com o México

Com relação ao México, a construção do polêmico muro na fronteira nem começou, tão pouco o governo mexicano irá pagar por ela, conforme Trump anunciou durante sua campanha. Pelo contrário, o presidente dos EUA ainda não conseguiu a aprovação orçamentária para os cerca de 20 bilhões de dólares necessários para a obra.

Protecionismo

Já no que diz respeito à renegociação de acordos internacionais de comércio, o novo governo dos EUA resolveu abandonar o TPP, a sigla em inglês para o acordo voltado a eliminar a maioria das tarifas comerciais entre EUA, Canadá, México, Japão, Austrália e vários países da Ásia e da América do Sul como Peru e Chile.

Política externa

Na política externa, Trump alternou agressividade e diplomacia. Recebeu o presidente chinês Xi Jinping na Flórida e recuou no discurso de responsabilizar o principal parceiro comercial pelo desemprego nos EUA. Além disso pediu apoio político nas questões sobre a Coreia do Norte. Nesse sentido, o líder norte-americano chegou a afirmar que estaria pronto para agir contra o regime de Pyongyang, com ou sem a China, caso os testes nucleares norte-coreanos continuem a ameaçar a tranquilidade do Japão e da Coreia do Sul.

Trump promoveu várias ações no Oriente Médio, uma delas foi um inesperado ataque de mísseis contra a Síria. A justificativa era atingir uma base aérea de onde, dias antes, teriam saído aviões sírios para um ataque com armas químicas que mataram mais de 80 civis no interior do país do líder Bashar al Assad.

No Afeganistão, Trump mostrou outro sinal de força. Alegando combater rebeldes ligados ao Estado Islâmico, os EUA usaram uma bomba aérea chamada de “mãe de todas as bombas”, pois seria a bomba não-nuclear mais potente já usada até hoje pelos EUA. O ataque teria matado cerca de 100 rebeldes na província afegã de Nangarhar.

Rússia

As suspeitas relações com a Rússia provocaram a primeira baixa na equipe de governo de Trump. Michael Flynn, que ocupava o cargo de conselheiro de Segurança Nacional, renunciou antes de completar o primeiro mês de trabalho. Flynn foi acusado de ter mantido contatos extraoficiais com o embaixador russo nos Estados Unidos antes de Trump assumir a Presidência e também ter discutido possíveis sanções contra Moscou sem autorização da Casa Branca.

Impeachment

Aliás, as relações com o governo de Vladimir Putin continuaram provocando situações embaraçosas. A admiração de Trump pelo líder Russo já é conhecida, há suspeitas inclusive de que Putin teria doado dinheiro à campanha do candidato republicano. Porém, a aproximação entre os líderes teria atingido um limite grave. O jornal “The Washington Post” revelou em maio que Trump teria divulgado informações sigilosas de uma operação contra o Estado Islâmico durante encontro com funcionários da alta cúpula do governo russo. Essas informações colocariam em risco a própria segurança nacional dos EUA e seriam suficientes para abrir um processo de impeachment contra Donald Trump. Putin rapidamente se colocou à disposição para esclarecer a situação, mas as suspeitas permanecem, tornando a desconfiança dos estadunidenses sobre Trump e sua equipe maior ainda.

O Futuro

Com relação ao futuro, Trump continua a afirmar que não desistiu de cumprir suas promessas de campanha, porém já admitiu que comandar um país é muito mais complexo do que comandar uma empresa. As estruturas institucionais representam limites ao seu poder, e nem mesmo o seu próprio partido tem oferecido apoio irrestrito ao novo presidente. Resta saber se Trump vai desistir antes ou, com suas ações intempestivas, vai produzir novos fatos que provoquem sua saída antecipada do comando do país mais poderoso do mundo.


Como a Geometria Analítica pode cair nos vestibulares?
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Anualmente, no momento em que devo abordar o tópico Geometria Analítica no cursinho, percebo um certo desconforto por parte dos alunos. O simples anunciar de que, a partir daquela data, por algumas semanas, será ministrado esse “setor” da matemática já causa certa burburinho juntamente com algumas reclamações mais enfáticas e sonoras. No colégio, quando introduzido pela primeira vez, isso obviamente não acontece, mas é ali que muitos começam a pegar bronca da disciplina.

Entretanto, olhando para a Geometria Analítica (G.A) em contraponto com a Geometria Plana e a Geometria Espacial, em termos de conteúdo, temos que a primeira é mais simples que as últimas duas. A teoria da GA, em sua grande maioria, recai em quatro eixos, eles são: Retas, Circunferências, Distâncias e Áreas. Na verdade, esmiuçando um pouco mais, fiz um levantamento do que tem aparecido nos últimos três anos em provas como ENEM, FUVEST, ITA, IME, UEL, UEMG, UERJ, UFRGS, UNESP, UNICAMP e UNIFESP. Das 58 questões relativas a esse assunto, podemos ver as porcentagens de cada um dos subtópicos no gráfico abaixo:

Claro que há questões que envolvem mais de um desses subtópicos. Mas, ainda assim, olhando friamente, podemos ter a certeza de que não nenhum deles exige um grande número de fórmulas tampouco de verbetes. Então, qual é o cerne da dificuldade dos alunos? Acredito que isso se deva a dois fatores principais:

  • Primeiro: O assunto Geometria já costuma ser o que exige mais do aluno, por cobrar certa visão dos vestibulandos além exigir certa criação, como traçar uma paralela ou perpendicular, ainda que o enunciado não tivesse alertado.
  • Segundo: A Geometria Analítica é, sem sombra de dúvidas, a que mais relaciona diferentes subtópicos. Isso dentro da própria GA mas também em uma interlocução direta com outras geometrias e mesmo outros setores da matemática.

Os exemplos disto são diversos. Só falando a respeito desses anos e dessas provas podemos citar o ITA, que juntou a GA com PG; a UEMG, que relacionou GA com a Espacial; a UNESP, que juntou GA com função. E esses são só alguns dos casos mais emblemáticos. Essa grande diversidade de assuntos que por vezes acaba prejudicando o aluno. Fazer essa interlocução não é tarefa das mais simples e, às vezes, o fato de conhecer um único caminho pode fazer com o que vestibulando escolha o mais tortuoso.

Em uma prova que exige muito em um pequeno intervalo de tempo, conhecer uma gama maior de métodos é fundamental. O problema nem sempre é a falta de tempo, mas sim a falha no gerenciamento dele. Conhecer outras resoluções é jogar com a prova. Reconhecer qual é o caminho que você, vestibulando, tem mais facilidade e resolve mais rápido é o que vai te permitir resolver a questão com maior eficácia.

Dito tudo isso, vale uma ressalva. Esse tipo de interlocução é frequente na matemática. Por que a dificuldade maior está presente em GA!? E a resposta é que, além de isso ser mais frequente em GA do que nas demais áreas, vários dos outros assuntos que podem auxiliar na resolução são dados em outra área, que nem carregam “Geometria” em seu título. Que, eventualmente são ministradas até por outros professores e certamente em outros anos do Ensino Médio. A equação da reta dialoga com função, com semelhança de triângulos, com determinantes, eventualmente até com Números Complexos; A área determinada por retas pode ser obtida por Plana ou por uma associação com determinantes; Resolver um sistema exige um conhecimento sobre retas, circunferências, parábolas além de outras funções. E é esse salto que é difícil de o aluno fazer sozinho. É necessário praticar mais isso além de resolver uma mesma questão de mais uma maneira, até que fiquem consolidados os métodos e que cada um escolha sua preferência.

Só a FUVEST nos últimos seis anos cobrou 9 questões a respeito da GA. Essa alta incidência nos permite apostar com grandes chances de acerto, que esse tópico da matemática cairá novamente este ano. Então, você vestibulando, saiba que não há muita escapatória. Que terá de lidar com isso e que talvez seja melhor não carregar antigos rancores e lamentações a respeito disso. Fica então aqui um gráfico do que mais tem aparecido e uma maneira de te auxiliar a resolver o exercício, que é enxergar a intersecção entre esse tópico e outros que talvez sejam mais do seu agrado.

Bom estudo!


Qual a relevância do café na História do Brasil?
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Você sabia que apesar do Brasil ser o maior produtor mundial de café, a origem dessa planta não é americana? O café brasileiro atualmente está presente em mais de 120 países do mundo, foram 35 milhões de sacas exportadas na última safra, gerando uma receita de 5,3 bilhões de dólares para o país segundo o Cecafe (Conselho dos Exportadores de Café). A produção desse vegetal de origem africana começou no período colonial, ele foi determinante no processo de formação do Estado nacional brasileiro após a independência de Portugal e moldou a economia do Brasil por mais de um século.

A chegada das primeiras mudas de café em nosso território é bastante controversa. Originário da Etiópia, trazido para a América por holandeses e franceses, durante muito tempo acreditou-se que Francisco de Melo Palheta, um funcionário militar a serviço da coroa portuguesa, teria introduzido as primeiras mudas de café. A esposa do governador da Guiana Francesa, Madame D’Orvillier, teria cedido as primeiras espécies que foram introduzidas no Pará em 1727. Francisco de Melo é retratado em alguns relatos como um galanteador que teria sido agraciado com sementes de café como um presente de uma dama francesa. Essa visão romântica da introdução do café no Brasil foi idealizada ao longo do século XIX e XX, acabou ganhando algumas versões mais sedutoras que combinavam com a imagem da bebida inebriante e revigorante que ganhou o mundo. Contudo, desde o século XVII, o café já era cultivado em algumas regiões do Maranhão, conforme atestam alguns inventários da coroa portuguesa.

Após a Independência, especialmente nas décadas de 1840 e 1850, a cafeicultura sustentou a formação do Estado brasileiro, pois os recursos advindos da exportação de café serviram para organizar o exército e as estruturas fundamentais do território recém separado de Portugal. Durante o Primeiro Reinado (1822-1831) e o Período Regencial (1831-1840) a economia brasileira estava fragilizada, os custos de guerras e da construção de um poder centralizado consumiam vultosos recursos que o Estado não tinha a sua disposição. Foi somente com a ascensão da cafeicultura que o Império do Brasil passou a dispor de arrecadação suficiente para custear o exército que reprimiu as revoltas populares e separatistas que ameaçavam a unidade nacional. D. Pedro II, apoiado pelas elites cafeicultoras do Sudeste, conseguiu governar por quase meio século o país; durante o Segundo Reinado (1840-1889) o café tornou-se símbolo da riqueza nacional e foi celebrado mundo afora nos pavilhões das Exposições Mundiais organizadas nos países desenvolvidos. Em resumo, se não fosse o crescimento mundial do consumo de café no século XIX, provavelmente o Brasil teria se fragmentado em diversos territórios e o modelo de Estado centralizado no Rio de Janeiro teria fracassado.

A mesma elite cafeicultora do Sudeste que sustentou a formação do Império monárquico no século XIX tomou o poder em 1889 e instaurou no Brasil um Estado republicano ainda calcado em uma economia agroexportadora. As oligarquias de São Paulo e Minas Gerais controlaram os rumos da política e da economia nacionais até 1930. Se por um lado o café trouxe estabilidade no século anterior, a insistência no modelo agrário exportador – e ainda por cima escravocrata até 1888 – moldou uma economia com dificuldades de se desenvolver internamente. A concentração de renda e de poder no Sudeste agravou as disparidades regionais do país gerando conflitos intraoligárquicos e ter toda economia calcada em uma única cadeia produtiva era um ponto de fragilidade, que deixava o país à mercê dos mercados internacionais e da volatilidade do preço de uma única commodity. A vulnerabilidade do modelo econômico sustentado pela cafeicultura ficou exposta com a Crise de 1929 que derrubou não só os preços no mercado internacional como também as estruturas políticas que sustentavam a República do Café com Leite. Contudo, Getúlio Vargas, que tomou o poder em 1930, não abandonou por completo as receitas geradas pelo café para reconstruir a economia nacional durante toda uma década; de certa forma, o processo de industrialização brasileiro utilizou o capital e a infraestrutura oriundas da cafeicultura.

Fazendo um balanço final, percebemos que por mais de um século os rumos do Brasil estiveram diretamente atrelados aos caminhos percorridos pela cafeicultura. De maneira complexa, com altos e baixos, prós e contras o café ajudou a forjar o país. O modelo de Estado nacional centralizado foi auxiliado pelas rendas do café, essas mesmas receitas que mantiveram a unidade nacional, organizaram as estruturas burocráticas e administrativas, contribuíram para o processo de industrialização e de formação da infraestrutura que ainda servem de base para a sustentação da economia especialmente do Sudeste do país. As exportações nacionais movimentam atualmente algo em torno de 60 bilhões de dólares e quase 10% dessa movimentação está ligada ao setor cafeeiro, ou seja, a diversificação econômica que ganhou corpo com Getúlio Vargas a partir da década de 1930, diminuiu a dependência do país em relação ao café, mas seu peso e importância continuam revigorantes.

Aliás, um cafézinho é muito bom, mas sozinho não dá a necessária sustância para enfrentar a batida do dia a dia.

Bom estudo!


É possível tornar a água do mar potável?
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Existe muito mais água nos oceanos e mares do que nos rios, lagos e geleiras. Estima­se que o volume da água dos oceanos seja de aproximadamente 1,5 · 1021 L. No entanto, o ser humano não pode usá-la para beber, nem para muitas outras finalidades, devido à existência de muitos sais dissolvidos nela. A tabela abaixo mostra os íons componentes de aproximadamente 99% desses sais.

(Fonte: Química, volume 2: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 151)

A Organização das Nações  Unidas (ONU) estima que cerca de 14% da população mundial será atingida pela escassez de água até 2025.  Considerando que os oceanos recobrem dois terços da superfície da Terra, não é surpreendente que suas águas sejam consideradas uma fonte de água potável em regiões onde o suprimento é insuficiente para atender à demanda humana.

Para obtermos água potável a partir da água dos oceanos, é possível utilizar um processo de dessalinização chamado Osmose Reversa. Ao aplicar  à solução de água oceânica uma pressão superior à pressão osmótica, provoca-se a passagem de moléculas do solvente da solução mais concentrada para a mais diluída. O esquema a seguir ilustra esse processo:

(Fonte: Química, volume 2: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 151)

A pressão osmótica da água do mar é de aproximadamente 30 atmosferas (atm) quando comparada com à da água pura. Então, para obtermos a sua osmose reversa, são necessárias pressões superiores a 30 atm. Por não necessitar de mudanças de estado físico da água e, portanto, de consumo de energia térmica, esse é o processo mais utilizado atualmente. A principal dificuldade para a utilização desse método é o desenvolvimento de membranas semipermeáveis de baixo custo, que permitam somente a passagem da água e impeçam a passagem dos solutos, e que possam ser usadas em larga escala por longos períodos sem que sejam danificadas pelas grandes pressões a que são submetidas.

Recentemente, os avanços na era da nanotecnologia, um dos mais promissores campos de pesquisa envolvendo ciências dos materiais, trouxe a possibilidade de técnicas de dessalinização da água do mar utilizando grafeno, uma das formas alotrópicas do carbono.

Na natureza, o elemento químico carbono (C) forma três variedades alotrópicas: diamante, grafite e fulereno. Essas três substâncias simples diferem entre si no arranjo dos átomos que formam o retículo cristalino.

A grafite apresenta anéis hexagonais planos.

(Fonte: Química, volume 1: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 233)

No diamante, cada átomo de carbono está ligado a quatro outros átomos de carbono formando um arranjo espacial.

(Fonte: Química, volume 1: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 233)

Os fulerenos apresentam uma forma semelhante à de uma bola de futebol, podendo ser composta por diferentes quantidades de átomos de carbono, por exemplo, 60 átomos de carbono (C60).

(Fonte: Química, volume 1: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 233)

Com o desenvolvimento da nanotecnologia, foram criadas novas variedades alotrópicas do carbono: grafeno e nanotubos de carbono.

Grafeno                                          Nanotubo de carbono

O grafeno consiste, basicamente, em uma única folha de grafite, na qual os átomos de carbono apresentam-se formando uma rede hexagonal.

(Fonte da imagem: pixabay)

Por se tratar de uma única folha, sua espessura é a de um átomo. Essa variedade alotrópica do carbono possui características específicas, como elevada resistência e flexibilidade, condutibilidade elétrica e térmica, além de ser muito leve.

Utilizando essa variedade alotrópica do carbono, um grupo de cientistas da Universidade de Manchester no Reino Unido desenvolveu uma espécie de “peneira” de óxido de grafeno.  Essa “peneira” tem a capacidade de remover os sais presentes na água do mar, sendo possível obter água potável. Apresenta-se, assim, como um método alternativo à osmose reversa.

Inicialmente, as “peneiras” de óxido de grafeno não se tinham mostradas eficientes para remover os íons provenientes do cloreto de sódio (NaCℓ), principal componente do sal de cozinha e presente em larga escala na água do mar. Essa ineficiência ocorria basicamente devido a uma alteração estrutural na “peneira”, quando em contato com a água. Tal problema permitia a passagem de espécies químicas indesejadas.

Para corrigir esse problema, os pesquisadores modificaram a estrutura através da utilização de resinas, que permitiu maior controle da permeabilidade da membrana em relação às espécies que a atravessavam ou que são retidas por ela, tornando o processo mais eficiente.

Um desafio quanto à aplicação das membranas de óxido de grafeno em larga escala é o preço do material. Apenas para efeito de comparação: o custo de um grama de ouro atualmente está em cerca de R$: 120,00, ao passo que um grama de grafeno custa cerca de R$: 350,00. Assim, se o custo das membranas semipermeáveis utilizadas no processo de osmose reversa já é elevado, o custo de produção das membranas de óxido de grafeno provavelmente será ainda mais.

Além do custo das membranas, mais testes em relação à durabilidade, quando expostas às condições de dessalinização a longo prazo, ainda precisam ser realizados para se verificar a real aplicabilidade nos processos de obtenção de água potável.

O grafeno é um novo material, produto das pesquisas na área da nanotecnologia, apresenta-se atualmente como grande promissor e com potencial aplicabilidade em várias áreas, tais como nas telecomunicações, na eletrônica e na energética. Vamos esperar, nos próximos anos, as revoluções tecnológicas que esse material pode proporcionar.

Bom estudo!

Referências:

http://super.abril.com.br/ciencia/peneira-de-grafeno-torna-agua-do-mar-potavel/ acesso em 11/04/2017
http://www.bbc.com/portuguese/geral-39483587  acesso em 11/04/2017
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/04/1872537-cientistas-criam-peneira-de-grafeno-que-torna-agua-do-mar-potavel.shtml acesso em 11/04/2017
http://www.dsc.ufcg.edu.br/~pet/jornal/outubro2013/materias/inovacoes_tecnologicas.html acesso em 11/04/ 2017  acesso em 11/04/2017
Química, volume 1: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014.  Pág 233-234
Química, volume 2: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 151-153