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Microscopia Crioeletrônica – Decifrando o Nobel de Química
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O prêmio Nobel de Química de 2017 foi concedido a três pesquisadores, Jacques Dubochet, Joachim Frank e Richard Henderson. A laureação dos cientistas deveu-se à sua contribuição no desenvolvimento de uma técnica que permite obter imagens de moléculas biológicas em alta resolução, a microscopia crioeletrônica.

A forma das biomoléculas está diretamente relacionada aos efeitos fisiológicos que promovem nos organismos, assim, a elucidação do aspecto tridimensional dessas moléculas pode levar à maior compreensão de seus mecanismos de funcionamento. Como exemplo, pode-se citar as proteínas reguladoras dos ciclos biológicos e as formadoras da estrutura do Zika vírus, responsável pela recente epidemia de nascimentos de bebês com microcefalia no Brasil.

Fonte da imagem: https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular-chemistryprize2017.pdf

 

Vejamos a seguir a principal contribuição de cada um dos cientistas premiados.

 Richard Henderson

O cientista Richard Henderson obteve seu doutorado, na Universidade de Cambridge, através do estudo da estrutura de proteínas utilizando cristalografia de raio-X. Essa técnica consiste basicamente na incidência de raio-x sobre uma amostra (proteína) a ser analisada. Através do padrão de difração e espalhamento da radiação, pode-se, por meio de softwares especializados, compor o que seria a “imagem” da proteína e, portanto, uma proposição de um modelo para a sua estrutura.

Fonte: https://www.quora.com/What-is-the-difference-between-determining-a-proteins-structure-via-NMR-and-determining-it-by-X-ray-crystallography

A limitação dessa técnica é que ela depende de compostos que, ao serem solidificados, apresentem um arranjo regular, ou seja, formam estruturas cristalinas.

Ao tentar estudar a estrutura de algumas proteínas de membrana celular, Henderson percebeu que, ao serem isoladas da membrana, perdiam a sua conformação original, de modo que a sua estrutura não poderia ser determinada pela cristalografia de raio-x.

Para contornar esse problema, o cientista considerou utilizar a microscopia eletrônica, na qual a amostra é analisada pela incidência de um feixe de elétrons altamente energético.

Na prática, porém, o procedimento mostrou-se inicialmente inviável. O feixe de elétrons de alta energia acabava por decompor a amostra orgânica termicamente. Além disso, a necessidade de submeter o composto a ser estudado ao vácuo contribuía para a sua degradação, devido à desidratação pela vaporização da água, presente nos meios celulares, e parcialmente responsável pela manutenção da estrutura original das biomoléculas.

A solução encontrada por Henderson foi analisar, no microscópio eletrônico, as proteínas associadas à própria membrana. Essa composição permitiu a “visualização” das moléculas, mas a resolução das imagens obtidas era baixa.

Joachim  Frank

A contribuição do cientista Joachim Frank foi uma técnica para se obter imagens de alta resolução através da microscopia eletrônica.

Basicamente, o cientista desenvolveu um método no qual, através da composição de várias imagens bidimensionais (2D), um software especializado consegue gerar uma imagem tridimensional (3D), possibilitando obter imagens de alta resolução para servir de modelo para a determinação da estrutura das biomoléculas.

 Fonte:  https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular-chemistryprize2017.pdf 

Jacques Dubochet

Como mencionado, uma das limitações da aplicação da técnica de microscopia eletrônica consistia da necessidade do vácuo, que provocava a evaporação das moléculas de água e consequentemente mudança do arranjo das biomoléculas.

Para contornar essa situação, uma possibilidade considerada pelos cientistas foi congelar as amostras, uma vez que a passagem do gelo para o estado de vapor ocorre mais lentamente do que quando comparado à água líquida. No entanto, devido ao arranjo cristalino das moléculas de água no gelo, não foi possível obter um contraste significativo com o arranjo das biomoléculas.

A solução encontrada por Dubochet foi solidificar a água rapidamente, de modo que não houvesse tempo para formar o retículo cristalino do gelo, e assim as moléculas de água acabassem formando um arranjo vitrificado, ou seja aleatório e amorfo.

Fonte:  https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular-chemistryprize2017.pdf

A técnica consiste no resfriamento de uma fina película de água (filme) em contato com etano super-resfriado com nitrogênio líquido, como representado pela imagem acima.

Dessa maneira, pode-se obter um maior contraste entre os cristais das biomoléculas e o arranjo amorfo da água, permitindo assim, através da  microscopia eletrônica, a obtenção de imagens de alta resolução (resolução em nível atômico).

A associação da microscopia eletrônica com o modo de preparo das amostras desenvolvido por Dubochet é atualmente denominada microscopia crioeletrônica.

É previsto que a aplicação da  microscopia  crioeletrônica permitirá avanços significativos principalmente no campo da bioquímica, devido a possibilidade de elucidação estrutural da  maior parte das biomoléculas, possibilitando uma melhor compreensão do funcionamento das mesmas.

A microscopia crioeletrônica  é considerada revolucionária no campo científico, permitindo desde a análise da estrutura de proteínas de membrana até biomoléculas maiores e mais complexas, abrindo assim vastos campos de estudo nas áreas médicas e farmacêuticas.

Referências Bibliográficas:

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/04/ciencia/1507101567_361365.html

https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular.html

https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2017/popular-chemistryprize2017.pdf

 


Examinando a química: dicas para as provas de biológicas
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Nos principais vestibulares, todos os alunos fazem provas de todas as disciplinas. Então, as disciplinas de exatas são tão importantes para os alunos de humanas, quanto as disciplinas de humanas são importantes para os alunos de exatas. Dessa maneira, dedicar-se às disciplinas com as quais não se tem muita afinidade torna-se importante.

De maneira geral, quando o objetivo for otimizar o aprendizado acadêmico, algumas orientações são fundamentais:

  • Ter horário e local reservados para os estudos.
  • Organizar um calendário viável de estudo diário. Isso significa criar metas possíveis de serem alcançadas. A escolha de metas que não possam ser cumpridas torna desestimulante o processo de aprendizagem.
  • Ter todo o material necessário.
  • Acompanhar a evolução dos estudos por meio de provas e simulados, além de rever estratégias de estudo que não estejam sendo eficientes.

A aprendizagem de diferentes disciplinas exige estratégias apropriadas. No caso do estudo de Química, algumas dicas podem ser úteis para melhorar o aprendizado dessa matéria:

1º) Ler a teoria antes de resolver exercícios, buscando entender cada termo utilizado no material estudado. Sempre que possível, procure se informar sobre as diferentes aplicações práticas e a relevância que o tema do estudo tem. Assim, o conteúdo passa a ter mais sentido, o que favorece a retenção da informação.

2º) Estude alguns exercícios resolvidos. Uma coisa é estudar a teoria, outra é verificar como o assunto pode aparecer nas provas.

3º) Resolva exercícios sobre o tema estudado. Procure começar pelos exercícios mais fáceis; isso traz motivação e confiança para encarar problemas mais complexos. Neste momento, não é indicado ficar muito tempo em um único problema. Caso você não consiga resolver um exercício (e isso vai acontecer), dedique, no máximo, dez minutos a ele e passe para o próximo. Procure ajuda para resolvê-lo e, depois de uma semana, mais ou menos, tente refazê-lo.

Esses três passos irão se repetir em cada assunto estudado.

Como estamos no começo do ano e pensando nas principais provas, que acontecem no final do ano, sugiro que neste momento você se dedique a estudar os conteúdos das disciplinas. Para isso, procure a programação de Química de um curso pré-vestibular ou busque a programação de Química, no manual do candidato, do concurso de seu interesse. Além disso, você pode utilizar algumas estatísticas disponíveis na web para estudar os temas que mais apareceram nas provas de seu interesse. Também é importante se informar sobre os pré-requisitos exigidos em cada tema, já que os assuntos que mais aparecem não estão em ordem crescente de complexidade.

Por fim, procure respeitar o seu ritmo de estudo, pois cada um tem o seu. Tentar acompanhar o ritmo de outra pessoa pode trazer decepção e, consequentemente, diminuir sua motivação. Superar os obstáculos na busca pelo conhecimento e ver os professores como aliados são atitudes importantes para quem quer ressignificar seu próprio aprendizado na Química ou em qualquer outra disciplina.

Lembre-se de que aprender algo novo exige dedicação, perseverança e energia, porém, a satisfação do aprendizado compensa o esforço, além de fazer você um candidato mais competitivo.


Vai revisar química para o Enem? Veja 7 temas que podem cair na prova
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Está chegando a hora.

Enem, Fuvest, Uerj, Unicamp, Ufrgs, Ufpr, são tantas provas que já perdi as contas.

Caso esteja precisando rever Química, o que se deve rever?

Você deve entender que a Química faz parte de você, da sua vida e do mundo. Em vários processos de avaliação – inclusive o ENEM – eles irão exigir observação e entendimento dos objetos e materiais, bem como  dos processos pela perspectiva que envolve a Química, na vida e no mundo.

Nem pensar em decorar a tabela periódica, pois tabela é um material a ser consultado e não decorado. Você irá se deparar com gráficos e tabelas que exigem a compreensão e o raciocínio, não a memorização; assim, saber raciocinar “quimicamente” o levará a resposta correta. Esta recomendação vale para todos os exames.

Cada exame de seleção apresenta suas particularidades, embora haja um bom padrão dos assuntos mais recorrentes. Eles são:

>Equilíbrios químicos, com destaque para pH e deslocamento de equilíbrio.

>Reconhecimento de funções orgânicas

>Interpretação de modelos de reações orgânicas

>Interações intermoleculares.

>Cálculos Estequiométricos

>Eletroquímica

>Termoquímica.

Caprichem na revisão desses assuntos e boa prova!

 


Plasma: o estado físico predominante no universo
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Raios e os arranha-céus de Atlanta, nos EUA / David Selby: Wikimedia Commons

A natureza costuma nos presentear com diversas imagens que são, ao mesmo tempo, belas e assustadoras. Os raios são um dos grandes exemplos disso. Talvez você já tenha se perguntado: do que é feito um raio? Qual seu estado físico, sólido, líquido ou gasoso?

Na realidade, nenhum dos três… O estado físico dos raios é chamado de plasma. Ele constitui o estado físico predominante no universo. Além dos raios, na natureza encontramos plasma na ionosfera, nas auroras boreal e austral, no fogo fátuo, nas estrelas, por consequência das reações de fusão nuclear, no vento solar nas nebulosas interestelares. O homem já desenvolveu tecnologia que utiliza plasma: telas de televisão de plasma, arco elétrico em lâmpadas a arco voltaico, arco de solda, lâmpadas fluorescentes.

No plasma encontramos moléculas de gás, gás ionizado e elétrons. Possui em sua estrutura tanto partículas com carga elétrica positiva (gás ionizado) quanto partículas com carga elétrica negativa (elétrons), mas em quantidades praticamente iguais, tornando-o eletricamente neutro. Como os gases, os plasmas possuem forma e volume dos recipientes que os contém (quando for o caso). Mas as semelhanças com os gases terminam por aí. Devido a sua estrutura contendo portadores de carga elétrica, o plasma é bastante condutor elétrico, enquanto um gás possui condutividade elétrica muito baixa. Os gases são constituídos por um único tipo de partícula, a molécula que o constitui, enquanto o plasma é formado por três (moléculas de gás, gás ionizado e elétrons).

Globo de plasma

Basicamente, para se obter plasma é necessário aquecer razoavelmente um gás, provocando a quebra das ligações atômicas, e também levando à ionização de parte desses átomos. É o que acontece, por exemplo, no nosso Sol. Artificialmente, pode-se produzir plasma através do estabelecimento de uma corrente elétrica em um gás. Como um gás é um material dielétrico, ou seja, um material não condutor elétrico, deve-se utilizar um gerador que forneça uma determinada diferença de potencial (ddp), para formar um campo elétrico na região onde está o gás, intenso o suficiente para ionizá-lo e transformá-lo em plasma. Quando tal transformação ocorre, estabelece-se uma corrente elétrico através do plasma, formando um arco elétrico luminoso entre os polos do gerador.

Em uma tempestade elétrica, nuvens adquirem cargas elétricas elevadas, levando à formação de um campo elétrico entre as nuvens, ou entre as nuvens e o solo. Se esse campo elétrico for intenso o suficiente, o ar da região é ionizado, formando plasma, que, por ser condutor, permite que ocorram as descargas elétricas. Essas descargas elétricas são chamadas de raios.
Agora que você já aprendeu um pouquinho sobre plasmas, aprofunde seus conhecimentos e tente explicar o que acontece em um globo de plasma, como o da figura a seguir.

 


Como as drogas agem no nosso organismo
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Drogas são substâncias capazes de alterar tanto as funções fisiológicas como psicológicas comportamentais de um organismo. Nesse sentido, um laxante e o crack podem ser classificados como drogas, mas é no sentido mais conhecido, e no menos benéfico, que o termo é mais utilizado.

Dentre as drogas lícitas estão o tabaco, os ansiolíticos (calmantes), a cafeína e o álcool.

O álcool é a droga lícita que mais causa prejuízos à saúde humana no mundo. Ele age sobre o sistema nervoso alterando o comportamento e podendo inclusive levar à dependência. O seu consumo  promove, inicialmente, a desinibição, relaxamento e euforia. Em um segundo momento começam a aparecer os efeitos depressores, como dificuldade de fala e de raciocínio, lentidão de reflexos, piora da coordenação motora e alteração de comportamento. Um indivíduo alcoolizado risonho pode de repente transformar-se em um sujeito violento. Esses efeitos reunidos podem causar  um grande número de problemas, como a violência doméstica e acidentes de trânsito, muitos deles com morte ou invalidez permanente.

As drogas ilícitas mais preocupantes são as psicotrópicas, isto é, as que alteram a cognição, o humor e o comportamento, podendo causar dependência. Essas substâncias podem ser classificadas, segundo o pesquisador e psiquiatra francês Louis Chaloult, em: depressoras, estimulantes e perturbadoras.

As drogas depressoras diminuem a atividade do Sistema Nervoso Central (SNC), fazendo com que passe a funcionar mais lentamente, como é o caso dos inalantes (cola e outros solventes), soníferos, ansiolíticos etc.

As drogas estimulantes aceleram a atividade do SNC, aumentando o estado de vigília (diminui o sono) e a coordenação motora. Nesse grupo encontra-se a cocaína e sua variante mais polêmica na atualidade, o crack.

A cocaína inibe a recaptação dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina da fenda sináptica, potencializando seus efeitos que levam à sensação de euforia, aumento das atividades motoras e intelectuais, perda do sono, do cansaço e do apetite. Na sua forma em pó é bem solúvel em água, facilitando sua inalação ou a diluição para injetá-la diretamente nas veias. O crack é uma variação da cocaína, porém é pouco solúvel em água. No entanto, ao ser aquecido, volatiliza com facilidade, podendo ser fumado utilizando cachimbos, forma pela qual os efeitos ocorrem mais rapidamente – de  10 a 15 segundos. Depois de uns 5 minutos a droga já foi metabolizada, estimulando o usuário a consumí-la  novamente, o que denota seu  alto poder viciante.

Dentre as drogas perturbadoras estão a maconha, o êxtase e o LSD.

O sistema nervoso produz naturalmente uma substância, a anandamida, que age nos receptores canabinoides do sistema nervoso. O THC, princípio ativo da maconha, age nos mesmos receptores, amplificando suas sensações. Os efeitos agudos (mais imediatos) da maconha podem ser sensação de paz, bem-estar ou angústia, hilaridade (vontade de rir), diminuição do cansaço, etc. Durante seu efeito, há evidente alteração na percepção de tempo e espaço, em geral com passagem mais lenta do tempo e confusão no cálculo de distâncias. Isso pode ser especialmente perigoso, por exemplo, para quem está dirigindo ou atravessando uma rua e não consegue calcular a distância e velocidade de aproximação de outros veículos. Outro efeito bem conhecido é o aumento do apetite. Alguns outros efeitos do uso prolongado da droga podem ser a perda da memória recente, efeitos psíquicos (delírios e alucinações), perda de motivação e redução na produção de espermatozoides. A maioria desses efeitos costuma desaparecer após a interrupção do uso da droga. Atualmente, há inúmeras discussões a respeito da legalização e descriminalização da maconha. O conhecimento científico atual tem muitos argumentos contra e a favor do uso dos princípios ativos da maconha. Portanto, essa é uma discussão que está longe de terminar.

Para maiores conhecimentos a respeito do efeito de outras drogas, recomendo a consulta dos links a seguir:

The Science of Addiction: Genetics and the Brain – Mouse Party

Classificação das drogas psicotrópicas

Drogas psicotrópicas – o que são e como agem


É possível tornar a água do mar potável?
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Existe muito mais água nos oceanos e mares do que nos rios, lagos e geleiras. Estima­se que o volume da água dos oceanos seja de aproximadamente 1,5 · 1021 L. No entanto, o ser humano não pode usá-la para beber, nem para muitas outras finalidades, devido à existência de muitos sais dissolvidos nela. A tabela abaixo mostra os íons componentes de aproximadamente 99% desses sais.

(Fonte: Química, volume 2: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 151)

A Organização das Nações  Unidas (ONU) estima que cerca de 14% da população mundial será atingida pela escassez de água até 2025.  Considerando que os oceanos recobrem dois terços da superfície da Terra, não é surpreendente que suas águas sejam consideradas uma fonte de água potável em regiões onde o suprimento é insuficiente para atender à demanda humana.

Para obtermos água potável a partir da água dos oceanos, é possível utilizar um processo de dessalinização chamado Osmose Reversa. Ao aplicar  à solução de água oceânica uma pressão superior à pressão osmótica, provoca-se a passagem de moléculas do solvente da solução mais concentrada para a mais diluída. O esquema a seguir ilustra esse processo:

(Fonte: Química, volume 2: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 151)

A pressão osmótica da água do mar é de aproximadamente 30 atmosferas (atm) quando comparada com à da água pura. Então, para obtermos a sua osmose reversa, são necessárias pressões superiores a 30 atm. Por não necessitar de mudanças de estado físico da água e, portanto, de consumo de energia térmica, esse é o processo mais utilizado atualmente. A principal dificuldade para a utilização desse método é o desenvolvimento de membranas semipermeáveis de baixo custo, que permitam somente a passagem da água e impeçam a passagem dos solutos, e que possam ser usadas em larga escala por longos períodos sem que sejam danificadas pelas grandes pressões a que são submetidas.

Recentemente, os avanços na era da nanotecnologia, um dos mais promissores campos de pesquisa envolvendo ciências dos materiais, trouxe a possibilidade de técnicas de dessalinização da água do mar utilizando grafeno, uma das formas alotrópicas do carbono.

Na natureza, o elemento químico carbono (C) forma três variedades alotrópicas: diamante, grafite e fulereno. Essas três substâncias simples diferem entre si no arranjo dos átomos que formam o retículo cristalino.

A grafite apresenta anéis hexagonais planos.

(Fonte: Química, volume 1: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 233)

No diamante, cada átomo de carbono está ligado a quatro outros átomos de carbono formando um arranjo espacial.

(Fonte: Química, volume 1: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 233)

Os fulerenos apresentam uma forma semelhante à de uma bola de futebol, podendo ser composta por diferentes quantidades de átomos de carbono, por exemplo, 60 átomos de carbono (C60).

(Fonte: Química, volume 1: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 233)

Com o desenvolvimento da nanotecnologia, foram criadas novas variedades alotrópicas do carbono: grafeno e nanotubos de carbono.

Grafeno                                          Nanotubo de carbono

O grafeno consiste, basicamente, em uma única folha de grafite, na qual os átomos de carbono apresentam-se formando uma rede hexagonal.

(Fonte da imagem: pixabay)

Por se tratar de uma única folha, sua espessura é a de um átomo. Essa variedade alotrópica do carbono possui características específicas, como elevada resistência e flexibilidade, condutibilidade elétrica e térmica, além de ser muito leve.

Utilizando essa variedade alotrópica do carbono, um grupo de cientistas da Universidade de Manchester no Reino Unido desenvolveu uma espécie de “peneira” de óxido de grafeno.  Essa “peneira” tem a capacidade de remover os sais presentes na água do mar, sendo possível obter água potável. Apresenta-se, assim, como um método alternativo à osmose reversa.

Inicialmente, as “peneiras” de óxido de grafeno não se tinham mostradas eficientes para remover os íons provenientes do cloreto de sódio (NaCℓ), principal componente do sal de cozinha e presente em larga escala na água do mar. Essa ineficiência ocorria basicamente devido a uma alteração estrutural na “peneira”, quando em contato com a água. Tal problema permitia a passagem de espécies químicas indesejadas.

Para corrigir esse problema, os pesquisadores modificaram a estrutura através da utilização de resinas, que permitiu maior controle da permeabilidade da membrana em relação às espécies que a atravessavam ou que são retidas por ela, tornando o processo mais eficiente.

Um desafio quanto à aplicação das membranas de óxido de grafeno em larga escala é o preço do material. Apenas para efeito de comparação: o custo de um grama de ouro atualmente está em cerca de R$: 120,00, ao passo que um grama de grafeno custa cerca de R$: 350,00. Assim, se o custo das membranas semipermeáveis utilizadas no processo de osmose reversa já é elevado, o custo de produção das membranas de óxido de grafeno provavelmente será ainda mais.

Além do custo das membranas, mais testes em relação à durabilidade, quando expostas às condições de dessalinização a longo prazo, ainda precisam ser realizados para se verificar a real aplicabilidade nos processos de obtenção de água potável.

O grafeno é um novo material, produto das pesquisas na área da nanotecnologia, apresenta-se atualmente como grande promissor e com potencial aplicabilidade em várias áreas, tais como nas telecomunicações, na eletrônica e na energética. Vamos esperar, nos próximos anos, as revoluções tecnológicas que esse material pode proporcionar.

Bom estudo!

Referências:

http://super.abril.com.br/ciencia/peneira-de-grafeno-torna-agua-do-mar-potavel/ acesso em 11/04/2017
http://www.bbc.com/portuguese/geral-39483587  acesso em 11/04/2017
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/04/1872537-cientistas-criam-peneira-de-grafeno-que-torna-agua-do-mar-potavel.shtml acesso em 11/04/2017
http://www.dsc.ufcg.edu.br/~pet/jornal/outubro2013/materias/inovacoes_tecnologicas.html acesso em 11/04/ 2017  acesso em 11/04/2017
Química, volume 1: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014.  Pág 233-234
Química, volume 2: química geral / João Usberco, Edgard Salvador. – 15. ed. –  São Paulo: Saraiva, 2014. Pág 151-153

 


Água Virtual: Saiba o que é e por que pode cair nos exames
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*Por João Usberco

splash water

A água doce usada pelos seres vivos localiza-se principalmente em rios, lagos e abaixo da superfície do solo (água subterrânea). Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 80% irrigam as plantações, 12% são utilizados pelas indústrias e apenas 8% dessa água são destinados às residências.

Além de consumirmos  água  diretamente em nossas casas, também a consumimos quando compramos algum produto que a contenha em sua fabricação. No gráfico abaixo, são mostradas as quantidades de água utilizadas para a fabricação de alguns produtos.

Agua Virtual - grafico

A água que não está presente no produto é chamada de “água virtual”. Repare que a quantidade de água virtual varia de um produto para outro, e que alguns produtos têm uma grande quantidade de água virtual.

Devido ao grande consumo de água, na agricultura, nas industrias e em nossas residências, a água torna-se um bem extremamente valioso. Existem estudos que indicam que no ano de 2030, devido ao crescimento da população mundial e consequente aumento do consumo, teremos sérios problemas de escassez. E esse é um ponto de atenção diante dos vestibulares e no Enem, ou seja, como a falta de água afetará nossas vidas no futuro.

O uso responsável, o trabalho para se evitar os desperdícios, as mudanças de hábito, a valorização de políticas de consumo, como a dos 3Rs (reduzir, reutilizar, reciclar), são alguns dos assuntos que o estudante deve se ater para ir bem nos exames. E, mais do que isto, o estudo servirá também para a conscientização do aluno como cidadão no seu dia a dia.

Usberco_


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