Dicas de Vestibular

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Sim, vale a pena estudar Filosofia!
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Detalhe de “A Escola de Atenas”, de Rafael / Reprdoução

Em meio às recentes discussões sobre a reforma do Ensino Médio no Brasil, chegou-se a propor a retirada da Filosofia como disciplina obrigatória do nosso currículo escolar, junto com a Sociologia. Após reações da sociedade, o Legislativo reafirmou a exigência das matérias nas escolas.

Dessa forma, como em anos anteriores, o estudante que vai participar do Sisu e de exames vestibulares nas próximas edições deve, sim, dedicar-se ao estudo da Filosofia. Mas, considerando tantos conteúdos obrigatórios de todas as disciplinas, e diante de uma tradição de pensamento de mais de 2500 anos, o que o aluno deve priorizar?

A melhor forma de responder a isso é analisar o que vem sendo cobrado nos últimos anos. Os temas variam um pouco. Porém, ainda assim, é possível observar tendências e temáticas mais recorrentes. Devemos lembrar, antes de tudo, que as questões de Filosofia não costumam exigir apenas a memorização, tampouco apenas a capacidade de interpretação de textos. Geralmente, o estudante deve ser capaz de ler e compreender trechos de obras filosóficas e de comentadores, identificar seus conceitos mais relevantes, comparar obras e concepções, além de relacionar textos filosóficos a textos de outros campos, como poesias e letras de canções. Sendo assim, são questões de complexidade razoável, que exigem preparo e treinamento. Dito isso, um primeiro grupo de temas que merece destaque são aqueles relativos ao surgimento da Filosofia e aos primeiros filósofos.

“O Desprezo” (1963) / Reprodução

Grécia Antiga

É interessante estudar e compreender, por exemplo, o que diferencia a Filosofia e a Mitologia na Grécia Antiga, com ênfase para a importância da racionalidade das explicações filosóficas. Entre os primeiros filósofos, deve-se conhecer as linhas gerais dos chamados pensadores pré-socráticos. Aqui vale destacar duas questões: o problema do princípio (ou arché), iniciado pela ideia de Tales de que tudo se origina da água, e o problema do ser, evidenciado no debate entre Heráclito e Parmênides.

Montagem da gravura de René Descartes com o frontspício de “De Homine” / Reprodução

Teoria do Conhecimento

Outro assunto constantemente cobrado nas provas é a Teoria do Conhecimento, ramo da Filosofia que se pergunta, por exemplo, sobre o que somos capazes de saber e quais formas de conhecimento são mais válidas. Desse debate, destacam-se dois momentos: a Filosofia Antiga e a Moderna.

Quanto à primeira, é inescapável estudar a Teoria das Ideias de Platão, com ênfase sobre o Mito ou Alegoria da Caverna. Já na modernidade, é preciso compreender os fundamentos e os principais filósofos envolvidos no debate entre Racionalismo (Descartes) e Empirismo (Locke e Hume, principalmente). E, por fim, as provas também cobram um entendimento dos debates que questionaram esse pensamento moderno, realizados por pensadores como Nietzsche, Foucault e os autores da Escola de Frankfurt (como Adorno e Horkheimer).

Em linhas gerais, é preciso desenvolver uma visão crítica, ainda que panorâmica, sobre o surgimento da racionalidade ocidental, seus desenvolvimentos e as críticas feitas a ele.

Filosofia Política

A Filosofia Política também deve, naturalmente, fazer parte dos estudos, desde as ideias gerais de Platão e Aristóteles, até as concepções modernas. Destas últimas, destaca-se, em primeiro lugar, o surgimento do pensamento moderno sobre o político, com a obra de Maquiavel. A seguir, terá papel importante o debate sobre os fundamentos racionais da convivência social e da legitimidade do Estado, na obra dos chamados Contratualistas: Hobbes, Locke e Rousseau.

Detalhe do frontispício de “Leviatã”, de Thomas Hobbes / Reprodução

Ética

Por fim, mas não menos importante, tem sido constante a presença de questões sobre Ética. Da Antiguidade Grega, destaca-se a Filosofia de Aristóteles, com seus preceitos de justiça e virtude. Da modernidade em diante, é importante conhecer o debate entre filósofos que defendem uma ética de princípios ou deontológica (especialmente Kant) e aqueles que defendem uma ética relacionada às consequências das ações (especialmente os utilitaristas).

Esse conjunto de temas constitui o eixo central do que vem aparecendo nas questões do Enem e de vestibulares que cobram filosofia. É preciso estar atento, contudo, para o perfil particular de algumas provas. No caso da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), por exemplo, há questões sobre Filosofia da Ciência e correntes modernas do pensamento político, como liberalismo e socialismo. Já na Universidade Estadual de Londrina (UEL), os temas filosóficos são mais aprofundados e diversificados, incluindo conhecimentos do campo da lógica (especialmente aristotélica) e da estética, entre outros. A regra aqui sempre é priorizar os exames que são os principais objetivos de cada um, resolvendo exercícios de provas anteriores e observando os editais específicos.

São, de fato, muitos assuntos, ainda mais considerando a carga de estudos das demais disciplinas. Contudo é preciso notar que acertar questões de Filosofia pode ser um diferencial para quem opta por cursos mais concorridos. Mais do que isso, estudar Filosofia amplia os horizontes intelectuais e a capacidade de pensamento crítico, possibilita melhor compreensão de outras matérias, como Literatura e História, além de conferir repertório cultural para a Redação. Vale lembrar que, na sua última edição, a proposta de Redação para ingresso na Universidade de São Paulo (USP) tinha como base um texto de Kant, com o tema “O homem saiu de sua menoridade?”. Ou seja, mesmo exames que não cobram diretamente Filosofia, consideram fundamental  a familiaridade com as questões que marcaram e marcam a história do pensamento ocidental.


Estudar filosofia é essencial para ir bem nos vestibulares. Veja o porquê
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*Por Gianpaolo Dorigo

No ENEM, a prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias costuma dividir-se em três grandes blocos: História, Geografia e Filosofia/Sociologia, com um número semelhante de questões, em que pesem discretas variações de ano a ano. No caso da Filosofia, isso representa de 5 a 8 testes por prova, dentro do conjunto de 45 testes dessa prova. A principal habilidade necessária para responder corretamente os testes de Filosofia é o entendimento de texto.

Cerca de metade dos testes nas provas de 2009 a 2016 não exigiam nenhum conhecimento prévio de conteúdos filosóficos, mas somente a capacidade de leitura, entendimento e comparação de textos. Muitas vezes, a aparente “facilidade” das questões de entendimento é apenas ilusória, sendo conveniente algum tipo de familiaridade com essa modalidade específica de escrita que caracteriza o texto filosófico.

Quanto às questões efetivamente conteudistas, elas costuma abranger dois tópicos principais: Teoria do Conhecimento e Filosofia Política, quase sempre abordadas dentro do contexto da história do pensamento filosófico. Na Teoria do Conhecimento, os testes sobre o assunto giram em torno das principais correntes desenvolvidas na história da Filosofia, notadamente Platão e Aristóteles na Grécia Clássica e, principalmente, as correntes opostas do racionalismo e do empirismo a partir da época Moderna.

Dessa forma, tem sido comum a identificação de conceitos essenciais em pensadores como Descartes (racionalismo) e Hume (empirismo), além da comparação entre textos desses dois autores. Como exemplo, o teste extraído da prova de 2016:

Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias. (Descartes, R. Regras para a orientação do espírito)

Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da

a) Investigação de natureza empírica
b) Retomada da tradição intelectual
c) Imposição de valores ortodoxos
D) Autonomia do sujeito pensante
e) Liberdade do agente moral

Em Filosofia Política, os testes buscam identificar as principais correntes do pensamento político ocidental, sobretudo a partir da tradição liberal-iluminista e lançando mão de textos clássicos para determinar o comando da questão. Nesse contexto, destacam-se as obras de contratualistas como Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Segue um exemplo extraído da prova de 2015:

A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar. (HOBBES, T. Leviatã. São Paulo Martins Fontes, 2003)

Para Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, quando dois homens desejavam o mesmo objeto, eles

A) entravam em conflito.
b) recorriam aos clérigos.
c) consultavam os anciãos.
d) apelavam aos governantes.
e) exerciam a solidariedade. 

Nos últimos anos, começaram a se tornar frequentes no ENEM algumas questões sobre Ética. Trata-se quase sempre de testes bastante abrangentes, que pedem não apenas da leitura e entendimento de textos clássico, como também lançam mão de questões contemporâneas, como, por exemplo, aquelas decorrentes do impacto do desenvolvimento científico e da aplicação de novas tecnologias. Um exemplo, da prova de 2014:

Panayiotis Zavos “quebrou” o último tabu da clonagem humana — transferiu embriões para o útero de mulheres, que os gerariam. Esse procedimento é crime em inúmeros países. Aparentemente, o médico possuía um laboratório secreto, no qual fazia seus experimentos. “Não tenho nenhuma dúvida de que uma criança clonada irá aparecer em breve. Posso não ser eu o médico que irá criá-la, mas vai acontecer”, declarou Zavos. “Se nos esforçarmos, podemos ter um bebê clonado daqui a um ano, ou dois, mas não sei se é o caso. Não sofremos pressão para entregar um bebê clonado ao mundo. Sofremos pressão para entregar um bebê clonado saudável ao mundo.” (CONNOR, S. Disponível em: www.independent.co.uk. Acesso em: 14 ago. 2012)

A clonagem humana é um importante assunto de reflexão no campo da bioética que, entre outras questões, dedica-se a:

A) refletir sobre as relações entre o conhecimento da vida e os valores éticos do homem.
b) legitimar o predomínio da espécie humana sobre as demais espécies animais no planeta.
c) relativizar, no caso da clonagem humana, o uso dos valores de certo e errado, de bem e mal.
d) legalizar, pelo uso das técnicas de clonagem, os processos de reprodução humana e animal.
e) fundamentar técnica e economicamente as pesquisas sobre células-tronco para uso em seres humanos.

Bom estudo!


O que estudar em Filosofia para o Enem?
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*Por Gianpaolo Dorigo

Raphael_School_of_Athens

Em 2009 ocorreu uma mudança no perfil da prova do ENEM, um verdadeira “guinada conteudista”: ao invés de somente medir Habilidades e Competências, as provas passaram a exigir o conhecimento de uma série de conteúdos, associados às disciplinas do Ensino Médio. Desde então, Filosofia começou a ocupar um espaço cada vez maior na prova, conforme observado no gráfico abaixo:

GRAFICO ENEM

Muitas vezes a distinção entre uma questão de Filosofia e uma de História ou Sociologia é muito sutil, dada a proximidade dos assuntos tratados por esses campos de saber. Isso significa que os números da tabela são aproximados, embora indiquem uma tendência evidente de ampliação do espaço dedicado à Filosofia.

Dentro desse universo de questões, observa-se uma diversidade bastante grande de assuntos abordados, mas mesmo assim algumas tendências são perceptíveis no que se refere aos conteúdos: trata-se de uma preferência pelo questionamento de autores tradicionais na história do pensamento filosófico e assuntos considerados básicos.

No que se refere aos assuntos, do total das questões propostas, 10 tratam de Teoria do Conhecimento e 7 de Filosofia Política, o que é suficiente para identificar a ênfase da prova  nesses assuntos. Em Teoria do Conhecimento, os assuntos básicos são tratados, com ênfase nas ideias de Platão e no racionalismo cartesiano, bem como o contraste dessa corrente de pensamento com o empirismo. Aliás, as ideias do filósofo francês René Descartes são uma preferência da banca examinadora, com textos seus tendo sido utilizados nada menos que 4 vezes nas provas examinadas. Em segundo plano, aparece a caracterização do conhecimento científico e o surgimento das ciências como campo especializado do saber.

Em Filosofia Política, há uma forte tendência em questionar o conhecimento sobre os pensadores contratualistas, como Hobbes, Locke e Montesquieu. Levando em consideração outros critérios (como a importância do autor nos departamentos de filosofia e as aparentes preferências da banca), também merecem destaque as ideias dos filósofos Jürgen Habermas e Michel Foucault, aliás já devidamente contemplados em edições do ENEM a partir de 2009.

Finalmente, um dos aspectos que mais chama atenção na parte de Filosofia da prova do ENEM refere-se não ao conteúdo, mas à forma das questões. No conjunto examinado, nada menos que 18 questões limitam-se essencialmente ao entendimento de texto. Em outras palavras, não exigem conhecimento prévio de Filosofia ou história do pensamento filosófico, mas apenas a capacidade de ler e entender um texto apresentado. Nesse número incluem-se 4 questões que pediam a comparação entre textos de dois autores diferentes.

A partir dos dados examinados, pode-se compor um programa de estudos básico para a prova de Filosofia do ENEM, incluindo o conhecimento dos seguintes conteúdos:

– fundamentos da Filosofia em Platão;

– principais correntes da Filosofia Moderna: racionalismo cartesiano e empirismo;

– características do discurso científico;

– o contratualismo na Filosofia Política;

– conceitos essenciais de Habermas e Foucault.

Além disso acrescenta-se a necessidade de alguma familiaridade com o texto filosófico, bem como a necessária capacidade de entendimento e comparação entre ideias presentes em textos diferentes.

Gianpaolo_Dorigo


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