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DSTs: como essas doenças podem cair no vestibular?

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28/05/2018 13h42

As doenças sexualmente transmissíveis acompanham a humanidade há milênios. Embora muita informação esteja disponível, ainda pairam muitas dúvidas entre as pessoas. O assunto também pode aparecer nos vestibulares e no ENEM, portanto é bom entender um pouco melhor sobre o assunto.

            Uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) que tem preocupado os órgãos de saúde é a sífilis. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2015 e 2016, houve um aumento de 27,9% dessa doença no Brasil. Ela é causada pela bactéria Treponema pallidum e facilmente transmitida nas relações sexuais sem camisinha.

Os sintomas se manifestam por volta de 10 a 90 dias após a contaminação e se apresentam na forma de feridas (cancro duro) que podem aparecer não só nos órgãos genitais, mas também na boca ou em outra parte do corpo com a qual a bactéria tenha tido contato. Em geral não há dor, coceira ou ardência no local. Em um segundo momento, os sintomas podem evoluir para manchas avermelhadas na pele, febre, falta de apetite, etc. É nesses estágios iniciais que a doença apresenta o maior risco de contaminação.

Após esses dois estágios, a doença pode regredir sozinha e entrar em um estágio assintomático, mas isso não representa uma cura. Depois de ficar encubada por um período que varia de 2 a 40 anos, podem surgir sintomas bem mais severos, como lesões cardiovasculares, neurológicas, na pele, nos olhos, nos ossos, etc.

A sífilis pode também ser transmitida por transfusões de sangue e pela placenta durante a gestação (transmissão transplacentária), podendo causar más-formações, aborto e até a morte do feto. Quando nasce, a criança pode apresentar feridas pelo corpo, cegueira, má-formação dentária, surdez, pneumonia, deficiência mental, etc. A sífilis congênita, como é conhecida, praticamente dobrou entre 2010 e 2015. Por se tratar de doença causada por bactéria, o tratamento é feito com antibióticos.

Outra bactéria que pode ser transmitida no ato sexual é a Neisseria gonorrhoeae, causadora da gonorreia ou blenorragia, uma das DSTs mais comuns no mundo. Os sintomas aparecem rapidamente, de 1 a 8 dias após o contágio. A bactéria se instala principalmente na uretra onde se reproduz causando dor e ardência ao urinar e produção de pus. Esses sintomas aparecem na maioria dos homens contaminados, mas podem não aparecer nas mulheres que, sem saber que estão contaminadas, correm o risco do agravamento da infecção. Sem tratamento, a bactéria invade outras partes do corpo, podendo causar problemas sérios. Nos homens, os mais comuns são inflamação dos testículos e da próstata e, nas mulheres, a doença pélvica inflamatória, que acomete o útero, os ovários e as tubas uterinas. Em ambos os casos, pode haver infertilidade. Mulheres grávidas contaminadas podem transmitir a bactéria ao bebê, levando a eventual parto prematuro e graves lesões oculares.

Um dado alarmante é que os antibióticos usados em larga escala no tratamento dessa doença acabaram selecionando variedades resistentes da bactéria, limitando as opções de antibióticos para o tratamento atualmente. A seleção de bactérias resistentes a antibióticos é um tema de grande incidência nos vestibulares e no ENEM.

A Chlamydia trachomatis é outra bactéria transmitida sexualmente que provoca uma DST denominada clamídia. Os sintomas são muito parecidos com os da gonorreia, embora mais brandos, o que pode levar à confusão no diagnóstico. Felizmente ambas podem ser combatidas com o mesmo antibiótico (Azitromicina), em dose única.

Quando se fala em DST, é fundamental comentar sobre a AIDS (SIDA no português – síndrome da imunodeficiência adquirida) e o retrovírus causador dessa doença, o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Dados do Ministério da Saúde vêm mostrando um aumento do número de jovens contaminados, principalmente entre 15 e 19 anos de idade, com maior incidência entre os homens.

O HIV ataca os linfócitos T, células do sistema imunológico que regulam a produção de anticorpos pelos linfócitos B. Dessa forma, a defesa do organismo fica prejudicada e pode ocorrer contaminação por outras infecções, as quais podem levar o paciente à morte. Um indivíduo pode ser portador do vírus (soropositivo) sem apresentar sintomas da doença, mesmo assim, ele pode transmiti-lo a pessoas saudáveis nas relações sexuais sem preservativo ou por transfusão de sangue. A transmissão vertical (da mãe infectada para o filho) também pode ocorrer, por isso é importante que no pré-natal a mulher saiba se está contaminada para usar o coquetel de medicamentos antirretrovirais, a fim de controlar a população do vírus e impedir a transmissão ao filho.

O tratamento da AIDS é feito com vários medicamentos combinados (coquetel), dentre os quais está o AZT, um antiviral que inibe a ação da transcriptase reversa, enzima fundamental na transformação do RNA viral em DNA viral, que irá controlar a multiplicação de novos vírus nos linfócitos T. O tratamento pode manter a pessoa infectada com vida normal, mesmo não correspondendo à cura da doença com eliminação do vírus. Embora a maioria dos pacientes responda bem ao coquetel, alguns são acometidos por efeitos colaterais, como danos no fígado e nos rins, doenças coronarianas, diarreias, enjoos, etc. Sem tratamento, a pessoa desenvolve a AIDS e passa a apresentar dores na cabeça, na garganta e nos músculos, febre, ínguas etc., até que infecções oportunistas encontrem o corpo já debilitado e se instalem, podendo levar o indivíduo à morte. No Brasil, desde 1996, todas as pessoas com AIDS têm o direito de receber gratuitamente do governo os medicamentos antirretrovirais.

Outro vírus que tem se espalhado com frequência é o papiloma vírus humano (HPV), que causa uma doença chamada condiloma acuminado, popularmente conhecida como crista de galo. Esse vírus está relacionado à maioria dos tumores de colo de útero (ou câncer cervical), que é um dos mais comum em mulheres. Ao contrário do que muita gente pensa, o vírus também está associado, em menor proporção, a câncer de vagina, vulva, ânus e pênis.

Embora associado ao câncer, a maioria das pessoas saudáveis que se contaminam com o HPV acabam conseguindo combater o vírus e eliminá-lo do organismo. Entre 10 e 20% dos pacientes não conseguem eliminar o vírus do corpo e dentre eles, as mulheres ficam suscetíveis a desenvolver o câncer cervical. O desenvolvimento de tumores leva, em geral, muitos anos. Os exames periódicos, como o de Papanicolau, podem detectar as lesões causadas pelo vírus e permitir que se comece um tratamento para eliminar o problema que pode ir de uma cauterização química até uma cirurgia para a retirada do tumor.

A boa notícia em relação ao HPV é que há vacina que pode evitar a contaminação. Ela é feita com os subtipos virais 6, 11, 16 e 18, e não com todas as variedades, o que significa que pode haver contaminação por um outro subtipo viral, mesmo que a pessoa esteja vacinada. Mesmo assim, a vacina é recomendada, pois aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo de útero são causados pelas variedades 16 e 18.

A vacina deve ser tomada a partir dos 9 anos, preferencialmente pelas meninas, antes de se iniciar a vida sexual. Lembre-se de que as vacinas inoculam o antígeno (no caso do HPV os vírus estão enfraquecidos) para que o indivíduo produza os próprios anticorpos, por isso não adiantaria vacinar pessoas que já estão contaminadas.

A única prevenção para todas as DSTs citadas neste texto é evitar o contato com os microrganismos causadores, o que deve incluir, principalmente, o uso de preservativos nas relações sexuais. Atualmente muitos jovens se preocupam em prevenir a gravidez e utilizam métodos como pílulas anticoncepcionais, esquecendo-se de que o preservativo não só previne a gravidez como diminui muito a chance de contágio das DSTs.

As doenças citadas estão entre as DSTs mais importantes. O candidato aos vestibulares e ao ENEM deve conhecer aquelas causadas por vírus e as causadas por bactérias. Deve conhecer o ciclo de vida do HIV, sua célula hospedeira (linfócito T) e saber por que causa imunodeficiência. A ação das vacinas, como do HPV e dos soros, também é assunto recorrente nos principais exames.

Sobre os Autores

O Dicas de Vestibular é produzido e atualizado pelos professores do Anglo Vestibulares e do Sistema Anglo de Ensino.

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