vestibular – Dicas de Vestibular http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br Neste espaço, o vestibulando vai encontrar orientações, conteúdos que mais caem nas provas e dicas para se sair bem nos processos seletivos e no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). O conteúdo também pode ser útil aos interessados em provas de concursos. Mon, 14 Aug 2017 17:32:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Sim, vale a pena estudar Filosofia! http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/08/14/sim-vale-a-pena-estudar-filosofia/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/08/14/sim-vale-a-pena-estudar-filosofia/#respond Mon, 14 Aug 2017 17:32:34 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1296

Detalhe de “A Escola de Atenas”, de Rafael / Reprdoução

Em meio às recentes discussões sobre a reforma do Ensino Médio no Brasil, chegou-se a propor a retirada da Filosofia como disciplina obrigatória do nosso currículo escolar, junto com a Sociologia. Após reações da sociedade, o Legislativo reafirmou a exigência das matérias nas escolas.

Dessa forma, como em anos anteriores, o estudante que vai participar do Sisu e de exames vestibulares nas próximas edições deve, sim, dedicar-se ao estudo da Filosofia. Mas, considerando tantos conteúdos obrigatórios de todas as disciplinas, e diante de uma tradição de pensamento de mais de 2500 anos, o que o aluno deve priorizar?

A melhor forma de responder a isso é analisar o que vem sendo cobrado nos últimos anos. Os temas variam um pouco. Porém, ainda assim, é possível observar tendências e temáticas mais recorrentes. Devemos lembrar, antes de tudo, que as questões de Filosofia não costumam exigir apenas a memorização, tampouco apenas a capacidade de interpretação de textos. Geralmente, o estudante deve ser capaz de ler e compreender trechos de obras filosóficas e de comentadores, identificar seus conceitos mais relevantes, comparar obras e concepções, além de relacionar textos filosóficos a textos de outros campos, como poesias e letras de canções. Sendo assim, são questões de complexidade razoável, que exigem preparo e treinamento. Dito isso, um primeiro grupo de temas que merece destaque são aqueles relativos ao surgimento da Filosofia e aos primeiros filósofos.

“O Desprezo” (1963) / Reprodução

Grécia Antiga

É interessante estudar e compreender, por exemplo, o que diferencia a Filosofia e a Mitologia na Grécia Antiga, com ênfase para a importância da racionalidade das explicações filosóficas. Entre os primeiros filósofos, deve-se conhecer as linhas gerais dos chamados pensadores pré-socráticos. Aqui vale destacar duas questões: o problema do princípio (ou arché), iniciado pela ideia de Tales de que tudo se origina da água, e o problema do ser, evidenciado no debate entre Heráclito e Parmênides.

Montagem da gravura de René Descartes com o frontspício de “De Homine” / Reprodução

Teoria do Conhecimento

Outro assunto constantemente cobrado nas provas é a Teoria do Conhecimento, ramo da Filosofia que se pergunta, por exemplo, sobre o que somos capazes de saber e quais formas de conhecimento são mais válidas. Desse debate, destacam-se dois momentos: a Filosofia Antiga e a Moderna.

Quanto à primeira, é inescapável estudar a Teoria das Ideias de Platão, com ênfase sobre o Mito ou Alegoria da Caverna. Já na modernidade, é preciso compreender os fundamentos e os principais filósofos envolvidos no debate entre Racionalismo (Descartes) e Empirismo (Locke e Hume, principalmente). E, por fim, as provas também cobram um entendimento dos debates que questionaram esse pensamento moderno, realizados por pensadores como Nietzsche, Foucault e os autores da Escola de Frankfurt (como Adorno e Horkheimer).

Em linhas gerais, é preciso desenvolver uma visão crítica, ainda que panorâmica, sobre o surgimento da racionalidade ocidental, seus desenvolvimentos e as críticas feitas a ele.

Filosofia Política

A Filosofia Política também deve, naturalmente, fazer parte dos estudos, desde as ideias gerais de Platão e Aristóteles, até as concepções modernas. Destas últimas, destaca-se, em primeiro lugar, o surgimento do pensamento moderno sobre o político, com a obra de Maquiavel. A seguir, terá papel importante o debate sobre os fundamentos racionais da convivência social e da legitimidade do Estado, na obra dos chamados Contratualistas: Hobbes, Locke e Rousseau.

Detalhe do frontispício de “Leviatã”, de Thomas Hobbes / Reprodução

Ética

Por fim, mas não menos importante, tem sido constante a presença de questões sobre Ética. Da Antiguidade Grega, destaca-se a Filosofia de Aristóteles, com seus preceitos de justiça e virtude. Da modernidade em diante, é importante conhecer o debate entre filósofos que defendem uma ética de princípios ou deontológica (especialmente Kant) e aqueles que defendem uma ética relacionada às consequências das ações (especialmente os utilitaristas).

Esse conjunto de temas constitui o eixo central do que vem aparecendo nas questões do Enem e de vestibulares que cobram filosofia. É preciso estar atento, contudo, para o perfil particular de algumas provas. No caso da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), por exemplo, há questões sobre Filosofia da Ciência e correntes modernas do pensamento político, como liberalismo e socialismo. Já na Universidade Estadual de Londrina (UEL), os temas filosóficos são mais aprofundados e diversificados, incluindo conhecimentos do campo da lógica (especialmente aristotélica) e da estética, entre outros. A regra aqui sempre é priorizar os exames que são os principais objetivos de cada um, resolvendo exercícios de provas anteriores e observando os editais específicos.

São, de fato, muitos assuntos, ainda mais considerando a carga de estudos das demais disciplinas. Contudo é preciso notar que acertar questões de Filosofia pode ser um diferencial para quem opta por cursos mais concorridos. Mais do que isso, estudar Filosofia amplia os horizontes intelectuais e a capacidade de pensamento crítico, possibilita melhor compreensão de outras matérias, como Literatura e História, além de conferir repertório cultural para a Redação. Vale lembrar que, na sua última edição, a proposta de Redação para ingresso na Universidade de São Paulo (USP) tinha como base um texto de Kant, com o tema “O homem saiu de sua menoridade?”. Ou seja, mesmo exames que não cobram diretamente Filosofia, consideram fundamental  a familiaridade com as questões que marcaram e marcam a história do pensamento ocidental.

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Entenda a demarcação das terras indígenas e a PEC 215 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/08/07/a-demarcacao-das-terras-indigenas-e-a-pec-215/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/08/07/a-demarcacao-das-terras-indigenas-e-a-pec-215/#respond Mon, 07 Aug 2017 16:07:37 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1285

Martírio (2016)/ Divulgação

Segundo estimativas históricas, o espaço que um dia se transformou no Brasil, apresentava, no início do século XVI, uma população indígena de 5 milhões de habitantes. Porém, o que se viu ao longo desses mais de quinhentos anos foi um intenso processo de expropriação territorial e a dizimação dos habitantes originais do do então território que se tornaria Brasil. Ao se julgarem donos das terras, os portugueses extinguiram várias aldeias, obrigando parcela considerável de indígenas a realizar trabalhos forçados. Sua escravização foi auxiliada em grande parte pela ação dos bandeirantes, caçadores de nativos e também responsáveis pela morte de diversos deles. Houve outro elemento que agravou ainda mais a situação: muitas doenças trazidas por europeus e africanos, tais como sarampo, febre amarela, varíola e malária potencializaram o desaparecimento de enormes contingentes autóctones.

É sob essa breve linha histórica, de genocídio e etnocídio que compreendemos na atualidade a existência de uma pequena parcela de descendentes dos diversos povos que habitaram o Brasil. Hoje, a população indígena autodeclarada corresponde a cerca de 800 mil indivíduos, distribuídos em 215 etnias, com 170 línguas diferentes. Desses, 60% encontram-se na chamada Amazônia Legal, em Terras Indígenas (TI) delimitadas pelo Governo Federal. Somadas, suas áreas totalizam uma extensão correspondente a 12% do território nacional. É dessa superfície que eles retiram seus recursos para a subsistência e mantêm suas tradições e seus conhecimentos.

A Constituição Brasileira, promulgada em 1988, assegura aos povos indígenas a posse permanente das Terras Indígenas, cabendo-lhes o uso exclusivo das riquezas presentes em seu interior. É da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a responsabilidade pela fiscalização e proteção dessas áreas, incluindo a proibição de qualquer invasão. Até o presente momento, cabe ao Presidente da República, representante máximo do Poder Executivo, a sanção final para o estabelecimento de uma nova TI. Porém, tal situação tende a mudar.

Desde o ano 2000, tramita uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que recebeu o número 215. Ela propõe que as demarcações de Terras Indígenas, a titulação das Áreas Quilombolas (também denominadas Terras de Preto), bem como as Unidades de Conservação Ambiental, passem a ser uma responsabilidade exclusiva do Poder Legislativo, ou seja, do Congresso Nacional, composto pela Câmara dos Deputados e Senado Federal. Tal proposta potencializa o fortalecimento dos interesses da chamada Bancada Ruralista, nome dado ao conjunto de deputados e senadores que defendem os interesses do agronegócio. Na maioria das vezes, tal grupo socioeconômico coloca-se contrário a medidas de proteção ao meio ambiente ou a preservação de espaços voltados para povos nativos.

Como o número de deputados e senadores engajados na defesa dos povos nativos é muito pequeno, a aprovação efetiva da PEC 215 gera maior discriminação, bem como acirra as rivalidades entre os produtores rurais e os indígenas, em determinados espaços geográficos do País. Estados como o Maranhão e Pará registram tensões e conflitos, que muitas vezes culminam em verdadeira guerra civil entre interesses antagônicos. De certa maneira, a implantação da Proposta de Emenda Constitucional potencializa, direta ou indiretamente, a legalização das práticas do genocídio e etnocídio em relação aos povos tradicionais desse País.

A falta de perspectivas reais para promoção do convívio entre as diversidades mostra o retrocesso social e histórico em que estamos envolvidos.

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As aulas voltaram! E agora? http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/07/31/as-aulas-voltaram-e-agora/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/07/31/as-aulas-voltaram-e-agora/#respond Mon, 31 Jul 2017 17:24:34 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1274

Olá, pessoal!

A discussão de agora é como devemos nos preparar para o vestibular. A grande verdade sobre este momento é: não existe receita milagrosa. O ato de estudar é muito particular, cada um tem o seu estilo. Porém, existem algumas atitudes que são fundamentais para se ter um bom rendimento nos estudos.

Independentemente do seu estilo de estudar, é fundamental ter organização, foco, determinação e – acima de tudo – vontade de estudar. O aluno que se prepara para um vestibular tem que estar ciente de que agora ele está em outra fase, outro patamar da vida e não conseguirá seus objetivos se ainda mantiver aquelas atitudes do Ensino Médio, de estudar um dia antes da prova, ou pior, estudar por obrigação.

O estudante que está se preparando para o vestibular deve aprender a ter prazer no ato de estudar. Enquanto a motivação for “estudar por obrigação”, ou for “estudar sem vontade”, dificilmente terá algum rendimento positivo nos seus estudos.


O ato de estudar deve ser prazeroso, e mais, o ato de estudar deve ser contínuo. Todos os dias deve-se estudar. Por isso, a organização de quais matérias e assuntos que deverão ser estudados ao longo dos dias é fundamental para que não se estude determinados assuntos com muita frequência, ou para que outros fiquem sem ser estudados.

Portanto, queridos alunos, desde já comece a mudar suas atitudes, e elas começam no ato de assistir à aula, ser assíduo, não conversar ou ficar olhando celulares. Lembre-se de que os seus estudos começam com uma boa aula bem assistida e, depois, terminam com o seu esforço em casa na realização das tarefas!

Um grande abraço a todos e, assim, bons estudos!

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Plasma: o estado físico predominante no universo http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/07/17/plasma-o-estado-fisico-predominante-no-universo/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/07/17/plasma-o-estado-fisico-predominante-no-universo/#respond Mon, 17 Jul 2017 16:30:20 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1255

Raios e os arranha-céus de Atlanta, nos EUA / David Selby: Wikimedia Commons

A natureza costuma nos presentear com diversas imagens que são, ao mesmo tempo, belas e assustadoras. Os raios são um dos grandes exemplos disso. Talvez você já tenha se perguntado: do que é feito um raio? Qual seu estado físico, sólido, líquido ou gasoso?

Na realidade, nenhum dos três… O estado físico dos raios é chamado de plasma. Ele constitui o estado físico predominante no universo. Além dos raios, na natureza encontramos plasma na ionosfera, nas auroras boreal e austral, no fogo fátuo, nas estrelas, por consequência das reações de fusão nuclear, no vento solar nas nebulosas interestelares. O homem já desenvolveu tecnologia que utiliza plasma: telas de televisão de plasma, arco elétrico em lâmpadas a arco voltaico, arco de solda, lâmpadas fluorescentes.

No plasma encontramos moléculas de gás, gás ionizado e elétrons. Possui em sua estrutura tanto partículas com carga elétrica positiva (gás ionizado) quanto partículas com carga elétrica negativa (elétrons), mas em quantidades praticamente iguais, tornando-o eletricamente neutro. Como os gases, os plasmas possuem forma e volume dos recipientes que os contém (quando for o caso). Mas as semelhanças com os gases terminam por aí. Devido a sua estrutura contendo portadores de carga elétrica, o plasma é bastante condutor elétrico, enquanto um gás possui condutividade elétrica muito baixa. Os gases são constituídos por um único tipo de partícula, a molécula que o constitui, enquanto o plasma é formado por três (moléculas de gás, gás ionizado e elétrons).

Globo de plasma

Basicamente, para se obter plasma é necessário aquecer razoavelmente um gás, provocando a quebra das ligações atômicas, e também levando à ionização de parte desses átomos. É o que acontece, por exemplo, no nosso Sol. Artificialmente, pode-se produzir plasma através do estabelecimento de uma corrente elétrica em um gás. Como um gás é um material dielétrico, ou seja, um material não condutor elétrico, deve-se utilizar um gerador que forneça uma determinada diferença de potencial (ddp), para formar um campo elétrico na região onde está o gás, intenso o suficiente para ionizá-lo e transformá-lo em plasma. Quando tal transformação ocorre, estabelece-se uma corrente elétrico através do plasma, formando um arco elétrico luminoso entre os polos do gerador.

Em uma tempestade elétrica, nuvens adquirem cargas elétricas elevadas, levando à formação de um campo elétrico entre as nuvens, ou entre as nuvens e o solo. Se esse campo elétrico for intenso o suficiente, o ar da região é ionizado, formando plasma, que, por ser condutor, permite que ocorram as descargas elétricas. Essas descargas elétricas são chamadas de raios.
Agora que você já aprendeu um pouquinho sobre plasmas, aprofunde seus conhecimentos e tente explicar o que acontece em um globo de plasma, como o da figura a seguir.

 

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Como as drogas agem no nosso organismo http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/07/10/como-as-drogas-agem-no-nosso-organismo/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/07/10/como-as-drogas-agem-no-nosso-organismo/#respond Mon, 10 Jul 2017 17:19:37 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1243

Drogas são substâncias capazes de alterar tanto as funções fisiológicas como psicológicas comportamentais de um organismo. Nesse sentido, um laxante e o crack podem ser classificados como drogas, mas é no sentido mais conhecido, e no menos benéfico, que o termo é mais utilizado.

Dentre as drogas lícitas estão o tabaco, os ansiolíticos (calmantes), a cafeína e o álcool.

O álcool é a droga lícita que mais causa prejuízos à saúde humana no mundo. Ele age sobre o sistema nervoso alterando o comportamento e podendo inclusive levar à dependência. O seu consumo  promove, inicialmente, a desinibição, relaxamento e euforia. Em um segundo momento começam a aparecer os efeitos depressores, como dificuldade de fala e de raciocínio, lentidão de reflexos, piora da coordenação motora e alteração de comportamento. Um indivíduo alcoolizado risonho pode de repente transformar-se em um sujeito violento. Esses efeitos reunidos podem causar  um grande número de problemas, como a violência doméstica e acidentes de trânsito, muitos deles com morte ou invalidez permanente.

As drogas ilícitas mais preocupantes são as psicotrópicas, isto é, as que alteram a cognição, o humor e o comportamento, podendo causar dependência. Essas substâncias podem ser classificadas, segundo o pesquisador e psiquiatra francês Louis Chaloult, em: depressoras, estimulantes e perturbadoras.

As drogas depressoras diminuem a atividade do Sistema Nervoso Central (SNC), fazendo com que passe a funcionar mais lentamente, como é o caso dos inalantes (cola e outros solventes), soníferos, ansiolíticos etc.

As drogas estimulantes aceleram a atividade do SNC, aumentando o estado de vigília (diminui o sono) e a coordenação motora. Nesse grupo encontra-se a cocaína e sua variante mais polêmica na atualidade, o crack.

A cocaína inibe a recaptação dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina da fenda sináptica, potencializando seus efeitos que levam à sensação de euforia, aumento das atividades motoras e intelectuais, perda do sono, do cansaço e do apetite. Na sua forma em pó é bem solúvel em água, facilitando sua inalação ou a diluição para injetá-la diretamente nas veias. O crack é uma variação da cocaína, porém é pouco solúvel em água. No entanto, ao ser aquecido, volatiliza com facilidade, podendo ser fumado utilizando cachimbos, forma pela qual os efeitos ocorrem mais rapidamente – de  10 a 15 segundos. Depois de uns 5 minutos a droga já foi metabolizada, estimulando o usuário a consumí-la  novamente, o que denota seu  alto poder viciante.

Dentre as drogas perturbadoras estão a maconha, o êxtase e o LSD.

O sistema nervoso produz naturalmente uma substância, a anandamida, que age nos receptores canabinoides do sistema nervoso. O THC, princípio ativo da maconha, age nos mesmos receptores, amplificando suas sensações. Os efeitos agudos (mais imediatos) da maconha podem ser sensação de paz, bem-estar ou angústia, hilaridade (vontade de rir), diminuição do cansaço, etc. Durante seu efeito, há evidente alteração na percepção de tempo e espaço, em geral com passagem mais lenta do tempo e confusão no cálculo de distâncias. Isso pode ser especialmente perigoso, por exemplo, para quem está dirigindo ou atravessando uma rua e não consegue calcular a distância e velocidade de aproximação de outros veículos. Outro efeito bem conhecido é o aumento do apetite. Alguns outros efeitos do uso prolongado da droga podem ser a perda da memória recente, efeitos psíquicos (delírios e alucinações), perda de motivação e redução na produção de espermatozoides. A maioria desses efeitos costuma desaparecer após a interrupção do uso da droga. Atualmente, há inúmeras discussões a respeito da legalização e descriminalização da maconha. O conhecimento científico atual tem muitos argumentos contra e a favor do uso dos princípios ativos da maconha. Portanto, essa é uma discussão que está longe de terminar.

Para maiores conhecimentos a respeito do efeito de outras drogas, recomendo a consulta dos links a seguir:

The Science of Addiction: Genetics and the Brain – Mouse Party

Classificação das drogas psicotrópicas

Drogas psicotrópicas – o que são e como agem

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Veja maneiras diferenciadas de estudar Biologia nas férias http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/07/03/veja-dicas-para-estudar-biologia-nas-ferias/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/07/03/veja-dicas-para-estudar-biologia-nas-ferias/#respond Mon, 03 Jul 2017 18:26:43 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1221

As férias chegaram, enfim! E agora, o que eu faço?

Pois é, estudantes têm sempre essa dúvida. Afinal, é uma felicidade que chega, mas por ser um período menos intenso de estudos, vem a sensação de que devemos estar fazendo algo mais produtivo, para atingir o objetivo de ingressar na faculdade desejada.

Pensar assim é normal, e passa pela cabeça de todos. Aqui vão duas estratégias para organizar as férias:

Se você estiver com muito cansaço, é muito importante que inicie as férias descansando, distraindo a mente com lazeres bem agradáveis. Depois disso, é bem produtivo retomar os estudos em ritmo mais suave do que o período de aulas.

Mas, se você estiver muito bem, em bom estado físico e mental, pode aproveitar e se dedicar aos estudos e ao descanso, de modo que não chegue sem energia para o segundo semestre.

Agora, a pergunta que todos se fazem: existe outro jeito para estudar, sem ter de usar apostilas, livros e o site do cursinho o tempo todo?

Sim, é possível estudar sem ter aquela sensação de “maratona”. Aí vão algumas dicas:

Visite museus e zoológicos. Você vai ficar cara a cara com coisas que aprendeu em livros e vídeos.

Os canais de TV são fonte de muita coisa relevante. Fique atento às programações e selecione as mais interessantes.

Na internet, você pode acessar vídeos muito bons! Confira a lista especialmente selecionada para você:

Sobre o CRISPR-CAS 9, assunto novo da genética, que já está caindo nas provas

Reprodução

Ciclo reprodutivo do HIV

Produção de RNA no núcleo da célula e a produção de proteínas no citoplasma

A relação entre o material genético e as características dos seres vivos

Mitose

Meiose

Reprodução

Desde a fecundação até o nascimento

Evolução biológica – O que Darwin nunca soube

Digestão humana

Sistema excretor humano (em inglês e com legendas em português)

Reprodução

Impulso nervoso e sinapse sem locução, você mesmo tem que reconhecer os eventos que acontecem

Como atuam os esteroides

A ação da insulina

Condução de seivas em plantas

Reprodução

Fotossíntese no cloroplasto

Também sobre fotossíntese, porém é muito mais completo

Ciclo reprodutivo e bem detalhado das angiospermas

A dupla fecundação em angiospermas

Reprodução

 

Estude com criatividade. Tenha ótimas férias!

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5 dicas para aproveitar as férias sem prejudicar os estudos http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/06/29/5-dicas-para-aproveitar-as-ferias-sem-prejudicar-os-estudos/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/06/29/5-dicas-para-aproveitar-as-ferias-sem-prejudicar-os-estudos/#respond Thu, 29 Jun 2017 16:31:11 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1212

Fim de semestre é sinônimo de cansaço para todo estudante e com o vestibulando não é diferente. Mas, ao contrário do estudante “normal”, que vê a chegada das férias com alívio pois poderá descansar e se divertir em 100% de seu tempo, você que está se preparando para os principais exames de fim de ano fica cheio de dúvidas. “Devo só descansar? Tenho que estudar todo dia? ”. Quem disputa uma vaga nas principais universidades costuma achar que qualquer vacilo pode custar a tão sonhada aprovação.

A seguir, veja 5 elementos que devem fundamentar sua postura:

  1. PRIORIZAR O DESCANSO

Descansar por todo o período de férias NÃO está proibido. Mas, caso você decida estudar, ao menos um terço de suas férias deve ser dedicado exclusivamente ao descanso e lazer. Se você é daqueles que prefere agito, esportes, tudo bem. Sobretudo sua mente é que deve ser aliviada do estresse. Lembre-se que o segundo semestre costuma ser ainda mais puxado. Se você não aproveitar as férias para se poupar, não vai ter energia para acompanhar a reta final. Melhor baixar o ritmo agora para não entrar em colapso na fase mais decisiva.

  1. AMPLIAR O REPERTÓRIO CULTURAL

Você terá tempo para muita coisa nas férias. E utilizar parte dele para assistir a bons filmes, a peças de teatro, a espetáculos de música e dança, e também poder ler bons livros (inclusive os que não são cobrados nas provas). Além de lhe proporcionar momentos de entretenimento e diversão, vai ampliar seu repertório cultural. E isso nunca é demais. Estudante que desenvolve uma visão ampla de mundo sabe lidar melhor com os desafios do vestibular.

  1. NÃO ESTABELECER METAS INALCANÇÁVEIS

Um caminho equivocado é achar que todas as tarefas atrasadas podem ser postas em dia ou que nas férias você vai entender tudo o que não conseguiu no primeiro semestre. Esse tipo de meta em geral é impossível de ser cumprida, e deixará você a um passo para a frustração. Você vai só alimentar sua ansiedade e insegurança.

  1. FOCO NOS ASSUNTOS MAIS IMPORTANTES

Caso você decida estudar, deve priorizar assuntos com maior incidência nos vestibulares de sua preferência. Também é interessante estudar matérias específicas que têm mais peso nas provas que você vai prestar. Não se preocupe com notas de rodapé ou assuntos que pouco ou nunca caem.

  1. PLANEJAMENTO E EQUILÍBRIO

Estabeleça um cronograma de estudos e execute-o. É importante decidir os dias em que vai estudar, os horários, as matérias e os assuntos específicos. Não force a barra estudando mais do que 8 horas diárias e muito menos estudando todos os dias nesse período. O equilíbrio é essencial para que o segundo semestre seja produtivo e você chegue na reta final com força.

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Entenda a Escravidão Moderna e seus conceitos http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/05/02/entenda-o-conceito-de-escravidao-moderna-e-seus-desdobramentos/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/05/02/entenda-o-conceito-de-escravidao-moderna-e-seus-desdobramentos/#respond Tue, 02 May 2017 19:59:31 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1092

O ser humano é por natureza um ser gregário. Sem o grupo, o indivíduo não sobrevive. A partir do núcleo familiar, a organização de comunidades tribais viabilizou, ao longo de milhares de anos, o desenvolvimento de relações sociais e técnicas de produção que viriam a constituir as bases do que se convencionou chamar de civilização. O domínio do cultivo da terra e também do fogo, as técnicas dos metais e das armas de guerra levaram grupos étnicos a confrontos por disputas pelos territórios férteis e pelas águas e alimentos abundantes. Desse ponto às rivalidades entre as tribos, a humanidade caminhou para a prática da escravização dos vencidos pelos vencedores.

Na Antiguidade, povos assírios, egípcios, babilônicos, hebreus, gregos e romanos ergueram impérios baseados no braço escravo de milhares de trabalhadores. Sem distinção de cor, gênero ou crenças religiosas, os escravos e escravas eram usados nas mais variadas funções: nos campos, minas e nas cidades, no comércio, artesanato e serviços inclusive policiais e militares. Alguns desfrutavam de poucas regalias: poder juntar valores para comprar sua liberdade; mas a maioria sofria as mais degradantes condições de vida, até mesmo a morte.

A evolução das relações de produção viria a gerar outras formas de dominação entre classes e estamentos sociais. Observe-se, por exemplo, a diferenciação estabelecida nas relações homem-homem e homem-natureza entre escravos, servos e os operários dos nossos tempos. Enquanto os servos medievais eram donos dos meios de produção que utilizavam (como a terra e suas ferramentas), os operários nas fábricas de hoje têm apenas a propriedade de sua força de trabalho. Já os escravos são os próprios meios de produção. O escravo não é dono nem do próprio corpo, é uma mercadoria negociada entre traficantes e senhores.

Escravos na Era Moderna

Mesmo com o desenvolvimento de outras formas de organização social, como o feudalismo na Europa e os modos de produção das civilizações pré-colombianas nas Américas, a escravidão jamais deixou de ser praticada em várias partes do mundo. Quando os portugueses e espanhóis se lançaram às navegações desafiando o Oceano Atlântico, a humanidade ingressava no que viria a ser a chamada Era Moderna. Ao desembarcarem nas costas da África, observaram o costume enraizado da escravização de povos negros por outros negros para o comércio com árabes que os empregavam em seus domínios ou os revendiam para o Oriente, as chamadas Índias.

A partir de então, na montagem do sistema colonial que se espalhou por todo o planeta, o mercantilismo europeu fez do tráfico negreiro um dos pilares da construção de um modo de produção posteriormente rotulado capitalista. A conquista e exploração das Américas impôs formas variadas de escravidão. As colônias de Espanha, por seu lado, adotaram a Mita e as Encomiendas. A primeira, antigo costume do Império Inca, impunha o trabalho compulsório em obras públicas, nas minas e nos campos, enquanto os encomenderos espanhóis exploravam os indígenas com a obrigação de lhes “ensinar” a cultura e a religião cristã. O peso maior, em termos continentais, restou, no entanto, para a chamada escravidão negra adotada nas três Américas.

Como se lia num dito popular corrente pelo Brasil português nos séculos coloniais, “sem açúcar, não há Brasil; sem a escravidão, não há açúcar; sem Angola, não há escravos”. A integração de Europa, América e África no sistema atlântico articulava a produção de elementos primários tropicais nas terras brasileiras, que tem sua comercialização nos mercados europeus e o fornecimento de milhões de africanos escravizados pelo tráfico organizado durante os séculos XVI a XIX. Calcula-se que tenham entrado no Brasil 50 mil escravos negros durante o século XVI, 560 mil no XVII, 1 400 000 no XVIII e 2 milhões no XIX. Isso corresponderia a cerca de 40% do total entrado nas Américas naquele período. Estudos sobre a escravidão moderna nos fornecem, ainda, dados como:

Regiões de desembarque de escravos oriundos da África:

  Fonte: banco de dados coordenado pelo professor David Eltis, da Universidade Emory

A estrutura social básica que se desenvolveu no Brasil colonial era movida por escravos indígenas, os chamados “negros da terra”, e principalmente por negros africanos. Sobre esses trabalhadores forçados recaíam todos os tipos de trabalhos pesados. Cabe a pergunta: por que os colonizadores lusitanos optaram pela escravidão e, particularmente, pelos negros como força motriz da economia nas regiões de polo econômico, como o Nordeste açucareiro e as regiões mineradoras do século XVIII?

Não havia em Portugal um contingente de trabalhadores assalariados suficientemente disponível para a empreitada da colonização das terras americanas. Além disso, não era condizente com a visão mercantilista de exploração da colônia o envio desses trabalhadores, necessários na economia da metrópole. De imediato, os altos lucros do tráfico de escravos representavam muito mais os interesses da Coroa e de seus aliados empresários da importação de africanos para a ilhas atlânticas e, posteriormente para o Brasil. Quanto aos indígenas nativos, embora tenham sido escravizados nas regiões pobres, como São Paulo e na costa norte, constituíam uma opção menos adequada aos interesses lusos seja pelo desconhecimento das práticas agrícolas, seja pela resistência mais eficaz em território conhecido que ofereciam. Vale lembrar que os africanos eram “peças” bastante caras para os compradores da colônia. Desse modo, nas áreas pobres não exportadoras, os nativos compuseram o corpo principal da mão de obra. Some-se a isso, ainda, a atuação dos missionários jesuítas junto à Coroa portuguesa, no sentido da proibição formal da escravização dos índios. Era de fundamental importância para a Companhia de Jesus a catequese dos povos indígenas em cumprimento de sua “missão salvadora e civilizatória” e no interesse na mão de obra servil nas economias das missões pelo Brasil afora.

Visões sobre a escravidão e suas heranças 

Assim se ergueu uma sociedade patriarcal, rigidamente estratificada, com uma elite dominante aristocratizada composta dos grandes senhores de terras e de escravos e da grande quantidade de escravos que moviam a estrutura produtiva em todos os níveis. Homens livres, assalariados ou autônomos, como padres, funcionários burocratas, militares, artesãos e mascates compunham um grupo intermediário diminuto e subalterno à classe dominante.

Conservadora, autoritária e violenta, essa sociedade consolidou uma mentalidade marcada pelo envilecimento do trabalho braçal, pela segregação, discriminação e fortes preconceitos raciais e sociais. A tudo os escravos buscaram reagir como lhes era possível. As fugas dos engenhos, suicídios, abortos, revoltas, a formação de quilombos (aldeamentos), e mesmo manifestações religiosas temidas pelos senhores brancos caracterizaram formas de resistência contra a escravidão.

Em todos setores de atuação, na agricultura, no comércio e transportes, no artesanato e mesmo como escravos de ganho (cativos que exerciam atividades autônomas ou para terceiros e rendiam tributos aos senhores), os africanos deixaram sua marca na formação do povo brasileiro. As múltiplas culturas negras para cá transladadas influenciaram os costumes – como a sexualidade – e valores da sociedade, as artes – música e dança – e a culinária, as crenças religiosas, etc. Com toda a discriminação que procura desvalorizar a importância africana em nosso meio social, coube o reconhecimento do peso dessa presença realçado, sobretudo, nas obras de Gilberto Freyre (Casa Grande & Senzala), Sérgio Buarque de Hollanda (Raízes do Brasil), Darcy Ribeiro (O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil) e outros.

No século XXI, ganha força a articulação de movimentos negros que, a partir de experiências ensaiadas no século passado, passaram à ofensiva com ações positivas no combate à discriminação, denúncias de segregação e preconceitos, conquistas de espaços e afirmação da cultura afro-brasileira. Tal processo se desenrola em meio à insistência de setores da sociedade com mentalidade retrograda em preservar práticas escravistas, mesmo que criminalizadas em lei.  São frequentes as denúncias de trabalhadores submetidos a condições degradantes de trabalho, subjugados pela pobreza extrema, que simbolizam até hoje a sobrevivência daquela mentalidade de raízes escravocratas em setores do empresariado que se dizem modernos.

Bom estudo!

 

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A Revolução Russa por outros olhares http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/04/17/revolucao_russa/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/04/17/revolucao_russa/#respond Mon, 17 Apr 2017 20:19:13 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1059

 

O ano de 2017 marca o aniversário de 100 anos da Revolução Russa. Por conta disso, uma série de eventos e publicações estão programados para os próximos meses em todo o mundo. Paralelamente, o referido centenário traz algumas preocupações para os estudantes que estão se preparando para o ENEM e demais vestibulares: o que pode ser cobrado? como pode ser cobrado? como devo estudar o tema? O presente texto busca trazer essas respostas.

Inicialmente, quando analisado o histórico de questões sobre Revolução Russa, conseguimos observar que o assunto é cobrado com baixa frequência – de todos os grandes temas do século XX na História Geral, a Revolução Russa é a preterida entre as bancas examinadoras. O ENEM nunca abordou o tema, a FUVEST o fez pela última vez em 2000. Das universidades públicas paulistas, apenas a UNESP tem cobrado o assunto com significativa frequência – desde 2010, foram 6 questões. Já com relação a forma como as bancas abordam o tema, esta é feita de maneira bastante tradicional: questões com viés materialista, discutindo causas e consequências; as fases da revolução; e as mudanças políticas, sociais e econômicas. As questões mais complexas se limitam a abordar a Revolução Russa em seu contexto com o período do entre Guerras e comparativamente com outras revoluções, em especial a francesa de 1789.

O cenário descrito acima, poderia, isoladamente, trazer o diagnóstico de que o estudo da Revolução Russa está em uma posição de segunda importância – o que seria um completo equívoco.

O tema deve ser tratado com bastante atenção, ao menos por duas razões: (i) ele faz a ligação das teorias socialistas e dos embates ideológicos do século XIX com os acontecimentos da primeira metade do século XX; além do fato de que (ii) compreender a Revolução e seus desdobramentos é compreender, em grande medida, todos os acontecimentos do século passado, como a ascensão do Fascismo, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria – temas que são cobrados todos os anos.

Se isso não bastasse, a Revolução Russa é daqueles temas que permite reflexões e abordagens bastante interessantes. Ao analisarmos o ENEM e os vestibulares mais concorridos do país, observamos uma tendência de questões que buscam avaliar determinadas habilidades nos candidatos, muito além da simples memorização e exposição de conceitos. Atualmente, o candidato que busca um curso concorrido em uma universidade de ponta deve estar apto a correlacionar situações concretas a conceitos teóricos, bem como inter-relacionar conceitos diversos para efetuar análises complexas. Nesse sentido, nós do Anglo trabalhamos com nossos alunos o que denominamos de HAC (Habilidades de Alta Complexidade). Vejamos um exemplo:

 

As duas imagens acima foram produzidas por importantes artistas russos em momentos históricos bastante significativos. O primeiro trata-se de um cartaz feito em meio à guerra-civil como forma de apoiar os Bolcheviques contra os Brancos – a obra é dividida em duas grandes partes, uma branca e outra preta. No lado branco há um grande triângulo vermelho, cuja ponta atravessa a divisória entre as cores e penetra no círculo branco que domina o lado preto, escapando vários estilhaços vermelhos. O segundo é um quadro produzido quarenta anos depois, no fim do regime stalinista – nele temos dois homens, um deles está morto enquanto o outro toma a bandeira vermelha em punho. As obras fazem parte, respectivamente, da arte vanguardista russa e do realismo soviético.

O início do século XX foi marcado por inúmeras transformações que se refletiram em inúmeros movimentos artísticos de vanguarda. Nesse contexto, a Rússia governada pelo Czar Nicolau II, tendo sido derrotada na Guerra Russo-Japonesa (1905) e na Primeira Guerra Mundial, e em meio a uma enorme crise, foi o cenário ideal para o surgimento de inúmeras vanguardas que contestavam a arte até então praticada – a arte do czar e da burguesia. O ambiente pré-revolucionário foi marcado por uma grande efervescência cultural, situação que se manteve até a construção do totalitarismo de Stalin. A arte moderna russa pôs a arte sobre novas bases, tal como Lênin pretendia fazer com o mundo ao criar o seu Estado socialista.

Os artistas vanguardistas na Rússia eram entusiasticamente a favor do Estado – ao menos nos primeiros anos pós-revolução. E para os Bolcheviques, apoiar as correntes artísticas radicais e progressistas era promover um novo modo de vida igualmente radical e progressista proposto pela Revolução de Outubro de 1917. Nesse contexto, temos a primeira imagem em que as formas e o estilo da arte não representacional são usados de uma maneira extremamente simbólica.

Com o desenrolar da Revolução e a progressiva construção do totalitarismo stalinista, o espaço para o diferente e para a contestação cessou. A ideologia totalitária submeteu também o campo da cultura, e a arte vanguardista deu espaço para o realismo socialista a partir da década de 1930, como demonstra a segunda imagem. Em um formato bastante distinto, nela fica expressa uma verdadeira política de Estado para a estética, que determinou tendências nas mais diversas esferas do campo da cultura – da literatura ao design de produtos.

O realismo soviético é avesso à arte subversiva, é contrário às ideologias subversivas. Comparar as duas imagens é observar, através da arte, como o projeto revolucionário de 1917 mudou de curso.

Em síntese, o bom estudante deve estar atento a fatores que vão além da simples narrativa histórica, desenvolvendo através de seus estudos habilidades complexas que o permitam, entre outras, contrastar documentos de diferentes naturezas reconhecendo a influência da subjetividade em seus registros, bem como inseri-lo dentro do seu contexto histórico.



Fontes: Pinterest/Voyager

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Estudar filosofia é essencial para ir bem nos vestibulares. Veja o porquê http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/04/03/entenda-a-importancia-de-estudar-filosofia-para-os-vestibulares/ http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/2017/04/03/entenda-a-importancia-de-estudar-filosofia-para-os-vestibulares/#respond Mon, 03 Apr 2017 18:58:38 +0000 http://dicasdevestibular.blogosfera.uol.com.br/?p=1022 *Por Gianpaolo Dorigo

No ENEM, a prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias costuma dividir-se em três grandes blocos: História, Geografia e Filosofia/Sociologia, com um número semelhante de questões, em que pesem discretas variações de ano a ano. No caso da Filosofia, isso representa de 5 a 8 testes por prova, dentro do conjunto de 45 testes dessa prova. A principal habilidade necessária para responder corretamente os testes de Filosofia é o entendimento de texto.

Cerca de metade dos testes nas provas de 2009 a 2016 não exigiam nenhum conhecimento prévio de conteúdos filosóficos, mas somente a capacidade de leitura, entendimento e comparação de textos. Muitas vezes, a aparente “facilidade” das questões de entendimento é apenas ilusória, sendo conveniente algum tipo de familiaridade com essa modalidade específica de escrita que caracteriza o texto filosófico.

Quanto às questões efetivamente conteudistas, elas costuma abranger dois tópicos principais: Teoria do Conhecimento e Filosofia Política, quase sempre abordadas dentro do contexto da história do pensamento filosófico. Na Teoria do Conhecimento, os testes sobre o assunto giram em torno das principais correntes desenvolvidas na história da Filosofia, notadamente Platão e Aristóteles na Grécia Clássica e, principalmente, as correntes opostas do racionalismo e do empirismo a partir da época Moderna.

Dessa forma, tem sido comum a identificação de conceitos essenciais em pensadores como Descartes (racionalismo) e Hume (empirismo), além da comparação entre textos desses dois autores. Como exemplo, o teste extraído da prova de 2016:

Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias. (Descartes, R. Regras para a orientação do espírito)

Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da

a) Investigação de natureza empírica
b) Retomada da tradição intelectual
c) Imposição de valores ortodoxos
D) Autonomia do sujeito pensante
e) Liberdade do agente moral

Em Filosofia Política, os testes buscam identificar as principais correntes do pensamento político ocidental, sobretudo a partir da tradição liberal-iluminista e lançando mão de textos clássicos para determinar o comando da questão. Nesse contexto, destacam-se as obras de contratualistas como Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Segue um exemplo extraído da prova de 2015:

A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar. (HOBBES, T. Leviatã. São Paulo Martins Fontes, 2003)

Para Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, quando dois homens desejavam o mesmo objeto, eles

A) entravam em conflito.
b) recorriam aos clérigos.
c) consultavam os anciãos.
d) apelavam aos governantes.
e) exerciam a solidariedade. 

Nos últimos anos, começaram a se tornar frequentes no ENEM algumas questões sobre Ética. Trata-se quase sempre de testes bastante abrangentes, que pedem não apenas da leitura e entendimento de textos clássico, como também lançam mão de questões contemporâneas, como, por exemplo, aquelas decorrentes do impacto do desenvolvimento científico e da aplicação de novas tecnologias. Um exemplo, da prova de 2014:

Panayiotis Zavos “quebrou” o último tabu da clonagem humana — transferiu embriões para o útero de mulheres, que os gerariam. Esse procedimento é crime em inúmeros países. Aparentemente, o médico possuía um laboratório secreto, no qual fazia seus experimentos. “Não tenho nenhuma dúvida de que uma criança clonada irá aparecer em breve. Posso não ser eu o médico que irá criá-la, mas vai acontecer”, declarou Zavos. “Se nos esforçarmos, podemos ter um bebê clonado daqui a um ano, ou dois, mas não sei se é o caso. Não sofremos pressão para entregar um bebê clonado ao mundo. Sofremos pressão para entregar um bebê clonado saudável ao mundo.” (CONNOR, S. Disponível em: www.independent.co.uk. Acesso em: 14 ago. 2012)

A clonagem humana é um importante assunto de reflexão no campo da bioética que, entre outras questões, dedica-se a:

A) refletir sobre as relações entre o conhecimento da vida e os valores éticos do homem.
b) legitimar o predomínio da espécie humana sobre as demais espécies animais no planeta.
c) relativizar, no caso da clonagem humana, o uso dos valores de certo e errado, de bem e mal.
d) legalizar, pelo uso das técnicas de clonagem, os processos de reprodução humana e animal.
e) fundamentar técnica e economicamente as pesquisas sobre células-tronco para uso em seres humanos.

Bom estudo!

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