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Pensando no vestibular, Copa do Mundo
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A Copa do Mundo de seleções de futebol é um megaevento internacional realizado de quatro em quatro anos e organizado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) desde 1930, com uma interrupção (1938-50) em razão da Segunda Guerra Mundial. Não é simplesmente mais um campeonato mundial; é um fenômeno social, econômico e político de escala global, que toca em um sentimento íntimo de identidade que afeta muita gente. Até os mais ignorantes do futebol são convidados a dele participar, e os mais céticos quanto ao espírito nacional se deixam levar pela emoção da disputa entre as seleções dos países. No período em que ocorre o campeonato, entre junho e julho, o sentimento de identidade nacional é jogado dentro das quatro linhas, e, nesse contexto esportivo, aparecem uma série de temas que podem ser trabalhados nos vestibulares, como fusos horários, geopolítica, questão de gênero, entre outros. A Copa pode ser usada como um convite para o vestibulando pensar em questões do programa de cada disciplina. No campo das Ciências Humanas, os temas que afloram a partir do evento são inúmeros, muitos deles escaparão da nossa breve análise, mas a relação está apontada: a Copa do Mundo é um reflexo da sociedade global, podendo apresentar muitas das contradições que encontramos na política, na economia e na sociedade. Convido o leitor a pensar em alguns desses temas que podem aparecer em questões dos exames vestibulares.

A Rússia pode aparecer nos vestibulares, pois é o país sede do evento. À medida que assistimos aos jogos, a primeira questão aparente é o horário: a que horas é o jogo? No Brasil, os jogos têm acontecido no período das 9 às 17 horas, quando acaba o último jogo do dia. Que horas eram na Rússia, em quais fusos ocorreram as partidas da Copa, quantas horas de diferença temos entre o Brasil e a Rússia? Para responder a todas essas perguntas, o vestibulando deve ficar atento às seguintes informações da posição da Rússia e do Brasil: a Rússia fica a leste do Meridiano de Greenwich, enquanto o Brasil fica a oeste, portanto o Brasil está atrasado na hora em relação à Rússia;  a maioria das sede dos jogos tem o fuso horário de Moscou que é GMT +3 (três horas a mais em relação a Greenwich). Há também jogo em Kaliningrado (território no Mar Báltico) localizado no fuso GMT +2; Samara, que está no fuso GMT + 4 e na cidade de Ecaterimburgo, que fica na parte asiática da Rússia no fuso GMT +5. O Brasil tem quatro fusos (GMT -2, GMT -3, GMT -4, GMT -5) e sua hora oficial (de Brasília) no fuso GMT -3. A maioria das partidas terá 6 horas de diferença, mas pode chegar até 10 horas de diferença se contarmos a distância em fusos entre Rio Branco, no Acre, e Ecaterimburgo. O aluno não pode esquecer outro detalhe de posição de Rússia e Brasil; o primeiro se localiza totalmente no hemisfério norte, assim, é fim de primavera e começo de verão, enquanto na maior parte do território brasileiro, localizado no hemisfério sul, é inverno. Sobre a Rússia, é importante lembrar que se trata do maior país em território do mundo, com aproximadamente 17 milhões de quilômetros quadrados, e é um país euro-asiático com mais ou menos 150 milhões de pessoas. A maior parte dos jogos acontecerá na parte europeia da Rússia, e apenas a cidade asiática de Ecaterimburgo, como já foi apresentado, sediará jogos. Os montes Urais marcam o limite entre a parte europeia e asiática do país-sede. O Rio Volga, que é o grande símbolo da unidade do país, nasce no norte dos Urais e corta o país no sentido sul, desembocando no Mar Cáspio. A ferrovia Transiberiana, outro símbolo da integração nacional da Rússia, permitiu o controle de vastas regiões desocupadas nas estepes da Ásia Central.

Pensando no contexto geopolítico, do colapso da União Soviética em 1991 aos dias de hoje, alguns países apareceram no mapa e outros, é provável, nunca mais irão participar do megaevento futebolístico. Não participarão mais da Copa, a União Soviética inventora do “futebol científico” e a Iugoslávia, sempre com times bem competitivos. Na Copa da Rússia, a anfitriã é herdeira máxima da ex-URSS, e a Sérvia e a Croácia são os países que representam a força da antiga Iugoslávia. Essas transformações territoriais no Leste europeu podem ser apresentadas para o vestibulando, que precisará recorrer aos conhecimentos sobre a fragmentação da Iugoslávia, que começa em 1991 e termina com a separação de Sérvia e Montenegro em 2006 (enquanto ocorria a Copa daquele ano) e sobre o colapso da URSS no final do ano de 1991 até a anexação da Crimeia à Rússia em 2014. Vale lembrar que, um pouco antes da Copa, o presidente russo, Vladmir Putin, inaugurou uma ponte ligando diretamente a península da Crimeia à Rússia.  A Copa da Rússia é uma demonstração de expansão da influência do país-sede nas Relações Internacionais. Diferentemente da Copa do Brasil, marcada por protestos contra o governo, o megaevento tem servido para consolidar o projeto de poder de Vladmir Putin no governo da Rússia.

No campo econômico, como em todo megaevento envolvendo um grande número de nações, fica clara a oposição entre os países desenvolvidos e os países menos desenvolvidos. Os vencedores da Copa constituem uma lista seleta de países, a maior parte deles potências tradicionais e emergentes. Já levantaram a taça: o Brasil, cinco vezes campeão, a Alemanha e a Itália, quatro vezes cada uma, a Argentina e o Uruguai, duas vezes cada. França, Inglaterra e Espanha subiram ao topo uma única vez cada uma. Dos países asiáticos, a Coreia do Sul chegou pela primeira vez a uma semifinal em 2002, na Copa sediada pela própria Coreia e pelo Japão. Os países asiáticos são jovens praticantes do esporte; a liga profissional do Japão começou a ter incentivos a partir dos anos de 1990, aos poucos os países asiáticos vêm ganhando espaço no mundo do futebol. Dos países africanos, Camarões e Nigéria alcançaram os seus melhores resultados chegando às quartas-de-final do torneio em edições anteriores.

No plano geopolítico, podemos perceber, em alguns jogos, o sentimento da luta dos colonizados contra os colonizadores, rivalidades regionais e celebração de povos amigos. Nessa Copa, participarão Nigéria, Senegal, Tunísia, Egito, Marrocos e Austrália, países colonizados por Inglaterra e França, além de países latino-americanos colonizados por Portugal e Espanha, como Brasil, México, Costa Rica, Panamá, Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia. As rivalidades regionais podem ser expressas em jogos como Portugal e Espanha ou Inglaterra e Bélgica. Já o encontro entre Brasil e Argentina sempre é alvo dos especuladores e sonhadores apaixonados. O confronto de maior rivalidade das Américas, quiçá do mundo, já não é mais uma possibilidade nesta Copa, após a eliminação da seleção argentina.  Os jogos costumam carregar sentimentos desse tipo. Questões envolvendo temáticas que comparam a estrutura econômica e social dos “países do norte” e dos “países do sul” também são muito recorrentes nos grandes exames de vestibular, logo, é recomendável voltar atenção para índices como IDH, Gine, PIB per capita, entre outros.

Um dos fatos mais marcantes desta Copa, no campo social, foi protagonizado pelas torcedoras do Irã, pois foi a primeira vez em 40 anos que essas torcedoras foram vistas em estádios de futebol. No Irã, uma lei promulgada há 40 anos proíbe as mulheres de frequentarem esses ambientes. Foi um grande passo para as iranianas, que sempre foram muito participativas na vida política e econômica do país, lutando para terem mais liberdade e demonstrando que é possível, sim, as mulheres estarem em qualquer ambiente público se assim quiserem. Entretanto, se por um lado, temos esse feito histórico para as mulheres iranianas e do mundo, o machismo que o evento carrega em quase todas as edições foi escancarado nas redes sociais por brasileiros e argentinos que publicaram vídeos expondo mulheres de outras nacionalidades ao fazerem-nas repetir palavras obscenas. Esse gesto foi denunciado por mulheres brasileiras e argentinas, que promoveram críticas contundentes nas redes e levaram à identificação dos envolvidos. A repercussão desses episódios trouxe mais uma vez à tona a questão da mulher no futebol e na vida pública. O debate sobre igualdade de gênero vem sendo apresentado para os candidatos nos principais vestibulares do país, e é, sem dúvida, uma das grandes metas a serem perseguidas por todos os países do mundial de futebol e em todo mundo.

Entre os países participantes dessa edição da Copa do Mundo, a questão de igualdade entre gênero é bem diversa; alguns países estão mais avançados que outros. Por exemplo, a Argentina legalizou o aborto alguns dias antes de começar a Copa. A Islândia é o país que apresenta a melhor representatividade política e a menor diferença social entre gêneros de todos os países participantes da Copa. Já na Arábia Saudita a diferença entre gêneros é brutal; é o país que apresenta maior desigualdade entre a renda per capita de homens e mulheres. Enquanto os homens ganham em média 75,9 mil dólares por ano, as mulheres ganham em média 19,3 mil dólares por ano. Além de outras privações associadas ao gênero, há pouco tempo as mulheres sauditas não podiam sair de casa desacompanhadas da figura masculina nem dirigir carros. Muitas dessas questões já avançaram no país, mas a desigualdade de gênero ainda é um fosso profundo na sociedade saudita. A desigualdade entre gêneros é uma temática sobre a qual o vestibulando deve reunir um repertório de dados e argumentos, pois pode aparecer nos exames como tema de redação e em questões de história, geografia e sociologia, que são as disciplinas que melhor podem oferecer ao estudante argumentos, dados, informações, para que ele desenvolva opinião crítica sobre tal assunto.

A grande novidade sobre o Brasil foi que, segundo o Datafolha, desde 1994, quando a pesquisa teve início, essa foi a primeira vez que mais da metade dos brasileiros disse estar desinteressada pela Copa do Mundo, sendo o desinteresse maior entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos. As causas desse interesse podem ser múltiplas e discutíveis, mas não deixam de sinalizar um amadurecimento de uma população que foi manobrada politicamente pelo símbolo de uma seleção campeã. A relação entre o futebol e a política já foi explorada em questões de muitos vestibulares, por exemplo, na relação entre a seleção de 1970 e a propaganda da ditadura militar, ou na euforia do Plano Real e o tetracampeonato nos Estados Unidos. Talvez, uma mudança da relação da população com a seleção de futebol possa ser um novo fator na política brasileira. A simbologia do Canarinho “pistola”, mascote da seleção brasileira, reflete o sentimento de insatisfação do povo, não mais pelo futebol mal jogado, mas, sim, pela conjuntura política do país, que já extrapolou a beira do abismo faz algum tempo. O Brasil tem alguns números alarmantes. Somos o país que mais mata com armas de fogo no mundo. Nos últimos 12 anos, segundo dados do IPEA, no Atlas da Violência 2018, meio milhão de pessoas morreram assassinadas com armas de fogo no Brasil, e, na metade dos casos, as vítimas eram jovens entre 16 e 19 anos e, em 70% dos casos, eram pardas ou negras. É mais do que matou qualquer guerra civil no mesmo período. A disparidade entre o jogador e o espectador é tão profunda que a paixão pela seleção foi diminuindo a ponto de não estar mais entre as grandes prioridades de boa parte da população. A baixa identificação com os protagonistas é um dos motivos claros do desinteresse. Os jogadores, por sua vez, deixam o país muito jovens, antes de se identificarem com as torcidas dos grandes clubes do Brasil. Essas grandes transformações do comportamento da sociedade brasileira podem ser apresentadas para o candidato nos exames de vestibular; as grandes contradições costumam servir de recorte para o exame abordar questões socioeconômicas, raciais e problemas estruturais do país. Toda atenção a isso vale a pena.

Como se pode perceber, as temáticas e abordagens são muitas. A Copa do Mundo é um bom repositório de fatos e acontecimentos que podem servir de motivo para questões do vestibular. Lembrando aos candidatos às vagas das principais universidades do país, é muito importante se manterem atualizados e atentos aos principais acontecimentos. Uma leitura aguçada pode ajudar a pensar em respostas para algumas boas questões que aparecem no conteúdo programático das disciplinas; relacionar os conteúdos é outra habilidade bastante exigida nos principais exames do momento.

Bons estudos a todos e boa Copa do Mundo.

 


A “Era Trump”: o polêmico novo presidente dos Estados Unidos
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Em 29 de abril Donald Trump completou 100 dias à frente da Casa Branca.

Diante da grande expectativa em relação ao seu governo, gerada pelas polêmicas promessas de campanha, vamos seguir a tradição política e fazer uma breve retrospectiva daquele que ainda promete ser um dos mais controversos mandatos presidenciais da história dos Estados Unidos.

O azarão

O bilionário nova-iorquino Donald Trump, 70 anos, era considerado um “azarão” nas apostas internas do próprio Partido Republicano na corrida para as eleições presidenciais de 2016. Porém, ele surpreendeu ao vencer as primárias, derrotando candidatos poderosos dentro do partido como Jeb Bush (ex-governador da Flórida, irmão de George W. Bush e filho de George Bush, ambos ex-presidentes).

Três meses mais tarde causou novo frisson entre os analistas políticos ao derrotar a democrata Hillary Clinton, ex-primeira dama e primeira mulher candidata à presidência dos Estados Unidos.

Uma pesquisa divulgada pela Associated Press mostra que 63% dos homens brancos acima de 45 anos votaram em Trump, que também recebeu o voto de 42% das mulheres apesar de seus discursos machistas e das mais de 10 acusações de assédio sexual.

Promessas de campanha

Durante a campanha eleitoral, Trump não se esforçou em ser politicamente correto, pelo contrário, usou e abusou de frases – no mínimo controversas – para ganhar a atenção da mídia. E conseguiu. Em suas falas, ele insinuou racismo, homofobia, xenofobia e machismo. Alegou ser tradicionalista e defensor dos interesses nacionais.

Na política externa, ele prometeu erguer um muro na fronteira com o México (que seria pago pelos próprios mexicanos), suspender acordos comerciais como o NAFTA (Tratado de livre comércio da América do Norte criado nos anos 1990 com México e Canadá) e destruir o Estado Islâmico (grupo terrorista que atualmente luta para manter o controle de territórios entre o Iraque e a Síria). Chegou também a acusar a China como principal responsável pelos altos índices de desemprego entre os operários norte-americanos.

Para atrair um eleitorado mais conservador, disse que iria trazer de volta os empregos na indústria (principalmente na tradicional região industrial do Manufacturing Belt), aumentar o protecionismo no comércio exterior, cortar impostos e sancionar leis pró-armas.

Assim, conseguiu um apoio fiel dos conservadores além atrair os holofotes da imprensa do mundo tudo. No entanto, Trump deixou muita gente assustada com essas promessas radicais e um discurso antiglobalização.. Analistas apontam, inclusive, que um dos principais fatores do seu sucesso eleitoral foi exatamente a grande exposição midiática de sua imagem.

Pontos importantes

Vale ressaltar aqui dois pontos importantes de todo esse processo: Primeiro, o excêntrico Trump já tinha uma importante experiência diante das câmeras; pois, durante alguns anos, foi apresentador de um reality show na tv norte-americana chamado “O aprendiz”. Nesse programa ele demitia os candidatos ao vivo. Seu bordão “You’re fired” (Você está na rua!!!!) ficou famoso. Segundo, refere-se ao complicado sistema eleitoral dos Estados Unidos. Trump repetiu o feito do também republicano George Bush nas eleições de 2000. Venceu porque assegurou a maioria dos votos no Colégio Eleitoral, mesmo tendo perdido no voto popular. Foram dois milhões a menos de votos do que sua concorrente Hillary Clinton.

Discurso de posse e protestos

A expectativa pela posse do novo presidente foi marcada por protestos considerados inéditos na história política estadunidense. Organizações sociais formadas por mulheres, minorias raciais e religiosas, imigrantes e ecologistas foram às ruas de Washington (capital federal) e espalharam cartazes com dizeres do tipo: “Pare o governo Trump antes do início”, “Diga não ao Fascismo”. Ou ainda: “Defenda-se contra Trump”.

Apesar das numerosas manifestações contrárias, na 6ª feira, 20 de janeiro, o magnata sem experiência política (pois nunca havia ocupado nenhum cargo público) tomou posse como 45º presidente dos Estados Unidos.

Trump fez um discurso de posse agressivo, falou em protecionismo e, em nenhum momento, pronunciou a palavra democracia. Criticou os investimentos públicos desperdiçados fora do país, dizendo que faziam falta à economia interna, e ressaltou que pretende fazer da América (que é como os estadunidenses referem-se ao próprio país) novamente um lugar forte, rico, orgulhoso e seguro.

No entanto, foi comedido o suficiente para não soltar, em plena cerimônia de posse, um “America First” (América em primeiro lugar) frase nacionalista que marcou sua campanha eleitoral.

Os primeiros 100 dias

Existe uma tradição na política dos Estados Unidos, inaugurada na década de 1930 pelo então presidente Franklin Delano Roosevelt, de fazer um primeiro balanço do governo após 100 dias de mandato. Nesse primeiro teste a impressão sobre a “Era Trump” não é das melhores.

Seu índice de aprovação popular, cerca de 40% – de acordo com o Instituto Gallup, é o mais baixo para o período, desde a Segunda Guerra Mundial. Esse apoio, mesmo que pequeno, é atribuído a um eleitorado fiel que aposta nas mudanças prometidas em campanha.

Por falar em promessas de campanha, pelo menos até agora, Trump teve que recuar ou rever quase todas elas.

Obamacare

O programa de reforma na Saúde implementado por Barack Obama em 2014 garantiu que todos os norte-americanos tivessem acesso a um seguro de saúde. Como nos EUA não há um Serviço Nacional de Saúde Pública, a falta de cobertura afetava cerca de 15% da população que não era atendida nem pelos programas de saúde estatais para os mais pobres (Medicaid) e para os mais velhos (Medicare), nem pelos seguros de saúde das empresas privadas.

Alegando um aumento significativo nos gastos públicos com saúde, Trump contava com o apoio do Congresso formado por uma maioria republicana, para derrubar o chamado “Obamacare”, mas fracassou.

Refugiados

Para conter a entrada de refugiados, Trump também decretou uma ordem executiva suspendendo por 4 meses a entrada nos EUA de refugiados vindos de vários países de população predominantemente muçulmana, tanto do Oriente Médio quanto da África, tais como Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen. Por duas vezes, em menos de 2 meses, essa ordem executiva foi suspensa por juízes federais.

Muro na fronteira com o México

Com relação ao México, a construção do polêmico muro na fronteira nem começou, tão pouco o governo mexicano irá pagar por ela, conforme Trump anunciou durante sua campanha. Pelo contrário, o presidente dos EUA ainda não conseguiu a aprovação orçamentária para os cerca de 20 bilhões de dólares necessários para a obra.

Protecionismo

Já no que diz respeito à renegociação de acordos internacionais de comércio, o novo governo dos EUA resolveu abandonar o TPP, a sigla em inglês para o acordo voltado a eliminar a maioria das tarifas comerciais entre EUA, Canadá, México, Japão, Austrália e vários países da Ásia e da América do Sul como Peru e Chile.

Política externa

Na política externa, Trump alternou agressividade e diplomacia. Recebeu o presidente chinês Xi Jinping na Flórida e recuou no discurso de responsabilizar o principal parceiro comercial pelo desemprego nos EUA. Além disso pediu apoio político nas questões sobre a Coreia do Norte. Nesse sentido, o líder norte-americano chegou a afirmar que estaria pronto para agir contra o regime de Pyongyang, com ou sem a China, caso os testes nucleares norte-coreanos continuem a ameaçar a tranquilidade do Japão e da Coreia do Sul.

Trump promoveu várias ações no Oriente Médio, uma delas foi um inesperado ataque de mísseis contra a Síria. A justificativa era atingir uma base aérea de onde, dias antes, teriam saído aviões sírios para um ataque com armas químicas que mataram mais de 80 civis no interior do país do líder Bashar al Assad.

No Afeganistão, Trump mostrou outro sinal de força. Alegando combater rebeldes ligados ao Estado Islâmico, os EUA usaram uma bomba aérea chamada de “mãe de todas as bombas”, pois seria a bomba não-nuclear mais potente já usada até hoje pelos EUA. O ataque teria matado cerca de 100 rebeldes na província afegã de Nangarhar.

Rússia

As suspeitas relações com a Rússia provocaram a primeira baixa na equipe de governo de Trump. Michael Flynn, que ocupava o cargo de conselheiro de Segurança Nacional, renunciou antes de completar o primeiro mês de trabalho. Flynn foi acusado de ter mantido contatos extraoficiais com o embaixador russo nos Estados Unidos antes de Trump assumir a Presidência e também ter discutido possíveis sanções contra Moscou sem autorização da Casa Branca.

Impeachment

Aliás, as relações com o governo de Vladimir Putin continuaram provocando situações embaraçosas. A admiração de Trump pelo líder Russo já é conhecida, há suspeitas inclusive de que Putin teria doado dinheiro à campanha do candidato republicano. Porém, a aproximação entre os líderes teria atingido um limite grave. O jornal “The Washington Post” revelou em maio que Trump teria divulgado informações sigilosas de uma operação contra o Estado Islâmico durante encontro com funcionários da alta cúpula do governo russo. Essas informações colocariam em risco a própria segurança nacional dos EUA e seriam suficientes para abrir um processo de impeachment contra Donald Trump. Putin rapidamente se colocou à disposição para esclarecer a situação, mas as suspeitas permanecem, tornando a desconfiança dos estadunidenses sobre Trump e sua equipe maior ainda.

O Futuro

Com relação ao futuro, Trump continua a afirmar que não desistiu de cumprir suas promessas de campanha, porém já admitiu que comandar um país é muito mais complexo do que comandar uma empresa. As estruturas institucionais representam limites ao seu poder, e nem mesmo o seu próprio partido tem oferecido apoio irrestrito ao novo presidente. Resta saber se Trump vai desistir antes ou, com suas ações intempestivas, vai produzir novos fatos que provoquem sua saída antecipada do comando do país mais poderoso do mundo.


Entenda por que os conflitos na Síria estão longe de acabar
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*Por Augusto da Silva

Em março de 2011 a Síria passou a ser palco de um grande conflito, não equacionado até os dias de hoje. Suas origens remontam ao contexto das manifestações que ficaram conhecidas como Primavera Árabe, quando em países localizados na porção setentrional do continente africano e em algumas nações do Oriente Médio a população ocupou ruas e praças exigindo mudanças políticas em direção de estruturas mais democráticas. Na Síria, parte da população inicia manifestações contrárias ao governo de Bashar Al Assad, resultando em repressões que gradativamente se transformaram num dos conflitos mais sangrentos do Oriente Médio, com um saldo de cerca de 400 mil mortos, quase 5 milhões de refugiados e mais de 6 milhões de deslocados internos, além da destruição de suas principais cidades.

Esse conflito conta com importantes países e potências que, em decorrência de suas ações difusas e conflitantes, dificultam a edificação de uma solução pacífica do conflito. A Rússia, liderada por Vladimir Putin, apoia o governo de Assad, encontrando no governo sírio importante consumidor de suas armas além de defender um importante aliado nas questões geopolíticas que envolvem o Oriente Médio. O governo norte-americano, durante a gestão de Barack Obama, apoiou insurgentes que exigem a queda de Assad. Os Estados Unidos não aprofundaram esse apoio, dentre outros motivos para não agudizar instabilidades com a Rússia como também não gerar possíveis críticas internas, já que parte da população estadunidense não vê com bons olhos outra ação militar depois dos excessivos gastos com a interferência no Iraque (2003-2013).

Outro participante ativo nesse conflito é o grupo Estado Islâmico que, aproveitando-se dessa instabilidade ocupou parte da Síria, visando constituir seu califado, ou seja, território controlado politicamente por um líder religioso (califa). Contra esse grupo observam-se ações perpetradas pelo governo sírio e dos insurgentes apoiados pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais. Um último ator importante dessa trágica história é a população de origem curda, minoria étnica que habita região que engloba parte da Turquia, Síria, Iraque, Irã e Armênia, desejando a formação e reconhecimento internacional de um novo país no Oriente Médio: o Curdistão. Sobretudo, eles lutam contra forças do Estado Islâmico que desejam ocupar parte do território habitado pela população curda.

Vale destacar que nos últimos meses vem despontando a possibilidade de Bashar Al Assad ampliar seu controle político e territorial, findando a fase mais sangrenta desse conflito, apesar de a paz ainda ser incerta. Desde 2015 a Rússia iniciou bombardeios na Síria em apoio a Assad, permitindo que esse governante retome territórios importantes e estratégicos, principalmente na costa do país. O mínimo que se espera é que prevaleça o diálogo, permitindo a conclusão de um conflito que penaliza profundamente uma população que nos últimos 6 anos viu sua expectativa de vida reduzir cerca de 20 anos, a produção de alimentar cair em 40% e a taxa de desemprego alcançar a marca de 57%.


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