Dicas de Vestibular

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A Revolução Russa por outros olhares
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O ano de 2017 marca o aniversário de 100 anos da Revolução Russa. Por conta disso, uma série de eventos e publicações estão programados para os próximos meses em todo o mundo. Paralelamente, o referido centenário traz algumas preocupações para os estudantes que estão se preparando para o ENEM e demais vestibulares: o que pode ser cobrado? como pode ser cobrado? como devo estudar o tema? O presente texto busca trazer essas respostas.

Inicialmente, quando analisado o histórico de questões sobre Revolução Russa, conseguimos observar que o assunto é cobrado com baixa frequência – de todos os grandes temas do século XX na História Geral, a Revolução Russa é a preterida entre as bancas examinadoras. O ENEM nunca abordou o tema, a FUVEST o fez pela última vez em 2000. Das universidades públicas paulistas, apenas a UNESP tem cobrado o assunto com significativa frequência – desde 2010, foram 6 questões. Já com relação a forma como as bancas abordam o tema, esta é feita de maneira bastante tradicional: questões com viés materialista, discutindo causas e consequências; as fases da revolução; e as mudanças políticas, sociais e econômicas. As questões mais complexas se limitam a abordar a Revolução Russa em seu contexto com o período do entre Guerras e comparativamente com outras revoluções, em especial a francesa de 1789.

O cenário descrito acima, poderia, isoladamente, trazer o diagnóstico de que o estudo da Revolução Russa está em uma posição de segunda importância – o que seria um completo equívoco.

O tema deve ser tratado com bastante atenção, ao menos por duas razões: (i) ele faz a ligação das teorias socialistas e dos embates ideológicos do século XIX com os acontecimentos da primeira metade do século XX; além do fato de que (ii) compreender a Revolução e seus desdobramentos é compreender, em grande medida, todos os acontecimentos do século passado, como a ascensão do Fascismo, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria – temas que são cobrados todos os anos.

Se isso não bastasse, a Revolução Russa é daqueles temas que permite reflexões e abordagens bastante interessantes. Ao analisarmos o ENEM e os vestibulares mais concorridos do país, observamos uma tendência de questões que buscam avaliar determinadas habilidades nos candidatos, muito além da simples memorização e exposição de conceitos. Atualmente, o candidato que busca um curso concorrido em uma universidade de ponta deve estar apto a correlacionar situações concretas a conceitos teóricos, bem como inter-relacionar conceitos diversos para efetuar análises complexas. Nesse sentido, nós do Anglo trabalhamos com nossos alunos o que denominamos de HAC (Habilidades de Alta Complexidade). Vejamos um exemplo:

 

As duas imagens acima foram produzidas por importantes artistas russos em momentos históricos bastante significativos. O primeiro trata-se de um cartaz feito em meio à guerra-civil como forma de apoiar os Bolcheviques contra os Brancos – a obra é dividida em duas grandes partes, uma branca e outra preta. No lado branco há um grande triângulo vermelho, cuja ponta atravessa a divisória entre as cores e penetra no círculo branco que domina o lado preto, escapando vários estilhaços vermelhos. O segundo é um quadro produzido quarenta anos depois, no fim do regime stalinista – nele temos dois homens, um deles está morto enquanto o outro toma a bandeira vermelha em punho. As obras fazem parte, respectivamente, da arte vanguardista russa e do realismo soviético.

O início do século XX foi marcado por inúmeras transformações que se refletiram em inúmeros movimentos artísticos de vanguarda. Nesse contexto, a Rússia governada pelo Czar Nicolau II, tendo sido derrotada na Guerra Russo-Japonesa (1905) e na Primeira Guerra Mundial, e em meio a uma enorme crise, foi o cenário ideal para o surgimento de inúmeras vanguardas que contestavam a arte até então praticada – a arte do czar e da burguesia. O ambiente pré-revolucionário foi marcado por uma grande efervescência cultural, situação que se manteve até a construção do totalitarismo de Stalin. A arte moderna russa pôs a arte sobre novas bases, tal como Lênin pretendia fazer com o mundo ao criar o seu Estado socialista.

Os artistas vanguardistas na Rússia eram entusiasticamente a favor do Estado – ao menos nos primeiros anos pós-revolução. E para os Bolcheviques, apoiar as correntes artísticas radicais e progressistas era promover um novo modo de vida igualmente radical e progressista proposto pela Revolução de Outubro de 1917. Nesse contexto, temos a primeira imagem em que as formas e o estilo da arte não representacional são usados de uma maneira extremamente simbólica.

Com o desenrolar da Revolução e a progressiva construção do totalitarismo stalinista, o espaço para o diferente e para a contestação cessou. A ideologia totalitária submeteu também o campo da cultura, e a arte vanguardista deu espaço para o realismo socialista a partir da década de 1930, como demonstra a segunda imagem. Em um formato bastante distinto, nela fica expressa uma verdadeira política de Estado para a estética, que determinou tendências nas mais diversas esferas do campo da cultura – da literatura ao design de produtos.

O realismo soviético é avesso à arte subversiva, é contrário às ideologias subversivas. Comparar as duas imagens é observar, através da arte, como o projeto revolucionário de 1917 mudou de curso.

Em síntese, o bom estudante deve estar atento a fatores que vão além da simples narrativa histórica, desenvolvendo através de seus estudos habilidades complexas que o permitam, entre outras, contrastar documentos de diferentes naturezas reconhecendo a influência da subjetividade em seus registros, bem como inseri-lo dentro do seu contexto histórico.



Fontes: Pinterest/Voyager


Estratégia: como resolver as questões de 2ª fase dos vestibulares
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estudantes_1Os principais exames vestibulares de segunda fase, como da Fuvest e da Unicamp, se aproximam. Agora, será a vez de questões discursivas. Os candidatos que chegaram até aqui estão bem preparados. Então, qual a estratégia para o sucesso? Inicialmente, vale lembrar todos os procedimentos que antecedem qualquer prova: adequadas horas de sono, bom preparo físico (que tal fazer caminhadas nos dias que antecedem as provas?), alimentação adequada e balanceada e, fundamentalmente, confiança no conhecimento da matéria.

Especificamente para as resoluções das questões discursivas, continua valendo a conhecida estratégia do método pega-varetas, em alusão ao brinquedo que você deve retirar o máximo de varetas sem mexer as demais, logicamente, começando a coletar as varetas mais fáceis de serem retiradas. No caso, por exemplo, da prova de Conhecimentos Gerais da Fuvest, é aconselhável fazer uma leitura da prova antes, desde a primeira questão, marcando aquelas que o candidato acredita dominar mais e que deverão ser resolvidas primeiro. As mais complexas ficam para o final.

A vantagem de ler todas as questões previamente é informar ao cérebro do que trata a questão. É um primeiro registro do assunto, que será útil na retomada posterior da questão, o que facilitará sobremaneira a resolução. Para a prova de Conhecimentos Específicos da Fuvest e para a prova da Unicamp, vale o mesmo procedimento: pega-varetas. Ler todas as questões e assinalar aquelas que o candidato acredita que possam ser resolvidas mais facilmente.

Agora, qual é a estratégia de resposta, ou seja, como elaborar a resposta ao que se pede na questão?

Depende de como é a proposta da questão, se única ou dotada de itens. A seguir, vamos a um exemplo de questão de Biologia que caiu na prova da Famerp, 2016, realizada em 18/12/2015.

segunda_fase_fuvest_unicampVamos ao procedimento: após ler o conteúdo da questão com cuidado, deve-se fazer inicialmente um rascunho com as possíveis respostas. Mais importante, é se ater ao que é pedido em cada item. Ou seja, no caso do item a, há duas perguntas, que devem ser respondidas separadamente. O mesmo vale para o item b, que também é constituído de duas perguntas. Feito o rascunho e respondidas as questões de cada item, agora é hora de passar a limpo, corrigindo possíveis erros verbais, conferindo vírgulas, acentos e elaborando a forma final.

Veja, a seguir, um modelo de resposta aos itens da questão acima.

Respostas:

a) O agente causador da Aids é um vírus, portanto, acelular. O material genético é representado por duas moléculas de RNA.

b) A transcriptase reversa atua na síntese de uma molécula de DNA a partir da molécula do RNA viral. Trata-se de uma transcrição reversa. Antirretrovirais não curam a doença porque ainda permanecem moléculas do DNA viral, chamados “provirus”, ligados ao material genético das células infectadas. Se, eventualmente, essas moléculas de DNA entrarem em atividade, poderão produzir novas moléculas de RNA viral, que poderão infectar novas células e, assim, possibilitar a continuidade da doença.

O procedimento adotado na resposta à questão acima é válido para qualquer questão, seja da Fuvest, seja da Unicamp. Fique atento ao que se pergunta. Se for apenas um item, responda e pronto, mas esteja atento para a possível subdivisão de perguntas no caso de item único. Se houver dois itens e cada um tiver uma questão evidente, responda separadamente cada uma delas. Não misture as respostas dos itens e não faça uma resposta única abrangendo os dois itens.

Se o candidato tomar esses cuidados, pode ter certeza de que tem tudo para fazer uma excelente prova. O resultado ficará bem próximo do que se tem como meta, ou seja, sucesso na reta final e obtenção da tão sonhada vaga no curso escolhido.

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Veja como identificar e resolver questões interdisciplinares
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*Por Prof. José Eduardo Monteiro

Candidatos prestam prova da Fuvest. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Estamos às vésperas da primeira fase do vestibular da FUVEST e é bom lembrarmos que algumas das suas questões são interdisciplinares, ou seja, é necessário articular conhecimentos de duas ou mais disciplinas para a sua resolução. Questões desse tipo são adotadas nessa prova desde a edição de 2007 e atendem às diretrizes estabelecidas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) de 2000.

Importante ressaltar que essas questões não são apresentadas em blocos como as das outras disciplinas, mas estão espalhadas ao longo da prova, de forma que não ficam claramente identificadas. Mesmo assim, não costuma ser difícil reconhecê-las. Por exemplo, uma das questões interdisciplinares do ano passado tratava do desenvolvimento das máquinas térmicas e sua importância para a revolução industrial; em outra, o candidato precisava ter conhecimentos de progressão geométrica e de acústica.

Essas questões interdisciplinares também costumam ser contextualizadas, partindo da análise de alguma situação cotidiana, utilizando os saberes das disciplinas que se articulam para o desenvolvimento de um estudo mais global e menos segmentado para sua resolução. Aqui, as fórmulas prontas têm relevância secundária, sendo necessário que o aluno explore a sua criatividade, sua iniciativa e sua capacidade de associar o conhecimento acadêmico à sua realidade. Como essa é uma tendência que se verifica não só nas provas, mas também nas práticas escolares, provavelmente você já resolveu diversas questões desse tipo.

Como se preparar para essas questões? Do mesmo jeito que você já tem se preparado para as outras. No meu último post neste blog eu destaquei a importância de se refazer provas antigas e se você seguiu a minha dica, já viu bons exemplos de como elas podem aparecer. Caso você não tenha refeito, ainda dá tempo! Quanto mais questões você fizer, mais bem preparado você estará para encarar esse desafio.

jose_eduardo_monteiro


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