Dicas de Vestibular

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Saber ver um filme
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Cinema Paradiso (1988)/ Divulgação

– Professor, você pode me indicar um filme a respeito do assunto da aula de hoje?

Essa pergunta é recorrente, particularmente para professores de História.

Gladiador (2000) / Divulgação

Se o aluno enxergar o filme como uma espécie de atalho para aprender o assunto, a película terá pouca utilidade. Um filme como Gladiador (EUA, 2000), por exemplo, não vai substituir a leitura sobre os impactos da política do “pão e circo” na Roma Antiga. Mas ele pode ser motivador de leituras sobre as inspirações do diretor, das distâncias e proximidades entre a ficção cinematográfica e a realidade romana. Nesse caso, ele cumpre papel importante na formação de qualquer estudante.

Aprender a lidar com as leituras cinematográficas da História pode ser uma ferramenta para compreender as diferentes representações do passado. Como diz uma canção de Tom Jobim, os olhos não podem ver as coisas bonitas que os olhos não sabem ver. Saber ver um filme é realizar um estudo interdisciplinar. Em busca de compreender, o aluno irá usar conhecimentos de estrutura narrativa – obtidos nos cursos de Língua Portuguesa -, conhecimentos geográficos dos locais em que as filmagens foram ambientadas, elementos históricos da região, dos personagens… bem como toda uma infinidade de outras possibilidades.

Adolf Hitler, em traje de gala, passa em revista a guarda de honra, em Berlim. / FSP-Mais!-21.07.96

A lista de filmes que poderia indicar também é “infinita”, mas vou me limitar a uma única indicação: o documentário Arquitetura da destruição (Suécia, 1989). Primeiro, por tratar-se de um documentário, gênero importante para quem pretende debruçar-se sobre as características de uma determina época ou lugar. Segundo, pela incrível qualidade da estrutura narrativa do filme. Sem falar da importância do tema abordado. O diretor, Peter Cohen, traçou um perfil da trajetória de Hitler e suas relações com a arte. O filme é inspirador para aqueles que desejam estudar o nazismo e suas implicações. Se o filme motivar pesquisas iconográficas, leituras e reflexões pessoais, você estará aprendendo a saber ver um filme.


4 filmes contemporâneos imperdíveis para o vestibular
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Dicas de Vestibular

*Por Daniel Perry

filme_2Os vestibulares mais concorridos não cobram apenas conteúdo. Cobram capacidade analítica e poder de argumentação. Isto se consegue com muito estudo, mas também com repertório cultural abrangente. Nesse sentido, assistir a filmes de alto nível contribui bastante e pode render pontos preciosos na hora da prova.

Quando se analisa os exames dos últimos anos, percebe-se a alta incidência de questões abordando temas relacionados aos direitos humanos. E em diversas ocasiões o cinema tratou disso com brilhantismo.

Um exemplo é As Horas (Stephen Daldry, 2002). Marcadamente feminista, a história se passa em três lugares e épocas diferentes. Em Londres dos anos 20, Los Angeles da década de 50 e Nova York nos dias atuais, três mulheres enfrentam o conflito entre uma vida de aparências que a sociedade as obriga a ter e seus reais desejos e angústias. Com um final surpreendente, o filme mostra a importância das escolhas individuais como elemento decisivo para o empoderamento – ou não – de uma mulher.

A hora do show, de Spike Lee (Spike Lee, 2000) é mais um dos polêmicos filmes deste cineasta e ativista político afro-americano. Na obra, violentamente sarcástica, debate-se a permanência do racismo na sociedade dos EUA. O protagonista é um produtor de TV que emplaca um programa de sucesso. Mas o show é surpreendente: atores negros, pintados no estilo “black face”, passam o tempo todo fazendo piadas racistas. A ideia é, através do exagero, da hipérbole, denunciar o racismo presente mesmo nos brancos que não se consideram racistas, mas riem das piadas que depreciam os negros. Não é um filme que oferece soluções fáceis e por isso mesmo estimula a reflexão radical.

Já em Milk – A voz da igualdade (Gus Van Sant, 2008) o tema é a luta pelos direitos dos homossexuais. Harvey Milk foi o primeiro político assumidamente gay a ser eleito para um cargo público nos EUA. O filme mostra o protagonista como um indivíduo que emerge das transformações comportamentais ocorridas nos anos de 1960 e que, ao longo década seguinte, batalha por dignidade para sua comunidade. Mesmo enfrentando preconceito e sabotagens de caráter homofóbico, Milk ascende a um importante cargo na cidade de San Francisco. O desfecho não chega a ser surpreendente, pois dialoga muito bem com a realidade da violência homofóbica presente na maior parte do mundo, inclusive do Brasil.

Saindo da esfera dos costumes e adentrando a seara econômica, O Corte (Costa Gravas, 2005) é um magnífico filme que aborda o drama do desemprego na vida de um indivíduo. Um bem sucedido executivo é demitido e vê a condição financeira de sua família ser fortemente rebaixada. Desesperado, o protagonista elabora um engenhoso e sanguinário plano para recuperar o status perdido: resolve matar todos os profissionais de sua área que possuem as mesmas qualificações que ele. Assim, quando surgir um emprego, ele será o único candidato. Um a um, ele elimina a concorrência. O polêmico cineasta greco-francês aborda, com sarcasmo, elementos da sociedade contemporânea numa violenta crítica ao neoliberalismo: o individualismo exacerbado, a competição selvagem, a afirmação social a partir do dinheiro, entre outros elementos.

Embora em muitos momentos delicados e até divertidos, todos esses filmes são densos. Não são exatamente entretenimento suave. Mas fazem refletir. E, sobretudo, fornecem substância para o vestibulando encarar com segurança as provas que terá a seguir.

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5 filmes para assistir antes dos vestibulares sobre História do Brasil
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*Por Daniel Perry

filmes

É comum ouvir a pergunta, especialmente quando se aproximam os vestibulares e bate aquela ansiedade: “professor, pode me indicar alguns filmes pra eu aprender História?”.

Bem, vale ressaltar que nada se aprende num passe de mágica, muito menos História. Seria necessário assistir a muitos, muitos filmes mesmo para se ter uma visão abrangente do processo histórico. Mas como então usar a sétima arte para aprimorar seus conhecimentos para o vestibular?

O vestibulando deve encarar o cinema como uma forma de ampliar seu repertório cultural, aumentando dessa forma seu poder de argumentação. Nessa reta final, assistir a produções que lhe forneçam subsídios para desenvolver discussões em redações e questões discursivas é um bom caminho. E, tratando-se de História do Brasil, há ótimas opções. Veja a seguir algumas delas.

Desmundo (Alain Fresnot, 2003) é uma delas. Este filme trata do Brasil no século XVI e aborda questões como a condição feminina; as tensões entre colonos, jesuítas, cristãos-novos e índios; aspectos do cotidiano da época, dentre outros elementos. Quem assiste entende que o Brasil, diferentemente da “visão idílica do paraíso”, era um “não-mundo”, ou seja, um “desmundo”.

Outra sugestão é  Abril despedaçado (Walter Salles, 2001). Ambientado no Nordeste da década de 1910, trata de aspectos do coronelismo, do patriarcalismo, da disputa pela terra e da tradição de vingança através do derramamento de sangue. Em meio à angústia, delicadas cenas que denotam a esperança de libertação de uma vida “despedaçada” pela aridez e violência que permeiam a sociedade brasileira.

Curtinho, com apenas 28 minutos de duração,  Libertários (Lauro Escorel Filho, 1976) é um documentário que mostra um processo importante ocorrido no Brasil do início do século XX: a formação da classe operária e suas lutas por melhores condições trabalhistas. Com destaque para a famosa greve geral de 1917, esta produção mostra a influência de imigrantes portugueses, espanhóis e italianos no movimento sindicalista que dava seus primeiros passos num país que começava a respirar ares urbanos.

Chegando aos dias atuais, outro filme de grande impacto e que suscitou muitos debates é  O dia que durou 21 anos (Camilo Tavares, 2012). Neste documentário sobre o golpe militar de 1964, por meio de entrevistas, como a de Lincoln Gordon, embaixador norte-americano no Brasil no período; áudios (é bastante interessante ouvir a preocupação de John Kennedy com os rumos do governo João Goulart) e depoimentos de pessoas que apoiaram o movimento é demonstrada a decisiva participação dos EUA no processo que mergulhou o país em mais de 20 anos de regime ditatorial.

E em relação aos filmes em cartaz, há algum que contribua para o vestibulando? Sem dúvida. O grande filme do momento é Que horas ela volta? (Ana Muylaert, 2015). “Mas não é um filme sobre dilemas contemporâneos?”, deve estar se perguntando o estudante. Contudo, são problemas de origem histórica. Há nessa belíssima película a discussão sobre as tensões (às vezes escancaradas, à vezes escondidas) entre patrões e empregados. Num Brasil de origem escravista, é interessante observar o processo de libertação da empregada doméstica da suave dominação a que estava submetida. Controverso? Certamente. Mas saber abordar analiticamente polêmicas é um dos grandes desafios do vestibulando.

daniel_perry


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