Dicas de Vestibular

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Língua Inglesa e leitura: dicas para ir bem nos vestibulares
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O aprendizado de qualquer língua estrangeira requer tempo e dedicação. Quanto maior tiver sido o contato do vestibulando com essa língua, maior será sua base para resolver os exames. Visto que a maioria dos grandes vestibulares exige principalmente (às vezes, somente) compreensão de texto, é nisto que os candidatos devem focar seus estudos: leitura, compreensão e aquisição de vocabulário. Ainda assim, o conhecimento de regras gramaticais não deve ser subestimado, pois contribui para a boa compreensão dos textos.

Primordialmente, os alunos e alunas devem desenvolver o hábito da leitura atenta, que esmiúça/analisa o texto, buscando compreender as relações estabelecidas entre as ideias expressas e identificar as informações relevantes, bem como as pessoas da comunicação (enunciador e interlocutor). A associação entre texto verbal e não verbal também é algo importante a se desenvolver, uma vez que são comuns, nos vestibulares, questões baseadas em cartazes publicitários, tirinhas, charges, infográficos, etc. Recomendamos que os alunos, em suas leituras, explorem os diferentes gêneros textuais (textos jornalísticos, científicos, publicitários, músicas, poemas, tirinhas, etc.).

Há também estratégias que podem ser de grande ajuda na hora de fazer a prova: quando os enunciados e as alternativas das questões não são muito longos, vale a pena lê-los antes mesmo de iniciar a leitura do texto correspondente. Dessa forma, o candidato pode ficar mais atento à informação que será cobrada no exercício. O aluno que lê o texto grifando os trechos importantes e relevantes, que identifica as ideias predominantes em cada parágrafo e no texto como um todo (até o título é de grande ajuda), ganha agilidade para responder às questões – e o tempo é um fator fundamental a ser administrado ao longo de toda a prova. É fundamental também que o candidato preste muita atenção ao que é pedido no enunciado de cada questão e volte a ele quando em dúvida quanto à resposta mais adequada (situação comum nos exames do Enem). Ainda, deve-se ter em mente que as respostas quase sempre estarão no corpo do texto. Portanto, é preciso ater-se ao que está presente nele, ainda mais quando a questão se refere a um determinado parágrafo, trecho ou expressão. Vale, para tanto, utilizar os termos ou dados mencionados no enunciado como referência para buscar a resposta no texto. É recomendável também evitar respostas baseadas no próprio conhecimento de mundo ou opinião (por mais que possam ser considerados corretos ou válidos) se esses não estiverem contemplados no texto em questão.

Bons estudos e boas provas!


O preparo começa hoje: dicas para quem irá prestar vestibular pela 1ª vez
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Leciono no Anglo há quase 20 anos e todo ano vejo os alunos com as mesmas dúvidas com relação ao vestibular. A mais frequente é: terei que estudar feito um louco?

Não, definitivamente não. Você deverá estudar com inteligência. Seu estudo deve ser, sobretudo, saudável, organizado e frequente.

Saudável porque você deverá encontrar prazer em estudar. O estudo não deve ser uma tortura. Não se estuda por obrigação, e sim porque você quer aprender.

Organizado porque você deve distribuir quais matérias estudará ao longo de cada dia da semana para que, ao final, tenha estudado todo o conteúdo.

E frequente porque você deverá estudar todos os dias, e não só quando tiver provas. O ato de estudar deve ser contínuo. Porém, você não pode entrar num ritmo muito forte porque dessa forma não será saudável.

O que você deverá fazer é seguir o ritmo do seu corpo. Cada aluno tem uma resistência. É preciso entender que às vezes precisamos de um ou dois anos para assimilar completamente o conteúdo. Cada aluno tem uma característica. Você não poderá exceder o seu limite. Relaxar também é importante. Para tanto, procure praticar algum esporte, treinar em uma academia, por exemplo, enfim, realizar alguma atividade física que lhe dê prazer ao menos uma vez por semana para um descanso. Afinal de contas, o descanso também faz parte da preparação.

Outra dica importantíssima é NUNCA faltar à aula. No Anglo, “Aula dada, é aula estudada”. Na aula você entende e, no momento em que estiver estudando sozinho, você aprende.

O vestibular é uma porta aberta pela qual qualquer pessoa pode passar, basta saber fazer o que deve ser feito e, acima de tudo, acreditar em si mesmo.

Eu posso dizer isso porque há quase 30 anos, quando entrei no Anglo, acreditei nisso que está escrito acima e, mesmo vindo de escola pública, consegui uma vaga no ITA.

Portanto, caro vestibulando, bem-vindo a uma nova fase. A fase de aprender que aprender é prazeroso. Boa sorte!


Saiba como se preparar para a Segunda Fase da Unicamp
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Entre os dias 14 e 16 de janeiro de 2018, 15461 candidatos farão a segunda fase do vestibular da Unicamp, considerada uma das melhores universidades do país, com cursos nas áreas de biológicas, exatas e humanas.

Para os alunos que em breve realizarão essa prova, lembraremos alguns pontos importantes nessa reta final de preparação.

O primeiro é a importância de refazer as provas de anos anteriores, pois, apesar de não serem esperadas questões muito semelhantes de um ano para outro, é imprescindível se familiarizar com o padrão dos enunciados, com o espaço delimitado para elaborar as respostas e também com o tempo disponível para resolver a prova. Os vestibulares dissertativos exigem não apenas o domínio dos conteúdos, mas também técnicas de elaboração de respostas dissertativas.

Outro exercício importante é reler resumos e anotações elaborados durante o ano. Dessa forma, o aluno pode relembrar rapidamente conceitos exigidos na prova, além de  identificar assuntos nos quais tem maior dificuldade, a fim de priorizá-los na revisão.

A redação é mais um aspecto fundamental. Desde a sua origem, a prova de redação da Unicamp tem como intuito principal avaliar a leitura e a escrita como processos profundamente inter-relacionados. Atualmente, a prova é composta por duas propostas obrigatórias de gêneros diversos, e os candidatos não sabem previamente quais gêneros serão solicitados pela banca.

Em cada uma das duas propostas, haverá um enunciado que determina as condições para a produção do texto, situando o candidato em relação ao propósito de sua escrita, ao gênero textual que deverá ser adotado e à interlocução (enunciador e interlocutor) a ser construída.

Propósito, gênero e interlocução são os elementos que norteiam tanto os critérios da grade específica, que avalia o cumprimento das exigências da proposta, quanto da grade holística, na qual se avalia a qualidade do trabalho desenvolvido, por meio também de elementos como modalidade escrita, coesão e adequação lexical.

Para elaborar cada redação, o candidato tem como base um texto-fonte, de gênero diferente daquele a ser elaborado, o que exige muita atenção às características principais de cada gênero textual. Nesse contexto, o aluno cuja história de leitura e escrita for mais consistente, pois ao longo de sua formação teve contato com gêneros textuais diversos, muito provavelmente terá melhor desempenho, pois poderá demonstrar maior capacidade de relacionar, analisar, articular, sintetizar e organizar informações, bem como de demonstrar senso crítico, se assim a proposta exigir. É a consideração dessas condições que permitirá a elaboração de um texto adequado, e o candidato que tiver analisado as propostas de anos anteriores corre menor risco de se surpreender durante a prova.

Agora vamos focar um pouco mais na prova de geografia. A segunda fase da Unicamp apresenta questões com nível de dificuldade de médio a difícil, especialmente em temas relacionados a geografia econômica, dinâmica da natureza e geopolítica. Nos últimos cinco anos, as questões de geografia econômica abordaram temas como indústria, fontes energéticas e agropecuária. Em dinâmica da natureza, temas como relevo, clima e vegetação foram abordados, em geral com grau de dificuldade mais elevado. Já em geopolítica, entre os temas escolhidos pela banca, destacam-se tópicos referentes a Oriente Médio, América Latina e China.

Para finalizar, reforçamos que é muito importante analisar o formato das questões. É preciso interpretar minuciosamente as informações disponíveis no enunciado, como imagens, gráficos, mapas e textos, que podem contribuir para a elaboração das respostas. Outro item relevante é a leitura atenta do comando das questões, pois é fundamental identificar se uma questão exige a análise, a apresentação ou a descrição de algum tema, o que facilita a elaboração das respostas dissertativas e pode economizar um tempo precioso dos alunos.

Boa prova a todos!


A tão esperada segunda fase chegou… Como superá-la?
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Ser vestibulando é muitas vezes abdicar de momentos com família e com os amigos. É negar um passeio, uma viagem, uma balada. É passar as tardes no plantão, chegar em casa somente à noite e continuar os estudos até ser empurrado para a cama, com a ajuda do sono e do cansaço. Por que tudo isso? Para que tanto esforço? A resposta é a conquista da tão sonhada vaga em uma grande universidade. Você está muito próximo dessa conquista! A enorme peneira chamada primeira fase já passou, e agora chegou o momento de encarar a segunda fase.

A chave do sucesso é manter sua rotina de estudos, diariamente assistir às aulas de revisão e fazer todas as suas tarefas. Acabou? Sobrou algum tempinho? Que tal acessar o site: https://angloresolve.plurall.net/? Lá você vai encontrar as provas de segunda fase dos anos anteriores de diversos vestibulares. Vale destacar que todas as questões foram resolvidas pelos professores do Sistema Anglo de Ensino. Dessa forma, sua preparação será completa: aulas, exercícios e estudo dirigido. Isso mesmo, estudo. Rever os conteúdos em que você tem mais dificuldade poderá ser o seu grande diferencial na hora da prova.  Conhecer a prova também será fundamental.

A segunda fase da FUVEST terá 3 dias de prova; o primeiro com Português e Redação. Durante o segundo dia, você fará questões de todas as matérias, e, no terceiro dia, serão apenas as disciplinas específicas do seu curso. Estudar o que é mais pedido pode ser uma excelente estratégia. Na Biologia, os assuntos “top five” são:

Ecologia – enfatize ciclo do nitrogênio, eutrofização, problemas ambientais e sucessão ecológica.

Fisiologia animal – faça uma análise geral dos sistemas, porém estude mais sistema endócrino (ciclo menstrual também) e sistema nervoso.

Genética – estude os grupos sanguíneos do sistema ABO e Rh. Lembre-se da eritroblastose fetal e suas consequências para o bebê. Faça uma breve revisão sobre a 2ª Lei de Mendel e sobre quando os genes estão ligados no mesmo cromossomo (linkage).

Reino vegetal – faça uma árvore filogenética dos grupos vegetais e dê destaque para as características adaptativas que auxiliaram os organismos no processo adaptativo, como os vasos condutores, as sementes, as flores e os frutos.

Fisiologia celular – a citologia é um assunto bem amplo, que envolve desde a divisão celular até a atividade das organelas citoplasmáticas, por isso estude bem esse assunto.

Como sua prova não será composta apenas por questões de Biologia, faça um planejamento e reveja todas as disciplinas. Durante as festas de final de ano, continue focado. Curta, aproveite a família, os amigos e depois volte aos estudos. Acredite que todo o esforço e dedicação farão a diferença na hora da prova. Quanto mais você estudar, mais seguro vai estar para resolver uma questão da segunda fase da FUVEST.  No dia, capriche na letra e escreva uma resposta clara e precisa.

Acredite no seu esforço. Quando você for aprovado, todo esse trabalho vai ser recompensado. Você se lembrará do tempo dos vestibulares apenas como um momento difícil que passou em sua vida. Muitas felicidades surgirão e novos desafios também.

Na reta final, foco total!!! Faça uma excelente segunda fase da FUVEST. Vai ser sua última!!!


Qual é o cálculo que realmente interessa? Uma análise do ano de estudos.
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Não conheço ninguém, que, nesta época de final de ano, deixe de fazer, ainda que mentalmente, um balanço de tudo o que realizou desde o último reveillon. A divisão da vida em períodos de tempo sempre teve como função mais evidente contabilizar lucratividade, desde as necessidades da agricultura relacionadas às estações do ano no período paleolítico, até o estabelecimento de turnos de trabalho nas fábricas inglesas da Revolução Industrial. É muito difícil que alguém escape incólume de um tipo de “prestação de contas” a respeito das conquistas e dos fracassos do ciclo cronológico que se encerra a cada 31 de dezembro. O problema não está em fazer ou não esse balanço. O que importa, na verdade, são os parâmetros de avaliação utilizados para analisar tudo aquilo pelo que passamos.

O dinheiro acumulado, o carro trocado, a aprovação no vestibular desejado e as promoções conquistadas costumam estar em primeiro lugar e possuir grande peso nesse cálculo. Mesmo que não tenhamos nos sentido realizados, nem experimentado sensações novas, somos considerados vitoriosos pelo aumento salarial concedido e pelo reconhecimento alcançado no meio que frequentamos. Vivemos em um tempo em que felicidade costuma ser confundida com utilidade.

Cansado da sensação constante de que o ano passou rápido e de que as realizações nem sempre eram exatamente o que esperava, resolvi, mais ou menos dez anos atrás, começar a esboçar um “caderninho de conquistas”. Nele, estabeleci alguns aspectos que seriam significativos para mim, e só para mim, e que poderiam ser considerados como conquistas alcançadas naquele ano que se encerrava. Eu tinha desejado comprar um apartamento naquela época e incluí, sem pestanejar, a aquisição do imóvel como um grande acontecimento no período. Mas eu sabia que aquilo representava apenas um aspecto dentro do crescimento que tinha tido. Eu queria tentar definir o que eu realmente valorizava como passos significativos na minha trajetória individual. Então passei a considerar os livros que li, os filmes que descobri e as cidades e museus que visitei. Entendi aí que esses eram os aspectos que mais faziam diferença para o desenvolvimento do cara que eu queria ser.

O caderninho, que ainda uso hoje, acalmou muito a minha ansiedade e me ajudou a diferenciar a minha busca interior e subjetiva dos valores que, em geral, nos são impostos por uma sociedade extremamente preocupada em contabilizar apenas ganhos financeiros, resultados acadêmicos ou vantagens profissionais.

Sugiro que você faça algo parecido e que, nesses últimos dias de 2017, pare para pensar, em primeiro lugar, no que mudou internamente. Supondo que tenha sido um período de busca, de definição de objetivos, de batalha com você mesmo. Suponho ainda que talvez você não tenha alcançado exatamente o que esperavam de você e o que era considerada a grande luta do ano. Mas e o resto? Quem é que está calculando seus avanços subjetivos? Será que o seu crescimento interessa a alguém na sociedade prática e utilitária?

Procure olhar para o caminho percorrido desde dezembro de 2016. O que você aprendeu? Com quantas pessoas novas se relacionou? Que momentos de prazer você conseguiu experimentar? O quanto você descobriu sobre você mesmo? Seus medos, angústias e ansiedades são os mesmos do ano passado? O que de muito pequeno e quase imperceptível para o mundo objetivo se transformou nesse tempo transcorrido? Faça a própria lista e celebre cada passo que deu. Esqueça o sucesso do seu colega de classe, as expectativas da sua mãe ou a promoção do vizinho da frente. A única celebração realmente válida neste momento é a sua conquista pessoal. Afinal, você é a pessoa com quem mais conviverá para o resto da vida. Por mais que o mundo grite o contrário e sempre exija dividendos palpáveis, acredite que o único cálculo que de fato interessa é o da diminuição da distância entre você e você mesmo.

 


Vai revisar química para o Enem? Veja 7 temas que podem cair na prova
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Está chegando a hora.

Enem, Fuvest, Uerj, Unicamp, Ufrgs, Ufpr, são tantas provas que já perdi as contas.

Caso esteja precisando rever Química, o que se deve rever?

Você deve entender que a Química faz parte de você, da sua vida e do mundo. Em vários processos de avaliação – inclusive o ENEM – eles irão exigir observação e entendimento dos objetos e materiais, bem como  dos processos pela perspectiva que envolve a Química, na vida e no mundo.

Nem pensar em decorar a tabela periódica, pois tabela é um material a ser consultado e não decorado. Você irá se deparar com gráficos e tabelas que exigem a compreensão e o raciocínio, não a memorização; assim, saber raciocinar “quimicamente” o levará a resposta correta. Esta recomendação vale para todos os exames.

Cada exame de seleção apresenta suas particularidades, embora haja um bom padrão dos assuntos mais recorrentes. Eles são:

>Equilíbrios químicos, com destaque para pH e deslocamento de equilíbrio.

>Reconhecimento de funções orgânicas

>Interpretação de modelos de reações orgânicas

>Interações intermoleculares.

>Cálculos Estequiométricos

>Eletroquímica

>Termoquímica.

Caprichem na revisão desses assuntos e boa prova!

 


As aulas voltaram! E agora?
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Olá, pessoal!

A discussão de agora é como devemos nos preparar para o vestibular. A grande verdade sobre este momento é: não existe receita milagrosa. O ato de estudar é muito particular, cada um tem o seu estilo. Porém, existem algumas atitudes que são fundamentais para se ter um bom rendimento nos estudos.

Independentemente do seu estilo de estudar, é fundamental ter organização, foco, determinação e – acima de tudo – vontade de estudar. O aluno que se prepara para um vestibular tem que estar ciente de que agora ele está em outra fase, outro patamar da vida e não conseguirá seus objetivos se ainda mantiver aquelas atitudes do Ensino Médio, de estudar um dia antes da prova, ou pior, estudar por obrigação.

O estudante que está se preparando para o vestibular deve aprender a ter prazer no ato de estudar. Enquanto a motivação for “estudar por obrigação”, ou for “estudar sem vontade”, dificilmente terá algum rendimento positivo nos seus estudos.


O ato de estudar deve ser prazeroso, e mais, o ato de estudar deve ser contínuo. Todos os dias deve-se estudar. Por isso, a organização de quais matérias e assuntos que deverão ser estudados ao longo dos dias é fundamental para que não se estude determinados assuntos com muita frequência, ou para que outros fiquem sem ser estudados.

Portanto, queridos alunos, desde já comece a mudar suas atitudes, e elas começam no ato de assistir à aula, ser assíduo, não conversar ou ficar olhando celulares. Lembre-se de que os seus estudos começam com uma boa aula bem assistida e, depois, terminam com o seu esforço em casa na realização das tarefas!

Um grande abraço a todos e, assim, bons estudos!


Liu Xiaobo e os Direitos sem Nobel
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Liv Ullmann lê texto de Liu Xiaobo em cerimônia de entrega do Nobel da Paz 2010/ Foto: Marta B. Haga

O hospital da China Medical University passou por um dia extremamente agitado em 13 de julho. Nessa data, em decorrência do agravamento de um câncer de fígado, faleceu seu paciente mais famoso: Liu Xiaobo, militante chinês em defesa dos Direitos Humanos, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2010.

Condenado a 11 anos de prisão por crimes de “subversão” contra o Estado chinês, Liu Xiaobo estava encarcerado desde dezembro de 2008.  Sua detenção se deu poucos meses após o encerramento das Olimpíadas de Pequim, quando a mídia internacional não mais focava sua atenção à China. Desde 1938, ano da morte em um campo de concentração nazista do jornalista alemão Carl von Ossietzk (que venceu o Nobel da Paz em 1935), Xiaobo foi o único premiado pelo comitê Nobel a morrer aprisionado.

O governo de Pequim acusava o militante de ser o líder da elaboração e divulgação do manifesto Charter 08, um documento assinado por mais de 300 opositores e intelectuais, que exigia reformas pró-democracia na China. Os embates entre o Estado chinês e Liu Xiaobo começaram ainda em 1989, momento em que  ele participa das manifestações que culminaram no Massacre da Praça da Paz Celestial. Desde então, ele havia sido preso outras três vezes.

Inspirado no Charter 77 da ex-Tchecoslováquia, que exigia aberturas políticas na antiga União Soviética, o Charter 08 consiste em uma carta exigindo reformas políticas ao Estado chinês e o compromisso com a Declaração Internacional dos Direitos Humanos da ONU, da qual a China é signatária. Segundo esse manifesto, o governo controlado pelo Partido Comunista Chinês deve arcar com compromissos de democratização e respeito aos Direitos Humanos assumidos em diferentes ocasiões nos anos de 1998, 2004 e 2008.

Na grande medida, a repercussão internacional da morte de Liu Xiaobo decorre dele ser um ganhador do Nobel da Paz. A credibilidade do prêmio já foi contestada por algumas vezes, como quando em 1973 o agraciado foi o Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, responsável por crimes de guerra no Oriente e golpes de Estado na América Latina. Mesmo a escolha do ex-presidente norte-americano Barack Obama (2009) foi marcada por controvérsias, uma vez que ele recebeu a premiação no mesmo momento em que os EUA atacavam militarmente países do Oriente Médio.

A escolha da premiação é decidida por um comitê formado por parlamentares da Noruega. Trata-se de uma deliberação importante simbolicamente, pois permite que determinadas causas humanitárias adquiram maior visibilidade. Entretanto, quando optam por premiar alguma liderança de oposição envolta em lutas humanitárias, curiosamente escolhem esses chamados “dissidentes” de alguma parte do mundo em que os governos não sejam alinhados politicamente com os EUA ou com a Europa.

Há uma infinidade de “dissidências” políticas em países cujos governos são completamente alinhados a Washington e à União Europeia. A premiação de cerca de um milhão e meio de dólares (valor concedido a quem recebe o Nobel da Paz) certamente seria de grande auxílio na defesa dos Direitos Humanos. Além, obviamente, na obtenção de uma notoriedade internacional para suas causas.

Haveria algum constrangimento ao presidente dos Estados Unidos se eventualmente a escolha do comitê norueguês fosse a norte-americana Opal Tometi, uma das fundadoras do movimento antirracista Black Lives Matter? Seria problemático ao governador do Estado de São Paulo se a escolhida fosse Débora Maria da Silva, fundadora do movimento Mães de Maio, que combate as ações criminosas cometidas pela Polícia Militar sobre populações periféricas?

Independentemente de premiações, globalmente a situação dos direitos humanos no início do século XXI adquire uma urgência aflitiva. Na Síria, ou em Gaza, nas fábricas da Foxconn da China, em maquiladoras mexicanas, na Paris dos imigrantes africanos, na São Paulo dos haitianos. Em qualquer parte do mundo há enormes contingentes populacionais sem acesso a esses direitos.

O que vivenciamos, infelizmente, é a derrota de Liu Xiaobo no convívio social diário de nossas sociedades. Assistimos cotidianamente ao fortalecimento de organizações políticas que sequer reconhecem a premissa de que todos os seres-humanos devem possuir direitos. E considerando as semelhanças entre nossa época e a primeira metade do século XX, aquele tempo também estava repleto de forças políticas que desprezavam os pressupostos da Charter 08… Não funcionou muito bem.


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