Dicas de Vestibular

Arquivo : atualidades

Entenda a demarcação das terras indígenas e a PEC 215
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

Martírio (2016)/ Divulgação

Segundo estimativas históricas, o espaço que um dia se transformou no Brasil, apresentava, no início do século XVI, uma população indígena de 5 milhões de habitantes. Porém, o que se viu ao longo desses mais de quinhentos anos foi um intenso processo de expropriação territorial e a dizimação dos habitantes originais do do então território que se tornaria Brasil. Ao se julgarem donos das terras, os portugueses extinguiram várias aldeias, obrigando parcela considerável de indígenas a realizar trabalhos forçados. Sua escravização foi auxiliada em grande parte pela ação dos bandeirantes, caçadores de nativos e também responsáveis pela morte de diversos deles. Houve outro elemento que agravou ainda mais a situação: muitas doenças trazidas por europeus e africanos, tais como sarampo, febre amarela, varíola e malária potencializaram o desaparecimento de enormes contingentes autóctones.

É sob essa breve linha histórica, de genocídio e etnocídio que compreendemos na atualidade a existência de uma pequena parcela de descendentes dos diversos povos que habitaram o Brasil. Hoje, a população indígena autodeclarada corresponde a cerca de 800 mil indivíduos, distribuídos em 215 etnias, com 170 línguas diferentes. Desses, 60% encontram-se na chamada Amazônia Legal, em Terras Indígenas (TI) delimitadas pelo Governo Federal. Somadas, suas áreas totalizam uma extensão correspondente a 12% do território nacional. É dessa superfície que eles retiram seus recursos para a subsistência e mantêm suas tradições e seus conhecimentos.

A Constituição Brasileira, promulgada em 1988, assegura aos povos indígenas a posse permanente das Terras Indígenas, cabendo-lhes o uso exclusivo das riquezas presentes em seu interior. É da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a responsabilidade pela fiscalização e proteção dessas áreas, incluindo a proibição de qualquer invasão. Até o presente momento, cabe ao Presidente da República, representante máximo do Poder Executivo, a sanção final para o estabelecimento de uma nova TI. Porém, tal situação tende a mudar.

Desde o ano 2000, tramita uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que recebeu o número 215. Ela propõe que as demarcações de Terras Indígenas, a titulação das Áreas Quilombolas (também denominadas Terras de Preto), bem como as Unidades de Conservação Ambiental, passem a ser uma responsabilidade exclusiva do Poder Legislativo, ou seja, do Congresso Nacional, composto pela Câmara dos Deputados e Senado Federal. Tal proposta potencializa o fortalecimento dos interesses da chamada Bancada Ruralista, nome dado ao conjunto de deputados e senadores que defendem os interesses do agronegócio. Na maioria das vezes, tal grupo socioeconômico coloca-se contrário a medidas de proteção ao meio ambiente ou a preservação de espaços voltados para povos nativos.

Como o número de deputados e senadores engajados na defesa dos povos nativos é muito pequeno, a aprovação efetiva da PEC 215 gera maior discriminação, bem como acirra as rivalidades entre os produtores rurais e os indígenas, em determinados espaços geográficos do País. Estados como o Maranhão e Pará registram tensões e conflitos, que muitas vezes culminam em verdadeira guerra civil entre interesses antagônicos. De certa maneira, a implantação da Proposta de Emenda Constitucional potencializa, direta ou indiretamente, a legalização das práticas do genocídio e etnocídio em relação aos povos tradicionais desse País.

A falta de perspectivas reais para promoção do convívio entre as diversidades mostra o retrocesso social e histórico em que estamos envolvidos.


Entenda a Escravidão Moderna e seus conceitos
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

O ser humano é por natureza um ser gregário. Sem o grupo, o indivíduo não sobrevive. A partir do núcleo familiar, a organização de comunidades tribais viabilizou, ao longo de milhares de anos, o desenvolvimento de relações sociais e técnicas de produção que viriam a constituir as bases do que se convencionou chamar de civilização. O domínio do cultivo da terra e também do fogo, as técnicas dos metais e das armas de guerra levaram grupos étnicos a confrontos por disputas pelos territórios férteis e pelas águas e alimentos abundantes. Desse ponto às rivalidades entre as tribos, a humanidade caminhou para a prática da escravização dos vencidos pelos vencedores.

Na Antiguidade, povos assírios, egípcios, babilônicos, hebreus, gregos e romanos ergueram impérios baseados no braço escravo de milhares de trabalhadores. Sem distinção de cor, gênero ou crenças religiosas, os escravos e escravas eram usados nas mais variadas funções: nos campos, minas e nas cidades, no comércio, artesanato e serviços inclusive policiais e militares. Alguns desfrutavam de poucas regalias: poder juntar valores para comprar sua liberdade; mas a maioria sofria as mais degradantes condições de vida, até mesmo a morte.

A evolução das relações de produção viria a gerar outras formas de dominação entre classes e estamentos sociais. Observe-se, por exemplo, a diferenciação estabelecida nas relações homem-homem e homem-natureza entre escravos, servos e os operários dos nossos tempos. Enquanto os servos medievais eram donos dos meios de produção que utilizavam (como a terra e suas ferramentas), os operários nas fábricas de hoje têm apenas a propriedade de sua força de trabalho. Já os escravos são os próprios meios de produção. O escravo não é dono nem do próprio corpo, é uma mercadoria negociada entre traficantes e senhores.

Escravos na Era Moderna

Mesmo com o desenvolvimento de outras formas de organização social, como o feudalismo na Europa e os modos de produção das civilizações pré-colombianas nas Américas, a escravidão jamais deixou de ser praticada em várias partes do mundo. Quando os portugueses e espanhóis se lançaram às navegações desafiando o Oceano Atlântico, a humanidade ingressava no que viria a ser a chamada Era Moderna. Ao desembarcarem nas costas da África, observaram o costume enraizado da escravização de povos negros por outros negros para o comércio com árabes que os empregavam em seus domínios ou os revendiam para o Oriente, as chamadas Índias.

A partir de então, na montagem do sistema colonial que se espalhou por todo o planeta, o mercantilismo europeu fez do tráfico negreiro um dos pilares da construção de um modo de produção posteriormente rotulado capitalista. A conquista e exploração das Américas impôs formas variadas de escravidão. As colônias de Espanha, por seu lado, adotaram a Mita e as Encomiendas. A primeira, antigo costume do Império Inca, impunha o trabalho compulsório em obras públicas, nas minas e nos campos, enquanto os encomenderos espanhóis exploravam os indígenas com a obrigação de lhes “ensinar” a cultura e a religião cristã. O peso maior, em termos continentais, restou, no entanto, para a chamada escravidão negra adotada nas três Américas.

Como se lia num dito popular corrente pelo Brasil português nos séculos coloniais, “sem açúcar, não há Brasil; sem a escravidão, não há açúcar; sem Angola, não há escravos”. A integração de Europa, América e África no sistema atlântico articulava a produção de elementos primários tropicais nas terras brasileiras, que tem sua comercialização nos mercados europeus e o fornecimento de milhões de africanos escravizados pelo tráfico organizado durante os séculos XVI a XIX. Calcula-se que tenham entrado no Brasil 50 mil escravos negros durante o século XVI, 560 mil no XVII, 1 400 000 no XVIII e 2 milhões no XIX. Isso corresponderia a cerca de 40% do total entrado nas Américas naquele período. Estudos sobre a escravidão moderna nos fornecem, ainda, dados como:

Regiões de desembarque de escravos oriundos da África:

  Fonte: banco de dados coordenado pelo professor David Eltis, da Universidade Emory

A estrutura social básica que se desenvolveu no Brasil colonial era movida por escravos indígenas, os chamados “negros da terra”, e principalmente por negros africanos. Sobre esses trabalhadores forçados recaíam todos os tipos de trabalhos pesados. Cabe a pergunta: por que os colonizadores lusitanos optaram pela escravidão e, particularmente, pelos negros como força motriz da economia nas regiões de polo econômico, como o Nordeste açucareiro e as regiões mineradoras do século XVIII?

Não havia em Portugal um contingente de trabalhadores assalariados suficientemente disponível para a empreitada da colonização das terras americanas. Além disso, não era condizente com a visão mercantilista de exploração da colônia o envio desses trabalhadores, necessários na economia da metrópole. De imediato, os altos lucros do tráfico de escravos representavam muito mais os interesses da Coroa e de seus aliados empresários da importação de africanos para a ilhas atlânticas e, posteriormente para o Brasil. Quanto aos indígenas nativos, embora tenham sido escravizados nas regiões pobres, como São Paulo e na costa norte, constituíam uma opção menos adequada aos interesses lusos seja pelo desconhecimento das práticas agrícolas, seja pela resistência mais eficaz em território conhecido que ofereciam. Vale lembrar que os africanos eram “peças” bastante caras para os compradores da colônia. Desse modo, nas áreas pobres não exportadoras, os nativos compuseram o corpo principal da mão de obra. Some-se a isso, ainda, a atuação dos missionários jesuítas junto à Coroa portuguesa, no sentido da proibição formal da escravização dos índios. Era de fundamental importância para a Companhia de Jesus a catequese dos povos indígenas em cumprimento de sua “missão salvadora e civilizatória” e no interesse na mão de obra servil nas economias das missões pelo Brasil afora.

Visões sobre a escravidão e suas heranças 

Assim se ergueu uma sociedade patriarcal, rigidamente estratificada, com uma elite dominante aristocratizada composta dos grandes senhores de terras e de escravos e da grande quantidade de escravos que moviam a estrutura produtiva em todos os níveis. Homens livres, assalariados ou autônomos, como padres, funcionários burocratas, militares, artesãos e mascates compunham um grupo intermediário diminuto e subalterno à classe dominante.

Conservadora, autoritária e violenta, essa sociedade consolidou uma mentalidade marcada pelo envilecimento do trabalho braçal, pela segregação, discriminação e fortes preconceitos raciais e sociais. A tudo os escravos buscaram reagir como lhes era possível. As fugas dos engenhos, suicídios, abortos, revoltas, a formação de quilombos (aldeamentos), e mesmo manifestações religiosas temidas pelos senhores brancos caracterizaram formas de resistência contra a escravidão.

Em todos setores de atuação, na agricultura, no comércio e transportes, no artesanato e mesmo como escravos de ganho (cativos que exerciam atividades autônomas ou para terceiros e rendiam tributos aos senhores), os africanos deixaram sua marca na formação do povo brasileiro. As múltiplas culturas negras para cá transladadas influenciaram os costumes – como a sexualidade – e valores da sociedade, as artes – música e dança – e a culinária, as crenças religiosas, etc. Com toda a discriminação que procura desvalorizar a importância africana em nosso meio social, coube o reconhecimento do peso dessa presença realçado, sobretudo, nas obras de Gilberto Freyre (Casa Grande & Senzala), Sérgio Buarque de Hollanda (Raízes do Brasil), Darcy Ribeiro (O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil) e outros.

No século XXI, ganha força a articulação de movimentos negros que, a partir de experiências ensaiadas no século passado, passaram à ofensiva com ações positivas no combate à discriminação, denúncias de segregação e preconceitos, conquistas de espaços e afirmação da cultura afro-brasileira. Tal processo se desenrola em meio à insistência de setores da sociedade com mentalidade retrograda em preservar práticas escravistas, mesmo que criminalizadas em lei.  São frequentes as denúncias de trabalhadores submetidos a condições degradantes de trabalho, subjugados pela pobreza extrema, que simbolizam até hoje a sobrevivência daquela mentalidade de raízes escravocratas em setores do empresariado que se dizem modernos.

Bom estudo!

 


Entenda por que os conflitos na Síria estão longe de acabar
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

*Por Augusto da Silva

Em março de 2011 a Síria passou a ser palco de um grande conflito, não equacionado até os dias de hoje. Suas origens remontam ao contexto das manifestações que ficaram conhecidas como Primavera Árabe, quando em países localizados na porção setentrional do continente africano e em algumas nações do Oriente Médio a população ocupou ruas e praças exigindo mudanças políticas em direção de estruturas mais democráticas. Na Síria, parte da população inicia manifestações contrárias ao governo de Bashar Al Assad, resultando em repressões que gradativamente se transformaram num dos conflitos mais sangrentos do Oriente Médio, com um saldo de cerca de 400 mil mortos, quase 5 milhões de refugiados e mais de 6 milhões de deslocados internos, além da destruição de suas principais cidades.

Esse conflito conta com importantes países e potências que, em decorrência de suas ações difusas e conflitantes, dificultam a edificação de uma solução pacífica do conflito. A Rússia, liderada por Vladimir Putin, apoia o governo de Assad, encontrando no governo sírio importante consumidor de suas armas além de defender um importante aliado nas questões geopolíticas que envolvem o Oriente Médio. O governo norte-americano, durante a gestão de Barack Obama, apoiou insurgentes que exigem a queda de Assad. Os Estados Unidos não aprofundaram esse apoio, dentre outros motivos para não agudizar instabilidades com a Rússia como também não gerar possíveis críticas internas, já que parte da população estadunidense não vê com bons olhos outra ação militar depois dos excessivos gastos com a interferência no Iraque (2003-2013).

Outro participante ativo nesse conflito é o grupo Estado Islâmico que, aproveitando-se dessa instabilidade ocupou parte da Síria, visando constituir seu califado, ou seja, território controlado politicamente por um líder religioso (califa). Contra esse grupo observam-se ações perpetradas pelo governo sírio e dos insurgentes apoiados pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais. Um último ator importante dessa trágica história é a população de origem curda, minoria étnica que habita região que engloba parte da Turquia, Síria, Iraque, Irã e Armênia, desejando a formação e reconhecimento internacional de um novo país no Oriente Médio: o Curdistão. Sobretudo, eles lutam contra forças do Estado Islâmico que desejam ocupar parte do território habitado pela população curda.

Vale destacar que nos últimos meses vem despontando a possibilidade de Bashar Al Assad ampliar seu controle político e territorial, findando a fase mais sangrenta desse conflito, apesar de a paz ainda ser incerta. Desde 2015 a Rússia iniciou bombardeios na Síria em apoio a Assad, permitindo que esse governante retome territórios importantes e estratégicos, principalmente na costa do país. O mínimo que se espera é que prevaleça o diálogo, permitindo a conclusão de um conflito que penaliza profundamente uma população que nos últimos 6 anos viu sua expectativa de vida reduzir cerca de 20 anos, a produção de alimentar cair em 40% e a taxa de desemprego alcançar a marca de 57%.


Esclareça suas principais dúvidas sobre o SiSU
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

manual_candidato

2017 ainda não chegou, mas já traz um período curto e muito intenso para todos os vestibulandos do país: o acesso ao SiSU. O Sistema Integrado de Seleção Unificada (SiSU) permite que o vestibulando que tiver feito o Enem em 2016 (e que não tenha zerado em redação) possa concorrer a um grande número de vagas em instituições públicas de ensino superior pelo país. Quais instituições? Ah, isso só será possível conhecer através do portal e mais próximo da data de sua abertura, ainda indefinida. Com tantas possibilidades, estamos falando de um dos principais sistemas destinados a vestibulandos de todo o país.

Veja as principais dúvidas dos estudantes sobre o SiSU:

1. Como funciona?

O SiSU funciona em uma única etapa de inscrição. Nele, o candidato faz as escolhas (primeira e segunda opções) dentre as vagas oferecidas pelas instituições participantes e também se as vagas são de ampla concorrência ou de políticas afirmativas. A escolha feita não é definitiva, já que durante o período de inscrições o candidato pode alterar suas opções. Mas atenção: a última inscrição confirmada é que será considerada válida.

sisu1

O Acesso ao SiSU é feito com o número de inscrição no Enem 2016 e a senha que você cadastrou. Se esquecer a senha, vá até o site do Enem e recupere.

 

sisuuu

Aqui você escolhe as duas opções de curso e acompanha sua inscrição durante todo o processo.

 

sisu2

São três etapas para concluir sua inscrição. No primeiro, você pesquisa as vagas que te interessam.

 

sisu3

Aqui, na 2ª etapa, você escolhe a modalidade (ampla concorrência ou políticas afirmativas).

 

sisu4

Finalizando o processo, na terceira etapa, você confirma suas escolhas. Durante todo o período de inscrição, é possível modificar as opções inúmeras vezes.

 

sisu5

Ao longo do período em que o SiSU fica aberto, notas de corte e classificação parciais são divulgadas a partir de 00h. Acompanhar essas informações permite avaliar suas chances de aprovação.

2. Existem “atalhos” para conseguir as vagas?

Não. O importante é fazer as escolhas de primeira e segunda opções nos cursos que você, verdadeiramente, vai cursar. Não tem sentido nenhum fazer uma escolha apenas para poder dizer depois: “eu passei!”. Além disso, um procedimento como esse pode tirar a vaga de uma pessoa que iria fazer justamente esse curso. Saber qual o peso de cada nota e também as notas de corte provisórias, publicadas diariamente, trará informações preciosas em relação às suas escolhas.

3. Qual a diferença entre ser aprovado em primeira e segunda opções?

Se você for aprovado em primeira opção, terá sua única oportunidade de se matricular. Agora, se for aprovado em segunda opção, poderá ainda manifestar interesse em participar da lista de espera de sua primeira opção. Em ambos os casos, o cuidado com os prazos é imprescindível!

4. Como funciona a lista de espera?

Caso você não tenha sido aprovado em primeira opção, deve acessar o portal do SiSU e manifestar interesse, não esquecendo de observar os prazos. A lista de espera só existe para sua primeira opção! Daí em diante, para saber se foi aprovado, sempre acompanhando as informações fornecidas pela instituição escolhida.

O pessoal da UFAL (Universidade Federal do Alagoas) fez um fluxograma que ajuda a visualizar bem todos as possibilidades.

Esse período vai exigir muita calma, pesquisa, persistência e paciência.

Um bom SiSU para você!

fabio

 


Veja 6 temas imprescindíveis em atualidades para se atentar no vestibular
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

*Por Hugo Anselmo

Charlie_Hebdo

Com a aproximação da FUVEST e outros grandes vestibulares já em andamento, é importante destacar temas de atualidades que podem ser abordados nas provas. Os assuntos que foram indicados para o Enem neste blog continuam em evidência, portanto vale a pena rever esses conteúdos.

1 – Terrorismo, Estado Islâmico e Boko Haram
O atentado ao jornal humorístico Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, reacendeu o debate sobre  o terrorismo e a liberdade de expressão. O ataque ocorreu após a polêmica publicação de uma caricatura do profeta Maomé, considerada ofensiva por parte da comunidade islâmica.

Convém ressaltar que diversos países do mundo sofrem atualmente com ataques de grupos terroristas. O avanço do Estado Islâmico (EI) vem desestabilizando ainda mais o Oriente Médio, uma vez que o grupo promoveu atentados em países como Kuwait, Líbano, Turquia e, mais recentemente, na França. O EI atualmente se expande em direção ao norte da África, sendo a Líbia, fragilizada após a Primavera Árabe e a queda de Muammar Kadafi, o novo ponto de expansão do grupo. O Boko Haram, grupo terrorista atuante na porção nordeste da Nigéria, foi responsável pelo Massacre de Baga, com um saldo de aproximadamente 2000 mortos, e declarou, no primeiro semestre de 2015, lealdade ao Estado Islâmico. Essa aliança pode gerar consequências ainda não dimensionadas pela comunidade internacional.

2 – Reforma política no Brasil
Os debates sobre a reforma política no Brasil, com propostas sobre a reorganização do sistema de financiamento de campanhas e do processo eleitoral, podem servir como base para a elaboração de questões sobre o papel dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) na política nacional. Outro destaque recente é a fragilização das leis trabalhistas, com a aprovação na Câmara Federal da lei que amplia as terceirizações.

3 – Aumento da influência da China
A China tem feito diversos investimentos em infraestrutura na América Latina e na África, o que expande a sua influência na economia e política global. O projeto mais ousado é a construção do Canal da Nicarágua, que ligará os oceanos Pacífico e Atlântico. Com um custo estimado de 50 bilhões de dólares, o investimento está sendo realizado pela empresa chinesa HNKD (Hong Kong Nicaragua Canal Development). Entretanto a iniciativa enfrenta forte resistência de ambientalistas e de comunidades locais que serão afetadas pelas obras.

No Brasil, duas empresas chinesas integram o consórcio liderado pela Petrobrás para a extração de pré-sal. Em 2015 também foram anunciados planos para a construção da Ferrovia Bioceânica, que poderá conectar os litorais do Brasil e do Peru, em um novo projeto de integração dos oceanos Pacífico e Atlântico. Caso o projeto siga adiante, poderá ter participação de capital chinês.

A China também tem aumentado seus investimentos no continente africano, especialmente em infraestrutura para a extração de recursos naturais, como petróleo e minérios, e em construção de grandes obras, como ferrovias e portos. Isso despertou a atenção dos Estados Unidos, que entraram na disputa por investimentos e aumento da influência no continente africano.

4 – Problemas urbanos e a crise hídrica
Os problemas sociais e ambientais urbanos são abordados com frequência em vestibulares. Por  essa razão, temas como moradia, mobilidade urbana, enchentes, poluição atmosférica e de cursos fluviais e a crise hídrica, que prejudica o abastecimento de diversas cidades da Região Metropolitana de São Paulo, devem ser privilegiados.

5 – Investimentos em transporte
Em junho de 2015 foi anunciado o Plano de Investimentos em Logística, que prevê obras em portos, aeroportos, ferrovias e portos. Os leilões envolverão investimentos na ordem de 200 bilhões de reais, incluindo capital estatal e da iniciativa privada.

6 – O desastre de Mariana e a questão ambiental
O rompimento da barragem de rejeitos da Samarco (holding com participação da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton) dificilmente será abordado em questões de vestibulares no final de 2015 e início de 2016, mas pode ser visto como um alerta sobre os diversos temas relacionados ao meio ambiente. Assuntos como as mudanças climáticas, a contaminação de lençóis freáticos e do Aquífero Guarani, devido à agropecuária, e o desmatamento dos biomas brasileiros também podem ser abordados.

hugo_anselmo


Enem: Sabe quais assuntos de Atualidades podem cair? Veja algumas dicas
Comentários Comente

Dicas de Vestibular

*Por Hugo Anselmo

atualidades_temas

Reaproximação entre Cuba e EUA é um dos diversos temas a serem observados

Ao se aproximarem os vestibulares, é comum que os candidatos se preocupem em saber quais temas relacionados a atualidades devem priorizar e a quais é necessário dedicar atenção especial. No entanto, antes de indicar alguns assuntos que merecem maior atenção em 2015, lembre-se de um detalhe importante: as questões que envolvem atualidades exigem que os candidatos estabeleçam relações com os conteúdos tradicionais do Ensino Médio, incluindo diversas questões interdisciplinares. É rara a ocorrência de questões isoladas e descontextualizadas sobre fatos atuais.

Neste post, vamos dar uma atenção especial ao ENEM, que está bastante próximo. Indicamos, inclusive, links de páginas onde você pode se informar mais sobre os temas.

Em Geografia Geral, a Guerra na Síria tem se destacado, especialmente pelos desdobramentos relacionados aos refugiados que tem buscado asilo em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. Observe, em seus estudos, as origens do conflito, iniciado após a Primavera Árabe, em 2011, e a atuação do Estado Islâmico do Iraque e Levante no agravamento das relações geopolíticas locais e globais.

O ano de 2015 também foi marcado pela reaproximação diplomática entre EUA e Cuba, cujas relações estavam interrompidas desde 1961, fruto do embargo econômico imposto pelos norte-americanos. Após reuniões e pronunciamentos ao longo do primeiro semestre, finalmente, em julho de 2015, as embaixadas de Cuba em Washington e dos EUA em Havana foram reabertas, o que selou a reaproximação entre os países. Apesar de o embargo ainda estar vigente, há uma expectativa da comunidade internacional de que essa reaproximação seja uma primeira etapa para o seu fim.

A crise econômica na Grécia e seus desdobramentos para a União Europeia ainda se mantêm como um tema de destaque, especialmente após o governo grego não cumprir acordos firmados com o FMI em junho deste ano, o que intensificou os debates sobre o futuro do país e da própria União Europeia.

Em Geografia do Brasil, priorize as questões referentes aos problemas socioambientais urbanos, como moradia, saneamento básico, enchentes, deslizamentos de terra e violência urbana. Os debates sobre a mobilidade urbana e a busca pela diversificação dos modais de transporte no Brasil em grandes cidades, como as faixas de ônibus e as ciclofaixas em São Paulo, também podem ser explorados em questões.

Fique atento também a temas relacionados aos direitos humanos e questões sociais, como os recentes e frequentes casos de racismo noticiados, ocorridos inclusive em redes sociais. Questões envolvendo o trabalho no Brasil também podem surgir, especialmente sobre o trabalho análogo à escravidão, persistente em áreas rurais e urbanas do país.

Nessa reta final é importante compreender a origem e os desdobramentos dos temas destacados neste texto.

Bons estudos!

hugo_anselmo


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>